29 de dezembro de 2008

As Nicolinas de 1858

Festividade. – A irmandade de S. Nicolau festejou, este ano, o dia do Santo com pompa e magnificência além do ordinário. A missa foi cantada no altar-mor, estando exposto o Deus Sacramentado, Pregou o distinto orador snr. Mendes Leite, abade de Santa Cristina de Arões. Esteve presente à festa um grande número de irmãos.
Folia escolástica. – A folga escolástica de S. Nicolau parece que caminha para o seu termo; nem outra coisa era de esperar depois de a confundirem com os divertimentos ordinários e comuns – danças e teatro –, contudo alguma coisa houve de bom, e mau. Comecemos por este.
Não temos grandes queixas; mas alguém as tem, não tendo podido conciliar o sono, com o estrondo dos tambores durante as noites. Parece que a nossa advertência só a nós foi proveitosa. Em outro tempo, iam os estudantes à novena de N. S. da Conceição; antes de ir, faziam as suas graças, às vezes pesadas; mas não amotinavam a povoação com o estrondo dos tambores, salvo de dia e só no dia próprio deles.
Com exclusão deste abuso, tudo o mais esteve bom, e por isso foi pouco, muito pouco.
No domingo saiu o bando a horas competentes, com todo o asseio e boa ordem, fazendo o clarim calar os tambores quando o pregoeiro recitava o bando escolástico, que deixámos transcrito. O pregoeiro ia rica e elegantemente vestido e, o carrinho que o conduzia, vistosamente ornado, podendo dizer-se bem de todos os máscaras, tanto de pé, como a cavalo.
Ontem a distribuição da renda pelas damas começou tarde, Era meio-dia quando os cavaleiros se espalharam pelas ruas chegando às belas meninas, que ornavam as janelas, as coradas maçãs e açucarados bolos que cravados tinham nas pontas agudas das suas lanças douradas,
Às duas horas da tarde estava tudo distribuído.
Poucas foram as exibições que apareceram no resto do dia, mas algumas delas chistosas e picantes. A primeira foi a aparição de um fio eléctrico, com direcção a Braga, pelo qual se estavam recebendo notícias, que eram logo publicadas; entre elas uma recebida de Lisboa, que dizia – Guimarães vai ter tudo o que lhe falta: telégrafo eléctrico, biblioteca, estradas e até caminho-de-ferro, porque uma coisa tinha caído.
Outra era: duas damas, em carrinho descoberto, vestidas com mantos pretos e toucas na cabeça; seguidas de criados com riquíssimas librés. Atrás do carrinho ia um homem do povo, que o empurrava, como para andar mais depressa do que os cavalos o levavam, Na tábua do carrinho, quando o homem o empurrava, e na mão deste, ia um lampião aceso.
Outra compunha-se de quatro indivíduos, cobertos com dominós negros e com archotes acesos na mão, andando a toque de caixa.
À noite, teatro gratuito e primorosamente desempenhado. Concorrência superior à capacidade da casa.
A Tesoura de Guimarães, n.º 226, Guimarães, 7 de Dezembro de 1858
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27 de dezembro de 2008

26 de dezembro de 2008

25 de dezembro de 2008

24 de dezembro de 2008

23 de dezembro de 2008

Os nomes de Guimarães: Vila Velha do Castelo de Guimarães


É de saber que até ao tempo de D. Dinis a parte alta da cidade era murada, desde data incerta, enquanto a parte baixa se conservava aberta, divisão material que favorecia a conservação da outra que provinha dos privilégios.

Essa parte alta murada tinha então a denominação de Castellum de vimaranis, talvez porque com o castelo propriamente dito formava um todo continuo, uma fortaleza única.

Enquanto assim foi, os moradores da parte baixa aceitaram sem relutância os privilégios dos seus vizinhos, mas depois que, no tempo de D. Dinis, todo o burgo se viu rodeado de muros e portanto uns e outros obrigados à sua defesa, sobretudo depois que no ataque que à vila fez Henrique II de Castela, tiveram os habitantes de baixo de socorrer e defender a parte alta, começaram estes protestando e reclamando contra as regalias dos moradores intus castelli que tenazmente procuravam sustentá-las.

Esta luta prolongou-se até ao tempo de D. João I que a terminou de vez com a completa extinção dos privilégios dos moradores do Castelo.

Supõe o snr. Alberto Sampaio que a denominação de vila a recebera a parte alta da cidade em razão de aí se achar, fora do castelo propriamente dito, o palácio real onde fixaram residência D. Henrique e D. Teresa. Mas esta designação de vila só tardiamente aparece em documentos do tempo de D. Fernando; antes desse rei é a denominação de Castellum vimaranes (abrangendo a freguesia de S. Miguel do Castelo) que nas Inquirições de D. Afonso III se opõe à vila vimaranes (abrangendo as freguesias da Oliveira, S. Tiago e S. Paio), e de resto os privilégios que permitiam aos moradores do Castelo “averem juizes e officiaes antrassy”, de sobra lhe justificavam o título que lhe veio a ser dado.

Depois de D. João I passou a chamar-se vila velha do Castelo de Guimarães.

Velha porque? Decerto porque foi murada muito antes que o resto do burgo.

Resumindo:

A latitude e longitude que Ptolomeu assinala à Araduca não é a que tem Guimarães.

Não há documentos antigos que façam menção de tal cidade.

Os documentos trazidos à luz pelo snr. abade de Tagilde, e talvez a costumeira a que alude o padre Torcato, provam que entre a parte alta e a parte baixa da cidade houve desde D. Afonso Henriques, até ao tempo de D. João I, uma distinção proveniente de privilégios concedidos àquela pelo primeiro destes reis; mas que nada tinham com a suposta Araduca.

João de Meira, O Claustro da Colegiada de Guimarães. Revista de Guimarães n.º 22, 1905, p. 39-56.

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22 de dezembro de 2008

Os nomes de Guimarães: Leobriga, Columbina e... Guimarães


Outros nomes diz a Corografia ter Guimarães, a saber Leobriga e Columbina, mas deixada toda esta variedade com que os autores antigos e modernos se cansam sobre o nome de Guimarães assentamos que Guimarães desde o seu princípio conservara este nome.

Assim se exprime o corregedor de Guimarães Francisco Xavier de Serra Craesbeck no seu volume Memórias Ressuscitadas de Entre-Douro-e-Minho, que se conserva na Biblioteca Nacional de Lisboa. Damos em nota este extracto apesar da sua extensão, porque é inédito e porque patenteia bem o nenhum valor de tradições geralmente aceites mas que não tem um argumento sério em seu favor. Para o caso da cidade «Latita», oppidum latitum, por exemplo, o argumento é um erro de leitura de documentos pertencente ao Livro de Mumadona, o qual diz ad radicem alpe latito e não ad radicem oppido latito. Os outros não valem mais, como a simples leitura o mostra.

João de Meira, O Claustro da Colegiada de Guimarães. Revista de Guimarães n.º 22, 1905, p. 39-56.

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21 de dezembro de 2008

Os nomes de Guimarães: Cidade de Santa Maria


O quinto nome que se dá a Guimarães é o de cidade de Santa Maria; descobre-se este nome em uma sentença que D. Afonso V. O Rei de Leão pronunciou a favor do convento de Guimarães, copiada no livro das doações, que começa Ambiguum, onde propondo-se diante o rei uma acção contra o dito convento refere que a mesma já fora posta no tempo d'el-rei D. Bermudo, sucessor de D. Ordonho, que reinaram na Lusitânia, e nesta sentença se declara que vindo o príncipe D. Bermudo a esta terra à herança de seus pães aqui na cidade de Santa Maria Alem Douro se intentara acção contra o convento, corno se vê das palavras seguintes: et per talis actio pervenerut in ejus praesentiam in civitate Sanctae Mariae; por estas palavras claras se mostra estar a cidade de Santa Maria em Guimarães ou ao menos no seu termo porque a data da sentença nos desfaz a dúvida da determinação da terra Hic in eclesia Sancti Michaelis Archangelis in oculis calidarum. Temos as Caldas junto ao rio Avicela, temos a igreja de S. Miguel tudo no termo de Guimarães, com que cessa todo o escrúpulo da identificação do sítio poderá controverter a mais rígida especulação. Se se reparar na palavra Tras-Durio: Além Douro, assim se nomeava então Entre Douro e Minho, Além Douro como hoje dizemos Trás-os-Montes e Alem Tejo, como se mostra de uma carta de elrei D. Afonso III, conde de Bolonha, enviada a Vasco Pereira meirinho-mor de Além Douro, porque se lhe ordenava que não consentisse que os fidalgos pousassem nos herdamentos do Prior e cabido de Guimarães.
Brandão assinala o sítio da cidade de Santa Maria na terra da Feira e D. Rodrigo da Cunha na cidade do Porto fundando-se em uma sentença dada em tempo de el-rei D. Afonso Henriques no Castelo de Santa Maria e no privilégio dos infanções se declara a Terra da Feira por Terra de Santa Maria. Não nos encontram estas resoluções da situação de Guimarães antes servem de melhor prova por quanto é certo que sendo fundado o mosteiro de Guimarães com o título de Santa Maria, todas as terras que se lhe subordinavam tomavam o mesmo nome (como fizeram no Porto depois da entrada dos Gascões) quanto mais que a Terra de Feira tem muitas terras, enfitêuticas que se denominam de Santa Maria (que é Guimarães) e haver na Terra da Feira Castelo de Santa Maria é coisa diferente da cidade de Santa Maria que era só em Guimarães. O que se confirma do que diz Brandão fazendo menção do livro dos privilégios dos Infanções concedidos por el-rei D. João I aos cidadãos de Lisboa que depois por especial privilegio se concederam às cidades do Porto, Braga e Guimarães nomeando a todas por cidades.
A conquista dos Gascões de que faz menção o Ill.mo D. Rodrigo da Cunha não deu o nome a Guimarães que já era conquistado no tempo de D. Afonso o magno, muitos anos antes da vinda dos Gascões pois no tempo d'el rei D. Ordonho e D. Ramiro II estava o Porto e Feira ocupados de mouros e reinando em Galiza D. Bermudo e D. Ramiro III em Leão (depois de várias discórdias) se abriu a porta ao orgulhoso animo de Almançor para romper a trégua penetrando a Lusitânia e Galiza guiado do Conde D. Vela (segundo Julião de Espanha) assolando até os cimentos Coimbra, Porto, Braga e a valorosa Britonia, mas Guimarães com o seu castelo ficou intacta, conservando o titulo de cidade de Santa Maria.
João de Meira, O Claustro da Colegiada de Guimarães. Revista de Guimarães n.º 22, 1905, p. 39-56.
[continua]
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20 de dezembro de 2008

Sobre o anúncio do 'chumbo' dos projectos para Toural e o Mercado Velho

O recente anúncio de que o IGESPAR teria informado, por via de parecer informal, que seria contrário à concretização dos projectos para o Toural e para o antigo mercado merece alguma reflexão.

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O Toural. Gravura publicada no "Archivo Pittoresco", 7.º ano (1864), pág. 217.

Em relação ao projecto para o Toural, do meu ponto de vista, já aqui amplamente exposto, seria mais do que natural o chumbo do parque subterrâneo e do túnel previsto no projecto que tem estado em cima da mesa. Não faltavam argumentos para desaconselhar essas intervenções. Já o mesmo não direi se se fala em restrições draconianas em relação a eventuais intervenções à superfície. Ao longo dos séculos, o Toural já teve muitas caras. Parece consensual a ideia de que a nossa sala de visitas está, há muito, a pedir uma intervenção de requalificação. Se essa intervenção for desenvolvida dentro da mesma lógica conceptual que esteve presente nas intervenções que, ao longo das últimas décadas, tiveram lugar no miolo do Centro Histórico, não estou a ver quais possam ser as suas contra-indicações.


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O mercado em 1908 (feira dos chapéus)

Quanto ao projecto para o Mercado Velho, ao que leio, as objecções do IGESPAR resultam de aquele espaço se situar “numa zona sensível, junto a um monumento nacional, a Igreja de S. Domingos, e por prever o desaparecimento de espécies arbóreas de elevado valor”. Ora, a bem do rigor, convirá precisar que a Igreja de S. Domingos de Guimarães ainda não está classificada como monumento nacional. Está classificada como Imóvel de Interesse Público desde Maio de 1959. Monumento nacional é, desde 1910, o Claustro de S. Domingos, onde está instalado o Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento. Desde 1960, este monumento está resguardado por uma Zona Especial de Protecção, que, a partir de 1974, abrange toda a rua de D. João I.

A requalificação do Mercado Velho é necessária e é urgente. Sem uma intervenção que lhe deite a mão, aquele espaço, agora abandonado, tenderá a morrer, a entrar em decomposição e a transformar-se numa bolsa de degradação no coração da cidade. Por outro lado, a ideia de o transformar numa nova centralidade, aliviando a pressão sobre as praças intramuros, cuja "capacidade de carga” é ultrapassada, muitas vezes, para lá dos limites do desejável (em especial à noite), tem que ser encarada positivamente. Começa a ser consensual a noção de que uma das principais linhas orientadoras das intervenções no Centro Histórico (requalificar o Património sem o musealizar e sem expulsar os moradores, contrariamente ao que aconteceu em tantos outros sítios) está em risco, por força da agitação nocturna que invade as nossas velhas praças, em especial ao fim-de-semana. O Mercado Velho, pela sua configuração física e por se situar razoavelmente afastado de espaços habitacionais, poderá absorver boa parte dessa vitalidade, permitindo reduzir os níveis de desconforto que afectam uma população cada vez mais envelhecida.

Se se vier a demonstrar que a construção do edifício que acolherá a futura da Casa da Memória, previsto para a ala sul do Mercado Velho, não será viável, por estar dentro da zona de protecção ao conjunto do claustro de S. Domingos (MN), da Igreja de S. Domingos (IIP) e da Rua de D. João I (IIP), a solução poderá passar por transferir o novo edifício para a ala voltada a poente, num espaço já fora do perímetro de 50 metros da zona de protecção e integrado na Zona Especial de Protecção que envolve todo o Centro Histórico.

O suposto problema com as árvores, até porque o projecto prevê a preservação dos elementos arbóreos mais nobres, é um falso problema.

Declaração de interesse: o autor destas linhas esclarece que tem interesse no projecto da Casa da Memória, por se contar entre aqueles que conceberam a ideia original que lhe subjaz. Mais esclarece que o seu interesse não comporta qualquer componente financeira ou profissional.

Post scriptum: a propósito do anúncio de que aqui se trata, este debate dá que pensar.

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Os nomes de Guimarães: Latita


O quarto nome que descobrimos intitular-se Guimarães é o de cidade Latita oppidum latitum. Consta da doação de Santa Maria de Oliveira copiada no livro de D. Muma nas palavras seguintes: in coenobio nuncupato Vimaranes quod est fundata ad radicem oppido latito não há que a rude traumática pois saía da barbária africana; o sentido está patente, pois confessa estar edificado o mosteiro na raiz da cidade Latita, a palavra oppidum no rigor da gramática latina, na frase jurídica e histórica significa cidade; denominava-se oppidum ab oppibiu tuendis posto que se diversifique oppidum, ab urbe, porque urbs tinha origem de um arado de metal com que delimitavam as cidades encostando as terras para a parte interior suspendendo os lugares das portas, levando o arado um touro e uma vaca como diz Virgílio: inter encas (?) urbem designat aratio. E se denominavam pelo nome oppidum as povoações edificadas sem esta cerimónia ou fosse cidade que tivesse muros ou que os não tivesse; assim convém em que as cidades promiscuamente se nomeavam já urbes já oppida. Com ambas as palavras se significa cidade e se conhece estar o mosteiro de Guimarães fundado nas raízes da cidade Latita.

João de Meira, O Claustro da Colegiada de Guimarães. Revista de Guimarães n.º 22, 1905, p. 39-56.
[continua]

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19 de dezembro de 2008

Os nomes de Guimarães: Célia


O terceiro nome (se já não foi o segundo) é o de cidade Célia, ou Celiobriga por o nome Briga ser apelativo de cidade em Espanha e assim vem a denominar-se cidade Célia; dela trata Plínio tratando as propriedades do linho dizendo: Non dudum ex eadem Hispania Zoelicum venit in Italiam, plagis utilissimum, civitas ex Galecia et Occeano propinqua. De Guimarães entende esta autoridade de Plínio, Dominico Mario Niger na sua geografia e acrescenta se denominava o linho célio da cidade de Célia. O mesmo segue Duarte Nunes de Leão na descrição de Portugal. Favorece esta opinião o Rio Célio, vulgo Celho, que corre junto a Guimarães, nome antigo conhecido nas doações de D. Muma e o traz ibi: — Inter Avim et Avicelum, inter Celium et Celiolum, e como este rio se acha vizinho de Guimarães mostra que aqui fora a cidade Célia ou Geliobriga, ficando o nome ao rio, que de antes tinha o linho obrado e fiado pelas mulheres de Guimarães sendo há dois mil anos tão encarecido de Plínio, demonstração evidente de ser Guimarães a cidade Célia ou Zoelica de Galiza em cujos limites se situa Guimarães.

João de Meira, O Claustro da Colegiada de Guimarães. Revista de Guimarães n.º 22, 1905, p. 39-56.
[continua]

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18 de dezembro de 2008

Os nomes de Guimarães: Apolónia

O segundo nome de Guimarães nos declara Juliano Arcipreste de Toledo na vida de S. Leôncio, 15.º arcebispo de Braga, dizendo ser Apolónia (nome próprio de cidade dedicada a Apolo e por sua veneração assim intitulada); as palavras de Juliano transcreveu D. Rodrigo da Cunha: Sanctus Leontius Bracharensis Pontifex rediens ex concilo moritur Guimaranii in Gallecia quae tunc discebatur Appolonia, 19 martii anno 326. O mesmo diz no Catálogo dos prelados de Braga no fim da sua primazia: in Oppido Guimarani, Vulgo Guimarães, sendo que Jorge Cardoso no seu Hagiológio trasladando esta última autoridade lhe muda o G. em V, dizendo in Oppido Vimaranio, vulgo Guimarães.

Foi este concílio o Niceno e suposto que os bárbaros africanos devastassem estes povos e confundissem o lugar do seu sepulcro na Igreja de S. Miguel (primitiva do arcebispado e que ocupa o primeiro lugar no sínodo e no censual das Igrejas) se viram muitos sepulcros levantados de pedra com cruzes episcopais nas pedras superiores que provavelmente seria algum deles o deste santo Pontífice.

João de Meira, O Claustro da Colegiada de Guimarães. Revista de Guimarães n.º 22, 1905, p. 39-56.

[continua]

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17 de dezembro de 2008

Os nomes de Guimarães: Araduca

No início de um texto muito interessante sobre o Claustro da Colegiada de Guimarães, publicado em 1905, na Revista de Guimarães, João de Meira escreve que

A origem do núcleo de população que devia ser mais tarde a vila e depois a cidade de Guimarães foi, no século XVII e seguintes, quando se tentou escrever a nossa história sem documentos e sobretudo sem critério, objecto das mais extravagantes e mais desencontradas fantasias.

Esta afirmação é o ponto de partida para uma digressão pelos nomes de Guimarães, que se estende por uma longa nota, que aqui iremos transcrever:

O padre Torcato Peixoto nas Memórias Ressuscitadas da antiga Guimarães, pág. 152, diz: «Outros lhe chamam Leobriga que quer dizer cidade forte. Outros Latica: cidade escondida ou Lactis pela relíquia que teve do leite de Nossa Senhora. Alguns a nomeiam Columbina ou Catheleucus como Jeronymo Rozel, Italiano. Muitos lhe chamam cidade de Santa Maria”. O padre Caldas, Guimarães, apontamentos para a sua história, vol. I, pág. O e 7, reproduz e acrescenta: «e ainda segundo Francisco Craesbeck e outros muitos Aradiva: lugar de sacrifícios aos deuses; Apolónia cidade de Apolo; Celeobriga, etc. ».

«... a variedade da fundação de Guimarães alcança a denominação do seu próprio nome. A poucos passos lhe vemos o nome de Araduca uniformemente seguido por espanhóis e portugueses. Alguns modernos encontram esta denominação pela equiparação de Hieronimo Ruscelli, que faz Araduca paralela à boca do rio Douro, mais oriental um grau, tendo um grau dezassete léguas de distancia e havendo do Porto a Guimarães só oito, vem a concluir que não é Guimarães Araduca. Peca o argumento na computação geográfica, pois são diferentes as medições da equinocial para os pólos da medição de leste a oeste, e como a distância das dezassete léguas seja só de latitude e a de leste a oeste oriental não tenha esta medição, já o argumento fica claudicando e não tem lugar o governar pela distância das dezassete léguas. A distância oriental de longitude se regula pelos eclipses, pondo o ponto nas Ilhas Canárias; nesta há sete opiniões para a medição; a mais comum importa cinco léguas e nesta distância fica compreendido o argumento.

Convence-se também esta consideração da distância das léguas, porque a medição destas se regula pelas linhas polares e não pela distância de lugar a lugar, como se vê das tábuas de Ptolomeu onde a distância de lugar a lugar tem outras regras de medição. A graduação dos modernos constituo a boca do rio Douro em 42 graus de altura, Araduca em 41, 50 minutos e sendo só 10 minutos de diferença erra o computo que lhe dá 1 grau de distância e nele dezassete léguas.

Confirma-se porque a cidade de Braga constituem os geógrafos em 43 graus, Viana em 43 graus, Amarante em 42 graus, já se encontram todas se se houverem de medir pela distância de dezassete léguas que no argumento se consideram.

Alguns historiadores constituem Araduca em Amarante junto do Douro, outros no Lima; seguem estes as tábuas de Ptolomeu reformadas pelo padre Resciolo que assinala três Araducas, uma no Douro, outra no Lima, outra no Ave; fiquem embora com as do Douro e do Lima e deixem-nos a do Ave que é Guimarães, pois esta só se acha assinalada nas tábuas antigas de Ptolomeu; e por conseguinte fique Guimarães com o título de Araduca sem o encontro da medição das dezassete léguas com menos advertência cosmográfica considerado.

João de Meira, O Claustro da Colegiada de Guimarães. Revista de Guimarães n.º 22, 1905, p. 39-56.

[continua]

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16 de dezembro de 2008

As Nicolinas de 1857

S. Nicolau. – Este festejo escolástico não foi tão pomposo e agradável como se esperava e estava premeditado; isto não só por ocorrências inesperadas, mas também por melindres e caprichos, na nossa opinião, mal entendidos. Se não pertencêssemos a esta ilustre classe, talvez não pugnássemos tanto pelo seu crédito; e, se notamos defeitos, é só com o fim de os vermos remediados. O público está acima de tudo, e o público não tem culpa nas ofensas ou caprichos dos particulares.

O pregão anunciador do festejo ia vistoso e magnífico. A figura de Camões seguida daquelas que representavam as faculdades da Universidade de Coimbra, mostravam o apreço que as ciências e a literatura dão ao nosso primeiro poeta. – Se haviam de alterar o programa, deviam também mudar a hoa da saída, porque em muitas partes deixou ele de ser ouvido, e quando mesmo o Pregoeiro tivesse peito de bronze, e não se achasse tão incomodado, com se achou, só altas horas da noite poderia terminar, satisfazendo aos desejos de todos.

O dia do festejo só se conheceu às duas horas da tarde, tempo em que entrou na praça do Toural o Corpo Escolástico representando a entrada de Vasco da Gama em Lisboa na sua volta da descoberta da Índia. – O préstito do nosso herói era composto dos seus companheiros de armas todos vestidos no trajo da época 1500, e de quatro melindianos, representando estes o bom acolhimento que Vasco da Gama teve em Melinde, e a amizade começada entre o Rei daquele país e o Rei de Portugal. – Seguiram-se duas danças; uma de damas, figurando o prazer de muitas belas pelo regresso dos heróis que lhes estavam destinados, outra de portugueses e melindianos, significando o prazer dos dois povos por sua mútua amizade.

À noite, no teatro, que estava cheio, foi Vasco da Gama coroado de louros na presença de Minerva; seguindo-se a representação de duas comédias que foram bem desempenhadas, e os intervalos foram cheios com danças, e poesias, terminando assim o festejo escolástico do S. Nicolau.

A comissão promotora dos festejos teve a delicadeza de pedir às damas desculpa de suas faltas.

A Tesoura de Guimarães, n.º 129, Guimarães, 11 de Dezembro de 1857

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15 de dezembro de 2008

As Nicolinas de 1856

Mascarada. – No dia 6 do próximo mês de Dezembro, o corpo escolástico desta cidade e concelho terminará a sua festa do S. Nicolau com uma mascarada no Teatro de D. Afonso Henriques, que terá princípio às 7 e meia horas da noite. Ouvimos dizer que haverá baile e que a Comissão nada tem poupado para fazer passar aos seus concidadãos, e hóspedes, uma noite agradável. A entrada será – grátis -.

A Tesoura de Guimarães, n.º 26, Guimarães, 28 de Novembro de 1856

Festejos escolásticos. – Hoje saem os estudantes a anunciar o seu festejo do dia de S. Nicolau. O pregão é o que se vê nas colunas deste periódicos, obra do ex.mo Visconde de Pindela. Amanhã, depois das cavalhadas e exibições em todo o dia, terminará a festa com o baile mascarado, quadros vivos e outros divertimento no Teatro D. Afonso Henriques.

A Tesoura de Guimarães, n.º 28, Guimarães, 5 de Dezembro de 1856

O S. Nicolau. – Não obstante chover todo o dia 5, os estudantes saíram com o seu pregão, e só recolheram depois das 9 da noite. No dia 6 também choveu, e a chuva foi continuada depois do meio-dia. Poucas exibições apareceram; porém, à noite, despicaram-se. O Teatro D. Afonso Henriques estava tão cheio, que muita gente não pode entrar por falta de lugar, e outras se retiraram por incomodadas. Foi uma noite cheia, em que a juventude escolástica nada poupou para tornar-se agradável ao sexo encantador. Terminou o festejo era uma e meia hora, Transcrevemos neste periódico algumas poesias que foram recitadas no teatro.

A Tesoura de Guimarães, n.º 29, Guimarães, 9 de Dezembro de 1856

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14 de dezembro de 2008

As Nicolinas de 1868 - II

À MORTAL DECADÊNCIA

DA

FESTA DO S. NICOLAU

Por entre as alas de inquietos vultos,

Que evocam do sepulcro a gran princesa,

Escoam estas sombras, não sepultos

Os restos dessa antiga realeza…

Sabeis já quem morreu...? oh! sim foi ela!!

A virgem coronal, a Virgem bela!

Nascida da ciência e da alegria,

Viu tronos baquear, gemer reinados;

Viu à pátria faltar a luz do dia,

Viu sábios a correr de alienados;

Viu guerras devastar o pátrio solo,

E a virgem não caiu... ergueu seu colo!

Mas ai! festa escolar, por ti, amor,

Tributo de saudade o peito anima;

Tristonho funeral, intensa dor

A sorte que tiveste aqui lastima!

= Mas se além do sepulcro alta nobreza

Te cabe inda por glória do passado,

Não queiras lá na campa uma vileza,

- Da terra ergue teu braço descarnado,

E mesmo morta, repele, ò cara amante,

Profano versejar de algum pedante!

- Se a frase lhes doer, tenham paciência;

É a magoa, é o orgulho da ciência!

Os filhos de Minerva, a morte escura,

Com duplicado dó vão prantear;

Às damas que os amavam com loucura

Seu delirante amor patentear,

E a ti flor de lágrimas formada,

Que por eles, qual foste, inda és amada!

………………………………………..

Vós, gémeas da beleza, sabeis quanto

Era o afecto nosso deste dia…?

Por certo não esqueceis, lembrais o encanto,

“Onde o menino as almas acendia”.

Pois tudo tem seu fim; a lei mesquinha.

Nem os pastéis poupou da Joaninha!

Lá se vai de maçãs a grata oferta

Em que amor os segredos ocultava!

Não se lembra, menina, há-de estar certa

Do que dentro do pomo se encontrava?

Pois até nos vão levar este caminho,

Por onde a pega já fez e faz seu ninho!

………………………………………..

Correi por esta festa já mirrada

Ò tristes, bem sentidos prantos meus;

Carpideiras, erguei voz magoada,

- À virgem coronal dizei… adeus!

Tambores esconjurai quem à finada

Vier prantos votar de fariseus,

Que na campa em palmito, tem capela

Quem como ela viveu, morreu donzela!

O Vimaranense, n.º 545, 7.º ano, Guimarães, 11 de Dezembro de 1868

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13 de dezembro de 2008

As Nicolinas de 1868 - I

Folguedos escolásticos. – Estiveram animados este ano os folguedos escolásticos. Diversas causas concorreram para isso, as quais não vem aqui a pêlo em a narração deles.

Arvorada no Toural a bandeira escolástica, no dia29, seguiram-se depois algumas madrugadas em que percorreu as ruas da cidade uma banda de música. Na noite de 4 para 5 foi o clássico magusto, e a recepção das inauferíveis posses. No dia 5 de manhã aparecem já na rua alguns máscaras, notando-se um que cavalgava em mazelento burro, mas que recitava um chistoso aranzel tendente a dispor os ânimos para receber o bando que de tarde devia sair anunciando a festa do dia seguinte. Saiu este com efeito, recitado por um académico, e acompanhado por mais alguns, que se mostravam em carros, cabendo as honras do barulho em tambores aos estudantes de menos idade. No dia 6 de manhã, pelas 11 horas, entrou na cidade, vindo de Santo Estêvão de colher a renda, uma vistosa cavalgata, acompanhada por uma banda de música, e distribuindo pelas damas oferendas do que ali colheram – maçãs, nozes, castanhas, etc.

De tarde, apareceram na rua dois bailes e algumas exibições.

Destas tornou-se notável a que aludia ao passado esplendor destes folguedos, e à palpável decadência deles nestes últimos anos. Vestiam de luto alguns mascarados, acompanhando, de archotes acesos, campainhas soando lugubremente e tambores cobertos de crepe, um carro em que vinham outros mascarados, um dos quais recitava uma poesia que vai publicada em outro lugar.

Esta exibição, mal interpretada, ofendeu algumas briosas susceptibilidades, que à noite se apresentaram na rua recitando uns versos insultantes e desbragados. A autoridade, conhecedora disto, interveio, fazendo recolher os que por este modo andavam provocando desordens. Honra lhes seja por isso,

E deste modo finalizaram os folguedos escolásticos que, como se vê, tiveram este ano mais animação que nos anos anteriores.

Religião e Pátria, n.º 5, 9.ª série, Guimarães, 9 de Dezembro de 1868.

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12 de dezembro de 2008

As Nicolinas de 1867

Mascarada. – É amanhã o primeiro dia dos festejos escolásticos. Na madrugada há-de fazer-se o magusto costumado na praça do Toural e colherem-se todas as posses, De tarde, sairá um bando a anunciar a festa, o qual será recitado pelo nosso amigo o snr. Nicolau Máximo Felgueiras.

Religião e Pátria, n.º 14, 7.ª série, Guimarães, 4 de Dezembro de 1867.

S. Nicolau. - Fizeram-se nos dias 5 e 6 do corrente os costumados folguedos escolásticos, que são conhecidos pelo nome de de festejos de S. Nicolau.

No dia 5 de tarde, saiu o bando a anunciar a festa, que foi recitado, como já dissemos, pelo snr. Nicolau Felgueiras, e que fora feito pelo também nosso amigo, o irmão daquele, José Felgueiras. Encarecer o escrito do snr. José Felgueiras, e o primor com que o recitou o snr. Nicolau Felgueiras, era ficar aquém do mérito de ambos.

No dia 6 de manhã, uma vistosa cavalgada, trazendo na frente uma banda de música, e distribuindo pelas damas maçãs e outros mimos. De tarde, saíram dois bailes e algumas exibições. Terminaram os festejos sem a menor alteração da ordem.

Religião e Pátria, n.º 15, 7.ª série, Guimarães, 11 de Dezembro de 1867.

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11 de dezembro de 2008

As Nicolinas de 1866

Incidente desagradável. – Os festejos escolásticos terminaram infelizmente por um desagradável incidente, que contristou toda a classe e mais pessoas que dele têm tido conhecimento.

Achando-se reunidas algumas famílias da sua amizade em casa do Ilm.º sr. Gaspar Ribeiro Gomes de Abreu na noite do último dia de máscaras, apareceram ali alguns estudantes mascarados e entre eles o nosso amigo José Baptista Felgueiras, filho do falecido Ministro de Estado João Baptista Felgueiras.

A entrada inesperada de um máscara, que evitava ser conhecido, suscitou a desconfiança nos estudantes presentes de que não pertencesse à classe, resultando daqui, como era natural, o desejo de o reconhecerem, desejo que, sendo contrariado, suscitou um reboliço que veio a terminar à porta da casa, onde foi gravemente ferido na palma esquerda o sr. Felgueiras ao aparar uma punhalada, que mão covarde e traiçoeira lhe despedia.

Este acontecimento causou o mais desagradável sentimento a todos que o presenciaram, tanto mais porque a vítima desta brutalidade é um excelente mancebo, de distinta educação, incapaz de ofender a ninguém e dotados dos mais nobres sentimentos.

A ferida não apresenta sintomas perigosos, apesar de ser profunda, e ter dado lugar a uma grande hemorragia de sangue.

No meio disto tudo, o que se torna notável, é que, tendo este sucesso lugar à porta do regedor da freguesia, são passadas quase 24 horas sem que da parte da autoridade administrativa se fizesse a menor diligência para indagar do acontecido!!!...

Por todos os motivos, lamentamos sinceramente este sucesso.

Festejos escolásticos. – Os festejos do S. Nicolau, feitos pelos estudantes desta cidade e de cujo princípio já fizemos menção em outro número deste jornal, continuaram nas noites que mediaram até quarta-feira (5), na forma dos anos anteriores.

Na madrugada deste dia teve lugar o clássico magusto na praça do Toural. Às duas horas da tarde do mesmo dia, saiu, como de costume, o bando masque, anunciando a função e programando os divertimentos do dia seguinte.

A letra do bando, que nos dizem ser do snr. padre Sebastião da Costa Vieira Leite agradou geralmente, e sobretudo a sua recitação, de que foi incumbido o sr. Nicolau Felgueiras.

Um outro grupo de estudantes mascarados percorria ao mesmo tempo algumas das ruas da cidade com um bando burlesco e de estilo epigramático e jovial.

Na quinta-feira de manhã teve lugar a costumada distribuição das maçãs às damas vimaranenses por uma cavalgada acompanhada de músicas e de tarde saíram duas danças, com que se concluíram esse ano estes antigos folguedos.

O Vimaranense, n.º 414, 5.º ano, Guimarães, 8 de Dezembro de 1866

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10 de dezembro de 2008

As Nicolinas de 1865

Festejos Escolásticos. – Principiaram quarta-feira os festejos que todos os anos faz nesta cidade a classe escolástica, e que são conhecidos pelo nome de festejos de S. Nicolau.

Levantou-se no Toural o mastro com a bandeira escolástica, o qual foi até ali acompanhado por grande número de estudantes, com música.

Ao levantar-se o mastro, subiram ao ar alguns foguetes, e de manhã percorreu as ruas da cidade a mesma banda de música.

Gazeta do Minho, n.º 4, 1.ª série, Guimarães, 1 de Dezembro de 1865

Festejos escolásticos. – Acabam hoje os festejos escolásticos que noticiámos no número anterior.

Ontem, fez-se, segundo o costume dos mais anos, o célebre magusto no largo do Toural, tendo primeiro ido os estudantes, com uma banda de música, à Cruz da Pedra, receber a posse do mato que lhes dão os oleiros, e que é conduzido para o Toural em forcados, Depois de feito o magusto, correram-se todas as outras posses, tocando sempre a banda de música.

De tarde saiu o bando, acompanhado de grande número de estudantes mascarados, que formavam o préstito de tambores, O bando, que foi recitado por o inteligente mancebo o sr. António José Ferreira Caldas Júnior, é composição do nosso amigo snr. José Ferreira Mendes de Abreu.

Hoje, depois de irem á freguesia de Urgeses simular a recepção do antigo legado, vêm de manhã os estudantes distribuir às damas escolhidas maçãs, e de tarde saem dois bailes em costumes, e algumas exibições.

Estes festejos, que outrora foram pomposos, agora vão em notória decrescência.

Gazeta do Minho, n.º 5, 1.ª série, Guimarães, 6 de Dezembro de 1865

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9 de dezembro de 2008

As Nicolinas de 1864

Festejos escolásticos. - Começaram na terça-feira de tarde os festejos escolásticos que a juventude estudiosa desta cidade costuma fazer anualmente por esta ocasião e que vulgarmente são denominados o S. Nicolau. Naquele dia, ao anoitecer, chegou à praça do Toural, precedido de grande número de tambores e seguido da música desta cidade, o pinheiro que serve para a bandeira que anuncia os festejos.

Na madrugada do dia seguinte os estudantes percorreram as ruas da cidade com a música que, entre outras peças, tocou alternadamente o hino escolástico.

Na madrugada de hoje houve música outra vez; e na madrugada de segunda leira 5 do corrente terá lugar um magusto na praça do Toural.

Na tarde deste dia sairá o bando, e na terça leira 6 farão os estudantes a costumada distribuição da renda, e haverá bailes de máscaras.

Religião e Pátria, n.º 17, 4.ª série, Guimarães, 3 de Dezembro de 1864

Festividade. – Celebrou-se no dia 6 do corrente, na igreja da Insigne e Real Colegiada desta cidade, a festa de S. Nicolau. Houve missa solene com exposição do Santíssimo Sacramento e sermão, sendo orador o rev.º padre José Leite de Faria Sampaio.

Festejos escolásticos. – Terminaram na terça-feira passada os festejos escolásticos que fazem os estudantes desta cidade. Em todo o tempo que eles duraram reinou a maior ordem e sossego.

Noticiamos agora o mais que se fez além do que dissemos no número passado.

Nas madrugadas de domingo e segunda-feira houve música, e, nesta última, teve lugar na praça do Toural o costumado magusto. Na tarde deste dia saiu o bando, e na terça fez-se de manhã a distribuição da renda, entrando os estudantes na cidade precedidos de uma banda de música; e de tarde saíram dois vistosos bandos de máscaras, vestidos a carácter.

Religião e Pátria, n.º 18, 4.ª série, Guimarães, 10 de Dezembro de 1864

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8 de dezembro de 2008

As Nicolinas de 1863

Festejos escolásticos. – Terminaram hoje as chamadas madrugadas que precedem os festejos escolásticos do dia 5 e 6 de Dezembro.

Houve sempre o maior sossego.

Religião e Pátria, n.º 28, 2.ª série, Guimarães, 5 de Dezembro de 1863

Folguedos escolásticos. – Terminaram domingo os folguedos, que, como já dissemos, é de uso fazer aqui todos os anos a briosa classe escolástica, e se este ano eles não tiveram aqueles fulgorosos entusiasmos que arrebatam o espírito às regiões da mais indescritível alegria, nãos e pode também dizer, atento o pouco e apoucado número de estudantes que aqui há, que foram de todo enxabidos.

Fez-se o magusto sem que houvesse incidente algum desagradável; saiu depois o bando que aqui já demos na sua íntegra; saiu um outro bando, em gosto chulo, que desafiou bastante a gargalhada, e à noite fizeram-se cavalhadas, que, ainda que pouco numerosas, não deixaram de ser, algumas, chistosas e engraçadas. Isto no sábado, No domingo de manhã, foram os estudantes a Santo Estêvão de Urgeses buscar o simulacro da renda, que vieram depois distribuir pelas madamas, todos a cavalo, e trazendo na frente a filarmónica da cidade. De tarde, saíram dois bailes, um de camponeses suíços, e outro em gosto caricato, trajado conforme a época de Luís XIV.

Não podemos porém dizer que neste dia não houve incidente algum desagradável, que deveras sentimos, não só pela pessoa e pessoas a quem foi dirigido o ultraje, como pelo descrédito e infâmia que um só ou dois membros de uma classe acarretaram sobre toda ela.

Foi o caso que, no domingo à noite, dois máscaras entraram no palacete do Ex.mo Snr. Conde de Azenha e aí parece que espalharam uns bilhetes insultantes e de atroz infâmia. Felizmente que já se não ignora quem foram esses indignos que assim abusaram de um recreio honesto e inocente para enxovalharem a veste cândida da classe a que pertencem; e é por isso, e porque não era de esperar outra coisa de quem não soube nunca o que são as praxes da boa educação, mas pelo contrário vive só pelos alcouces e neles tem aguçado a sua índole já de si mesma maldosa, que o nobre conde, e toda a população da cidade faz justiça á classe que eles tão infamemente ultrajaram com aquela sua acção malcriada e infame.

É preciso que se desenganem que não é possível haver nunca aqui boa harmonia e santa paz enquanto daqui não forem escorraçados os meliantes que tão infamemente tudo desconcertam e enrodilham.

Religião e Pátria, n.º 29, 2.ª série, Guimarães, 9 de Dezembro de 1863

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4 de dezembro de 2008

1 de dezembro de 2008

24 de novembro de 2008

23 de novembro de 2008

19 de novembro de 2008

O meu pregão, por Novais Teixeira

Novais Teixeira

Ao fundo, já se escuta a cadência dos sinais da festa que se repete, todos os anos, entre o cair de Novembro e os primeiros dias de Dezembro. Festa de saudade, para tantos espalhados por esse Mundo afora. Como o grande jornalista de renome mundial, Joaquim Novais Teixeira, que, no Notícias de Guimarães de 29 de Novembro de 1969 fez publicar o texto que aqui se recorda:

Sempre me alimentei da boca da infância. Ainda hoje as iguarias da minha mesa são o dia-a-dia da minha mesa de menino, tão raro nestas lonjuras do mundo!...

Depois, o espírito. Aí desabrochou. Cresceu, ganhou barbas cá fora, mas jamais perdeu as raízes. Quando digo que não sou português, sou de Guimarães, quero dizer na minha que Portugal é uma simples catalogação do homem vimaranense que eu sou.

Há, em mim, húmus-telúrico. Sou de Guimarães antes de Guimarães ser. Sou homem mais da Terra que da História. De Guimarães, me interessa mais um Amigo que o Castelo; mais as suas gentes que as suas muralhas. Neste sentido de eternidade que dou em mim ao homem de Guimarães, um Amigo veio antes ao mundo que a Dona Mumadona, e Deus sabe as chegadas à Lua que o esperam ainda? - e a que luas!

Depois dos sentimentos vieram as ideias. Ora, as ideias nascem, se desenvolvem e aperfeiçoam em mim sempre no caldear dos sentimentos que aí desabrocharam. Quando leio um livro que nada tem, as mais das vezes, com Guimarães, mas no que salta acidentalmente o nome de Guimarães, sinto, ao deparar com o nome, um sobressalto, o sobressalto de me encontrar a mim mesmo quando menos o esperava.

Não sou homem de dogmas, mas, se alguns me vêm ao subentendido são todos de Guimarães. No uso corrente da língua me ficaram palavras de Guimarães, ignoradas fora da nossa zona linguística. Por exemplo, Catixa!... Há muito pelo mundo a que dizer Catixa!... O Catixa! me surpreende com frequência quando falo de mim para mim, o que é mais frequente ainda.
A palavra Saudade está gasta e depreciada no nosso folclore de ocasião. É pena, mas não tenho outra para vos dizer que estou cheio, cheiinho de saudades vossas. Vocês não sabem que luzem mais em mim as luzes da Rua de Santa Maria que as de todos os Campos Elísios, romanos ou parisienses, deste Continente e dos outros?!

Tenho também o meu Calendário pessoal com os seus respectivos fastos. Todos de criança, todos de menino! Entre eles, os das Nicolinas, com o seu “Pinheiro”, com o seu “Pregão”, com as suas “Maçãs”.

Rapazes do meu Liceu, velhinhos meus: uma maçã das minhas para a mais linda rapariga de Guimarães! É difícil, impossível a escolha. Vem do coração, eu sei! Oh!, mas se Ela fosse neta de alguma moça que aí conheci ou namorisquei às portas da adolescência!...

E que o ribombar da pele da minha alma ecoe na pele dos vossos bombos para melhores destinos do Homem, do Homem acima e por cima da História, da História feita ou por fazer, do Homem da nossa Terra e de todas as Terras, do Homem sobre todas as coisas!...

Paris, Novembro de 1969.
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17 de novembro de 2008

Alberto Sampaio, o Tempo e a Obra

Foto: Eduardo Brito

No âmbito das comemorações do Centenário de Alberto Sampaio, foi inaugurada, no passado sábado, dia 15 de Novembro, na Sociedade Martins Sarmento a Exposição Bibliográfica "Alberto Sampaio, o tempo e a obra", que estará patente ao público até ao dia 7 de Dezembro.

Todas as obras que estão patentes nesta exposição pertencem à Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento, com excepção dos volumes da Revista de Portugal onde se incluem as primeiras publicações dos textos O Norte Marítimo e Ontem e hoje, que foram cedidos pela Biblioteca Pública de Braga.

Esta iniciativa enquadra-se no programa da homenagem ao historiador Alberto Sampaio que congrega as Câmaras Municipais de Guimarães e de Vila Nova de Famalicão, o Museu de Alberto Sampaio e a Sociedade Martins Sarmento.

A Entrada é livre.


Alberto Sampaio, o tempo e a obra

Um dia, sem sabermos bem porquê, vemo-nos impelidos por uma corrente que determina o nosso percurso.

Alberto Sampaio


Quando escreveu a frase que encima este texto, Alberto Sampaio reflectia sobre o que terá levado Francisco Martins Sarmento a estudar a Citânia de Briteiros e a fazer-se arqueólogo. Mas também estaria a referir-se ao seu próprio percurso, ao modo como ele mesmo se fez historiador. Há um paralelismo singular entre a história de vida de Alberto Sampaio e a do seu sábio amigo Martins Sarmento. Tal como o arqueólogo dos nossos castros, também Sampaio dispunha de meios de fortuna suficientes para não necessitar de viver do seu trabalho; tal como ele, foi um trabalhador dedicado e incansável. Homem de sólida cultura humanista, movido por uma curiosidade nunca satisfeita, abalançou-se na tentativa de compreender os segredos do nosso passado longínquo, construindo uma obra histórica profundamente original e inovadora. À imagem de Sarmento, Alberto Sampaio foi um historiador tardio, iniciando os seus estudos histórico-económicos quando já tinha dobrado os quarenta anos e ia entrando no último terço da sua existência.

A obra histórica de Alberto Sampaio surgiu com as marcas do espírito do tempo e da circunstância em que começou a ser construída. Apesar de sempre ter preferido a sombra à luz, renunciando a lugares de destaque, foi um dos principais obreiros dos primeiros anos da Sociedade Martins Sarmento, instituição que nasceu para mudar profundamente o horizonte cultural da sua terra natal. Assim que surgiu, a SMS introduziu em Guimarães uma agitação profundamente enriquecedora. Fomentou o ensino, criou escolas, abriu uma Biblioteca Pública e instalou um Museu, promoveu os estudos científicos, lançou a Revista de Guimarães. Contribuiu para induzir o impulso de desenvolvimento económico que lavrou em Guimarães em finais do século XIX. Criou cultura. Fez pensar. E Alberto Sampaio, que escreveu, no primeiro texto que publicou na Revista de Guimarães, que “fazer pensar é tudo; e a agitação a única alavanca que pode deslocar esse mundo: pois que agitar quer dizer – instruir, ensinar, convencer e acordar”, também esteve no centro desse pujante movimento de renovação e mudança. Foi naquele tempo e naquela circunstância que Alberto Sampaio ensaiou os seus primeiros passos como historiador.

A exposição “Alberto Sampaio, o tempo e a obra”, tem um único protagonista: o historiador Alberto Sampaio, através dos textos que nos legou. Nesta mostra está patente a obra da maturidade do historiador, que integra todos os estudos que publicou a partir do momento em que iniciou um percurso sólido e marcadamente original na historiografia portuguesa. As obras expostas cobrem o quarto de século que transcorre entre 1884, ano em que publicou o seu primeiro texto na Revista de Guimarães, e 1908, o ano em que desapareceu. Trata-se de uma obra relativamente breve na extensão, mas densa no conteúdo, ou, com a descreveu Luís de Magalhães, “não muito vasta nem volumosa, mas fortemente concentrada e intensa”.

Alberto Sampaio introduziu uma visão inovadora da História, “sem personagens”, centrada não nos gestos das grandes figuras históricas, mas no pulsar colectivo das gentes, como o notou Jaime de Magalhães Lima:

Grandes individualidades puderam formar e reger grandes governos, mas só a grandeza dos povos significará e alimentará a grandeza das nações. O primeiro acto de uma nova e mais justa concepção da história nacional será libertar-nos do fetichismo das individualidades e contemplarmos as energias da grei, tal qual aprendemos na lição magnífica que Alberto Sampaio nos legou.

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16 de novembro de 2008

10 de novembro de 2008

Uma Excursão ao Soajo em 1882


Francisco Martins Sarmento (1833-1899) e José Leite de Vasconcelos (1858-1941) são duas figuras marcantes da cultura portuguesa que se cruzaram ao longo do último quartel do século XIX. Os primeiros contactos entre ambos ocorreram em finais de 1879, numa altura em que José Leite, com 21 anos, era ainda um jovem estudante a dar os primeiros passos nas coisas da etnografia e da arqueologia, e em que Sarmento era um arqueólogo respeitado que, por força das suas explorações na Citânia de Briteiros, colhera significativo reconhecimento internacional. O jovem de então, descreveria mais tarde as impressões do primeiro encontro, num texto que publicado no volume de homenagem a Martins Sarmento, organizado a quando do seu centenário, em 1933:

As minhas relações com Martins Sarmento datam dos fins de 1879. Foi o meu prezado amigo, e seu primo, o snr. conde de Margaride quem me apresentou a ele, por ocasião de umas férias escolares que eu passava em Guimarães. A primeira vez que lhe falei, estava Martins Sarmento à banca, à noite, a trabalhar na primeira edição do seu estudo da Ora Marítima de Avieno. A mim prendeu-me imediatamente o modo lhano como me recebeu, tendo ele então já firmados os seus créditos de erudito, e sendo eu nas letras mero principiante. Recordo-me que logo nessa noite falámos muito. Depois disso não me faltou ensejo de estar com ele, porquanto, durante a época da minha formatura no Porto, eu ia a Guimarães frequentemente nas ferias. Com Sarmento realizei mesmo algumas excursões arqueológicas, pelos arredores da sua cidade natal, à Citânia de Briteiros, a Soajo. Conquanto eu a esse tempo andasse na febre da colheita das tradições populares portuguesas, e no começo dos meus estudos filológicos, já sentia bastante inclinação para a arqueologia, à qual, por dever dos meus cargos oficiais, e para a execução do plano dos meus trabalhos, tive posteriormente também de consagrar-me: o contacto com Martins Sarmento não afrouxou, de certo, essa inclinação!

Ligados pelo interesse comum pelas coisas da arqueologia e da cultura popular, separava-os uma manifesta diferença de carácter, que ajuda a perceber algumas desavenças científicas que mantiveram, em especial depois de 1896, e que justificam o esfriamento das suas relações nos últimos anos da vida de Sarmento. Leite de Vasconcelos, que se descreve a si próprio, numa carta que escreveu a Sarmento no início de 1884, como alguém sem dotes oratórios, “tão seco falando, como escrevendo”, traça do arqueólogo vimaranense um retrato muito diferente do seu:

A par dos seus méritos científicos, Martins Sarmento dispunha de méritos literários. Escrevia com muita facilidade. As suas cartas, – como em geral todos os seus escritos, mesmo os mais sérios –, participam também dessa simplicidade que caracteriza a linguagem familiar e despreocupada. Sarmento escrevia pouco mais ou menos como falava.

Os textos que aqui se publicam são os apontamentos que Leite de Vasconcelos e Martins Sarmento retiraram numa excursão que realizaram ao Soajo, em meados de Setembro de 1882. As referências aos preparativos para esta incursão arqueológica e etnográfica, organizada por Sarmento, aparecem na sua correspondência para o seu amigo José Leite. A primeira, dá conta que a expedição seria combinada a partir de Vila Praia de Âncora, para onde o arqueólogo se preparava para partir, entre finais de Julho e inícios de Agosto. Será dali que, no dia 22 deste mês, Sarmento escreverá, dizendo que a excursão se deveria realizar entre 10 e 15 de Setembro, aproveitando para dar algumas instruções acerca do equipamento com que José Leite se deveria prevenir para enfrentar a viagem:

Dizem os entendidos que se não deve ir ao Soajo sem os seguintes apetrechos – uma manta, cobrejão ou o que quer que seja que se leve sobre a albarda da burra, e em que a gente se tem de embrulhar até o nariz a certas horas em que o frio é intruso; item, casacão grosso, de Inverno, para o mesmo efeito, sem esquecer que também o fato leve é indispensável para outras horas do dia e para certos sítios mais abrigados; item, uns alforges para levar neles roupa, etc., e que se põem comodamente na anca do animal. Um pau para ajudar a marcha é bom.

Numa outra carta, datada do primeiro dia de Setembro, Sarmento notaria que a excursão não admitirá “contas do Porto” – o que me aborrece bem – e por isso será necessário saber-se com certeza que companheiros o meu amigo traz, para prevenir o meu cicerone.

No dia 6, a incursão por terras soajeiras já estava organizada, conforme Sarmento dá conta a Leite de Vasconcelos:

A excursão ao Soajo está marcada para o dia 10 (dez) do corrente. Devemos encontrar-nos em Viana, cerca da uma hora da tarde. É a essa hora que eu chego, saindo daqui no comboio do meio-dia, e ao meio-dia o meu amigo deve estar em Viana, vindo no comboio que cruza com aquele em que eu saio daqui. O ponto de reunião em Viana deve ser o restaurante da estação do caminho-de-ferro. De Viana vamos em carro até à Barca, e no dia seguinte subiremos para o Soajo, partindo às 4 da manhã. O João Gomes, que é o nosso cicerone, hospeda-nos essa noite; mas eu falei-lhe só no meu amigo, por ter como certo que virá só, pedindo-lhe que arranjasse uma cavalidade para o dia seguinte. No caso de trazer mais alguém consigo, previna-me, para nós não termos embaraços à partida.

Participariam na expedição, além de Sarmento e de Vasconcelos, João Gomes, o Dr. António de Lacerda e o Dr. António Inácio Ferreira de Freitas. Nas notas de José Leite de Vasconcelos, ficou registada uma imagem impressiva do grupo dos expedicionários que então esquadrinharam os segredos que as montanhas guardavam:

Nós todos a cavalo, os srs. dr. Martins Sarmento e dr. Freitas, embrulhados em mantas como dois alentejanos, os srs. João Gomes, dr. António de Lacerda e eu, embrulhados em cobertores brancos, seguíamos através do nevoeiro, pela serra fora, à maneira das visões fantásticas das baladas do Norte.

[Posfácio da obra "Uma Excursão ao Soajo em 1882", da autoria de José Leite de Vasconcelos e de Francisco Martins Sarmento, primeiro volume da colecção de minimis, hoje lançado pela Sociedade Martins Sarmento.

O livro é composto por notas de viagem colhidas por Leite de Vasconcelos e Francisco Martins Sarmento numa excursão ao Soajo, em Setembro de 1882. O texto de Leite de Vasconcelos, com o título Uma excursão ao Soajo – Notas numa carteira, foi inicialmente publicado em 1882, na Tipografia do Tirocínio, em Barcelos, num opúsculo que teve uma tiragem de apenas 30 exemplares. As notas de Martins Sarmento são retiradas dos seus cadernos Antiqua, onde deixou o registo minucioso de três décadas de explorações arqueológicas e etnográficas.

A obra, com o preço de capa de 5 euros, já se encontra à venda na SMS, em Guimarães.]



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