21 de dezembro de 2008

Os nomes de Guimarães: Cidade de Santa Maria


O quinto nome que se dá a Guimarães é o de cidade de Santa Maria; descobre-se este nome em uma sentença que D. Afonso V. O Rei de Leão pronunciou a favor do convento de Guimarães, copiada no livro das doações, que começa Ambiguum, onde propondo-se diante o rei uma acção contra o dito convento refere que a mesma já fora posta no tempo d'el-rei D. Bermudo, sucessor de D. Ordonho, que reinaram na Lusitânia, e nesta sentença se declara que vindo o príncipe D. Bermudo a esta terra à herança de seus pães aqui na cidade de Santa Maria Alem Douro se intentara acção contra o convento, corno se vê das palavras seguintes: et per talis actio pervenerut in ejus praesentiam in civitate Sanctae Mariae; por estas palavras claras se mostra estar a cidade de Santa Maria em Guimarães ou ao menos no seu termo porque a data da sentença nos desfaz a dúvida da determinação da terra Hic in eclesia Sancti Michaelis Archangelis in oculis calidarum. Temos as Caldas junto ao rio Avicela, temos a igreja de S. Miguel tudo no termo de Guimarães, com que cessa todo o escrúpulo da identificação do sítio poderá controverter a mais rígida especulação. Se se reparar na palavra Tras-Durio: Além Douro, assim se nomeava então Entre Douro e Minho, Além Douro como hoje dizemos Trás-os-Montes e Alem Tejo, como se mostra de uma carta de elrei D. Afonso III, conde de Bolonha, enviada a Vasco Pereira meirinho-mor de Além Douro, porque se lhe ordenava que não consentisse que os fidalgos pousassem nos herdamentos do Prior e cabido de Guimarães.

Brandão assinala o sítio da cidade de Santa Maria na terra da Feira e D. Rodrigo da Cunha na cidade do Porto fundando-se em uma sentença dada em tempo de el-rei D. Afonso Henriques no Castelo de Santa Maria e no privilégio dos infanções se declara a Terra da Feira por Terra de Santa Maria. Não nos encontram estas resoluções da situação de Guimarães antes servem de melhor prova por quanto é certo que sendo fundado o mosteiro de Guimarães com o título de Santa Maria, todas as terras que se lhe subordinavam tomavam o mesmo nome (como fizeram no Porto depois da entrada dos Gascões) quanto mais que a Terra de Feira tem muitas terras, enfitêuticas que se denominam de Santa Maria (que é Guimarães) e haver na Terra da Feira Castelo de Santa Maria é coisa diferente da cidade de Santa Maria que era só em Guimarães. O que se confirma do que diz Brandão fazendo menção do livro dos privilégios dos Infanções concedidos por el-rei D. João I aos cidadãos de Lisboa que depois por especial privilegio se concederam às cidades do Porto, Braga e Guimarães nomeando a todas por cidades.

A conquista dos Gascões de que faz menção o Ill.mo D. Rodrigo da Cunha não deu o nome a Guimarães que já era conquistado no tempo de D. Afonso o magno, muitos anos antes da vinda dos Gascões pois no tempo d'el rei D. Ordonho e D. Ramiro II estava o Porto e Feira ocupados de mouros e reinando em Galiza D. Bermudo e D. Ramiro III em Leão (depois de várias discórdias) se abriu a porta ao orgulhoso animo de Almançor para romper a trégua penetrando a Lusitânia e Galiza guiado do Conde D. Vela (segundo Julião de Espanha) assolando até os cimentos Coimbra, Porto, Braga e a valorosa Britonia, mas Guimarães com o seu castelo ficou intacta, conservando o titulo de cidade de Santa Maria.

João de Meira, O Claustro da Colegiada de Guimarães. Revista de Guimarães n.º 22, 1905, p. 39-56.

[continua]

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