14 de Novembro de 2009
Os limites da cidade de Guimarães em 1853
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10 de Novembro de 2009
Os Lusíadas da Sociedade Martins Sarmento (6)
Do Padre Torcato Peixoto de Azevedo, provavelmente o primeiro proprietário da edição de 1572 de Os Lusíadas da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento, eis a biografia conhecida, traçada pelo Abade de Tagilde no n.º 1 da Revista de Guimarães:
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9 de Novembro de 2009
Os Lusíadas da Sociedade Martins Sarmento (5)
Apurado tudo quanto haveria para apurar em relação ao último proprietário do volume do exemplar da primeira edição de Os Lusíadas, antes da sua entrada para o acervo da SMS, passou-se a explorar a pista "Azevedo", manuscrita no frontispício da obra. Como Azevedo se trata de um sobrenome relativamente comum, tentou-se encontrar algum nexo entre os Lusíadas, Guimarães e alguém assim chamado. Colocaram-se diversas hipóteses, das quais ressaltou uma especialmente plausível: um dos primeiros monógrafos de Guimarães, o Padre Torcato Peixoto de Azevedo (1622-1705), autor das Memórias ressuscitadas da antiga Guimarães, que conhecia bem a obra de Camões, a quem cita, dizendo que o insigne Camões a quem nada ficou por dizer tocou a luz (pp. 155-156 do manuscrito de 1692 e 202-203 da edição impressa de 1845, que contém graves erros de transcrição, como por exemplo o de, na citação da estrofe 7.ª do Canto I, trocar o Ocidente, que aparece no manuscrito, pelo Oriente).
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8 de Novembro de 2009
Os Lusíadas da Sociedade Martins Sarmento (4)
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7 de Novembro de 2009
Os Lusíadas da Sociedade Martins Sarmento (3)
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"... Porque tanto amamos a nossa Guimarães?"
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6 de Novembro de 2009
"O tempo que se perde, não se torna mais a achar"
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Os Lusíadas da Sociedade Martins Sarmento (2)
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5 de Novembro de 2009
Os Lusíadas da Sociedade Martins Sarmento (1)
Há alguns anos, Kenneth David Jackson, da Universidade de Yale, que consultou e comparou diferentes exemplares de 1572 de Os Lusíadas, foi de encontro a uma conclusão já avançada em 1846 por Rodrigo da Fonseca Magalhães, segundo a qual as diferenças detectadas em diversos exemplares da obra seriam o resultado de correcções efectuadas por Luís de Camões durante o processo de impressão. Não haveria, portanto, mais do que uma edição de 1572.
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3 de Novembro de 2009
Martins Sarmento, por Raul Brandão
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1 de Novembro de 2009
Como António Lobo de Carvalho ganhou uma casaca nova
Morda-se a inveja agora ímpia e velhaca,
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30 de Outubro de 2009
Do nascimento de António Lobo de Carvalho
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29 de Outubro de 2009
Desde que nasce o sol até que é posto
Desde que nasce o sol até que é posto
Governa o lavrador o curvo arado,
E de anos o soldado carregado
Peleja, quer por força, quer por gosto:
Cristalino suor alaga o rosto
Do barqueiro, do remo calejado;
Do cascavel ao dente envenenado
Anda o rude algodista sempre exposto:
Trabalha o pobre desde a tenra idade;
O destro pescador lanços sacode
Para escapar da fome à atrocidade;
Todos trabalham, pois que ninguém pode
Comer sem trabalhar; somente o frade
Come, bebe, descansa e depois fode.
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27 de Outubro de 2009
Traços de Guimarães
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25 de Outubro de 2009
Guimarães: mãe ou madrasta?
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24 de Outubro de 2009
Dos incêndios
Pelas duas horas deram as torres sinal de incêndio, que estava já muito ateado, numa casa ao Toural, onde o snr. João José de Sousa Aguiar tinha um armazém de fazendas e de molhados e materiais inflamáveis, e uma fábrica de refinação de açúcar.
Os socorros acudiram prontos e, apesar do incêndio ter tomado proporções assustadoras, várias pessoas se dispunham já com corajosa dedicação a combatê-lo, quando se ouviu uma fortíssima detonação seguida de uma violenta explosão. É escusado descrever a cena horrorosa que se passou então. Passado o primeiro pasmo, principiaram a ouvir-se clamorosos alaridos, gritos aflitivos de dor.
As vítimas haviam sido muitas. A explosão arremessara para longe uns, a outros fizera-os cair dentro da labareda, que então tomara proporções gigantescas.
Ninguém, por muito tempo, se chegou a o incêndio. Apenas se tratou logo de valer às vítimas, que principiaram a ser conduzidas em macas para o hospital da Ordem se S. Domingos, que a respectiva mesa prontamente franqueou.
Dos que se sabe, contam-se vinte e dois gravemente feridos, dos quais já faleceram três.
Dos outros, mais ou menos levemente contusos e feridos, talvez possa dizer-se que foram todas ou quase todas as pessoas que assistiam e trabalhavam na extinção do incêndio, porque a explosão fez voar estilhaços, que varreram o terreiro e quebraram as vidraças das casas vizinhas.
Afinal, o incêndio, achando elemento, desenvolveu-se numa escala espantosa, passou às casas contíguas e devoraria ainda as outras se não fosse fortemente combatido; mas era já alto dia, e ainda nãos e tinha conseguido a sua completa extinção.
Além das lamentáveis desgraças, que consternaram toda esta população, os prejuízos foram também grandes, apesar de se fazerem muitos salvados em géneros de negócio e móveis pertencentes às casas vizinhas que mais ou menos sofreram o incêndio.
Todos trabalharam com dedicação e coragem; mas são dignos de especial menção os bombeiros e os soldados do destacamento do 14, que se arrojavam denodadamente ao perigo, e que se viam sempre no mais aceso do incêndio.
Merecem também louvores os facultativos que imediatamente correram a valer às vítimas, os padres que se dispuseram a ministra-lhes os sacramentos, as mesas da V. Ordem Terceira de S. Domingos e de S. Francisco, pela prontidão com que mandaram abrir os seus hospitais.
As casas estavam seguras nas companhias Garantia e Bonança.
Parece que o proprietário do armazém fora há tempos intimado para retirar dali os materiais inflamáveis, e que não fizera caso da intimação.
Como este, há ainda por aí outros armazéns e depósitos, que nunca deviam ser consentidos senão em casas isoladas, para fora de barreiras.
Sirva ao menos isto de exemplo e prevenção para futuras catástrofes.
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23 de Outubro de 2009
Um problema de ‘lana caprina’
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21 de Outubro de 2009
O Desafio de 2012 (9)
Joaquim Novais Teixeira, nascido em Guimarães em 1899, ganhou o Mundo. Emigrante em Espanha desde os 20 anos, ali frequentou o meio literário e artístico, tendo-se relacionado com vultos da cultura espanhola do seu tempo, como Unamuno, Garcia Llorca, Pio Baroja, Diez Canedo, Valle-Inclán, Luís Buñuel. Durante a República Espanhola, colaborou com o Presidente Manuel Azaña, tendo chefiado o Serviço de Imprensa Espanhola. Viveu de perto os acontecimentos da Guerra Civil. Os textos que publicou em diversos jornais sobre a República espanhola, hoje quase ignorados, constituem um dos mais notáveis contributos para o conhecimento daquele período intenso e conturbado da história de Espanha. Finda a Guerra, refugiou-se em França. Impedido pelo regime salazarista de regressar a Portugal, a invasão da França pelas tropas de Hitler conduziu-o ao exílio no Brasil. Aí, dirigiria a Interamericana, serviço que, no Brasil, apoiava a causa dos Aliados. Colaborou na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, de que foi secretário-geral. Também se dedicou à tradução, tendo transposto do castelhano para português diversas obras. Esta actividade foi particularmente intensa no ano de 1927. No Brasil, teve particular ressonância a edição que preparou das cartas do Padre António Vieira, que veio ao lume pela primeira vez no ano de 1948. Como jornalista, foi considerado um dos melhores especialistas mundiais na política internacional do seu tempo. Em França, foi o representante de jornais brasileiros prestigiados, como O Globo e O Estado da São Paulo. Ficaram famosas as suas reportagens na Itália e Suíça, os trabalhos que publicou sobre a questão franco-árabe e as reportagens que realizou na Tunísia, na Argélia e em Marrocos. Desde cedo ligado ao cinema, Novais Teixeira foi um dos mais respeitados críticos do seu tempo. Integrou os júris de diversos festivais internacionais de cinema (Cannes, Locarno, Berlim, etc.), chegando a presidente da direcção da Fédération Internationale de la Presse Cinématographique. Em 1972, colaborou na organização do Festival de Cinema de Nice, nesse ano dedicado ao jovem cinema português. Em homenagem ao jornalista vimaranense, o Syndicat Français de la Critique de Cinéma atribui o prémio Novais Teixeira, à melhor curta-metragem de cada ano. Novais Teixeira é hoje uma figura quase esquecida na terra que o viu nascer e que ele próprio nunca esqueceu. Cidadão do Mundo, com raízes em Guimarães, a sua obra deixou marcas profundas em países como a Espanha, a França ou o Brasil. Guimarães deve-lhe uma homenagem. 2012 parece ser uma excelente ocasião para a concretizar.
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20 de Outubro de 2009
Cónego José Maria Gomes, republicano
O Cónego José Meria Gomes, numa caricatura de José de Meyra de 1905. Da colecção da Sociedade Martins Sarmento.Quando a República ainda dava os primeiros passos em Portugal, o Cónego José Maria Gomes escreveu ao jovem Administrador do Concelho de Guimarães, Eduardo de Almeida, uma carta em que dava conta da sua adesão à causa republicana, mais tarde publicada no jornal Alvorada:
Meu exm.º am.º
Após umas enormes férias (não falando em feriados) que oxalá o novo regime reduza, como já reduziu as galas, entro hoje em exercício de funções professorais, no Liceu desta cidade. Apraz-me vir declarar neste momento a v.ª ex.ª digníssima autoridade administrativa local, – que adiro franca e lealmente à República que a evolução nos trouxe no rápido carril dos desmandos e descrédito do regime extinto.
Adiro não com o simples acatamento da impotência, não com a mera obediência passiva, mas com a rasgada afirmação da minha simpatia e da firme crença, em que estou de que, com o advento da República, raiaram para a nossa Pátria melhores tempos. Do que tenho pena é se, quase a cinquentar, não logro ver toda essa pujante florescência que antevejo a nova seiva fará brotar da grande árvore secular, tão depauperada!
Adiro, sim, à República e creio que, sob o seu regime, o velho Portugal pode renascer para a realeza das máximas prosperidades e todos podem, se o quiserem, ascender até às culminâncias da santidade cristã.
Adiro e pergunto: "Porque hão-de apavorar-se os padres com a República?" Eu penso que só terão que recear dela aqueles de quem ela tiver que recear também.
Oxalá que eles saibam, salvaguardando crenças, não excrescências, receber sem esgares doentios a Jovem República triunfante e compreender que as hostilidades e intransigências criaram ao clero francês uma situação de desfavor e revindicta que pudera ter-se atenuado.
Este meu deslizar para a República, meu caro amigo, não é um gesto astucioso de adoração ao sol nascente, não é um passo calculado de maromba política; é o naturalíssimo pendor e suave declive de um homem que sempre buscou elevar-se pelo trabalho, que sempre pugnou por ideais de justiça e honestidade, e que, há mais de 20 anos, tem vivido alheio às agremiações e lutas partidárias.
Adiro, pois, sem encavacar porque, se é certo que nunca estive inscrito nas fileiras republicanas, não o é menos que, desde há muito, pairava nessa atmosfera o meu espírito liberal. Esta adesão, meu caro dr., faço-a agora com tanto mais prazer quanto é nas mãos de v. ex.ª que a deponho, de v. ex.ª, cujas qualidades de inteligência e carácter há muito admiro; e as de prudência, cordura e bondade ainda nos últimos dias se revelaram altíssimas como administrador de Guimarães.
Dizia-me ontem um amigo de alta posição no nosso meio: "Teve Guimarães a boa fortuna de dar-lhe a República para administrador aquele rapaz (perdoe v. ex.ª o aparente desprimor) que é inteligente e delicado e que, sem quebra dos seus princípios nem postergar ordens superiores, tem sabido dulcificar as agruras do momento."
Para findar, saúdo na pessoa de v. ex.ª a República Portuguesa!
Esta carta pode v. ex.ª torná-la pública e até o desejo, mas na sua integra.
Saúde e Fraternidade!
Guimarães, 17 de Outubro de 1910.
De v. ex.ª, amigo, atento e venerador.
Cónego José Maria Gomes.
in Alvorada, n.º 17, 1.º ano, Guimarães, 18 de Março de 1911
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19 de Outubro de 2009
Capitão Luís de Pina Guimarães, republicano
Do Capitão Luís de Pina, militar e artista vimaranense (entre as suas obras conta-se saudoso Café Oriental), defensor da causa republicana, aqui fica um texto publicado na Alvorada, no início de 1911:
Sosseguem...
Quem ouvir a oposição fazer grande celeuma por falta das constituintes ou por abuso da justificada ditadura do governo provisório e não estiver bem precavido ou orientado do que realmente têm sido entre nós as eleições para deputados, há-de naturalmente supor que desde o dia 5 de Outubro tudo corre mal por falta de parlamento, e que elas se deviam ter realizado desde logo.
Ora o governo provisório não devia fazer eleições pela ignóbil porcaria, e uma lei eleitoral não podia decretar-se do pé para a mão sem aturado estudo fundamentado nas conveniências da acção reformadora das novas instituições, às quais o governo devia prestar todas as suas mais urgentes atenções e energias, sem perder de vista a sua própria e indispensável defesa, porque os inimigos são numerosos e atrevidos, uns por conservantismo piegas, outros por conveniências partidárias de arranjos, e muitos, como o povo inculto, que é a grande maioria, por supor a República uma coisa detestável, cuja síntese e o roubo, o latrocínio.
E, decretada a nova lei eleitoral e chamado o país para a boca da urna, imaginar-se-á que vai ali a consciência e a vontade livre dos eleitores?
Como estão enganados…
No actual estado de educação do povo as eleições não podem representar mais que uma farsa, cujo principal papel cabe ao caciquismo, que há 60 anos tem servido de comparsa a uma ditadura a que se tem chamado constitucionalismo, e em que a maioria pertencia sempre, invariavelmente, àquele dos dois partidos que se revezavam no poder.
Por muito tempo ainda a urna deixará de representar a consciência livre do país, porque a grande maioria ignora o importante papel cívico que perante ela tem a desempenhar, e é levado como um rebanho obediente de carneiros indiferentes.
Desde que assistimos de perto às últimas eleições em Braga, nenhuma significação elas têm para nós, no campo monárquico.
Vimos ali anafados sacerdotes, suando como bois, visivelmente cansados por uma torpe galopinagem, redemoinharem à roda das urnas, de olhar perscrutador, risonhos do seu predomínio num povo embrutecido, enquanto este, como em S. Victor, olhava, indiferentemente criminoso, para o estado de ruína e de desolador desconforto do edifício escolar, ao centro de cuja sala o regime, por escárnio e por seu peculiar egoísmo, colocava a mesa da assembleia, em risco de desaparecer nos boqueirões abertos no pavimento, tão podre como as instituições que assim patenteavam um dos seus corpos de delito em crimes de toda a espécie.
E esse povo, com bastante mágoa nossa, lá ia de lista na mão votar nos réus de tão descarado desleixo, concorrer com o seu voto, inconsciente ou forçado, para a continuação da bambochata nacional.
Como um tremendo protesto contra tamanha imoralidade surgiu então um oportuno pontapé na urna do Souto, que fez voar em várias direcções as listas de diversos matizes; pontapé que foi numa apoteose, o mais eloquente e formal desdém por um acto que nada significava em vésperas da derrocada salvadora.
Capitão Pina.
in Alvorada, n.º 9, 1.º ano, Guimarães, 21 de Janeiro de 1911
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