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A mostrar mensagens de Maio, 2010

A servidão de Cunha e Ruilhe (7)

João de Meira

[Continua daqui]

Quanto à relação da servidão da vassoura com feitos e mal feitos de Guimarães e Barcelos aquando da conquista de Ceuta, não faltam referências nos textos que tratam da história de Guimarães. Assim sucedeu com João de Meira, que, numa conferência que ficaria inédita aquando do seu falecimento, alude ao assunto com expressões de dúvida (parece, diz a lenda):
"Na tomada de Ceuta o concelho parece ter-se representado gloriosamente. O contingente de Guimarães, diz a lenda, combatendo ao lado das tropas de Barcelos no assalto da praça, atacou com valentia o lugar que lhe coube em sorte, e ainda acudiu esforçadamente ao lanço que os barcelenses abandonaram, ganhando por esse feito o privilégio de as ruas da vila serem varridas na véspera de certas solenidades pelos vereadores de Barcelos num traje vexatório e grotesco."
João de Meira, Guimarães. 950-1580. Conferência inédita. Publicação póstuma na Revista de Guimarães n.º 31, 1921, p. 135 [Continua]

S. Dâmaso, papa de Guimarães?

S. Dâmaso

S. Dâmaso Sumo Pontífice


Foi S. Dâmaso Português, filho de António, nasceu em Entre-Douro-e-Minho, junto a Guimarães, ou no mesmo povo, como claramente o testificam os Breviários Bracarense, e Eborense antigos. E João Vaseu, varão douto, João de Barros, jurisconsulto nas suas Antiguidades de Entre-Douro-e-Minho, c. 13, falando de Guimarães, onde além dos Autores, que por si alega, diz que duas léguas de Guimarães, e uma de Braga estão no Couto de Pedralva umas casas e edifícios, muito antigos e arruinados, os quais têm por tradição antiquíssima os daquele lugar, que morou ali a mãe de um Papa, que foi em Roma Santo, e que dali se foi para lá. O que além de ter autoridade pela tradição, concorda com o que lemos em sua vida, que foi enterrado em Roma com sua mãe e irmã; as quais parece deixaram sua pátria e assento natural, por viverem em companhia deste Servo de Deus. Porém invejosos alguns estrangeiros do lustre e honra, que a esta Província resultava de ser mãe de tão santo f…

Ao Marquês de Pombal, por António Lobo de Carvalho (4)

Na morte do Marquês de Pombal em 1782
Apesar dos esforços, que fazia
Por dilatar a vida sempre astuto,
O Marquês de Pombal paga o tributo,
Que desde que nasceu pagar devia:

Na duração eterno parecia,
E o mundo para ele diminuto:
Se ele foi bom, ou mau, não o disputo,
Que isto toca a mais alta jerarquia:

Sei que mostrou, que todo aquele enredo
De máximas, ideias, vigor forte,
Acaba de uma vez, ou tarde ou cedo:

Restam hoje as exéquias desta morte;
E para pregar nelas o Macedo
Que está pronto a mentir de toda a sorte.

A servidão de Cunha e Ruilhe (6)

A antiga Casa da Câmara de Guimarães 
[Continua daqui]


A servidão da vassoura a que estavam obrigados os moradores de Cunha e de Ruilhe é um facto histórico, demonstrado por diversos documentos, como por exemplo o Tombo de 1735, no qual são descritos os bens pertencentes ao Senado da Câmara de Guimarães. Entre eles, estavam os barretes e as faixas com que eram investidos os varredores que vinham cumprir a penitência:

Barretes de Cunha e Ruilhe — Temmais o Senado que se guarda na casa dele três barretes de rabo comprido feitos à mourisca e três faixas tudo de baeta vermelha com que os moradores das duas freguesias de S. Miguel de Cunha e de São Paio de Ruilhe cada uns no seu giro se preparam e compõem quando vêm varrer a praça e terreiro de Nossa Senhora da Oliveira e açougues desta vila nas festas da Câmara cuja varredura fazem nos próprios dias das mesmas festas pela manhã com um pé descalço e o outro calçado e a espada metida na faixa que cada um ata pela sua cinta às avessas pela part…

Ao Marquês de Pombal, por António Lobo de Carvalho (3)

Ao mesmo jarreta do Diabo, encaixotado no Pombal, com dinheiro em barda

Sim senhores, tem feito maravilhas,
Vai purgando o Marquês o seu pecado;
E na apreensão do vulgo amaldiçoado
Todos estes trovões são cascarrilhas:

Tiraram os Mendonças co'os Mansilhas,
Este da feitoria, o outro do prado;
Nem o estrondoso herói já tem ao lado
Mais que a pobre mulher, e uma das filhas:

A santa imagem de pavor profundo
Três vezes foi borrada, insulto aquele
Que a história nunca deu a ler segundo:

Mas eu trocara co'o Marquês a pele,
Pois quanto dinheirinho há neste mundo
Todo jaz no Pombal nas garras dele.

A servidão de Cunha e Ruilhe (5)

[Continua daqui]


A tradição que associa a servidão da vassoura, a que estavam obrigados os moradores de Cunha e de Ruilhe, ao comportamento da hoste de Barcelos na tomada de Ceuta, carece de base histórica (até porque, tanto quanto é possível saber-se, na conquista daquela praça marroquina não participou qualquer hoste de Barcelos…). Todavia, esta tradição tem já vários séculos de caminho. Se Alfredo Pimenta a classificou como um história da carochinha, em tempos recentes, no final do século XX, foi-lhe acrescentada uma nota suplementar de fantasia, numa tentativa, algo ingénua, de expurgar a carga pejorativa da tradição das duas caras que anda associada à estátua do Guimarães, que hoje podemos ver a encimar a fachada voltada para a praça da Oliveira dos antigos Paços do Concelho. Segundo essa versão, as duas caras seriam, nem mais nem menos, as duas frentes de batalha que os de Guimarães teriam tido que sustentar na conquista de Ceuta - a que lhes cabia e aquela de que os de Barcelos …

Ao Marquês de Pombal, por António Lobo de Carvalho (2)

Ao Marquês de Pombal quando destituído dos seus cargos, e mandado para a sua casa do Pombal.


Na mesma ocasião [do anterior]



Que tirasse o Marquês com mão avara
Do erário d'el-rei o metal louro;
Que ajuntasse um riquíssimo tesouro,
Sem inveja de lhe ter, eu desculpara:

A sede insaciável se fartara
No contrato dos vinhos do Alto-Douro,
Se roubasse ao judeu, ao índio, ao mouro,
E ao rico holandês, não criminara:

Mas o que não consinto, nem aprovo
É da sua ambição dar-nos assunto,
Assunto nunca visto, assunto novo:

Pois não contente do que tinha junto,
Até tirou as lágrimas ao povo
Com que chorar devia o rei defunto!


A servidão de Cunha e Ruilhe (4)

[Continua daqui]


Uma das referências que costumam ser citadas para dar crédito à tradição da servidão de Barcelos e ao papel que o Duque D. Jaime terá tido para a relevar, é o seguinte excerto do

Tratado Histórico, Catálogo dos Priores do Real Mosteiro da Costa (Guimarães)
CAP. IV
Vida do Duque D. Jaime
[…]
Aos moradores da sua Vila de Barcelos livrou da injuriosa servidão de virem dois vereadores da mesma Vila em certas festividades do ano varrer a Praça e Açougues da Vila de Guimarães, para o que fez tirar do termo da Vila de Barcelos as freguesias de Cunha e Ruilhe, que se uniram ao termo de Guimarães com o encargo daquela servidão.
[…]

(Obra atribuída a Francisco Xavier Pereira Camelo -1748, in Boletim de Trabalhos Históricos, Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, Vol. XIX, 1957, p. 160)

[Continua]

Ao Marquês de Pombal, por António Lobo de Carvalho (1)

António Lobo de Carvalho dedicou vários sonetos satíricos a Sebastião José de Carvalho e Melo. Aqui transcrevemos um:



Ao Marquês de Pombal quando destituído dos seus cargos, e mandado para a sua casa do Pombal.



Que desonrem os régios tribunais
Do Pele os sanguinários carniceiros;
Que sejam contadores, tesoureiros
Os que foram nos furtos parciais:

Que estraguem os alheios cabedais
Deputados ladrões! Que maus canteiros
Se digam arquitectos que os Monteiros
Grão-sultões edifiquem capitais:

Que o Manopla organista, algoz Manique,
Que da cizânia o espalhador Pereira
A agravada justiça não despique:

Que o capitão do bando ao erguer da feira
Rindo-se da galhofa em Pombal fique,
Pode bem suceder; mas não me cheira!



A servidão de Cunha e Ruilhe (3)

D. Afonso, 1.º Duque de Bragança [Continua daqui]


A tradição do tributo da vassoura a que estavam obrigados os moradores de Cunha e Ruilhe é contada com algumas variantes. Segundo uma delas, seriam nove, e não sete vezes ao ano que os vereadores de Barcelos e, depois, aqueles a quem a obrigação foi transmitida, viriam varrer as ruas de Guimarães. De acordo com outra versão, os vereadores-varredores seriam dois, de cada vez, e não três. Por um lado, terá sido D. Afonso, bastardo do rei D. João I e primeiro Duque de Bragança (1442-1461), o responsável pela transferência da obrigação vexatória dos vereadores de Barcelos para os vizinhos das freguesias de Cunha e Ruilhe que, para o efeito, foram transferidas para o Concelho de Guimarães; por outro, terá sido o quarto duque, D. Jaime (1500-1532).

Uma outra variante indica que a transferência não terá sido efectuada directamente da vila de Barcelos para aquelas duas freguesias, tendo sido a servidão transmitida, em primeiro lugar, à freguesia…

A servidão de Cunha e Ruilhe (2)

Ceuta, numa gravura do séc. XVI
[Continua daqui]


A propósito da origem da servidão dos moradores de Cunha e de Ruilhe, corre em Guimarães, há vários séculos (já corria no início do século XVIII), uma tradição que o insuspeito historiador Alfredo Pimenta classificou como história da carochinha. Aqui fica, como o Padre António José Ferreira Caldas a descreveu em finais do século XIX:
"Uma das mais notáveis e curiosas honrarias concedidas a esta vila foi, sem dúvida, a que lhe dera D. João I, depois da tomada de Ceuta.
Para a defesa desta praça em África, dividiu el-rei as estâncias da muralha, pelos moradores das cidades e vilas, que o acompanharam nesta empresa: acontecendo ficar a gente de Guimarães e Barcelos em estâncias seguidas, onde o combate com os mouros foi mais cruel e renhido.
Atemorizados os barcelenses pelo furor mauritano, desamparam o seu posto e fogem; mas logo os filhos de Guimarães, com o peito abrasado no amor da pátria, se dividem em dois terços, ocupando com um de…

A servidão de Cunha e Ruilhe (1)

Há uma velha tradição vimaranense, que envolve as freguesias de S. Miguel de Cunha e S. Paio de Ruilhe, actualmente pertencentes ao concelho de Braga, que tem gerado alguma discussão, por se situar algures entre a história e o mito. As dúvidas que persistem em relação a esta tradição não dizem respeito à sua existência, que está demonstrada, mas quanto à sua origem, que carece de ser esclarecida.
A tradição, que se cumpriu até ao ano de 1743, conta-se assim:
Durante séculos, três moradores daquelas freguesias (dois de Cunha e um de Ruilhe) vinham, sete vezes no ano, varrer a praça, o terreiro e o açougue de Guimarães. Esta era uma servidão a que todos os homens daquelas freguesias estavam obrigados, enquanto lá residissem, sendo cumprida rotativamente entre eles. Acontecia nas vésperas das sete festas do ano: Páscoa, Espírito Santo, Corpo de Deus, São João, Santa Isabel, Domingo do Advento e Nossa Senhora de Agosto. Aqueles a quem calhava em sorte o cumprimento desta servidão dirigiam-…

Enquanto isso...

© Cibertecário 0.2
Mão amiga, a que aparece na imagem, fez-me chegar esta fotografia, captada há dias durante um voo regional da Ibéria, a caminho de Granada. 2016 é já ali.

O Entre-Douro-e-Minho, por Duarte Nunes de Leão

A terra de Entre-Douro-e-Minho, como já temos dito atrás, é aquela região que jaz entre aqueles rios, r que fomente tem de longura dezoito léguas e de largura muitas menos apartes. O que desta terra se pode dizer, é coisa que com muitos pode perder o crédito: por a multidão da gente que produz, e por os muitos frutos que dá. Porque nela há o Arcebispado de Braga muito rico que tem o primado de Espanha, sobre que pende uma antiga demanda entre o Arcebispo desta cidade, e o de Toledo: no qual há oitocentas pias de baptizar: e o Bispado da cidade do Porto que tem seiscentas, e mais cinco igrejas colegiadas convém a saber Guimarães, Cedofeita, Vila de Conde, Barcelos e Viana.

E cento e trinta mosteiros e Abadias de mui grossas rendas, afora ermidas e oratórios, e muitas comendas das ordens de Cristo, Santiago, Avis, e de São João do Hospital de grossas rendas. A causa disto é, que por a pureza e salubridade dos ares e pela excelência das águas se multiplicam ali muito os homens, e vivem mu…

A muralha de Guimarães no início do séc. XIX

Em 1957, o Mário Cardozo publicou, na Revista de Guimarães, um artigo em que mostrava dois desenhos do início do século XIX, representando a actual avenida Alberto Sampaio. De encosto à muralha, ainda lá estavam a Torre dos cães e um renque de oliveiras. Arrancando junto da capela da Senhora da Guia, estendia-se, rua acima, um passeio que acabava junto de uma fonte onde as gentes se iam abastecer de água, a Fonte da Barrela. O terreno que, ao longo do passeio, se encostava à muralha, estava então aforado a um tal Cristóvão Francisco Barroso, que foi Procurador do Concelho, para aí erguer a sua nova residência. Ao fundo da rua, à entrada do Campo da Feira, erguia-se um cruzeiro.


[Toque na imagem para ampliar] Transcrição da legenda:

Esta rua tem de comprimento até à quina da Capela 117 varas. Contando da torre até à dita capela, tem de largura 20 na sua entrada. Tem o muro de altura 8 varas, e em partes mais.

Para melhor mostrarmos os sítios Conheceremos pelos números.


N. 1 Passeio que vai…

Isto não vai com cometas…

O Padre António Vieira
Em 1910, João de Meira publicou, em dois números do jornal Independente, um texto com o título O padre António Vieira e os Cometas, que partiu da sua leitura do texto Voz de Deus ao mundo, a Portugal e à Baía – Juízo do Cometa que nela foi visto em 27 de Outubro de 1695 e continua até hoje 9 de Novembro do mesmo ano, no qual, segundo Meira, intenta Vieira demonstrar nele com grande cópia de citações, que "depois que os Profetas cessaram começou Deus a falar pelos Cometas que é a linguagem universal de maior majestade, e horror de que usa extraordinariamente a seus tempos e em casos graves".
O texto de João de Meira, com 100 anos concluídos hoje, conclui assim:
"Vieira, na sua ingénua velhice, pregou, ao escrever a Voz de Deus, a reforma e a morigeração dos costumes por via dos cometas:
Acabem-se os ódios, reconcilie-se as inimizades, perdoem-se as injúrias, componham-se as demandas, restitua-se a fazenda mal adquirida, e a fama. Paguem os poderosos o …

1910: O Cometa Halley (não) visto de Guimarães

O cometa Halley fotografado no céu de Nova Iorque (1910) O Cometa de Halley

Conforme o Independente já noticiou, desde Janeiro passado que o cometa de Halley, com o auxílio de um pequeno telescópio principiou a descortinar-se na região do zodíaco onde então brilhavam Marte e Saturno, prosseguindo então no seu movimento aparente na abóbada celeste de Oriente para o Ocidente, ao encontro do Sol.
Nos princípios de Março, o cometa de Halley, já mais brilhante, mas ainda invisível a olho nu, podia observar-se após o anoitecer do lado do poente, não muito acima do horizonte, e assim foi ao acercando do Sol, desapareceu de todo afogado na sua luz, até que a 28 de Março teve lugar a sua conjunção superior, isto é achou-se na mesma direcção que o Sol em relação à terra, para o lado de lá do Sol.
Assim foi prosseguindo o seu movimento para o Ocidente, afastando-se na aparência do Sol, caminhando mais tarde para o Oriente, ao encontro do astro do dia, até que na noite de 18 para 19 do corrente teve …

1910: o Cometa Halley visto de Guimarães

"O cometa de Halley no firmamento de Lisboa" (1910)

O Cometa de Halley


A convite dos snrs. Augusto Cunha & C.ª, desta cidade, assistimos na quarta-feira de madrugada, na montanha da Penha, a diversas observações com as lunetas astronómicas que se acham em exposição na Casa Comércio e Indústria, á Rua Nova de Santo António, e que aqueles acreditados negociantes adquiriram directamente no estrangeiro.


O cometa do Halley, com todo o seu brilho, a cauda voltada pura cima, viu-se nascer com o auxílio daquele poderoso instrumento às 2 horas e 40 minutos da manhã, isto é, 2 horas e 13 minutos antes de nascer o Sol, pois é sabido que o Sol nasceu nesse dia às 4 horas o 53 minutos da manhã.

Mesmo a olho nu observou-se distintamente o cometa, sem que a luz da aurora conseguisse ofuscar o seu brilho, mas a olho armado viu-se indubitavelmente em melhores condições de visibilidade — mais nitidamente e em toda a sua grandeza.
Vimo-lo nascer acima do horizonte, à esquerda de Vénus, um pouco…

Há 100 anos: Vem aí o Halley

O Cometa Halley numa fotografia de 1910
Há exactamente 100 anos, nas vésperas da implantação da República,o cometa Halley fazia a sua aparição no Céu. O mundo esperou-o com curiosidade, mas também com medo. Temia-se o choque do cometa com a terra, acreditava-se que a sua cauda era composta por gases venenosos que poderiam contaminar a atmosfera terrestre. Em Guimarães, o cometa também foi tema de muitas discussões, nas quais informação científica e crendice se cruzavam. No dia 30 de Abril de 1910, o jornal vimaranense Independente publicava um extenso artigo em que explicava o fenómeno. 
Aqui fica.

O COMETA DE HALLEY

A reaparição do cometa de Halley após uma ausência de 75 anos, tem sido tão anunciada que decerto os nossos leitores hão-de estimar que falemos dele.

Vamos primeiro aos factos, isto é, aos dados sobre o movimento real do Halley e sobre o seu movimento aparente na abóbada celeste. Depois, trataremos das teorias a respeito da origem e da natureza dos cometas.

***

O cometa de Halle…

Bolo-Republicano

Anúncio publicado no jornal Independente, de Guimarães, na quadra natalícia de 1910.
O primeiro Natal após a implantação da República foi comemorado em Guimarães com uma nova iguaria festiva: em muitas mesas, o bolo-republicano tomou o lugar do bolo-rei. O anúncio que encontrámos nos jornais não revela qual era a receita do bolo revolucionário.

Entrevista a Raul Brandão

Na sua edição de 7 de Dezembro de 1930, o jornal republicano vimaranense A Velha Guarda, noticiava a morte Raul Brandão, desaparecido dois dias antes, e publicava uma entrevista do poeta Américo Durão ao escritor, que fala, entre outros assuntos, do seu processo de trabalho. Aqui fica.

Uma grande figura literária que desaparece
Morreu o genial escritor Raul Brandão!

Américo Durão que conviveu com Raul Brandão e que foi amigo do genial escritor do "Húmus" e dos "Pobres" quis distinguir a "Velha Guarda" com uma entrevista que há precisamente um ano realizou com o grande democrata.
Melhor do que algumas rápidas palavras, escritas na pressa de enviar o jornal para a tipografia, a publicação dessa entrevista representa a nossa homenagem pelo escritor e pelo homem que, pelo seu casamento e pelas suas longas estadas na sua casa de Nespereira, era quase um filho de Guimarães.
Transcrevemos a entrevista.

Raul Brandão, o novelista, Eugénio de Castro, o poeta, tão diferen…