A servidão de Cunha e Ruilhe (3)


 D. Afonso, 1.º Duque de Bragança
[Continua daqui]


A tradição do tributo da vassoura a que estavam obrigados os moradores de Cunha e Ruilhe é contada com algumas variantes. Segundo uma delas, seriam nove, e não sete vezes ao ano que os vereadores de Barcelos e, depois, aqueles a quem a obrigação foi transmitida, viriam varrer as ruas de Guimarães. De acordo com outra versão, os vereadores-varredores seriam dois, de cada vez, e não três. Por um lado, terá sido D. Afonso, bastardo do rei D. João I e primeiro Duque de Bragança (1442-1461), o responsável pela transferência da obrigação vexatória dos vereadores de Barcelos para os vizinhos das freguesias de Cunha e Ruilhe que, para o efeito, foram transferidas para o Concelho de Guimarães; por outro, terá sido o quarto duque, D. Jaime (1500-1532).

Uma outra variante indica que a transferência não terá sido efectuada directamente da vila de Barcelos para aquelas duas freguesias, tendo sido a servidão transmitida, em primeiro lugar, à freguesia barcelense de Santa Eugénia do Rio Covo, sendo depois transferida para Cunha e Ruilhe. Uma passagem da Corografia Portugueza do Padre Carvalho da Costa diz algo diferente, quando trata da freguesia de Santa Eugénia:
 
"Dizem foi antigamente couto de Guimarães e por castigo, e privilégio que tinham eram os moradores obrigados a ir-lhe varrer as ruas; mas sendo mui prejudicial a Barcelos haver aqui este couto tão seu vizinho, em que acolhiam seus criminosos, donde saíam a roubá-los, lhes deram em troca as duas freguesias de Cunha e Ruilhe com a mesma obrigação".
Esta citação da obra de Carvalho da Costa contribuirá, como veremos, para a compreensão desta tradição.

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