26 de maio de 2010

A servidão de Cunha e Ruilhe (5)



[Continua daqui]
 


A tradição que associa a servidão da vassoura, a que estavam obrigados os moradores de Cunha e de Ruilhe, ao comportamento da hoste de Barcelos na tomada de Ceuta, carece de base histórica (até porque, tanto quanto é possível saber-se, na conquista daquela praça marroquina não participou qualquer hoste de Barcelos…). Todavia, esta tradição tem já vários séculos de caminho. Se Alfredo Pimenta a classificou como um história da carochinha, em tempos recentes, no final do século XX, foi-lhe acrescentada uma nota suplementar de fantasia, numa tentativa, algo ingénua, de expurgar a carga pejorativa da tradição das duas caras que anda associada à estátua do Guimarães, que hoje podemos ver a encimar a fachada voltada para a praça da Oliveira dos antigos Paços do Concelho. Segundo essa versão, as duas caras seriam, nem mais nem menos, as duas frentes de batalha que os de Guimarães teriam tido que sustentar na conquista de Ceuta - a que lhes cabia e aquela de que os de Barcelos teriam desertado. É fácil de demonstrar, como já se fez antes, que esta história não tem qualquer sustentabilidade.

Pela parte que me toca, fantasia por fantasia, acho bem mais interessante esta versão da lenda das duas caras.

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