26 de maio de 2010

Ao Marquês de Pombal, por António Lobo de Carvalho (2)


 
Ao Marquês de Pombal quando destituído dos seus cargos, e mandado para a sua casa do Pombal.

 

Na mesma ocasião [do anterior]


 

Que tirasse o Marquês com mão avara
Do erário d'el-rei o metal louro;
Que ajuntasse um riquíssimo tesouro,
Sem inveja de lhe ter, eu desculpara:
 

A sede insaciável se fartara
No contrato dos vinhos do Alto-Douro,
Se roubasse ao judeu, ao índio, ao mouro,
E ao rico holandês, não criminara:
 

Mas o que não consinto, nem aprovo
É da sua ambição dar-nos assunto,
Assunto nunca visto, assunto novo:
 
Pois não contente do que tinha junto,
Até tirou as lágrimas ao povo
Com que chorar devia o rei defunto!

 

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