25 de maio de 2010

Ao Marquês de Pombal, por António Lobo de Carvalho (1)



António Lobo de Carvalho dedicou vários sonetos satíricos a Sebastião José de Carvalho e Melo. Aqui transcrevemos um:

 


Ao Marquês de Pombal quando destituído dos seus cargos, e mandado para a sua casa do Pombal.



Que desonrem os régios tribunais
Do Pele os sanguinários carniceiros;
Que sejam contadores, tesoureiros
Os que foram nos furtos parciais:
 
Que estraguem os alheios cabedais
Deputados ladrões! Que maus canteiros
Se digam arquitectos que os Monteiros
Grão-sultões edifiquem capitais:
 
Que o Manopla organista, algoz Manique,
Que da cizânia o espalhador Pereira
A agravada justiça não despique:
 
Que o capitão do bando ao erguer da feira
Rindo-se da galhofa em Pombal fique, 
Pode bem suceder; mas não me cheira!

 

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