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A mostrar mensagens de Novembro, 2010

Das Nicolinas (7)

[continua daqui]

Como se mede um pinheiro?
Antigamente o pinheiro media-se aos palmos (o de 1863 atingiu 96 palmos, o de 1881, cento e tantos e o de 1899, 115) ou aos metros (o de 1895 media "uma porção de metros", o de 1904 atingia 25 metros, enquanto que o de 1911 alcançava 22 metros). Todavia, naqueles tempos, a melhor medida da grandiosidade do pinheiro era o número de juntas de bois que o acompanhavam. No meio século que medeia entre 1880 e 1930, pode-se dizer que os pinheiros "mais pequenos" terão sido os de 1881 (6 ou 7 juntas), 1883 (12), 1906 (6 ou 7) e 1929 (11). Já os que levaram maiores séquitos de juntas de bois foram os pinheiros de 1904 (61), 1911 (80), 1912 (70) e 1927 (71). Nos números são admiráveis: no período indicado, temos a contagem de juntas de bois referentes a 30 anos. Desses, apenas em seis anos o pinheiro foi acompanhado por menos de 20 juntas de bois e somente em dois por menos de 10.
Aquelas entradas no pinheiro em Guimarães eram impressi…

Das Nicolinas (6)

O Pinheiro das Festas Nicolinas de 2010 [continua daqui]
Sobre o significado do Pinheiro
Na procura de um significado para o pinheiro nicolino, por estes dias levantado, têm sido avançadas algumas hipóteses singulares, associando o elemento que se transformou na principal referência das festas dos estudantes de Guimarães a um símbolo da virilidade. Nesta linha interpretativa, a escolha do pinheiro para protagonista da grande noite das festas a S. Nicolau faz todo o sentido, já que o nome científico do nosso pinheiro-bravo, pinus pinaster, não deixa de ser sugestivo, quando conhecemos uma das designações vernáculas mais populares utilizadas em terras de Guimarães para designar o acto sexual: pinar.
Por outro lado, a preocupação de encontrar, em cada ano, o pinheiro mais alto das redondezas, para ser erguido em espaço público na noite de 29 de Novembro, contribui para acentuar a dimensão fálica inerente a esta interpretação do pinheiro. O pinheiro erecto seria, assim, uma representação simb…

Das Nicolinas (5)

Caixa usada nas festas Nicolinas, pintada por Leandro Vale

[continua daqui]
As festas de S. Nicolau em 1864

Em 1864, as festas dos estudantes de Guimarães a S. Nicolau tiveram o seguinte programa, em parte prejudicado pela chuva que se fez sentir:

Dia 29 de Novembro: entrada do pinheiro.

Dias 30 de Novembro e 2, 3, 4 e 5: música pelas ruas da cidade.

Dia 5 de Dezembro: Magusto, pela madrugada; Bando (pregão), de tarde.

Dia 6: Festa da Irmandade, na igreja; maçãs (com música), de manhã; dois bailes de máscaras "vestidos a carácter", à tarde: um de estudantes "seniores", outro de estudantes mais moços.

Os jornais que então se publicavam em Guimarães, o religião e Pátria  e o Vimaranense, noticiaram assim as festas daquele ano:


Festejos escolásticos. – Começaram na terça-feira de tarde os festejos escolásticos que a juventude estudiosa desta cidade costuma fazer anualmente por esta ocasião e que vulgarmente são denominados, o S. Nicolau. Naquele dia ao anoitecer chegou…

Das origens do futebol em Guimarães (1)

Quando, já lá vão quinze anos, Santos Simões publicou o opúsculo "Futebol Vimaranense: das origens aos estádios", revelou que a referência mais antiga a um jogo de futebol em Guimarães que encontrou nos nossos jornais apareceu no Alvorada, órgão republicano dirigido por A. L. de Carvalho. Há dias, ao trabalhar sobre a implantação da República em Guimarães, deparei-me com essa referência, escondida no meio de anúncios:



O anúncio era, nada mais nada menos, do que uma convocatória, assinada pelo capitão da segunda equipa do "Foot-Balle Grupo Vimaranense", dirigida aos respectivos jogadores, para comparecerem num jogo a disputar contra a primeira equipa da mesma agremiação, que teria lugar às 8 horas da manhã do dia 16 de Março de 1913, domingo.

Das Nicolinas (4)

[continua daqui]


Para a interpretação das Nicolinas

Já há muito que o linguista russo Mikhaïl Bakhtine, ao analisar a obra de François Rabelais, avançou como uma teoria acerca da cultura popular centrada nos conceitos de carnaval e carnavalização, lançando a ideia de que o Carnaval não se reduziria ao ciclo que antecede a quarta-feira de cinzas, manifestando-se em outras épocas festivas posicionadas em diferentes momentos do calendário. A obra de Bakhtine é, ainda hoje, uma obra de referência nos estudos de história da cultura popular, dando-nos uma interessante grelha de análise para as festas nicolinas que são, do meu ponto de vista, um conjunto de manifestações de carácter eminentemente carnavalesco. Nas Nicolinas encontramos diversos elementos do mundo às avessas que caracteriza o Carnaval, entre eles o riso e a máscara.
O riso sempre esteve presente nas festas a S. Nicolau, especialmente naquele que era o momento mais alto, as danças que os estudantes oferecem ao povo de Guimarães,…

Das Nicolinas (3)

Caixa usada nas festas Nicolinas por Leandro Vale. Foto obtida aqui.

[continua daqui]


A antiguidade do Pinheiro
A referência mais antiga, das que até hoje encontrei, ao pinheiro como o mastro onde era erguida a bandeira dos estudantes remete-nos para o ano de 1842 e aparece no diário do cónego Pereira Lopes, de que conhecemos as transcrições anotadas por João Lopes de Faria nas suas Efemérides Vimaranenses. Naquele ano, aconteceu um dos acidentes mortais resultantes da queda do pinheiro de que há notícia. Debaixo do mastro, que estava a ser erguido "conforme o costume", ficaria, sem vida, uma criança de Trás-o-Muro (actual Alameda de S. Dâmaso). Este não seria o único incidente das festas daquele ano, como se percebe pelos apontamentos de Pereira Lopes:


29 de Novembro de 1842: "Pelas 8 horas da noite, indo os Estudantes desta vila a içar a Bandeira na Praça do Toural (era um pinheiro muito grande) conforme o costume, por haverem de principiar no dia seguinte as Novenas de N…

Contributo para a compreensão do espírito do lugar

Estando a preparar uma comunicação para um colóquio sobre a implantação da República em Guimarães, deparei-me no jornal O Comércio de Guimarães com um texto de 1911 em que, a propósito das comemorações do VIII centenário do nascimento de D. Afonso Henriques, se dá uma expressiva contribuição para a compreensão do modo generoso como os vimaranenses, esquecendo as suas diferenças, se envolvem nas grandes causas colectivas que dizem respeito à sua cidade. Um texto que pode contribuir para uma reflexão urgente que se impõe no contexto da preparação da Capital Europeia da Cultura. Aqui fica:



O Centenário de D. Afonso Henriques

Consola ver este movimento duma cidade inteira que se prepara para prestar uma homenagem condigna ao seu filho mais ilustre!

Desde a primeira corporação administrativa, que e, como se sabe, a câmara municipal, até ao mais humilde dos cidadãos, ninguém se recusa a colaborar nas festas grandiosas com que vamos solenizar o VIII centenário do nascimento de D. Afonso Henriq…

Das Nicolinas (2)

[continua daqui]
Do mastro ao Pinheiro

As fontes até agora conhecidas são omissas quanto à origem de alguns dos actuais números das festas dos estudantes de Guimarães, nomeadamente quanto àquele que nos tempos que correm mobiliza mais participantes, tendo adquirido uma dimensão que, para muitos, quase o torna sinónimo de Nicolinas: o Pinheiro.

A primeira menção ao acto com que se abrem as festas a S. Nicolau que encontrámos, data de 1822. No dia 28 desse ano, foi publicada uma ordem do intendente-geral da polícia, apregoada publicamente através de um bando, através da qual se interditavam as máscaras no dia de S. Nicolau. Não obstante, houve alguns estudantes que infringiram aquela disposição policial, saindo mascarados à rua no dia 6 de Dezembro.

Os estudantes recorreram para o rei da ordem do intendente, através de uma representação (petição), que o rei acolheria, através de uma portaria de 12 de Dezembro, em que autorizava os estudantes a mascararem-se. A notícia desta decisão foi c…

Das Nicolinas (1)

Quem era estudante?
Todos os anos é assim: com o aproximar das Nicolinas, ressurge a discussão sobre as festas. Nos últimos anos, a conversa tem sido alimentada, também, pela discussão à volta da candidatura à integração das festas dos estudantes de Guimarães na lista do património imaterial da UNESCO. Por vezes, pelo discurso que corre, perpassa a ideia de que as Nicolinas devem ser classificadas porque são uma tradição que persiste, quase imutável, desde tempos imemoriais, quando a verdade é que, se as Nicolinas se têm mantido vivas, é exactamente porque souberam mudar, adaptando-se aos tempos que vão correndo. Para percebermos esse processo dialéctico de transformação que fez das festas aquilo que elas são hoje, basta olhar um pouco para o passado, nomeadamente para um tempo em que ainda nem sequer tinha sido inventada a designação Nicolinas (que só surgiria no início do século XX, pela pena de João de Meira).

Recuemos, por exemplo, até ao longínquo 23 de Novembro de 1837, data em qu…

Futebol e vizinhança – a rivalidade Guimarães-Braga dentro e fora de campo (7)

[Continua daqui]
Em 1935, o campeonato distrital foi ganho pelo Sporting de Braga, o qual, no dia 10 de Novembro, derrotou o Vitória, no campo dos Peões, por concludente 5-0.
Na sua edição de 9 de Dezembro, o Notícias de Guimarães dava a notícia do termo da competição (contra as previsões, na última jornada o Vitória empatara com o Sporting de Fafe, entregando o título ao Braga, evitando-se a realização de um jogo de desempate):
Final do campeonato distrital
Com o desafio ontem realizado, terminou o campeonato de futebol do distrito. O Sporting de Braga conquistou, mais uma vez, o título máximo e o Vitória o segundo lugar. Felicitamos os dois grupos pelos lugares alcançados.
Contra toda a expectativa não foi necessário novo jogo entre o Vitória e o Sporting, pelo empate conseguido em Fafe pelo grupo vimaranense. Perdeu-se assim uma oportunidade excelente, para ajuizar do valor competente das duas equipes, que em campo neutro, fora dos ambientes normais de cada meio, longe de gramofones, fo…

Futebol e vizinhança – a rivalidade Guimarães-Braga dentro e fora de campo (6)

[Continua daqui]
Numa efeméride de João Lopes de Faria referente ao dia 26 de Novembro de 1934 encontrámos um registo curto e esclarecedor. Diz, simplesmente: "tapona dada em Braga aos de Guimarães".
No Comércio de Guimarães do dia 27 daquele mês, encontrámos a notícia do que terá sucedido:
Lamentável!...
Tendo ido a Braga, ontem, os estimados jogadores do Vitória sns. António Gonçalves (Laureta), e Lameiras, acompanhados do director do Club vimaranense o snr. António Ferreira de Castro, com o fim de formalizarem um protesto pendente, foram ali enxovalhados e fortemente vaiados, tendo de refugiar-se e pedir o auxílio da força pública, para poderem regressar a Guimarães.
O "chaufeur" que os tinha ali conduzido, também não escapou à sanha dos agressores, regressando muito mal tratado e com o carro muito avariado.
O adiantado da hora não permite que nos alonguemos em considerações.
No entanto, protestamos contra a correspondência de Braga inserta hoje no "Primeiro de Ja…

Futebol e vizinhança – a rivalidade Guimarães-Braga dentro e fora de campo (5)

[Continua daqui]
A descrição mais completa do jogo entre o Vitória e o Braga, realizado no campo dos Peões, na cidade dos arcebispos, em Junho de 1932, foi publicada pelo jornal Notícias de Guimarães, na sua edição de 26 daquele mês.
Crónica Desportiva
O "Vitória", desta cidade, vence o "Sporting" de Braga por 1 bola contra 0 — Poucos escrúpulos em jornalismo. (…) A ida do grupo local "Vitória Sport Club" a Braga despertara a curiosidade dos desportistas das duas cidades. Um grande interesse nascera, e de esperar era que o encontro fosse tecnicamente perfeito, desportivamente cortês e humanamente amigável. Preparadas as linhas, marcado o encontro para o dia 12, lá fomos de abalada à capital do Distrito, desejosos e antegozando já um bom desafio de Foot-ball, cheios de serenidade e de esperança. Às 17 h. e 4 m. demos entrada no campo dos Peões, justamente quando o "Vitória" fazia a sua quando o "Vitória" fazia a sua aparição, logo seguido pel…

Futebol e vizinhança – a rivalidade Guimarães-Braga dentro e fora de campo (4)

[Continua daqui] No bissemanário O Comércio de Guimarães de dia 17 de Junho de 1932, volta-se a falar dos incidentes o jogo Vitória-Braga do dia 12 desse mês, a propósito de notícias saídas na imprensa de Braga, onde se dizia que as agressões a que foram sujeitos os jogadores vimaranenses resultariam de actos de auto-flagelação…
Ainda o "Vitória" em Braga
Nos meios desportistas vimaranenses têm continuado os comentários acres à maneira insólita como no domingo transacto foram tratados em Braga os nossos futebolistas.
Revoltaram-nos os comentários feitor par alguma imprensa bracarense, que chegou a insinuar que as pedradas foram atiradas pelos próprios vimaranenses!... Tenho assistido a alguns desaires sofridos pelo grupo local, e nunca vi que fossem incorrectos nem malcriados. Muito menos o seriam, na ocasião em que estavam senhores do campo e vencedores.
Que procurem atenuar o mau efeito produzido, tolera-se; mas que se ofenda, deturpando, não e não!
Como já dissemos, não assisti…

Futebol e vizinhança – a rivalidade Guimarães-Braga dentro e fora de campo (3)

[Continua daqui]
Na terça-feira a seguir ao amistoso de 12 de Junho de 1932, disputado entre o Vitória e o Braga, o Comércio de Guimarães, na sua secção Guimarães Desportivo, fazia, pela pena de Francisco Formiga, o relato do jogo e dos acontecimentos que despoletou. Aquele derby minhoto não durou mais do que 20 minutos.
FOOT BALL
A vitória alcançada em Braga pelo Vitória desta cidade, sobre o valoroso grupo Sporting C. de Braga Campeão distrital, foi a vitória que mais entusiasmo causou por parte dos desportistas locais, em virtude dos bracarenses se encontrarem reforçados com valiosos elementos, especialmente com o lisboeta Rui Araújo, bem conhecido e apreciado desportista.
Infelizmente por falta de lugar, não pudemos acompanhar o Club local a Braga, motivo porque não podemos minuciosamente noticiar todas as fases do jogo.
Podemos no entanto dizer, pelos informes que colhemos, que as violências feitas sobre os nossos jogadores, para encobrir a derrota que esperava o grupo adversário, for…

Futebol e vizinhança – a rivalidade Guimarães-Braga dentro e fora de campo (2)

[Ler texto anterior]
O jogo, supostamente amigável, entre o Vitória de Guimarães e o Sporting de Braga, realizado em Braga no dia 12 de Junho de 1932 seria marcado por diversos incidentes. As primeiras notícias seriam dadas no dia seguinte, pelo jornal Notícias de Guimarães, que começara a publicar-se no início daquele ano. Aí, o jornalista trazia à memória os acontecimentos de 28 de Novembro de 1884, que se resultaram em enxovalhos e agressões aos procuradores de Guimarães à Junta Distrital de Braga:
Foot-Ball
No Campo dos Peões, em Braga, com uma assistência numerosíssima, realizou-se ontem um sensacional encontro entre o "Vitória Sport Club", desta cidade e o "Sporting", daquela.
A hora tardia a que o mesmo acabou não nos permite fazer uma notícia larga.
Diremos todavia que o grupo vimaranense foi forçado a abandonar o campo antes do final do desafio, em virtude da pouca correcção dos bracarenses, que chegaram a agredir, em pleno campo, os nossos jogadores. Se bem qu…

Futebol e vizinhança – a rivalidade Guimarães-Braga dentro e fora de campo (1)

Perde-se no tempo a origem da rivalidade entre Guimarães e Braga. Já existia antes de haver futebol, mas ganhou novas cores assim que este desporto começou a arrastar multidões. Desde sempre, os confrontos de pontapé na bola entre o Vitória de Guimarães e o Sporting de Braga envolveram incidentes, mais ou menos graves, onde não faltam actos de violência física. Aquele que se ia realizar no dia 12 de Junho de 1932, pela sua natureza amigável, parecia escapar a esta lógica de confrontação. No jornal O Comércio de Guimarães, fez-se a antevisão:
O Vitória vai Jogar a Braga
No próximo domingo o grupo de honra do Vitória S. C. desloca-se à cidade de Braga, a fim de jogar com o "team" de honra do Sporting de Braga, em desafio amigável.
Segundo nos consta, os dois grupos vão jogar na sua máxima força. Os bracarenses parece que alinham sem o internacional Rui Araújo. Nós, como amigos íntimos do grupo local, acompanhá-lo-emos à cidade dos arcebispos, para informar os nossos leitores do q…

Sinais

Ao lermos comentários como o que vai aí abaixo, temos que nos perguntar: não haverá, entre os responsáveis políticos, quem saiba interpretar os sinais que andam no ar e perceber que é a imagem de Guimarães que está a ser posta em crise?

Questões de capital
Depois da polémica dos cartazes promocionais, que faziam passar a ideia - apelativa, mas pateta - de que o sucesso do evento dependia de roubar turistas ao Algarve, a Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura (CEC) voltou às bocas do mundo, por más razões. A revelação de que os vencimentos dos salários dos três administradores executivos da Fundação Cidade de Guimarães (FCG), criada para organizar o evento, variam entre os 14.300 e os 12.500 euros mensais, e de que os membros do conselho geral da instituição recebem entre 500 e 300 euros por reunião, provocou um coro de críticas. Um coro no qual foi bem perceptível a participação do Ministério da Cultura, que, pela voz da própria Gabriela Canavilhas, considerou aqueles salários &qu…

Não há só nuvens

Guimarães é terra com uma história muito rica, no que toca à cultura. Não será uma nuvem passageira que irá destruir um património colectivo construído ao longo de muitas décadas pelos cidadãos e pelas instituições de Guimarães. Havia vida antes da CEC, haverá vida depois da CEC. Não faltará vida durante a CEC.
E, mesmo nestes dias estranhos que correm, também há boas notícias. Como esta:

Toque na imagem e veja o vídeo da Guimarães TV para perceber como vai ficar o Toural depois das obras.

Guimarães, ponte sem rio…

O etnógrafo e historiador Alberto Vieira Braga fornece-nos a interpretação para um dos mais conhecidos ditados, e respectivas variantes, relativos a Guimarães:
1. Em Guimarães - Ponte sem rio. Sé sem Bispo, Palácio sem Rei e Roma sem Papa.1
Há quem acrescente a este dizer, mas não tão usualmente: e gente sem lei. 2 Ou também:
2. Em Guimarães - Sé sem Bispo, Ponte sem rio, Palácio sem Rei e Relação sem Desembargadores. 3
1 Ponte sem rio — a ponte de Santa Luzia; Sé sem bispo — a Colegiada da Oliveira, a que o povo, dantes, chamava Sé; Palácio sem rei — em alusão aos Paços dos Duques de Bragança; Roma sem papa – lugar assim chamado, que fica para os lados da estrada de Fafe.
2 Gente sem lei – talvez pelos muitos privilégios e liberdades concedidos a Guimarães, sendo uma terra que muitíssimas garantias usufruiu.
3 Portugal Antigo e Moderno, de Pinho Leal, vol. 3.0, pág. 355. Relação sem desembargadores - será porque dantes, aos baixos da Câmara, lhes chamassem relação?
…………………………………….. - Deixei p…