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A mostrar mensagens de 2012

Alfredo Pimenta, por Miguel Salazar

Alfredo Pimenta foi um historiador e político vimaranense que se destacou no país na primeira metade do século XX. Se o seu percurso político foi acidentado e polémico (começou como republicano de tendência anarquista acabando monárquico e simpatizante dos regimes totalitários italiano e alemão), como historiador destacou-se pela seus estudos da Idade Média portuguesa. Miguel Salazar traçou o seu retrato para a série Vimaranenses Ilustres que vem publicando.

Fernando Távora, por Miguel Salazar

Nascido no Porto, o arquitecto e professor Fernando Távora está profundamente ligado a Guimarães, em especial pela marca indelével que deixou na arquitectura e no urbanismo da cidade. Aqui fica, em mais um dos retratos de Vimaranenses Ilustres de Miguel Salazar.

Sobre o "varandim" do Toural

Ausente de Guimarães por alguns dias, acompanhei de longe a polémica que se reacendeu à volta do Toural, agora a propósito da colocação da obra de arte em forma de varandim dourado. Tendo-o visto hoje, com olhos de ver, suscita-me algumas reflexões.
1. O meu contacto com esta obra foi antecedido pelo visionamento de uma entrevista da autora daquela intervenção, a artista Ana Jotta, ao site Guimarães Digital, com declarações que não me pareceram particularmente felizes. Dizer que o Toural, tal como o conhecemos antes da configuração que agora apresenta, era “uma praça dos anos 50, mais ou menos” é sinal de que o “trabalho de casa” não foi bem feito. O Toural anterior a 2011 foi desenhado exactamente um século antes, na sequência da instauração da República, tendo sido completado no final da década de 1920 com a colocação do mosaico de quartzito e basalto. O único elemento da década de 1950 que lá existia era a fonte-monumento.
Por outro lado, julgo depreender da entrevista em referênc…

Moreira de Sá, por Miguel Salazar

Da série Vimaranenses Ilustres, aqui fica o retrato de Bernardo Valentim Moreira de Sá pelo lápis de Miguel Salazar. Bernardo Moreira de Sá, nascido em 1853, foi um exímio violinista e maestro, tendo dado origem a uma notável dinastia de músicos, de que se destacam Helena e Madalena Sá e Costa. Em Guimarães, é mais conhecido como Valentim Moreira de Sá, sendo patrono da Academia que ostenta o seu nome, instituíada pela Sociedade Musical de Guimarães.

A destilaria bracarense

Eis um mito urbano vimaranense, duplamente assustador, que circulou em meados do século XIX:

Muito pode a ignorância — Difundiu-se, entre o povo da cidade e subúrbios, um terror pânico de ser destilado depois de morto; o caso é este: espalhou-so o boato de que as pessoas que falecem no hospital da Santa Casa, são remetidas para Braga, a fim de ali servirem na destilação do gás! A graça é galante; porém, o que é mais galante é o povo ignorante acreditar nesta facécia e recusar ir para o hospital, dizendo [que] não quer ser destilado depois de morto.  A Oliveira, n.º 3, Guimarães, 4 de Maio de 1860

Sampaio, por Miguel Salazar

Prosseguindo com a sua série de Vimaranenses Ilustres, Miguel Salazar retratou Alberto Sampaio. Sampaio é um dos elementos mais destacados entre os responsáveis da "movida"  que aconteceu em Guimarães no último quartel do século XIX, tendo sido um dos entusiastas da Sociedade Martins Sarmento. Esta instituição convidou-o para organizar a Exposição Industrial de Guimarães, que é geralmente apontada como um importante factor de mudança de Guimarães rumo à modernidade. Inspirado no exemplo do seu amigo Martins Sarmento, dedicou-se aos estudos históricos e económicos, tornando-se, pela dimensão da sua obra, numa referência incontornável da historiografia portuguesa.

Franco, por Miguel Salazar

João Franco, deputado por Guimarães em legislaturas sucessivas, é a terceira figura retratada por Miguel Salazar na sua série Vimaranenses Ilustres. Quando João Franco foi eleito pela primeira pelo círculo de Guimarães era um perfeito desconhecido nesta cidade. Todavia, ganharia a simpatia e o reconhecimento dos vimaranenses por ter abraçado a sua causa aquando do conflito com Braga, na sequência dos maus-tratos de que foram objecto os três representantes de Guimarães à Junta Geral do Distrito, em 28 de Novembro de 1885. Franco chegaria a apresentar nas Cortes uma proposta de desanexação de Guimarães do distrito de Braga.

Brandão, por Miguel Salazar

Miguel Salazar retratou o escritor Raul Brandão, o escritor da casa do Alto, em Nespereira. É certo que nasceu no Porto, mas escreveu em Guimarães e esta cidade serviu de pano de fundo à sua  obra-prima, Húmus, e a outras obras relevantes da sua bibliografia, como A Farsa. Está sepultado na Atouguia e o seu espólio literário (biblioteca e manuscritos) encontra-se na Sociedade Martins Sarmento.

A lenda da Oliveira

A tradição hoje mais corrente acerca da oliveira da Praça fala num ramo trazido do olival que, em S. Torcato, dava o azeite com que se alumiava o santo e que, por milagre, um dia ganhou folhas e ramos. Mas, como já vimos antes, há uma outra lenda que associa o milagre da oliveira à entronização de Wamba como rei dos visigodos, no século VII. Aqui fica esta lenda, traduzida de uma publicação inglesa de meados do século XIX:
A árvore milagrosa de Guimarães Uma lenda de Portugal, pelo padre Manuel.*
O reino gótico de Espanha, fundado pelo ilustre Eurico, que se estendeu por toda a Península, dos Pirenéus até às margens do Lusitânia, já durava há quase dois séculos, quando, com a morte do piedoso Recesvindo, os nobres se viram na necessidade de escolher um sucessor para o trono vago.
Esta era uma questão difícil, por todos os lados para onde viraram seus olhos para encontrar alguém digno de governar (o que não era uma tarefa fácil) entre a nobre raça dos godos; mas parecia provável que eles d…

Martins Sarmento, coração e carácter

O sábio, e o arqueólogo sobretudo, sempre me apareceram sob este aspecto singular: homens que, à força de conviverem com a ciência hirta e as secas pedras, tinham endurecido o coração; homens de método e experiência, desavindos de tudo o que na vida e na natureza é simples e emotivo: árvores, amores, sol, o quinhão dos poetas enfim. Depois, porém, que conheci Martins Sarmento comecei a duvidar: estava diante dum sábio a valer, e ao mesmo tempo — o que é mais raro e mais apreciável — dum grande homem de coração e carácter. Raul Brandão, 1900
Nascido no seio de uma família abastada de Guimarães, Francisco Martins Sarmento, mais do que de bens de fortuna pessoal, era dotado de um espírito inquieto que o empurrava para a cultura e o conhecimento. Era, no sentido original da palavra, um filósofo.
Leitor compulsivo, vivia rodeado de livros. Os seus estudos encaminharam-no para a História. Em 1868, começou a cultivar a arte da fotografia. Em meados da década de 1870, começou a estudar metodicam…

Martins Sarmento, o fotógrafo

Inauguração na próxima quinta-feira, dia 9 de Março, às 19h00 na Sociedade Martins Sarmento. Exposição comissariada por Eduardo Brito, do projecto Reimaginar Guimarães e da Área de Cinema e Audiovisual  para Guimarães -  Capital Europeia da Cultura 2012.

A ver com atenção.

Martins Sarmento, por Jorge Campos

Estreia, na próxima quinta-feira, dia 8 de Março, às 21h30 no São Mamede CAE. Um filme de Jorge Campos para Guimarães -  Capital Europeia da Cultura 2012.

A não perder.

Da inconstância do tempo

A propósito da falta de chuva neste Inverno, amenizada nos últimos dias, muito temos ouvido falar de mudanças climáticas. Com frequência, ouvimos dizer, porventura com alguma ligeireza, que “nunca se viu nada assim”. Tanto quanto sei, as inconstâncias meteorológicas são uma realidade de todos os tempos, como julgo que se pode concluir pela leitura do texto que vai abaixo, que escrevi em 2007 para uma publicação da Vimágua:

A água do Céu
Tendemos a acreditar que, no passado, a meteorologia teria, na sucessão das estações do ano, uma regularidade aproximada da constância do tempo cronológico. Ao Verão quente e seco, sucedia o Outono, mais fresco e chuvoso, que acabava no Inverno, que era frio e molhado, a que se seguia a Primavera, de tempo mais ameno, se bem que húmido. O ritmo da vida dos homens seguiria a marcha do tempo cronológico e meteorológico e o calendário agrário ajustava-se a essa regularidade. Esta visão idealizada do clima de outrora está longe de corresponder à realidade vi…

Descobrir Martins Sarmento

Francisco Martins Sarmento é uma figura que marca o século XIX vimaranense, tendo construído uma obra que projectou muito para além do seu tempo. Nascido nos tempos turbulentos da Guerra Civil entre os liberais de D. Pedro e os absolutistas de D. Miguel, seria, até ao fim, um espírito inquieto. Os dias que aí vêm, em que se completam 169 anos sobre o seu nascimento, são dias de evocação da sua figura, revelando algumas dimensões menos conhecidas da sua personalidade complexa. Francisco Martins Sarmento é uma figura que se destacou na cultura portuguesa e europeia do seu tempo, em resultado da sua acção pioneira no conhecimento da arqueologia do Noroeste peninsular. Na sua cidade, Sarmento foi muito mais do que o arqueólogo. Vivia recolhido entre os livros da sua biblioteca e o campo das suas prospecções arqueológicas e etnográficas, de onde saía sempre que Guimarães o chamava para se envolver nas suas causas. Era uma espécie de patriarca vimaranense, cuja voz era respeitada e escutada.…

Sentimentos contraditórios

Antigamente, a morte era uma figura familiar, e os moralistas deviam torná-la horrenda para amedrontar. Hoje, basta apenas enunciá-la para provocar uma tensão emocional incompatível com a regularidade da vida quotidiana.
Philippe Ariès, História da morte no Ocidente, Livraria Francisco Alves Editor, Rio de Janeiro, 1977, p. 142

Na sociedade contemporânea, a morte tornou-se em coisa inominável, quase tabu. Deixou de se exibir em público. É por isso que imagens como a que vai aí acima, em que a celebração do presente se mistura com a memória dos mortos, suscitam reacções contraditórias.

Guimarães, vista como os pardais a vêem

Lançamento: 2 de Março de 2012, 19:00 horas, Sociedade Martins Sarmento, Guimarães.

José Ferreira Guimarães, fotógrafo imperial

José Ferreira Guimarães foi um dos mais destacados fotógrafos do Brasil oitocentista. Era português, nascido em Guimarães em 1841, de onde terá emigrado aos 11 anos. No Rio de Janeiro, aprendeu a arte fotográfica e tornou-se num dos mais afamados retratistas do Brasil, tendo alcançado o título, a poucos concedido, de Fotógrafo da Casa Imperial. Em 1867, apresentou numa exposição a maior ampliação fotográfica até aí produzida no Brasil. A casa fotográfica que havia criado um ano antes foi a maior do Brasil do seu tempo, com instalações sumptuosoas (um verdadeiro palácio de quatro andares, dedicado à fotografia). Tornou-se, rapidamente, num dos retratistas favoritos da elite brasileira, tendo adquirido vasta fortuna com o seu trabalho. Amigo de D. Pedro II, encerrou o seu ateliê após a instauração da República e, tal como o Imperador, mudou-se para Paris. Foi aí que apresentou, na Exposição Universal de 1889, o “Relâmpago Guimarães”, uma espécie de flash que permitia tirar fotografias e…

Da linguagem popular (4)

Mais algumas palavras e expressões populares recolhidas por Alberto Vieira Braga. Da leta C.

Cabido — Pagar foro ao cabido — ter areia na bola, macacos no sótão; atolado; zoeira.
Cachaleira — Alto das costas. Levar de cachaieira — ao carrachucho: — a cavalo no cachaço, sobre os ombros.
Cachapina — Aguardente.
Cagadeira — Cagatório, casinha, sentina.
Calhorda — Mulher mal ajeitada e feia.
Canhão — (calão) Coirão, bucho, meretriz.
Canhenho — Que é vagaroso, acanhado; canhoto, esquerdo.
Carrachucho — Levar ao carrachucho — de escacha pernas sobre os ombros.
Cerimónia — Restos de comida que ficam nos pratos.
Cheira-a-testo — Que anda sempre a meter o nariz em tudo . (Inf. de Salvador Dantas).
Cheira-cus — Cheirão; que mete o nariz em tudo, mesmo onde não é chamado.
Chibas — (pop.) Barbas.
Chincalhão — Chinquilho — jogo do fito. Vem no N. D. C. F. em sentido diverso.
Chuchapitos — Insecto verde parecido com a vaca-loira. Chumbadouro — Parte do gonzo de uma porta que fica presa à parede.
Côdea — Pouca coi…

O Entrudo: máscaras e folias, mesmo em tempo de guerra

Hoje é dia de máscaras.
Entre nós, nos tempos que correm, dias como este quase que só acontecem no Carnaval. Não era assim no passado, em que eram frequentes, ao longo do ano, os momentos festivos em que as gentes disfarçavam as suas identidades atrás de máscaras. Esse costume acontecia, por exemplo, nas vésperas das festividades religiosas, mesmo nas mais solenes, como o Corpo de Deus (em meados de Junho de 1729, D. Prior da Colegiada de Guimarães, D. João de Sousa fez publicar um em que condenava e proibia “o abuso de na véspera do Corpo de Deus e de outras festas, haver máscaras, representações, danças e bailes”). Havia máscaras para assinalar factos políticos (no dia 19 Julho de 1728, segundo o cónego Pereira Lopes, citado por João Lopes de Faria, “houve touros no terreiro de Santa Clara com máscaras e um baile. Tudo isto foi continuação das festas que se fizeram pelo aniversário do juramento que Sua Majestade o sr. D. Miguel I, deu de manter as Leis Fundamentais da Monarquia Portu…

Érico Veríssimo: um almoço em Guimarães em 1959 (3)