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A mostrar mensagens de Abril, 2011

O Toural em imagens (2)

Domingo, dia 2 de Fevereiro de 1902 (2-2-2):
“De manhã houve grande nevada que caindo em pequenos flocos e com a atmosfera seca, deu causa a um fenómeno deslumbrante. Às 11 horas da manhã o regimento n.º 20 de infantaria, com mais de 200 homens, saía da missa na igreja de S. Francisco e seguia para o quartel pelo Toural, produziu-se um destes quadros que poucas e raras vezes se presenciam, marchando o regimento sobre uma chuva de flores brancas que em grande quantidade atapetava o chão e se penduravam dos bonés, ombros e fardas dos militares produzindo um efeito fantástico. Na 2ª feira de manhã e durante a noite novas quedas de neve se produziram em tamanha abundância que os telhados pareciam todos enormes, cobrindo por completo as casas; a Penha esteve encantadora. Alguns carros das carreiras de Braga e Basto não saíram e os que de lá vieram chegaram muito mais tarde e os cavalos cansadíssimos. Tiraram-se algumas vistas fotográficas da cidade. Dizia-se que desde 1854 não houvera igual…

O Toural em imagens (1)

O Toural no final do século XIX. (Clicar na imagem para ampliar)

Nas Escolas Centrais de Guimarães

Clicar na imagem, para ampliar
Esta fotografia pertenceu a A. L. de Carvalho (identificável à esquerda do guarda-chuva aberto do lado direito da imagem, com chapéu de coco). Tem uma legenda manuscrita onde se lê “Inauguração de exposição (?) nas Escolas Centrais de Guimarães” e deve datar dos primeiros anos da década de 1910. As enxadas e engaços que vemos nas mãos das crianças, assim como os chapéus de palha que lhes cobrem as cabeças, estarão relacionados, certamente, com o que estava a acontecer. Não se percebe bem o que é que esta foto assinala. Mas, olhando-se para os pés das crianças, observamos um indicador de diferenciação social muito expressivo.

À volta do rio Merdário (bis)

Rio de Couros
A propósito da designação rio Merdário ou rio Merdeiro, que aparece em documentação medieval e que, por regra, se atribui ao rio de Couros, em parte atendendo à natureza dos ofícios que se praticavam nas suas margens, subsistem muitas dúvidas.

Tendo a acreditar que, na origem, aquela designação não correspondia ao nome do rio, propriamente dito, apenas indicando a função de escoadouro dos dejectos (humanos, animais ou "industriais") que desempenhava. Segundo esta ideia, merdario seria a designação genérica dos cursos de água que funcionavam como colectores dos esgotos produzidos nas zonas urbanas medievais, de que não faltam exemplos em documentação medieval dos países do Sul da Europa. Em Milão existia um sistema de esgotos que era canalizado para o rio Lambro Meridional, que, por exercer essa função, também era conhecido por Lambro Merdario. Piacenza, Novara e Como são outras cidades italianas onde correm rios que outrora comungavam de tal designação. E também …

Guimarães, 26 de Abril de 1974

O Toural no dia 26 de Abril de 1974 (fotografia de A. Mota Prego, publicada por J. Santos Simões em "Braga, Grito de Liberdade", Guimarães, 1999)

Manifestações de regozijo na nossa cidade
Guimarães viveu com emoção o desenrolar dos acontecimentos, como, aliás, todo o país.
No dia 26 do mês findo, milhares de pessoas concentraram-se no Toural, a convite da Comissão Concelhia do Movimento Democrático do Distrito de Braga e manifestaram o seu júbilo pelo triunfo das gloriosas Forças Armadas.
Proferiram entusiásticos discursos os srs. Capitão António Joaquim Machado Ferreira, do Regimento de Infantaria 8, dr. José Augusto da Silva, Eduardo Ribeiro e dr. Santos Simões, estando presentes nas sacadas do edifício, diversas individualidades desta cidade e de Braga. A multidão entoou o Hino Nacional e levantou vivas à Pátria e à Liberdade.
*
Milhares de estudantes dos estabelecimentos de ensino da cidade – que se conservaram encerrados durante parte do dia 26 do mês findo – tomaram parte nu…

Da água e dos seus usos (5)

Fotografia de Eduardo Brito

Tendemos a acreditar que, no passado, a meteorologia teria, na sucessão das estações do ano, uma regularidade aproximada da constância imutável do tempo cronológico. Ao Verão quente e seco, sucedia o Outono, mais fresco e chuvoso, que acabava no Inverno, que era frio e molhado, a que se seguia a Primavera, de tempo mais ameno, se bem que húmido. O ritmo da vida dos homens seguiria a marcha do tempo cronológico e meteorológico e o calendário agrário ajustava-se a essa regularidade. Esta visão idealizada do clima de outrora está longe de corresponder à realidade vivida pelos nossos antepassados.
A verdade é que as inconstâncias meteorológicas não são, longe disso, apenas uma realidade dos tempos que correm. Aliás, no passado, os seus efeitos eram bem mais nefastos do que nos nossos dias. Olhando para os registos de que podemos dispor, facilmente se conclui que a irregularidade dos elementos climáticos era, afinal, bastante normal.
No passado, o maior problema qu…

Da água e dos seus usos (4)

Fotografia de Eduardo Brito

Na documentação mais antiga, são escassas as referências à rota de condução da água para a Vila. Há porém, na toponímia de Guimarães, um lugar com um nome sugestivo: o Terreiro do Cano (o Campo do Salvador ou de S. Mamede), que é abraçado por duas ruas: a rua do Cano de Cima, a Nascente, e a rua do Cano de Baixo, que corre pelo Poente. Estamos seguros de que seria por aí que passava o Cano da Vila que, já em 1390, alimentava o chafariz da Praça Maior. As sucessivas renovações a que o cano da Vila foi sujeito ao longo do tempo terão levado a uma pequena alteração na sua rota, concretizada provavelmente em meados do século XVIII, tendo passado a seguir por fora da muralha até junto da Torre dos Cães, local onde atravessaria para o espaço intramuros. A água era conduzida desde Mesão Frio até ao Cano e, a partir daí, seguia até junto da muralha. Escavações arqueológicas recentes, no actual Largo da Mumadona, mostraram uma estrutura subterrânea com uma caleira de…

Da água e dos seus usos (3)

Fotografia de Eduardo Brito
Os centros urbanos do passado distinguiam-se dos nossos especialmente por aquilo a que cheiravam. Na ausência de um sistema de esgotos colectivos, os despejos eram feitos directamente para a rua.
Percorrer as ruas da Guimarães dos séculos XVII ou XVIII, seria para nós, certamente, uma experiência tão surpreendente, quanto desagradável. Além dos dejectos que se despejavam nas ruas e nos terreiros e que escorriam para onde os levava a inclinação das ruas, os detritos acumulavam-se. Pela via pública circulavam cavalos, bois e cães, fuçavam porcos, debicavam aves de capoeira, e juntos contribuíam para transformar os espaços públicos em autênticas esterqueiras a céu aberto. A vila cheirava mal, tal como os seus habitantes.
Para os nossos narizes de contemporâneos, as cidades de outrora, sem sistema de saneamento público, nem de recolha de resíduos domésticos, deveriam ser insuportáveis. O lixo acumulava-se em todos os cantos. As pessoas livravam-se das águas sujas …

Da água e dos seus usos (2)

Fotografia de Eduardo Brito
No passado, as necessidades de água eram consideravelmente menores do que nos nossos dias. A água era usada para cozinhar, para lavar, para regar, mas, antes de qualquer outro uso, servia para beber. Todavia, não parecia ser a bebida favorita das gentes do Minho. No passado, a dieta básica da população minhota compunha-se de pão, caldo, papas de farinha, pescado seco, pouca carne e muito vinho, que nunca faltava e era o produto mais barato que se podia encontrar no mercado local (um litro de vinho custava, no século XVII, menos de metade de um quilo de broa e dez vezes menos do que um litro de azeite). Estas eram terras de grande abundância de vinho. Em 1620, intramuros, contavam-se sessenta tabernas (uma taberna por cada 100 habitantes da Vila e dos seus arrabaldes).
O pároco de S. João das Caldas de Vizela deixou, nas Memórias Paroquiais de 1758, um testemunho expressivo da secundarização da água. Dizia ele que, na sua freguesia, se encontram "copiosas…

Da água e dos seus usos (1)

Fotografia de Eduardo Brito
A história do homem é também a história da sua relação com a água e dos processos que desenvolveu para obter, utilizar e conservar esse recurso vital. Os nossos antepassados mais remotos distribuíam-se pelo território em função da disponibilidade da água. Nas sociedades primitivas, o homem procurou abrigo nas imediações dos cursos de água, aprendeu a abrir poços e criou sistemas de transporte que lhe permitiram dispor da água de que necessitava.
Ao longo do tempo, o consumo de água per capita acompanhou a evolução das sociedades. Estima-se que os habitantes da antiga Roma consumiriam, em média cerca de vinte litros por dia. Nas sociedades desenvolvidas dos dias de hoje, a necessidade média de água por pessoa/dia será vinte vezes superior. Este crescimento, associado à explosão demográfica e à crescente concentração humana em centros urbanos, implicou a necessidade de procura de novas soluções de captação, tratamento, encaminhamento e distribuição de água para…

Água é Património

No âmbito das comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, o Arquivo Municipal Alfredo Pimenta tem patente ao público, desde o passado dia 18 de Abril, a exposição "Água é Património", concebida a partir do livro Mãe-d'água:centenário doabastecimento público de Guimarães, editado pela Vimágua em 2007. Trata-se de uma obra que tem tido uma circulação quase restrita e que agora é finalmente posta à venda, no local da exposição. É um trabalho criado a várias mãos (os textos são meus e dos geógrafos Francisco Costa e António Bento Gonçalves e a fotografia é de Eduardo Brito) e pretende ser uma homenagem a todos quantos, ao longo dos séculos, trabalharam para assegurar o acesso à água às gentes de Guimarães.
Com se diz na apresentação da obra, o projecto nasceu da conjugação de dois desafios. O primeiro foi lançado pelo Dr. Santos Simões, na qualidade de Presidente da Direcção da Sociedade Martins Sarmento, para que a Vimágua assinalasse o centenário do sistema d…

Identidade

No âmbito da discussão que tem estado na ordem do dia a propósito do escasso envolvimento dos cidadãos de Guimarães na preparação da Capital Europeia da Cultura, não têm faltado referências à identidade vimaranense, o que pode levar a crer que os de Guimarães têm um modo de ser e de agir comum, com traços que os aproximam de um modelo de comportamento de natureza tribal.
Não estou seguro de que seja assim. A narrativa da identidade dos vimaranenses e dos seus "excessos" tem sido construída, em larga medida, com base num conjunto de lugares comuns que resultam de uma observação superficial da realidade, que uma análise mais fina desmonta facilmente.
Não será tarefa fácil identificar um conjunto de elementos que estejam presentes em todos os indivíduos e possam definir o perfil comum da identidade vimaranense, como o demonstra a observação de alguns elementos que geralmente se assumem como ingredientes incontornáveis do cimento identitário dos de Guimarães: o Vitória, as Nicolin…

Recuperando um contributo para 'insuflar um suplemento de alma ' na CEC

Na sequência da última reunião do Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães, está em curso um processo de reflexão estratégica acerca dos problemas identificados ao nível do envolvimento da comunidade e da comunicação, promovido pelo Conselho de Administração daquela Fundação. Trata-se de uma reflexão útil, embora tardia, atendendo aos sinais que há muito tempo se vinham acumulando, que indicavam que algo não ia bem na preparação da Capital Europeia da Cultura, o que agora é uma evidência para todos. Os sinais não são de hoje: para quem conhece a nossa realidade, eles já estavam identificados, no essencial, em finais de 2009. Por essa altura, cinco associações de Guimarães tentaram suscitar a reflexão sobre o escasso envolvimento dos cidadãos de Guimarães no processo de construção da CEC, propondo a criação de "espaços, formais e informais, de diálogo e de partilha". Não foram escutadas, mas a análise que então fizeram permanece actual.

Aqui fica:

Introdução ao debate: A…

O Castelo de Guimarães numa fotografia de meados do séc. XIX

Castelo de Guimarães. Fotografia de Francesco Rocchini (c. 1849-1873). (Clicar na imagem para ampliar) Fotografia do Castelo de Guimarães, também pertencente ao álbum "Album pittoresco e artistico de Portugal" que integra a colecção de D. Teresa Christina, mulher de D. Pedro II do Brasil.

Uma vista de Guimarães em meados do séc. XIX

Vista geral de Guimarães. Fotografia de Francesco Rocchini (c. 1849-1873). (Clicar na imagem para ampliar)
Vários amigos me têm colocado questões acerca da fotografia que ilustra este texto. Não se trata de descoberta minha, mas é uma descoberta notável. Conheci-a através do meu amigo Miguel Bastos, que a encontrou nas suas "escavações" em busca das muralhas (e das torres) perdidas de Guimarães.
Trata-se da digitalização de uma prova sobre papel existente na Biblioteca Nacional do Brasil. Faz parte de um "Album pittoresco e artistico de Portugal" que integra a colecção de D. Teresa Christina, mulher de D. Pedro II do Brasil, que a terá adquirido aquando de uma visita a Portugal. O álbum é composto por meia centena de fotografias de paisagens e monumentos. O fotógrafo é Francesco Rocchini, cujo acervo se encontra em Lisboa, na Torre do Tombo. A fotografia, que aparece com a indicação de que teria sido obtida no período entre 1849 a 1873, não é, seguramente, posterior…