30 de abril de 2011

O Toural em imagens (2)


Domingo, dia 2 de Fevereiro de 1902 (2-2-2):

“De manhã houve grande nevada que caindo em pequenos flocos e com a atmosfera seca, deu causa a um fenómeno deslumbrante. Às 11 horas da manhã o regimento n.º 20 de infantaria, com mais de 200 homens, saía da missa na igreja de S. Francisco e seguia para o quartel pelo Toural, produziu-se um destes quadros que poucas e raras vezes se presenciam, marchando o regimento sobre uma chuva de flores brancas que em grande quantidade atapetava o chão e se penduravam dos bonés, ombros e fardas dos militares produzindo um efeito fantástico. Na 2ª feira de manhã e durante a noite novas quedas de neve se produziram em tamanha abundância que os telhados pareciam todos enormes, cobrindo por completo as casas; a Penha esteve encantadora. Alguns carros das carreiras de Braga e Basto não saíram e os que de lá vieram chegaram muito mais tarde e os cavalos cansadíssimos. Tiraram-se algumas vistas fotográficas da cidade. Dizia-se que desde 1854 não houvera igual. Em algumas ruas atingiu 5 centímetros.”

João Lopes de Faria, Efemérides Vimaranenses
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29 de abril de 2011

28 de abril de 2011

Nas Escolas Centrais de Guimarães

Clicar na imagem, para ampliar

Esta fotografia pertenceu a A. L. de Carvalho (identificável à esquerda do guarda-chuva aberto do lado direito da imagem, com chapéu de coco). Tem uma legenda manuscrita onde se lê “Inauguração de exposição (?) nas Escolas Centrais de Guimarães” e deve datar dos primeiros anos da década de 1910. As enxadas e engaços que vemos nas mãos das crianças, assim como os chapéus de palha que lhes cobrem as cabeças, estarão relacionados, certamente, com o que estava a acontecer. Não se percebe bem o que é que esta foto assinala. Mas, olhando-se para os pés das crianças, observamos um indicador de diferenciação social muito expressivo.
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26 de abril de 2011

À volta do rio Merdário (bis)


Rio de Couros

A propósito da designação rio Merdário ou rio Merdeiro, que aparece em documentação medieval e que, por regra, se atribui ao rio de Couros, em parte atendendo à natureza dos ofícios que se praticavam nas suas margens, subsistem muitas dúvidas.

Tendo a acreditar que, na origem, aquela designação não correspondia ao nome do rio, propriamente dito, apenas indicando a função de escoadouro dos dejectos (humanos, animais ou "industriais") que desempenhava. Segundo esta ideia, merdario seria a designação genérica dos cursos de água que funcionavam como colectores dos esgotos produzidos nas zonas urbanas medievais, de que não faltam exemplos em documentação medieval dos países do Sul da Europa. Em Milão existia um sistema de esgotos que era canalizado para o rio Lambro Meridional, que, por exercer essa função, também era conhecido por Lambro Merdario. Piacenza, Novara e Como são outras cidades italianas onde correm rios que outrora comungavam de tal designação. E também os havia em França e em Espanha, nomeadamente em Cuixà (Catalunha francesa) e em Lérida (Catalunha espanhola).

Assim sendo, merdario não será o nome de um rio, mas sim um atributo da função que era destinada às linhas de águas usadas como condutores do saneamento urbano.

E com isto se responderia a uma interrogação que levantei ao analisar a documentação medieval disponível: o da dúvida sobre qual dos dois ribeiros que cercam Guimarães (Couros e Santa Luzia) seria o nosso rio merdario ou merdeiro: ambos o seriam.


PS: Segundo Cristina Torrão, em comentário deixado aqui, na Lisboa medieval também havia um curso de água similar, na função e no nome :

Ao fazer as pesquisas para o meu romance sobre D. Dinis, nomeadamente, respeitantes à cidade de Lisboa, deparei com a designação de "Rego Merdeiro", que era um curso de água (o esteiro da "História do Cerco de Lisboa" de Saramago), que atravessava a actual Praça do Comércio e ia desaguar no Tejo. Ao tempo da conquista da cidade por D. Afonso Henriques, era apenas um esteiro, que atravessava a planície, mas, ao tempo de D. Dinis, em que Lisboa já crescera para fora da Cerca Moura, era um córrego, onde se concentravam todos os dejectos. O Rei Lavrador mandou encaná-lo, devido ao mau cheiro.
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25 de abril de 2011

Guimarães, 26 de Abril de 1974



O Toural no dia 26 de Abril de 1974 (fotografia de A. Mota Prego, publicada por J. Santos Simões em "Braga, Grito de Liberdade", Guimarães, 1999)

 
Manifestações de regozijo na nossa cidade

Guimarães viveu com emoção o desenrolar dos acontecimentos, como, aliás, todo o país.

No dia 26 do mês findo, milhares de pessoas concentraram-se no Toural, a convite da Comissão Concelhia do Movimento Democrático do Distrito de Braga e manifestaram o seu júbilo pelo triunfo das gloriosas Forças Armadas.

Proferiram entusiásticos discursos os srs. Capitão António Joaquim Machado Ferreira, do Regimento de Infantaria 8, dr. José Augusto da Silva, Eduardo Ribeiro e dr. Santos Simões, estando presentes nas sacadas do edifício, diversas individualidades desta cidade e de Braga. A multidão entoou o Hino Nacional e levantou vivas à Pátria e à Liberdade.
*
Milhares de estudantes dos estabelecimentos de ensino da cidade – que se conservaram encerrados durante parte do dia 26 do mês findo – tomaram parte numa manifestação que a meio da manhã percorreu as ruas da cidade. Faziam-se acompanhar de muitos dísticos, dizendo: "Viva a Liberdade!" "Viva Portugal!" "Viva António Spínola" "Viva Costa Gomes". Entoando em coro o Hino Nacional e soltando calorosos vivas à Pátria, os manifestantes dispersaram depois.

O Comércio de Guimarães, 4 de Maio de 1974

 
Quando se escreve sobre história, há alguma dificuldade em tratar de momentos em que aquele que escreve foi participante. O 25 de Abril foi o primeiro momento histórico em que eu estava lá. E, como sói dizer-se, recordo aquele dia sem sombra de distanciamento, como se tivesse sido ontem.

Na manhã do dia 26, no Liceu de Guimarães, os estudantes congeminaram sair à rua para manifestarem a sua solidariedade para com o Movimento das Forças Armadas. O vice-reitor de serviço, conhecido pela sua prepotência, fez-se valer da autoridade e da força que julgava que ainda tinha nas suas mãos e enfrentou os estudantes que se acumulavam junto da portaria, na tentativa de lhes barrar a saída. De nada adiantou: se não se tivesse afastado da frente, teria sido levado de rojo pela onda que se formara, feita de jovens liceais, cansados de uma escola cinzenta, impositiva e repressiva. Cá fora, "organiza-se" o movimento espontâneo e improvisam-se cartazes em cartolinas. Não tardou muito para o cortejo se pôr em marcha. Naquele tempo, ainda nem sequer se imaginavam os telemóveis, nem o Twitter, nem o Facebook, mas a notícia de que os estudantes do Liceu tinham saído à rua espalhou-se rapidamente. A manifestação engrossou com a adesão dos estudantes das outras escolas. Ao chegar ao Toural era já uma enorme multidão.

Esta foi a primeira de muitas manifestações que ocorreriam em Guimarães por aqueles dias. Foi há 37 anos. Respirava-se liberdade. Éramos todos jovens e românticos.
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Da água e dos seus usos (5)


Fotografia de Eduardo Brito

 
Tendemos a acreditar que, no passado, a meteorologia teria, na sucessão das estações do ano, uma regularidade aproximada da constância imutável do tempo cronológico. Ao Verão quente e seco, sucedia o Outono, mais fresco e chuvoso, que acabava no Inverno, que era frio e molhado, a que se seguia a Primavera, de tempo mais ameno, se bem que húmido. O ritmo da vida dos homens seguiria a marcha do tempo cronológico e meteorológico e o calendário agrário ajustava-se a essa regularidade. Esta visão idealizada do clima de outrora está longe de corresponder à realidade vivida pelos nossos antepassados.

A verdade é que as inconstâncias meteorológicas não são, longe disso, apenas uma realidade dos tempos que correm. Aliás, no passado, os seus efeitos eram bem mais nefastos do que nos nossos dias. Olhando para os registos de que podemos dispor, facilmente se conclui que a irregularidade dos elementos climáticos era, afinal, bastante normal.

No passado, o maior problema que afectava a população da região de Guimarães, como a de qualquer outro lugar, no que respeita aos elementos meteorológicos, prendia-se com a água: muitas vezes, a chuva faltava, secando a terra e impedindo que frutificasse; outras caía em excesso, inundando os campos, destruindo sementeiras e dificultando a recolha dos frutos.

Para o passado remoto, não possuímos registos meteorológicos quantitativos precisos. Não obstante, dispomos de outros elementos que nos permitem perceber até que ponto as variações climáticas afectavam a vida das gentes. Da observação sistemática dos registos das procissões de preces e das penitências para que chovesse ou para que fizesse sol, podemos desenhar um exemplo esclarecedor: um homem que tivesse nascido em Guimarães em 1821 e que tivesse gozado uma longevidade excepcional, para aquele tempo, sobrevivendo até ao último dia do século em que nasceu, dos oitenta anos que teria durado a sua existência, em trinta e dois teria sido testemunha de crises meteorológicas. Algumas dessas crises, pelas suas consequências, deveriam ter ficado profundamente gravadas na sua memória, como sucedeu no ano fatídico de 1847, em que se sucederam as preces a pedir chuva, pois a seca e o calor tinham impedido que nascessem os restivos, não havendo esperanças de que as terras secas dessem fruto algum.

Todos os dias havia orações nas igrejas, porque a seca era grande, a ponto de se recear uma grande falta de pão. As consequências foram terríveis. No mês de Agosto morreram inúmeras crianças, de bexigas e diarreias. Dia houve em que eram sepultadas às oito e dez. As crianças eram, de facto, as mais vulneráveis às afecções de carácter infeccioso que facilmente se propagavam nos períodos de calor e de seca, em que as águas escasseavam e em que se recorria, muitas vezes, ao abastecimento com águas impróprias para consumo humano.

As contingências meteorológicas, especialmente as secas cíclicas que devastaram esta região em finais do século XIX, contribuíram significativamente para que se procurassem novas soluções de captação, condução, tratamento e distribuição de água susceptíveis de assegurarem o abastecimento público sem descontinuidades, minimizando os efeitos de crises que poderiam ter efeitos catastróficos.

A partir de: Mãe-d'água: centenário do abastecimento público de Guimarães, ed. Vimágua/Sociedade Martins Sarmento, 2007.
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24 de abril de 2011

Da água e dos seus usos (4)



Fotografia de Eduardo Brito

 
Na documentação mais antiga, são escassas as referências à rota de condução da água para a Vila. Há porém, na toponímia de Guimarães, um lugar com um nome sugestivo: o Terreiro do Cano (o Campo do Salvador ou de S. Mamede), que é abraçado por duas ruas: a rua do Cano de Cima, a Nascente, e a rua do Cano de Baixo, que corre pelo Poente. Estamos seguros de que seria por aí que passava o Cano da Vila que, já em 1390, alimentava o chafariz da Praça Maior. As sucessivas renovações a que o cano da Vila foi sujeito ao longo do tempo terão levado a uma pequena alteração na sua rota, concretizada provavelmente em meados do século XVIII, tendo passado a seguir por fora da muralha até junto da Torre dos Cães, local onde atravessaria para o espaço intramuros. A água era conduzida desde Mesão Frio até ao Cano e, a partir daí, seguia até junto da muralha. Escavações arqueológicas recentes, no actual Largo da Mumadona, mostraram uma estrutura subterrânea com uma caleira de condução de água, que seria um troço do antigo cano da Vila por onde era conduzida a água da Serra.

No passado, o abastecimento público fazia-se através dos chafarizes e dos tanques que estavam dispersos pelo espaço urbano. Falaremos de um único exemplar. Em 1587, foi mandado construir um novo chafariz público na praça do Toural, que passaria a ser, nos meses de Verão, ponto de encontro e de convívio da gente nobre da vila. Em finais do século XVI, o Toural era um espaço público muito concorrido. Aí se realizavam touradas e outros espectáculos públicos. O pároco de S. Sebastião, na resposta ao inquérito das Memórias Paroquiais de 1758, descreveu o campo ou terreiro do Toural como sendo "o de melhor vista e praça desta vila, onde está um chafariz do povo de vistosa grandeza, cercado de assentos para recreação do povo". Situado no topo sul do vasto terreiro, o chafariz, de traça maneirista, delimitava a praça e as suas escadas eram frequentadas pelos vizinhos, para conversarem à fresca da água que corria das suas seis bicas.

O chafariz do Toural começou a ser desmontado no silêncio da noite de 26 de Outubro de 1865. A sua demolição seria completada no início de Junho de 1873, sendo as suas pedras guardadas na Praça do Mercado. Em 1891, ficou implantado em terreno fronteiro à Igreja do Carmo. É ali, no topo do jardim do Largo Martins Sarmento, que se encontra actualmente, aguardando o momento em que será desmontado para regressar ao Toural.

A partir de: Mãe-d'água: centenário do abastecimento público de Guimarães, ed. Vimágua/Sociedade Martins Sarmento, 2007.
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23 de abril de 2011

Da água e dos seus usos (3)



Fotografia de Eduardo Brito

Os centros urbanos do passado distinguiam-se dos nossos especialmente por aquilo a que cheiravam. Na ausência de um sistema de esgotos colectivos, os despejos eram feitos directamente para a rua.

Percorrer as ruas da Guimarães dos séculos XVII ou XVIII, seria para nós, certamente, uma experiência tão surpreendente, quanto desagradável. Além dos dejectos que se despejavam nas ruas e nos terreiros e que escorriam para onde os levava a inclinação das ruas, os detritos acumulavam-se. Pela via pública circulavam cavalos, bois e cães, fuçavam porcos, debicavam aves de capoeira, e juntos contribuíam para transformar os espaços públicos em autênticas esterqueiras a céu aberto. A vila cheirava mal, tal como os seus habitantes.

Para os nossos narizes de contemporâneos, as cidades de outrora, sem sistema de saneamento público, nem de recolha de resíduos domésticos, deveriam ser insuportáveis. O lixo acumulava-se em todos os cantos. As pessoas livravam-se das águas sujas despejando-as para a rua, com o aviso prévio, três vezes repetido, do água-vai.

Como é evidente, todos estes dejectos lançados no solo originavam escorrências que contaminavam a água dos poços com que as populações se abasteciam. Ou iam ter ao curso de água que, na documentação medieval, era designado com o nome pitoresco de rio Merdário ou Merdeiro, que funcionaria como colector dos dejectos produzidos pela população. A nossa investigação suscita algumas interrogações acerca da identidade deste rio.

Nos Vimaranis Monumenta Historica, o Abade de Tagilde transcreve um documento de 1151 onde há uma referência ao arroio merdario, situado abaixo do monte latido. A. L. de Carvalho identificará o rio Merdário, que corria sub monte latido, com o rio de Couros, identificando o tal monte com o actual Monte Largo.

Todos sabemos que o monte Latito e o lugar que conhecemos por Monte Largo são sítios diferentes. O primeiro é a colina no topo da qual está implantado, há mil anos, o Castelo de Guimarães. O rio que corre pelo sopé dessa colina não é o rio de Couros, mas sim a ribeira de Santa Luzia, o rio Herdeiro ou ribeiro dos Castanheiros.

Pela análise da documentação medieval disponível, levanta-se uma dúvida: será que ambos os rios que abraçavam Guimarães medieval (o de Couros e o de Santa Luzia), por eventualmente exercerem a mesma função de colectores dos despejos dos moradores do velho burgo, tinham direito àquela designação e, em vez de um, teríamos dois rios Merdário ou Merdeiro?

Depois da Idade Média, o rio de Couros continuou a ser um colector de esgotos. Uma das novidades que este livro apresenta, é a notícia da existência, no início do século XVII, de uma latrina pública em Guimarães. No tombo de 1612, descreve-se uma casa que serve de privada pública da vila, situada no Campo da Feira. Era um edifício de pedra, de sobrado, com cobertura de telha. Por baixo, corriam os sobejos da água do tanque da praça da Oliveira, que cumpriam a função de sistema de limpeza permanente daquele equipamento colectivo. A exemplo do que já foi descrito para instalações idênticas de outros lugares da Europa da Idade Moderna, os utentes satisfaziam as suas necessidades no piso superior, onde haveria uma estrutura de madeira com um buraco sobre o qual se sentavam, caindo os dejectos no piso térreo, por onde corriam os escorros do tanque da Oliveira, que depois seguiriam o seu curso na direcção do rio de Couros.

A partir de: Mãe-d'água: centenário do abastecimento público de Guimarães, ed. Vimágua/Sociedade Martins Sarmento, 2007.

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22 de abril de 2011

Da água e dos seus usos (2)


Fotografia de Eduardo Brito

No passado, as necessidades de água eram consideravelmente menores do que nos nossos dias. A água era usada para cozinhar, para lavar, para regar, mas, antes de qualquer outro uso, servia para beber. Todavia, não parecia ser a bebida favorita das gentes do Minho. No passado, a dieta básica da população minhota compunha-se de pão, caldo, papas de farinha, pescado seco, pouca carne e muito vinho, que nunca faltava e era o produto mais barato que se podia encontrar no mercado local (um litro de vinho custava, no século XVII, menos de metade de um quilo de broa e dez vezes menos do que um litro de azeite). Estas eram terras de grande abundância de vinho. Em 1620, intramuros, contavam-se sessenta tabernas (uma taberna por cada 100 habitantes da Vila e dos seus arrabaldes).

O pároco de S. João das Caldas de Vizela deixou, nas Memórias Paroquiais de 1758, um testemunho expressivo da secundarização da água. Dizia ele que, na sua freguesia, se encontram "copiosas perenes fontes de cristalinas saborosas águas, de que se utilizam os seus moradores, assim para a fecundidade dos campos como para refrigério dos corpos no tempo do calor, se bem que pela maior parte as apeteçam mais para o primeiro do que para o segundo ministério, por conta do continuado uso que dão ao vinho que aqui tem um grande consumo".

Na higiene corporal também não se gastava muita água. A partir do final da Idade Média, o banho quase que desaparece dos hábitos dos europeus. Acreditava-se que a água do banho, em especial quando aquecida, abria os poros por onde entravam as doenças. Uma boa camada de sujidade sobre o corpo funcionaria como barreira protectora contra as doenças. A higiene deu lugar ao asseio. Importava trazer limpo aquilo que se mostrava: o rosto, as mãos, a roupa. Os europeus da Idade Moderna tinham medo da água. Em vez da imersão ou da água lançada directamente sobre o corpo, inventou-se uma espécie de limpeza a seco, que se praticava esfregando a pele com panos. A higiene pessoal, ou a sua ausência, foi transferida para a roupa que se envergava. Andar limpo era sinónimo de vestir uma camisa limpa, mesmo que fosse por cima de um corpo recoberto por crostas de sujidade. Era isso o asseio.

A partir de: Mãe-d'água: centenário do abastecimento público de Guimarães, ed. Vimágua/Sociedade Martins Sarmento, 2007.
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21 de abril de 2011

Da água e dos seus usos (1)


Fotografia de Eduardo Brito

A história do homem é também a história da sua relação com a água e dos processos que desenvolveu para obter, utilizar e conservar esse recurso vital. Os nossos antepassados mais remotos distribuíam-se pelo território em função da disponibilidade da água. Nas sociedades primitivas, o homem procurou abrigo nas imediações dos cursos de água, aprendeu a abrir poços e criou sistemas de transporte que lhe permitiram dispor da água de que necessitava.

Ao longo do tempo, o consumo de água per capita acompanhou a evolução das sociedades. Estima-se que os habitantes da antiga Roma consumiriam, em média cerca de vinte litros por dia. Nas sociedades desenvolvidas dos dias de hoje, a necessidade média de água por pessoa/dia será vinte vezes superior. Este crescimento, associado à explosão demográfica e à crescente concentração humana em centros urbanos, implicou a necessidade de procura de novas soluções de captação, tratamento, encaminhamento e distribuição de água para consumo humano. Por aqui somos capazes de perceber a magnitude da tarefa daqueles a quem hoje se coloca a missão de assegurarem o fornecimento de água potável à população.
Em meados do século XVII, o Padre João Baptista de Castro descreveu o Minho como uma terra fértil, de ares benignos e campos fecundos, por força da sua grande abundância de boas águas, que jorravam de "vinte e cinco mil fontes, e nove rios principais", além de outros mais pequenos.

Guimarães situa-se no coração dessa terra de abundância, como o notava o Padre Torcato Peixoto de Azevedo, também no século XVII, quando afirmava que "a todos são manifestas as muitas e férteis águas da província de Entre Douro e Minho, e sendo Guimarães a mais nobre parte desta província não se pode duvidar da muita abundância que delas tem, pois não há casa nenhuma na vila, nem em seus arrabaldes, que não tenha um poço, e muitas fontes nativas particulares".

Tamanha generosidade da natureza explica que o abastecimento de água não estivesse no centro das preocupações do governo da cidade. Na Idade Moderna, o abastecimento público ainda não era uma das principais fontes de despesa nem da municipalidade, nem dos munícipes. A Câmara de Guimarães apenas consumia um vigésimo das suas receitas com o abastecimento de água à vila e nada gastava para assegurar que as populações do termo rural tivessem acesso ao precioso líquido. Do seu orçamento, a fatia destinada a assegurar a disponibilidade de água potável pela população era semelhante à que se gastava com a conservação do relógio da Câmara, que marcava o tempo na torre da Colegiada. Durante muito tempo, o esforço de investimento público nesta área resumiu-se a assegurar que a água corresse no tanque da Praça Maior, ao qual se juntou, em 1588, o gracioso chafariz do Toural.

Apesar das crises cíclicas de abastecimento, especialmente em anos de estios mais quentes e prolongados, só a partir de meados do século XIX se tornaram mais urgentes as preocupações com a quantidade e a qualidade da água disponível para a população. Vários factores contribuíram para esta mudança: a água de muitos poços da zona urbana já estava esgotada ou era imprópria para consumo humano; o sistema de condução da água da Penha estava decadente, obsoleto e insuficiente para satisfazer as necessidades; há novos hábitos de higiene, que implicaram um maior consumo de água; sucedem-se períodos de seca, especialmente a partir do final da década de 1840. A governança de Guimarães tinha um problema entre mãos. A solução só chegaria no início do século XX.

A partir de: Mãe-d'água: centenário do abastecimento público de Guimarães, ed. Vimágua/Sociedade Martins Sarmento, 2007.

 
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20 de abril de 2011

Água é Património


No âmbito das comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, o Arquivo Municipal Alfredo Pimenta tem patente ao público, desde o passado dia 18 de Abril, a exposição "Água é Património", concebida a partir do livro Mãe-d'água: centenário do abastecimento público de Guimarães, editado pela Vimágua em 2007. Trata-se de uma obra que tem tido uma circulação quase restrita e que agora é finalmente posta à venda, no local da exposição. É um trabalho criado a várias mãos (os textos são meus e dos geógrafos Francisco Costa e António Bento Gonçalves e a fotografia é de Eduardo Brito) e pretende ser uma homenagem a todos quantos, ao longo dos séculos, trabalharam para assegurar o acesso à água às gentes de Guimarães.

Com se diz na apresentação da obra, o projecto nasceu da conjugação de dois desafios. O primeiro foi lançado pelo Dr. Santos Simões, na qualidade de Presidente da Direcção da Sociedade Martins Sarmento, para que a Vimágua assinalasse o centenário do sistema de abastecimento público de Guimarães com a reedição do trabalho do Abade de Tagilde sobre a história do abastecimento de águas potáveis, que foi publicado na Revista de Guimarães nos primeiros anos do século XX.

O segundo desafio foi dirigido pela Vimágua, e pelo seu presidente de então, António Castro, a investigadores da Universidade do Minho, para que aprofundassem o conhecimento dos modos de acesso, tratamento, condução e distribuição de água no espaço que nos dias de hoje corresponde aos concelhos de Guimarães e de Vizela.

Mãe-d'água é um livro que se divide em dois capítulos centrais: o primeiro ("Águas passadas"), trabalho de historiador, aborda, a partir de diferentes prismas, a questão da água em terras de Guimarães até ao início do século XX; o segundo, obra de geógrafos, analisa o abastecimento de água ao longo daquele século. Estes textos são complementados por um glossário e uma cronologia da água, bem assim como pelos Apontamentos para a História de Guimarães, do Abade de Tagilde, João Gomes de Oliveira Guimarães, sobre o abastecimento de águas potáveis, um singular e muito actual ensaio histórico sobre o acesso à água.

Como aperitivo para a visita à exposição e para a leitura do livro, deixarei aqui, nos próximos dias, algumas notas esparsas acerca da relação das gentes de Guimarães com a água ao longo dos séculos.

O livro: Mãe-d'água: centenário do abastecimento público de Guimarães. António Amaro das Neves (coordenação e textos), Francisco Costa e António Bento Gonçalves (textos), Eduardo Brito (fotografias) ed. Vimágua/Sociedade Martins Sarmento, 2007.

A exposição: Água é Património, Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, 18 de Abril a 21 de Outubro de 2011
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18 de abril de 2011

Identidade



No âmbito da discussão que tem estado na ordem do dia a propósito do escasso envolvimento dos cidadãos de Guimarães na preparação da Capital Europeia da Cultura, não têm faltado referências à identidade vimaranense, o que pode levar a crer que os de Guimarães têm um modo de ser e de agir comum, com traços que os aproximam de um modelo de comportamento de natureza tribal.

Não estou seguro de que seja assim. A narrativa da identidade dos vimaranenses e dos seus "excessos" tem sido construída, em larga medida, com base num conjunto de lugares comuns que resultam de uma observação superficial da realidade, que uma análise mais fina desmonta facilmente.

Não será tarefa fácil identificar um conjunto de elementos que estejam presentes em todos os indivíduos e possam definir o perfil comum da identidade vimaranense, como o demonstra a observação de alguns elementos que geralmente se assumem como ingredientes incontornáveis do cimento identitário dos de Guimarães: o Vitória, as Nicolinas, as Gualterianas.

Costumamos ouvir dizer que uma das principais manifestações do sentimento de pertença comunitária das gentes de Guimarães resulta da sua relação com o futebol e com o principal clube da terra, o Vitória. É verdade que os adeptos do Vitória são especialmente entusiastas e dedicados ao seu clube. Mas também é verdade que não falta em Guimarães quem seja indiferente ao fenómeno futebolístico, nem sequer faltam por aí os que são fervorosos adeptos de outros clubes, sem que isso diminua a sua condição de vimaranenses.

As Nicolinas são tidas como manifestações que unem as gentes de Guimarães num vínculo comum. Mas nós sabemos que isso não corresponde à realidade, a não ser, provavelmente, para as gerações mais recentes, aquelas que frequentaram as escolas nas últimas décadas, num tempo de massificação e de generalização do ensino. Para muitas gerações, nomeadamente para aquela a que pertenço, as Nicolinas apenas diziam respeito a uma pequena parte da população de Guimarães, a minoria que frequentava o Liceu. Todos os outros jovens, os que estudavam na Escola Industrial ou os que não frequentavam o ensino secundário, que eram a maioria, eram excluídos. Como é que se podiam identificar com as Nicolinas?

Algo semelhante se pode dizer das Gualterianas. Para muitos, são estas festas as que penetram mais fundo no modo como as gentes de Guimarães se revêem na sua relação com a cidade. É certo que havia quem adiasse o início das suas férias de Verão para poder assistir e participar nas Gualterianas. Mas também não faltava (nem falta) quem antecipasse a saída para lhes fugir.

Não existe um modo único de viver a cidade. Existem diferentes maneiras das pessoas se identificarem com ela. É evidente que não faltam elementos com os quais os vimaranenses se identificam e que podem ser assinalados como marcas simbólicas de um certo espírito comunitário: a história e o simbolismo da Fundação, o Castelo, o Centro Histórico, Afonso Henriques. São elementos de que os vimaranenses se apropriam, em diferentes manifestações, com particular visibilidade no fenómeno do futebol, e que contribuem para compor a principal marca da sua identidade. E essa marca é Guimarães: os vimaranenses, cada qual à sua maneira, revêem-se na sua cidade. Quem melhor definiu este sentimento de pertença e de partilha de uma casa comum foi Jorge Sampaio, quando identificou a existência em Guimarães de um "patriotismo de cidade". Esse sentimento têm-no os vimaranenses, aqueles que aqui nasceram e aqueles que escolheram este lugar como a sua cidade, sejam eles, ou não, vitorianos, nicolinos ou "gualterianos".

O que as gentes de Guimarães não aceitam, e nisso não são diferentes das gentes das outras terras, é verem o afecto que dedicam à sua cidade tratado com sobranceria e menosprezo, e sentirem-se olhadas como aborígenes que vivem mergulhados nas trevas e que só têm que ficar agradecidos aos que imaginam que lhes trazem a luz e a civilização.

[Texto publicado em O Povo de Guimarães, 15 de Abril de 2011]
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10 de abril de 2011

Recuperando um contributo para 'insuflar um suplemento de alma ' na CEC



Na sequência da última reunião do Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães, está em curso um processo de reflexão estratégica acerca dos problemas identificados ao nível do envolvimento da comunidade e da comunicação, promovido pelo Conselho de Administração daquela Fundação. Trata-se de uma reflexão útil, embora tardia, atendendo aos sinais que há muito tempo se vinham acumulando, que indicavam que algo não ia bem na preparação da Capital Europeia da Cultura, o que agora é uma evidência para todos. Os sinais não são de hoje: para quem conhece a nossa realidade, eles já estavam identificados, no essencial, em finais de 2009. Por essa altura, cinco associações de Guimarães tentaram suscitar a reflexão sobre o escasso envolvimento dos cidadãos de Guimarães no processo de construção da CEC, propondo a criação de "espaços, formais e informais, de diálogo e de partilha". Não foram escutadas, mas a análise que então fizeram permanece actual.

Aqui fica:

 
Introdução ao debate: A Cidade, os Cidadãos e a Capital Europeia da Cultura 2012

 
[...]

Todos temos consciência de que o sucesso da Capital Europeia da Cultura irá medir-se, não só pelo que acontecer em 2012, que será, certamente, grandioso, mas também pelo que acontecerá em 2013, em 2020 ou em 2030. O investimento de 2012 valerá, acima de tudo pelas sementes que lançar para o futuro, na medida em que contribuir, de uma forma sustentada e perene, para a afirmação cultural de Guimarães nos contextos nacional e europeu. Para o seu sucesso, muito concorrerá, também, o que se fizer antes de 2012.

Tem feito o seu caminho a ideia da Capital Europeia da Cultura como indutora de desenvolvimento económico. Estamos completamente de acordo com o objectivo expresso de que a CEC deve contribuir para "facilitar o processo de reestruturação do tecido económico e produtivo da região". Mas, numa perspectiva realista, poderemos alimentar tão grandes expectativas em relação a este objectivo? A elevação cultural será, certamente, factor de atracção de progresso e de desenvolvimento económico, mas não estamos certos de que seja a solução para retirar da depressão uma região com uma economia tradicionalmente centrada no recurso a mão-de-obra intensiva. Não será fácil acreditar que a velha indústria têxtil, que despeja para o desemprego sucessivos contingentes de mão-de-obra indiferenciada, venha a ter o seu espaço ocupado pelas novíssimas indústrias criativas, geradoras empregos para um reduzido número de profissionais altamente qualificados. A CEC poderá contribuir, contribuirá certamente, para o aparecimento de novos nichos de actividade económica, mas não será fácil ser a solução para a crise sistémica e profunda em que a nossa região está mergulhada. 

Estamos de acordo com a intenção, várias vezes manifestada pela Senhora Presidente da Fundação Cidade de Guimarães, de que "a programação da Guimarães 2012 vai envolver todos os agentes e habitantes da cidade nos diferentes programas e projectos", porque acreditamos que a CEC terá o seu sucesso assegurado na medida em que se apoiar na reconhecida disponibilidade e generosidade dos cidadãos de Guimarães, que se manifesta sempre que toca a reunir para grandes empreendimentos colectivos. O Dr. Jorge Sampaio, Presidente do Conselho Geral da FCG, utiliza uma expressão feliz para definir este modo de ser tão vimaranense, de que sucessivas gerações têm produzido impressionantes manifestações, quando recomenda que se aproveite o "patriotismo de cidade" que se respira em Guimarães. Este é um capital que não se pode desperdiçar.

O anúncio, no já longínquo Outubro de 2006, da candidatura de Guimarães a Capital Europeia da Cultura em 2012, despertou uma onda de entusiasmo entre os cidadãos vimaranenses. Olhando em volta, nos dias que correm, sentimos que esse entusiasmo inicial anda adormecido. Vai ser preciso ganhar os cidadãos para o desafio que se nos coloca pela frente e que não se repetirá. Há muito trabalho a fazer para conseguir que os vimaranenses assumam a CEC como coisa sua. Temos consciência de que vai ser necessário insuflar um suplemento de alma neste grande projecto, para que todos se revejam nele.

A CEC deve ser para todos. Deve convocar as vontades e mobilizar os afectos de todos os vimaranenses. Deve ser transversal a gerações, a diferenças sociais e a posicionamentos políticos ou credos religiosos. Deve ser dirigida às elites e ao homem comum. Deve ter espaço para o efémero, mas também para o perene. Deve comportar a memória e a modernidade, o digital e o analógico. E, porque é Guimarães que dá nome à capital, deve ter, em todas as suas manifestações, um mínimo denominador comum que as vincule às manifestações e aos protagonistas da cultura local. A CEC servirá para trazer a cultura europeia até Guimarães, mas deve servir, também, para a afirmação da identidade cultural de Guimarães, mostrando ao resto da Europa a sua própria cultura. Porque a cultura de Guimarães também é, sempre foi, cultura europeia, quer na sua vertente erudita, quer na sua vertente mais popular.

Estamos convictos de que, na programação da CEC, se deve valorizar o que de mais original tem Guimarães. Desde logo, fará todo o sentido apostar na sua dimensão de berço da nacionalidade, de capital histórica de Portugal, de espaço precursor da fundação. Em 2012 nem sequer faltará um excelente pretexto para afirmar essa dimensão, fazendo-a entroncar na História da Europa, ligando-a ao destino de um europeu que atravessou o continente e iniciou, neste recanto ocidental, a construção de um país. Porque em 2012 se comemora o seu 9.º centenário, acreditámos que o Conde D. Henrique deve ser um dos protagonistas da CEC.

Como Raul Brandão, na literatura; ou Gil Vicente, no teatro; ou Francisco Martins Sarmento, na arqueologia; ou Joaquim Novais Teixeira, no cinema; ou José de Guimarães, nas Artes Plásticas; ou Elisabete Matos, na música; como alguns mais, todos eles figuras com estreitas ligações a Guimarães e à sua cultura, mas com uma dimensão que ultrapassa os muros estreitos do velho burgo. Todos eles com dimensão para serem protagonistas incontornáveis de uma Capital Europeia da Cultura que valorize os marcadores da identidade de Guimarães.

Ao longo dos tempos, muitos jovens vimaranenses de elevado potencial em diferentes sectores da arte, do espectáculo e da cultura, têm sido forçados a emigrarem, por falta de oportunidades de trabalho e de crescimento. De entre eles, não faltam casos de sucesso em diferentes áreas da criação, da música à dança, do teatro às artes plásticas, do cinema às novas tecnologias, em Portugal e no estrangeiro. Com a CEC, temos a oportunidade de os chamar, dando-lhes condições para participarem neste empreendimento irrepetível e trabalhando para que fiquem, depois de 2012. O investimento nas pessoas deve ser consistente: a CEC deve apostar em dar meios para a valorização e para o crescimento do mais valioso património que Guimarães possui, as suas gentes. 

Em Guimarães, nunca faltou o talento. Escassearam, muitas vezes, os meios e as oportunidades. Em 2012 haverá meios e não deverão faltar oportunidades. Não devem ser desperdiçados.

A Capital Europeia da Cultura deve ser assumida como um projecto global de cidadania. Um projecto inclusivo, que envolva os cidadãos europeus de Guimarães, num processo partilhado, discutido e participado. Um projecto que não deixe ninguém de fora. Um projecto em que, mais do que veículos, destinatários, espectadores ou público, os cidadãos sejam actores do processo. Para tanto, haverá necessidade de se criarem espaços, formais e informais, de diálogo e de partilha, em conformidade com o que está inscrito no programa da candidatura aprovada em Bruxelas. Para que 2012 mobilize os cidadãos e se afirme como uma construção colectiva marcante, em que todos se sintam do lado de dentro.

O Círculo de Arte e Recreio, o Cineclube de Guimarães, o Convívio, a Sociedade Martins Sarmento e a Sociedade Musical de Guimarães, assim como, certamente, outras instituições, estão, como sempre estiveram, disponíveis para trabalharem, com entusiasmo, com os seus recursos e com a sua capacidade de mobilizar vontades, energias e recursos, para o envolvimento dos cidadãos em torno do projecto colectivo da Capital Europeia da Cultura 2012.

Em 2013, queremos olhar para trás e pensar em 2012, não como um momento que aconteceu em Guimarães, mas como um tempo que fez Guimarães acontecer.

Podem contar connosco.

[Texto colectivo dos presidentes das direcções do Círculo de Arte e Recreio, do Cineclube de Guimarães, do Convívio, da Sociedade Martins Sarmento e da Sociedade Musical de Guimarães, lido por António Amaro das Neves na abertura do debate A Cidade, os Cidadãos e a Capital Europeia da Cultura 2012, realizado no dia 8 de Janeiro de 2010 no Salão Nobre da Sociedade Martins Sarmento]
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5 de abril de 2011

O Castelo de Guimarães numa fotografia de meados do séc. XIX


Castelo de Guimarães. Fotografia de Francesco Rocchini (c. 1849-1873).
(Clicar na imagem para ampliar)
 
Fotografia do Castelo de Guimarães, também pertencente ao álbum "Album pittoresco e artistico de Portugal" que integra a colecção de D. Teresa Christina, mulher de D. Pedro II do Brasil.
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4 de abril de 2011

Uma vista de Guimarães em meados do séc. XIX


 Vista geral de Guimarães. Fotografia de Francesco Rocchini (c. 1849-1873).
(Clicar na imagem para ampliar)

Vários amigos me têm colocado questões acerca da fotografia que ilustra este texto. Não se trata de descoberta minha, mas é uma descoberta notável. Conheci-a através do meu amigo Miguel Bastos, que a encontrou nas suas "escavações" em busca das muralhas (e das torres) perdidas de Guimarães.

Trata-se da digitalização de uma prova sobre papel existente na Biblioteca Nacional do Brasil. Faz parte de um "Album pittoresco e artistico de Portugal" que integra a colecção de D. Teresa Christina, mulher de D. Pedro II do Brasil, que a terá adquirido aquando de uma visita a Portugal. O álbum é composto por meia centena de fotografias de paisagens e monumentos. O fotógrafo é Francesco Rocchini, cujo acervo se encontra em Lisboa, na Torre do Tombo. A fotografia, que aparece com a indicação de que teria sido obtida no período entre 1849 a 1873, não é, seguramente, posterior aos primeiros anos da década de 1860. A imagem foi tomada a partir do Monte do Cavalinho. Trata-se da melhor vista geral de Guimarães do século XIX até hoje conhecida. A sua qualidade é, de facto, impressionante. No mesmo álbum, encontra-se uma outra fotografia do Castelo de Guimarães, que logo mostraremos aqui.

Legenda:

1 – Basílica de S. Pedro, à altura ainda sem a torre.

2 – Igreja da Misericórdia.

3 – Edifício onde actualmente se encontra o Café Milenário.

4 – Igreja de S. Paio, demolida no princípio do séc. XX.

5 - Igreja de S. Sebastião, demolida em finais do séc. XIX.

6 – Igreja da Colegiada.

7 - Igreja de S. Dâmaso, desmontada e transplantada para o Campo de S. Mamede em meados do séc. XX.

8 – Rua Caldeiroa.

9 – Pano de muralha, actualmente desaparecido.
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