25 de abril de 2011

Guimarães, 26 de Abril de 1974



O Toural no dia 26 de Abril de 1974 (fotografia de A. Mota Prego, publicada por J. Santos Simões em "Braga, Grito de Liberdade", Guimarães, 1999)

 
Manifestações de regozijo na nossa cidade

Guimarães viveu com emoção o desenrolar dos acontecimentos, como, aliás, todo o país.

No dia 26 do mês findo, milhares de pessoas concentraram-se no Toural, a convite da Comissão Concelhia do Movimento Democrático do Distrito de Braga e manifestaram o seu júbilo pelo triunfo das gloriosas Forças Armadas.

Proferiram entusiásticos discursos os srs. Capitão António Joaquim Machado Ferreira, do Regimento de Infantaria 8, dr. José Augusto da Silva, Eduardo Ribeiro e dr. Santos Simões, estando presentes nas sacadas do edifício, diversas individualidades desta cidade e de Braga. A multidão entoou o Hino Nacional e levantou vivas à Pátria e à Liberdade.
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Milhares de estudantes dos estabelecimentos de ensino da cidade – que se conservaram encerrados durante parte do dia 26 do mês findo – tomaram parte numa manifestação que a meio da manhã percorreu as ruas da cidade. Faziam-se acompanhar de muitos dísticos, dizendo: "Viva a Liberdade!" "Viva Portugal!" "Viva António Spínola" "Viva Costa Gomes". Entoando em coro o Hino Nacional e soltando calorosos vivas à Pátria, os manifestantes dispersaram depois.

O Comércio de Guimarães, 4 de Maio de 1974

 
Quando se escreve sobre história, há alguma dificuldade em tratar de momentos em que aquele que escreve foi participante. O 25 de Abril foi o primeiro momento histórico em que eu estava lá. E, como sói dizer-se, recordo aquele dia sem sombra de distanciamento, como se tivesse sido ontem.

Na manhã do dia 26, no Liceu de Guimarães, os estudantes congeminaram sair à rua para manifestarem a sua solidariedade para com o Movimento das Forças Armadas. O vice-reitor de serviço, conhecido pela sua prepotência, fez-se valer da autoridade e da força que julgava que ainda tinha nas suas mãos e enfrentou os estudantes que se acumulavam junto da portaria, na tentativa de lhes barrar a saída. De nada adiantou: se não se tivesse afastado da frente, teria sido levado de rojo pela onda que se formara, feita de jovens liceais, cansados de uma escola cinzenta, impositiva e repressiva. Cá fora, "organiza-se" o movimento espontâneo e improvisam-se cartazes em cartolinas. Não tardou muito para o cortejo se pôr em marcha. Naquele tempo, ainda nem sequer se imaginavam os telemóveis, nem o Twitter, nem o Facebook, mas a notícia de que os estudantes do Liceu tinham saído à rua espalhou-se rapidamente. A manifestação engrossou com a adesão dos estudantes das outras escolas. Ao chegar ao Toural era já uma enorme multidão.

Esta foi a primeira de muitas manifestações que ocorreriam em Guimarães por aqueles dias. Foi há 37 anos. Respirava-se liberdade. Éramos todos jovens e românticos.
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