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A mostrar mensagens de Março, 2011

CEC: “É necessário dar mais solidez a essa esperança.”

Guimarães, vista a partir do Monte Cavalinho, numa fotografia anterior a 1863 Reuniu ontem, 29 de Março, o Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães. Na reunião, foi aprovada por unanimidade uma moção onde se reflecte sobre o momento actual do processo de preparação da Capital Europeia da Cultura e se recomenda ao Conselho de Administração da FCG "que prestasse especial atenção aos temas da comunicação e do envolvimento da cidade e das suas instituições". Na ausência de publicação, até ao momento, no espaço institucional próprio, aqui se transcreve o documento na íntegra. Merece leitura atenta.


Conselho Geral, 29 de Março de 2011

MOÇÃO Esta reunião do Conselho Geral teve lugar num momento particularmente exigente do projecto Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura.
A 9 meses da abertura do evento, a concretização do programa corre agora contra o tempo. O ambiente local em torno do projecto tem sido marcado por episódios desgastantes. A crise económica, financeira e políti…

Cabras

Uma deliberação tomada pela Câmara Municipal de Guimarães na última semana tem dado muito que falar, pelo seu lado insólito (no sentido de não ser costume). Vão ser adquiridas umas quantas cabras, que serão utilizadas na limpeza de várias freguesias do concelho. Confesso, sem ironia, que simpatizo com a medida, acreditando que pode tornar-se num caso de sucesso (e de estudo). Trata-se de uma solução, porventura inesperada, que tem vindo a ganhar aderentes e que contra entre os seus utilizadores uma empresa tão intrinsecamente ligada às novas tecnologia, como a Google, que já adoptou esta solução.
A eficácia das cabras na limpeza está amplamente comprovada. Até em Guimarães, como se comprova pelas queixas que antigamente eram levadas às autoridades, contra "os danos e perdas" que as cabras "faziam e davam" nos pastos, de que se queixavam os moradores de Corvite, Pencelo e Fermentões em 1628, ou "nos matos novamente sementados de tojo", como consta em delibe…

Os Vimaranenses

Guimarães, 1900: os vimaranenses homenageiam uma das suas principais referências, Francisco Martins Sarmento
Num tempo em que tanto se fala dos vimaranenses e do seu tão especial modo de ser, recupero aqui um texto que escrevi há uns anos, a pedido dos meus amigos do Cineclube de Guimarães:
Dos vimaranenses
Nem sempre os nomes se ajustam convincentemente aos objectos nomeados. Conheço eu um José que tem cara de Serafim, um Francisco que melhor se chamaria se se chamasse Domingos, um Custódio que só podia ser Alfredo, mas não é. O mesmo desajuste sucede, com frequência, com os nomes que se dão aos que nascem ou moram em cada terra. Porque lisboeta não servia, começaram a chamar-lhe alfacinha. Um autóctone do Porto não tem, nem poderia ter, cara de portuense. Por isso lhe chamam, com toda a propriedade, tripeiro. Como dos de Braga não se sabe muito bem o que possam ser, ou parecer, chamam-lhes, sem critério, brácaros, bracaraugustanos, bragueses ou bracarenses. O mesmo sucede com um aboríg…

Repondo a verdade

Dizem-me que a responsável máxima pela organização da CEC terá afirmado (declarações que, confesso, ainda não ouvi) que eu não teria moral para falar acerca do envolvimento da população na preparação da Capital Europeia da Cultura porque, enquanto membro do Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães, nunca me teria pronunciado sobre tal assunto naquele órgão, que integro por indicação da Câmara Municipal de Guimarães. Não pretendo entrar em polémicas que apenas podem contribuir para azedar algo que já não é muito doce, mas, porque está implícito, em tais declarações, algo que me atinge e afecta, por levantar questões de carácter, sou obrigado a esclarecer o seguinte:
Não corresponde à verdade que eu não tenha levantado em sede de Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães a questão dos problemas na comunicação da Fundação com a cidade e com os cidadãos e das dificuldades que esses problemas geravam na relação dos vimaranenses com a sua Capital Europeia da Cultura. Fi-lo, com to…

O Chafarica

Chafarica (caricatura de Domingos Dantas)

Quem sempre fumar quiser, e cair no seu agrado, inda que não leve trocado, basta ir uma... mulher.
– Cigarros fortes?... Não há! Diz-lhe o nosso Pinheirinho, a sorrir de... Pelourinho. – No Chafarica... Só lá!...
Mas, ele, que é sempre amiguinho, e sempre fez eu favor, torna-lhe, em frase de amor, – Sempre lhe arranjo... um massinho.
E assim, naquela atitude ingénua, toda bondade, à mulher faz a vontade, sem perder sua virtude. 

AGROVERDE
In A Ortiga, n.º 3, Guimarães, 13 de Dezembro de 1925

A. L. de Carvalho

A. L. de Carvalho (caricatura de Domingos Dantas)


Pac'ência, senhor Carvalho!
O que saiu, ai está;
Cá em casa melhor não há.
………………………………..
O amigo Domingos Dantas
deu-se ao pequeno trabalho
de andar a pau..., e às tantas...
………………………………..
Se alguma falta notar,
peço desculpa ao amigo.
Mas (pra nós, e a conversar),
falta-lhe... uma ceira de figo !...
E o... guarda-sol elegante,
para o tornar mais galante.

AGROVERDE.


In A Ortiga, n.º 2, Guimarães, 29 de Novembro de 1925

Couteiro, capitão-teinador do Vitória Sport Clube

Couteiro (caricatura de Domingos Dantas)
"Conhecem?
Naturalmente. Nem outra coisa era de esperar. Pois quem não conhecerá o Couteiro, o infatigável capitão treinador do Vitória Sport Club? Apesar de novo cá no "berço", é já bastante conhecido, principalmente no nosso meio desportivo, onde há desportistas de verdade."
In A Ortiga, n.º 1, Guimarães, 15 de Novembro de 1925

A “Academia” de Guimarães, no último quartel do séc. XIX

Luís de Magalhães
No volume especial da Revista de Guimarães publicado em 1900 em homenagem a Francisco Martins Sarmento, o escritor Luís de Magalhães reflecte sobre a importância das obras de Martins Sarmento e de Alberto Sampaio no contexto da cultura portuguesa do seu tempo.

A "Academia" de Guimarães

Se o nosso país fosse atacado de veleidades regionalistas — Guimarães tinha o direito de reivindicar para si as honras de um centro superiormente caracterizado e individualizado no meio intelectual português.

O velho berço da monarquiafoi, no último quartel deste século, um brilhante foco de estudos arqueológicos e históricos. Martins Sarmento de um lado, Alberto Sampaio do outro, fizeram mais, nesse período, para a investigação das nossas origens pré-históricas, étnicas, sociais, nomológicas, económicas, do que todos os institutos científicos do país. Um escavando as ruínas das citânias, comentando sagazmente os velhos monumentos históricos e geográficos, embrenhando-se na selva…

Ditos populares sobre Guimarães e os vimaranenses, segundo A. L. de Carvalho

A fechar o seu Roteiro de Guimarães, publicado em 1923, A. L. de Carvalho dá conta dos anexins (ditos populares) que se referem a Guimarães e aos vimaranenses, deles apresentando a sua interpretação. No texto de A. L., que a seguir se transcreve, note-se a interpretação da tradição das duas caras, que era a que corria no tempo em que escrevia, onde não se encontra qualquer referência à tradição de Barcelos com que, em tempos recentes, alguns persistem em explicar um velho dito popular:

ANEXINS DA TERRA
"Guimarães tem uma sé sem bispo1, um palácio sem rei2, uma ponte sem rio3":
1 Sé sem bispo — Por os D. Priores da Colegiada, espécie de pequena diocese, haver tido jurisdição similar aos bispos – e os bairristas se ufanarem disso em conjunturas várias da sua provecta história.
2 Palácio sem rei— Por esta terra ter em alta honra haver sido corte do primeiro rei português, a ponto de em 1666 a nobreza e o povo protestar, em sessão da Câmara, contra a provisão que autorizava os frade…

Entrudar com bacalhau

Terça-feira de Carnaval. Dia de entrudar. Dia de excessos e de comer carne (dia de carne vale, de dizer adeus à carne). Em meados do século XVIII, a celebrada Academia Vimaranense, fundada em 3 de Dezembro de 1724 pelo fidalgo Tadeu Luís António Lopes de Carvalho Fonseca e Camões, realizou mais uma das suas aparatosas sessões solenes onde se declamava poesia, assinalando a mudança para Guimarães do Arcebispo D. José de Bragança. À Academia deu-se o tema, Um miserável que por não gastar entrudou com bacalhau, que foi glosado por nove dos membros daquela agremiação de eruditos. Estava-se no Carnaval de 1747, e o assunto vinha a calhar com a quadra.
Aqui ficam as décimas de Tadeu Luís. Por elas se verá o pouco prestígio que então tinha o bacalhau enquanto objecto gastronómico.


AO SEGUNDO ASSUNTO:
Um miserável que por não gastar entrudou com bacalhau.

DÉCIMAS Um comedor entrudal Miserável da maleita Que lazarando se deita Nas escadas do Toural: E qual outro Sarrabal, Tratando de Astronomia, No seu p…

Para além da nuvem

Talvez a nuvem nos tolde o olhar, escondendo o que fica para lá dos acidentes, dos incidentes, das polémicas, dos tiros no pé e dos rumores que andam no ar.
Todavia, para lá da nuvem, nem tudo são más notícias. Falando da Capital Europeia da Cultura que nos calhou em sorte, tenho dito e escrito que não tenho qualquer receio em relação ao ano de 2012 em Guimarães: vai ser um sucesso, a cidade vai estar mobilizada e os vimaranenses vão participar na festa com o entusiasmo e a generosidade de sempre. Para tal contribuirá o trabalho daqueles que estão a trabalhar na programação da CEC, os programadores.[*]
Apesar dos constrangimentos que são visíveis e dos que, não o sendo, se percebem, vão montando as peças do puzzle de 2012 com seriedade, empenho, criatividade e inegável qualidade geral. Das áreas de programação que conheço melhor ("Pensamento" e "Cinema e Audiovisual"), é visível a preocupação em montar um programa de dimensão europeia com a marca de Guimarães, porque…

Termos de Guimarães no 'Novo Dicionário de Cândido de Figueiredo'

Cândido de Figueiredo
Em 1899, Cândido de Figueiredo (1846-1925), publicou a primeira edição do seu Novo Dicionário da Língua Portuguesa, que depois teria inúmeras actualizações. Da edição de 1913, respigámos termos que têm a sua origem em Guimarães:

Cerilhoto, (lhô) m. Prov. Minh. Diminuta porção de excrementos sólidos humanos, recentemente expelidos. (Colhido em Guimarães)
Companhom, m. Ant. O mesmo que companheiro: "emprazamos a vos Esteuam Annes comigo, nosso companhom." Mss. de 1531, no arquivo da Colegiada de Guimarães. (Fr. compagnon)
Guimarães, cidade do Minho. Há mais duas formas: Guimaraens, usada por Camilo e outros, e Guimarais, usada por alguns escritores partidários da simplificação ortográfica.
Ladripo, m. Prov. Minh. Aquele que ladripa. (Colhido em Guimarães) [ladripar é sinónimo de furtar]
Mingar, v. i. Pop. O mesmo que minguar: "…Duas fontes, uma das quais não cresce nem minga." Rev. de Guimarães, vol. XV, 160.
Pedida, f. Ant. O mesmo que pedido: «saluo…

As obras da Colegiada, segundo Ramalho Ortigão

Ramalho Ortigão, na sua obra O Culto da Arte em Portugal, refere-se às obras da Colegiada da Oliveira da década de 1830, que já tinham sido objecto de severa crítica por parte de Alexandre Herculano. Ramalho dá particular relevo a um vitral que "fazia explodir em apoteose a policromia do espelho" e que, tanto quanto é possível saber-se, nunca terá existido:
Em Guimarães mascaram indignamente de cal e de madeira as colunas e as arcarias da venerável igreja de Nossa Senhora da Oliveira, fundada nos primeiros anos do século X pelo conde Hermenegildo Mendes e por sua mulher a condessa Mumadona. No claustro do século XIII, que envolve uma parte da igreja, revestem de caixilharia envidraçada a graciosa arcaria, e rebocam espessamente a cal os capitéis das colunas. A flamante janela gótica, que por cima da porta, na fachada do templo, fazia explodir em apoteose a policromia do espelho, emoldurado na sua larga cercadura esculpida de silvados, historiada de estatuetas de santos em fan…

A Citânia de Briteiros, segundo Camilo

Em 1862, Camilo Castelo Branco publicou as suas Memórias do Cárcere, em que relata a sua passagem pela Cadeia da Relação do Porto, onde esteve preso por adultério. No Discurso Preliminar desta obra em dois volumes, Camilo descreve os dias anteriores à prisão e a sua passagem por Guimarães, onde, escreve, "procurei o conhecido, e achei um amigo, como usam raramente ser os irmãos": Francisco Martins Sarmento. A propósito da descoberta da Citânia de Briteiros, refere-se aos "sábios em medalhas e cipos", como "a gente mais estafadora do mundo". Mal ele imaginava que Martins Sarmento, anos mais tarde, se faria arqueólogo à conta da Citânia, tornando-se no mais eminente dos nossos "sábios em medalhas e cipos"...
A meia légua das Taipas, tem Francisco Martins uma quinta, chamada de Briteiros. Na casa magnífica da quinta vivia um par de cônjuges decrépitos, antiquíssimos criados de pais e avós do meu amigo. A extensão de salas, câmaras, corredores em lon…