6 de março de 2011

Para além da nuvem

 

Talvez a nuvem nos tolde o olhar, escondendo o que fica para lá dos acidentes, dos incidentes, das polémicas, dos tiros no pé e dos rumores que andam no ar.

Todavia, para lá da nuvem, nem tudo são más notícias. Falando da Capital Europeia da Cultura que nos calhou em sorte, tenho dito e escrito que não tenho qualquer receio em relação ao ano de 2012 em Guimarães: vai ser um sucesso, a cidade vai estar mobilizada e os vimaranenses vão participar na festa com o entusiasmo e a generosidade de sempre. Para tal contribuirá o trabalho daqueles que estão a trabalhar na programação da CEC, os programadores.[*]

Apesar dos constrangimentos que são visíveis e dos que, não o sendo, se percebem, vão montando as peças do puzzle de 2012 com seriedade, empenho, criatividade e inegável qualidade geral. Das áreas de programação que conheço melhor ("Pensamento" e "Cinema e Audiovisual"), é visível a preocupação em montar um programa de dimensão europeia com a marca de Guimarães, porque deverá ser Guimarães a estar, durante um ano, no centro da cultura europeia, porque é esse o sentido do conceito de capitalidade. Não duvido de que esta orientação esteja no cerne das preocupações das restantes áreas de programação. O problema é não se saber o suficiente. O programa apresentado ao público no dia 31 de Janeiro carece de ser divulgado, analisado e explicado, para que se torne compreensível. Para tal, é imperioso escutar os programadores, cujo silêncio, de tão misterioso e incompreensível, gera um imenso ruído.

[*] Se não me preocupa 2012, preocupa-me o tempo antes e o tempo depois de 2012. Porque é, ou devia ser, no tempo antes que se lançam, ou deveriam lançar, as bases do que permanecerá no tempo depois – o tal lastro, tão presente no discurso oficial, sempre que se fala do legado da CEC para o futuro.
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