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Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2008

Vimaranenses: Luís António da Costa Pego Barbosa

Filho de Francisco da Rocha Veloso e de D. Isabel da Trindade Barbosa, nasceu este nosso patrício a 24 de Setembro de 1710. Estudou humanidades em Braga e tão aproveitadamente se entregou ás letras, que estas lhe abriram carreira para os mais elevados cargos que desempenhou. Foi fidalgo capelão da Casa Real, oficial da secretaria de estado dos negócios do reino, cavaleiro professo na ordem de Cristo, beneficiado da igreja de Santa Maria de Castelo Branco. Era senhor do morgado de Santo Estêvão e Padroeiro da igreja de S. Pedro, desta cidade, para a qual conseguiu o título e honrarias de basílica, a primeira, que na prima diocese se reconhece e a terceira que ilustra o orbe lusitano, categoria que lhe foi dada por Bento XIV a 26 de Março de 1751. Muitas das corporações religiosas de Guimarães devem inúmeros benefícios a este incansável patrício. A S. Pedro, além da graça referida, deu diversas alfaias e entre estas um cálice de muito merecimento pelas figuras que o ornavam, levantadas em …

Vimaranenses: Manuel da Madre de Deus Miranda

Entre os oradores notáveis que ilustraram o século XVII, ocupa distintíssimo lugar o nosso patrício Manuel da madre de Deus Miranda, filho de Cristóvão Machado Ricolado ou Riconado e D. Brittes Machado da Maia Miranda, que a 23 de Junho de 1641 recebeu a Murça da congregação de S. João Evangelista. Formado na Universidade de Coimbra, pregador geral, ocupou o importantíssimo cargo de provedor do hospital geral da Caldas da Rainha. Faleceu a 23 de Setembro de 1692. Ainda hoje podemos avaliar seus conhecimentos, relendo os sermões que deixou manuscritos. Entre os impressos há um que foi recitado nesta cidade na festa de Corpus Christi,na Colegiada, em 1685. [João Gomes de Oliveira Guimarães, in O Espectador, n.º 46, Guimarães, 18 de Setembro de 1884]

Vimaranenses: Agostinho Barbosa (2)

Deixámos já biografado este nosso ilustre patrício, nascido a 17 do Setembro de 1590, no número 3 do nosso jornal, para onde enviámos os leitores. Dá-nos porém ocasião a falar dele a menção, que devemos aqui fazer de uma obra, que posteriormente se descobriu manuscrita, e que tem o grande mérito de ser escrita, como supomos, pelo próprio punho do insigne bispo, quando estudante em Coimbra e desconhecida de todos os bibliógrafos. Foi esta obra oferecida em Dezembro de 1883 à Sociedade Martins Sarmento pelo Exmo. Francisco Ribeiro Martins da Costa e pode ser examinada na Biblioteca. É livro em quarto e tem 74 folhas, exclusive o index que ocupa duas e uma poesia latina dedicada à protagonista da obra, que ocupa outras duas. Ao Index segue-se o rosto que diz: Vida, Morte, e Milagres da Mui Ilustre e Santa Matrona Margarida de Chaves. Conimbricae. Segue-se no verso o sub-rosto que diz: “Esta é a suma da vida milagres da ilustre e Santa Matrona Margarida de Chaves que tirei recupiladamente de…

Vimaranenses: Fr. Estêvão de S. Paio

Importante foi o papel representado por este nosso patrício, granjeando-lhe um nome imortal, nos fastos da nação. Estêvão do S. Paio nasceu nesta cidade, então vila, na primeira metade do século XVI recebeu o hábito no convento dominico de Lisboa, onde se tornou célebre pelo seu talento e ciência. Era muito afeiçoado à nobre casa do Vimioso e por isso seguiu como esta o partido de D. António, prior do Crato, que era o partido da independência da pátria. Tão saliente se tornou o nosso vimaranense que os espanhóis lhe deram a merecida recompensa, encarcerando-o em hórrida masmorra. Conseguindo evadir-se dirigiu-se para França e aí tão optimamente aproveitou seu tempo na cultura das letras, que recebeu o grau de doutor era teologia na Universidade de Tolosa. Perito no latim foi encarregado de verter para esta língua as crónicas e livros portugueses que se ocupassem da ordem dominicana e traduziu a “Vida de S. Fr. Gil”, a de “S. Gonçalo de Amarante”, a “Conversão de S. Pedro Gonçalves”, a “…

Vimaranenses: Fr. António de S. Miguel

Nasceu este nosso patrício a 28 de Agosto de 1661, sendo filho de Damião Moreira, Provedor da Comarca, e de D. Ma ria da Fonseca. Dando desde os primeiro anos indícios de grande talento e havendo aprendido com muita brevidade a língua latina e humanidades, resolveram seus pais dedicá-lo à vida religiosa. Recebeu a cógula beneditina a 8 de Maio de 1678 no mosteiro de Tibães, tendo 17 anos de idade. Estudou filosofia em Pombeiro, teologia em Coimbra e após 4 anos de passante, foi leitor de Artes no mosteiro de Santo Tirso. Desejando avançar no caminho da virtude e trabalhar por meio da pregação na salvação do próximo recolheu-se ao convento do Porto, depois de da ter renunciado as cadeiras, e aí se entregou ao ministério do púlpito, no qual colhia abundante fruto. Com o fim de alcançar a reforma da 3.ª Ordem, partiu para Roma, onde atraiu as atenções da Cúria pela sua ciência e virtude, e havendo alcançado a desejada reforma, voltou ao reino, sendo então eleito abade do convento de Carvoeiro…

O meu mundo não é deste reino

Bem sei que este assunto foge da linha temática deste espaço, mas sou professor e tudo o que aqui escrevo é escrito a pensar, também, nos meus alunos. Pode alguém ser quem não é? Quando começou a moda de atacar os professores, com recurso a argumentos demagógicos, irresponsáveis e injustos, muitas vezes usados por gente que reputo de inteligente, transformando-os numa caterva de madraços e incapazes que era preciso meter na ordem, estava-se a ver onde isso ia dar. A violenta humilhação de uma professora por obra de uma aluna, perante o gáudio alarve da turma a que pertence, tudo filmado ilegalmente e colocado na net, deveria fazer soar campainhas nas consciências dos responsáveis pela política educativa deste país. Aqueles jovenzinhos cometeram vários crimes tipificados na lei, que adivinho que ficarão sem castigo. E não me surpreenderá por aí além se amanhã for levantado um processo disciplinar à professora, por se ter atrevido a tirar o telemóvel à aluna. Porque, nos tempos que correm…

Influência de Martins Sarmento na obra de Alberto Sampaio

Francisco Martins Sarmento e Alberto Sampaio

Alberto Sampaio referia-se a Francisco Martins Sarmento como o meu sábio amigo. Não faltam testemunhos da amizade que o uniu ao arqueólogo da Citânia de Briteiros, que se estreitou quando, já bacharel, Alberto Sampaio regressou a Guimarães e que se prolongou até à morte de Sarmento. No texto introdutório que escreveu para a edição de 1923 dos Estudos Histórico e Económicos de Alberto Sampaio, Luís de Magalhães descreve a génese da obra historiográfica do autor das Vilas do Norte de Portugal e a influência que nela exerceram os trabalhos de Martins Sarmento: “A esse tempo, escavando as citânias, remexendo nas suas ruínas, Martins Sarmento, com o seu vasto saber, a sua extraordinária perspicácia, as suas subtis intuições, decifrava, à luz da moderna ciência, esses enigmas arqueológicos, espalhados tão profusamente na região de Entre Minho e Douro. As suas investigações, alumiadas pela clareza dos raciocínios, revelavam toda uma estratificação h…

Voando sobre Guimarães

Castelo

Paço dos Duques e Capela de Santa Cruz

Praça da Mumadona

Santa Clara

Santo António dos Capuchos

Oliveira

S. Francisco

Sociedade Martins Sarmento
Imagens do: Virtual Earth

Guimarães em voo de pássaro

O Toural no Virtual Earth, em perspectiva a partir lado poente

A última actualização do Virtual Earth passou a disponibilizar imagens das principais cidades de Portugal, em 3D com o Bird's Eye, que consiste em fotografias de alta resolução obtidas a partir de ângulos de 45 graus em relação ao solo. Guimarães também lá está.

Do Toural: o último debate

Ontem, o projecto para o Toural e para a Alameda esteve novamente em discussão. O debate do Centro Cultural Vila Flor foi algo diferente do realizado na Sociedade Martins Sarmento, menos emotivo, com os técnicos a assumirem uma postura mais serena e aberta aos diferentes contributos que iam surgindo de um público igualmente interessado, mas em menor número do que na sessão anterior. A primeira nota que aqui se regista é a evidência de que os técnicos, em especial o arquitecto Fernando Seara de Sá, têm muito mais certezas do que os decisores políticos, nomeadamente o Presidente da Câmara, António Magahães. Com mais esta sessão, há perguntas que já foram colocadas e que continuam sem resposta, em particular as que se referem aos estudos sobre a mobilidade e as necessidades de estacionamento que, ao que dizem, justificam as soluções propostas. Muito se ganharia se os resultados desses estudos técnicos, mesmo que preliminares, tivessem sido divulgados antes ou durante o processo de discussã…

O Muro do Toural (3)

Continuado daqui...
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Para as noites de Inverno
O Muro do Toural (entre a Torre da Piedade e o Postigo de S. Paio)______________________________________________________________II As edificações no Toural vinham-se discutindo desde 1701 Em sessão de 24 de Setembro, o Procurador do Concelho fez termo de ser obrigado pelo Provedor a assinar uma vistoria para aforar terrenos destinados à edificação de casas junto ao muro no Rocio do Toural, sem consentimento da Câmara. E a 26, requereu o Procurador que se não registassem quaisquer Provisões que alcançassem os que pretendiam edificar casas junto ao muro do Toural - António José de Sousa, António Alves Ribeiro e outros -, sem se lhe dar vista, por o aforamento ser contra lei. Assim começou a discussão, que se prolongou, como já se viu, pelo ano de 1792. E seja, de passagem, frisado, por curiosamente significativo, que, neste ano de 1792, ao mestre-pedreiro Pedro António Lourenço, como …

Braga contra Guimarães, segundo Oliveira Martins (2)

BRAGA CONTRA GUIMARÃES (23-1) Voltamos hoje a este assunto. Já anteontem dissemos o suficiente para que o público possa apreciar a nossa opinião a respeito da pendência declarada entre as duas cidades do Minho. Sem nos declararmos por uma nem por outra, porque é sempre indiscreto intrometer-se a gente em negócios alheios, dissemos todavia que o Porto não podia deixar de simpatizar com aquela que reclamava o acolher-se ao seu grémio distrital. Dissemos mais que, se Guimarães se diz lesada e nisso funda o seu pedido de desanexação, Braga igualmente alega que Guimarães lhe deixa perda... mas insiste por continuar nessa condição ruinosa! Alegamos ainda ser mais digna de simpatia a atitude do que, declarando-se lesado, apenas quer mudar de condição, do que a do que insiste em conservar na dependência um aliado, mau grado seu. E por fim dizíamos que esta questão, em que todavia não podíamos nem devíamos emitir voto decisivo, era administrativa apenas — não era nem podia tornar-se política — …

O Muro do Toural (2)

Continuado daqui...
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Para as noites de Inverno
O Muro do Toural (entre a Torre da Piedade e o Postigo de S. Paio)______________________________________________________________IIA velha muralha ia sendo pouco a pouco destruída. Em 1780 a Irmandade da Senhora da Consolação e Santos Passos, requereu lhe fosse cedida a pedra dos muros no sítio dos Palheiros e a Torrinha da Freiria, que estava arruinada. Afixaram-se editais e a Câmara verificou (31-Outubro) que não havia reclamação alguma. Em sessão de 6 de Janeiro de 1793, nobreza e povo informam ser útil remover a pedra, que tinha caído do muro da rua dos Palheiros e que se desse a João Machado de Melo, para reparar as suas casas que ficam da outra parte da rua, obrigando-se, como se obrigou a restituí-la à Câmara quando lhe fosse pedida. Sobre edificações na Alfândega levantara-se litígio em 1792 Inácio José de Sousa Guimarães e Francisco José da Costa haviam requerido aforamento …

Braga contra Guimarães, segundo Oliveira Martins

Aquando do conflito Brácaro Vimaranense de 1885-1886, J. P. Oliveira Martins era o responsável pelo jornal A Província, que acompanhou de perto, de ambos os lados, os desenvolvimentos da contenda. A dada altura, o historiador publicou dois textos sobre a matéria, onde desenvolve algumas reflexões sobre as circunscrições dos distritos. Aqui fica o primeiro desses textos onde, a dada altura, Oliveira Martins pergunta, referindo-se ao Porto, a Viana do Castelo e a Braga: Podem acaso três cidades assim vizinhas ser capitais de distrito?
BRAGA CONTRA GUIMARÃES (21-1)Sabem os nosso leitores que na pendência levantada entre Braga, a Augusta, e Guimarães, que foi berço da monarquia, nos temos abstido porque essas questões locais devem ser dirimidas apenas entre os interessados, e mal vai quando um partido perfilha a causa de uma ou outra localidade. A Província tem sido e será o campo aberto a ambos os contendores, embora, como habitantes do Porto, não pudesse deixar de nos ser agradável o ver…