5 de março de 2008

O Muro do Toural (3)

Continuado daqui...

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Para as noites de Inverno

O Muro do Toural

(entre a Torre da Piedade e o Postigo de S. Paio)

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II

As edificações no Toural vinham-se discutindo desde 1701 Em sessão de 24 de Setembro, o Procurador do Concelho fez termo de ser obrigado pelo Provedor a assinar uma vistoria para aforar terrenos destinados à edificação de casas junto ao muro no Rocio do Toural, sem consentimento da Câmara. E a 26, requereu o Procurador que se não registassem quaisquer Provisões que alcançassem os que pretendiam edificar casas junto ao muro do Toural - António José de Sousa, António Alves Ribeiro e outros -, sem se lhe dar vista, por o aforamento ser contra lei. Assim começou a discussão, que se prolongou, como já se viu, pelo ano de 1792. E seja, de passagem, frisado, por curiosamente significativo, que, neste ano de 1792, ao mestre-pedreiro Pedro António Lourenço, como arrematante das calçadas, a muito importante quantia de 400$000 réis foi paga pela Câmara.

Ora, além deste espicaçamento obreiro, outras razões havia naquele ano de 1793 - reportando-nos à data do pitoresco documento, causa desta nota -, de natureza política a estimular a actividade administrativa. A Revolução Francesa produzira o maior abalo em toda a Europa, que procurava congregar-se a exterminar e abafar pelas armas os -princípios impetuosa e sangrentamente proclamados. Mais ainda, a notícia da execução de Luís XVI efervescera os ânimos. Certo é que, em Maio, depois de ser lida a Carla Régia que participava o nascimento (29-4-1793) de uma Princesa da Beira, Guimarães entrou rijamente em festa. Houve repiques, luminárias 3 noites e na do dia do baptismo. Iluminação da casa da Câmara. Música. Tríduo solene na Colegiada. Te-Deum. No dia 5, saíram muitos curiosos, seculares e eclesiásticos, todos em carrinhos e no fim um coche com a figura do Senado vestido à corte, cantando a instrumental, “e depois vieram à Casa da Câmara buscara a bandeira e voltaram ao Toural levantar o mastro das festas. Na Oliveira, donde saiu a 17 uma luzida procissão com figuras a pé e a cavalo, adereçadas e vestidas a todo o custo, que deram os negociantes, levando a Senhora, pregou dois sermões um afamado Mestre graciano, do Convento do Pópulo de Braga. Acompanharam procissão o Senado, a Nobreza e o Cabido. Depois, bailes, máscaras e dois dias de toiros. Os ourives deram 3 noites de fogo, em que gastaram 150S000 réis. Por último uma grande contradança, com que findaram as festas. “Como nunca se fez nesta vila”.

A sessão da Câmara de 26 de Março de 1794 dá nota das consequências das obras, de que tratado citado e transcrito documento de 1793. A Câmara resolveu informar da conveniência de continuar a feira do pão na Oliveira, dando as razões da mudança do Toural Assim votara a nobreza e povo, na consulta feita ao abrir do mês. Daquela informação se vê que o Toural ficou consertado com os edifícios novos; que tinha dantes uma alpendrada encostada ao muro e em toda a extensão dele; que António Alves (Ribeiro Guimarães) tinha feito um grande edifício no Postigo de S. Paio; que tinha. Sido mudada, para o Campo da Feira, a feira do gado, como já em tempos ordenara D. João V (Provisão de 20-Fevereiro-17322).

[Eduardo de Almeida, in Notícias de Guimarães n.º 42, ano 1, 6 de Outubro de 1932]

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