30 de outubro de 2013

Subsídios para a compreensão do conflito entre Braga e Guimarães (5)

Domingos Leite de Castro
Num artigo publicado em 1886, na Revista de Guimarães, em que reflecte sobre a problemática dos  Distritos e Concelhos, Domingos Leite de Castro escrevia:
A nossa história administrativa desconhece inteiramente de facto até ao ano de 1834 entidades colectivas intermediárias entre os concelhos e o estado. Na Idade Média a coroa fazia-se representar directamente nos concelhos e, passado o século XV, com a ampliação do poder real, uniformizado já todo o país administrativamente, o juiz de fora de nomeação régia, presidente nato das corporações municipais, continuou as mesmas tradições. As províncias, expressão geográfica e militar, não chegaram a mudar de índole com algumas atribuições civis dadas aos generais das armas. Da mesma maneira as comarcas não modificaram esta situação, porque os corregedores eram igualmente meros representantes da coroa. Ao lado do corregedor, ao lado do governador de província nenhuma corporação electiva. A vida local era unicamente representada pelas câmaras municipais, que, no mesmo atrofiamento em que vegetavam, representavam genuinamente e ao mesmo tempo a vida das localidades respectivas e a vida real da nação.
(Domingos leite Castro, “Distritos e Concelhos”, Revista de Guimarães, III, 1886, p. 30)
Nos primeiros anos após a Revolução Liberal de 1820, houve vários projectos de reforma administrativa do território, que nunca se concretizaram, em larga medida devido à instabilidade política daqueles tempos agitados por lutas entre os liberais e defensores da restauração da monarquia absoluta. Em 1832, ainda nos Açores, Mousinho da Silveira preparou o decreto que introduzirá uma reforma administrativa, de carácter centralizador e inspirada no modelo da França napoleónica, dividindo o reino em províncias, comarcas e concelhos, todos eles governados por representantes do rei, prefeitos, sub-prefeitos e provedores, respectivamente. Portugal continental foi então repartido em oito províncias. A província do Minho, tinha o seu território composto por cinco comarcas (Ponte de Lima, Monção, Braga, Barcelos e Guimarães).
No dia 18 de Julho de 1835, a rainha D. Maria II assinou um decreto que estabelecia a reorganização administrativa de Portugal, cuja principal novidade foi a introdução dos distritos. Portugal foi dividido em distritos administrativos, compostos por concelhos que, por sua vez, se subdividiam em freguesias. Estas três divisões territoriais estavam organizadas hierarquicamente. As províncias permanecem como agregados de distritos, mas sem órgãos próprios. As restantes unidades territoriais, eram dirigidas por magistrados administrativos nomeados pelo rei: governador civil do distrito, administrador do concelho, comissário da paróquia. Junto de cada um destes magistrados, funcionava um corpo de “cidadãos eleitos pelos povos”: Junta Geral do Distrito, Câmara Municipal e Junta de Paróquia. A província do Minho foi dividida em dois distritos, Viana do Castelo e Braga, integrando-se o concelho e Guimarães no segundo. Foi a partir desta altura que se estabeleceu uma relação de dependência administrativa de Guimarães em relação a Braga.
Em 1867, foi aprovada uma nova reforma administrativa, que manteria o mesmo modelo organizativo (distritos, concelhos e paróquias civis ou freguesias). A principal alteração situava-se no patamar distrital. A reforma de 1835 instalara 16 distritos no território de Portugal continental. Agora, passariam a ser 11, o que implicaria a extinção de várias destas unidades administrativas. Desapareciam, nomeadamente, os distritos de Viana do Castelo e de Braga, que se fundiriam no distrito do Minho, com capital em Braga. Esta reforma administrativa nunca seria aplicada, tendo sido objecto de forte contestação e, a par do imposto do consumo, um dos motivos do levantamento popular da Janeirinha, que levou ao derrube do Governo de coligação de regeneradores e históricos (Joaquim António de Aguiar e Fontes Pereira de Melo), em Janeiro de 1868.
Não faltaram vozes que acentuaram o carácter artificial dos distritos, criações do poder central para facilitar o exercício do seu poder, mas que, em vez de serem associações de concelhos, estabeleciam uma relação de sujeição, em que um concelho, elevado à condição de cabeça do distrito, assumia o direito de tutela sobre todos os outros. Como Domingos Leite de Castro notava, no artigo acima citado, sociedade portuguesa não produziu nunca além da própria nacionalidade, outras agremiações colectivas que não fossem os concelhos.
Oliveira Martins comungava da ideia da artificialidade das circunscrições territoriais. Referindo-se ao território português, escreveu:

A sua antiga divisão em províncias obedecia mais a estas condições naturais do que a moderna divisão em distritos: as causas determinantes de uma e de outra são o motivo desta diferença. As províncias formaram-se historicamente em obediência às condições naturais; os distritos actuais foram criados administrativamente de um modo até certo ponto artificial.
(Oliveira Martins, História de Portugal, tomo I, 7.ª edição, Parceria A. M. Pereira, Lisboa, 1906, p. 14)


A divisão administrativa de Portugal iria manter-se, com poucas alterações, até aos nossos dias, mantendo-se a relação hierárquica entre distritos, concelhos e freguesias estabelecida em 1835. Guimarães ficaria em posição de subordinação a Braga, nunca deixando de dar mostras do seu desconforto e da sua insatisfação por perceber que contribuía para o orçamento distrital do que aquilo que recebia do distrito.
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29 de outubro de 2013

Subsídios para a compreensão do conflito entre Braga e Guimarães (4)



[continua daqui]

Os estudos estatísticos sobre a população portuguesa do início do século XIX demonstraram que a sua distribuição era muito desigual ao longo do território, sendo o Minho, de longe, a província onde se registava uma maior densidade populacional: quase 100 habitantes por quilómetro quadrado. A segunda província mais densamente povoada, a Beira, não chegava a metade daquele valor, correspondendo a densidade de todo o território de Portugal Continental a um terço do grandeza do Minho. Em 1805, dois engenheiros do exército, João Manuel da Silva, e José Carlos de Figueiredo, procederam ao levantamento da população portuguesa e da sua distribuição do território, com o propósito de apurar se a distribuição do recrutamento para o exército era feita com equidade. Desse trabalho resultaria uma proposta de divisão do país em 24 distritos, cada um com aproximadamente 120.000 habitantes. Essa proposta nunca chegou a ser aplicada.
Como já vimos, ao encerrar o século XVIII o território da província do Minho distribuía-se por sete comarcas. Eram elas as seguintes, ordenadas pelas suas populações, da maior para a mais pequena: Porto, Guimarães, Viana, Barcelos, Penafiel, Braga e Valença. O quadro que publicamos acima saiu no tomo X dos Annaes das Sciencias, das Artes e das Letras, publicado em Paris, em 1820, com dados de 1798. Por ele se pode perceber que a comarca de Guimarães estava, em quase todos os indicadores (com excepção dos recolhimentos e conventos de freiras), substancialmente acima de Braga. A sua população. Por exemplo, quase que triplicava a da comarca de Braga (na verdade, triplicava mesmo, uma vez que este quadro não inclui as terras que, pertencendo a comarcas do Minho, se situavam fora do território minhoto (Guimarães tinha-as, assim como Barcelos e Porto, mas não Braga).
Por aqui se entende facilmente que Guimarães, que era cabeça da segunda maior comarca do Minho, não aceitasse de bom grado ficar na dependência administrativa de uma das mais pequenas.


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28 de outubro de 2013

Subsídios para a compreensão do conflito entre Braga e Guimarães (3)

A província do Minho, segundo Adrien Balbi (Essai Statistique sur le Royame de Portugal, Tomo I, 1822, p. 192)
[continua daqui]

Sendo certo que os primeiros sinais de divergência entre Guimarães e Braga se manifestaram no território da jurisdição religiosa, é ao nível da organização administrativa e política que vamos encontrar a raiz do fenómeno.
Nos primeiros tempos da monarquia portuguesa, manteve-se o modelo de organização administrativa do território herdado do reino de Leão. O país dividia-se em terras ou territórios, que estavam sob a alçada de terratenentes ou condes.
No século XV, o território de Portugal foi dividido em seis comarcas (Trás-os-Montes, Entre-Douro-e-Minho, Beira, Estremadura, Entre-Tejo-e-Odiana, Reino do Algarve). Guimarães ficava na comarca de Entre-Douro-e-Minho, que fazia fronteira com o Douro, a Sul, e o Tâmega, a Este. Não havia, do ponto de vista administrativo, qualquer relação hierárquica ou de dependência entre os concelhos que integravam as comarcas. Cada comarca era dirigida por um representante do rei, que era simultâneamente magistrado administrativo e judicial (começaram por se chamar tenentes, depois meirinhos-mores e, por fim, corregedores).
No final da Idade Moderna, o território português estava dividido, do ponto de vista administrativo, em Províncias (que correspondiam, quanto ao território, às antigas comarcas e apenas funcionavam para fins estatísticos e militares, por a cada uma corresponder a um comando territorial, entregue ao governador de armas da província) e comarcas, onde o poder central era representado pelo corregedor, de nomeação régia. O território estava dividido em seis províncias, e Guimarães incluía-se na Província de Entre-Douro-e-Minho, que, por sua vez, era composta por sete comarcas (Valença, Viana, Braga, Barcelos, Guimarães, Porto, Penafiel), sem qualquer relação hierárquica ou de dependência entre elas.
Em 1736, compunham a comarca de Guimarães quatro vilas (Amarante, Canaveses, Guimarães e Póvoa), vinte concelhos (Aguiar, Atei, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Felgueiras, Gestaço, Gouveia de Riba Tâmega, Ermelo, Lanhoso, Mondim, Montelongo, Ribeira de Pena, Ribeira de Soajo, Roças, Santa Cruz de Riba Tâmega, S. João de Rei, Serva, Vieira, Vila Boa de Roda e Unhão), catorze coutos (Abadim, Fonte Arcada, Mancelos, Moreira de Rei, Parada de Bouro, Pedraído, Pombeiro, Pousadela, Refojos de Basto, Taboado, Tibães, Tuas e Vimeiro), quatro honras e um julgado.

Em 1801, segundo a descrição de Adrien Balbi (Essai Statistique sur le Royame de Portugal, Tomo I, 1822, p. 192), a comarca de Guimarães era composta por 27 concelhos, 247 paróquias e por 34.111 fogos. A sua população total era de 139.040 habitantes. Já a comarca de Braga era formada por 19 concelhos, 76 paróquias, 11.873 fogos e tinha uma população total de 48.910 habitantes. Não existia qualquer relação de dependência político-administrativa entre ambas as comarcas. Também não há relatos da ocorrência, naquela época, de manifestações de rivalidade entre Guimarães e Braga.
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27 de outubro de 2013

Subsídios para a compreensão do conflito entre Braga e Guimarães (2)

Mosteiro de S. Torcato

Para a compreensão do antagonismo entre Guimarães e Braga, têm que ser mobilizados diferentes níveis de informação. Durante séculos, a rivalidade tinha a ver com questões de jurisdição religiosa, manifestando-se, essencialmente, nas disputas entre o Cabido de Guimarães e o arcebispo de Braga, em que o primeiro recusava a autoridade que o segundo lhe pretendia impor. Só bem entrado o século XIX é que as clivagens passaram a ter uma vertente civil, digamos assim, por se terem estabelecido vínculos hierárquicos e de dependência entre os dois concelhos, que até então nunca tinham existido.
Até ao século XIX, a rivalidade entre Guimarães e Braga estava confinada ao território eclesiástico. As divergências resultavam, sistematicamente, de conflitos de jurisdição religiosa. Os clérigos vimaranenses recusavam-se a acatar a obediência ao arcebispo de Braga. São bem conhecidos vários episódios da contenda entre a Sé de Braga e o Cabido da Colegiada de Guimarães, desde os tempos da fundação da nacionalidade. No entanto, a rebeldia contra a autoridade do arcebispo bracarense não era exclusiva dos cónegos de Guimarães. Basta lembrar que, no início do século XIII, o papa Inocêncio III já havia sido chamado a arbitrar uma disputa entre o arcebispo de Braga e os priores dos mosteiros da Costa e de S. Torcato, que se recusavam a obedecer ao prelado da sua diocese, por não lhe reconhecerem autoridade sobre os seus mosteiros

Como já se escreveu aqui,
O conflito entre a Colegiada de Guimarães e o Arcebispo de Braga acerca da jurisdição eclesiástica a que estava obrigada aquela corporação vimaranense é, pelo menos, tão antigo como Portugal. A primeira concordata entre a Sé de Braga e o Cabido de Guimarães data de 23 de Outubro de 1216 e foi confirmada por Bula do Papa Honório III, dada em Latrão no início do ano seguinte e reconfirmada pelo papa que se lhe seguiu, Gregório IX. Até aí, a Colegiada de Guimarães não pertencia a nenhuma diocese, tendo ficado com algumas sujeições ao Arcebispo de Braga, a cujo acatamento os de Guimarães foram sempre arredios.
A história das divergências entre a Colegiada e o arcebispo arrasta-se pelos séculos adiante, com inúmeros episódios, nem todos de grande elevação. Todavia, esta disputa, podendo ter contribuído com alguns argumentos, não explica a rivalidade entre os dois principais concelhos do Minho.

Informações mais detalhadas  sobre as divergências entre os clérigos de Guimarães e o arcebispo de Braga podem ser encontradas nos seguintes textos:

Efeméride do dia: Guimarães e Braga: um antagonismo tão velho como a Sé de Braga

Efeméride do dia: Quando o Arcebispo de Braga não era bem-vindo a Guimarães



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26 de outubro de 2013

Subsídios para a compreensão do conflito entre Braga e Guimarães (1)

[Clicar na imagem para ampliar]

"Braga, a Fiel, na pessoa dos snr. Valada, agrediu Guimarães, o glorioso Berço da Monarquia, na pessoa do snr. de Margaride. A batalha travou-se renhida e violenta, e as duas cidades batem-se furiosas. Braga armada dos pés à cabeça, ergue os seus tamancos; Guimarães armada até aos dentes... dos seus garfos, resiste corajosa ao ataque, esperando que o snr. Valada volte costas! E o Porto, de braços cruzados, jura aos seus deuses que não entra na questão, porque lá diz o ditado: "Entre pais e irmãos, não metas as mãos". Quer dizer, o Porto tem os olhos na Travessa... da Espera."

[in Maria Rita, n.º 22, 2.º ano, Porto, 10 de Dezembro de 1885]


Da velha e revelha rivalidade entre Guimarães e Braga já muito se escreveu aqui. Sabemos que, no início, teve a ver essencialmente com conflitos de jurisdição religiosa, com os clérigos de Guimarães a resistirem à tutela do arcebispo de Braga. Com o tempo, este antagonismo foi alastrando, passando a contaminar todas as linhas de contacto entre as duas maiores cidade do Minho. Esta é uma peleja antiga, que de vez em quando aflora com escaramuças, umas mais azedas, outras mais ligeiras, por vezes anedóticas. Este é um conflito cuja existência todos percebem, mas que continua mal explicado. Nos próximos dias, iremos trazer aqui elementos históricos para a compreensão do secular conflito brácaro-vimaranenses.
Como introito, aqui fica um texto publicado em 1911 pelo jornal O Radical, de Braga, a propósito de manifestações em Guimarães de monárquicos que se recusavam a respeitar os símbolos da República. Fica também as respostas que lhe deram os republicanos de Guimarães, nos jornais Alvorada e Velha Guarda.

!!! - Um artigo “ousado”, sobre os acontecimentos de Guimarães
“O claro espírito e grande democrata Basílio Teles dissera um dia estas palavras sinistras: É preciso arrasar Braga e Guimarães para que a República, uma vez feita, se consolide! Enganou-se, pelo que respeita a esta hoje democrática cidade de Braga.
O sopro civilizador de há muito que transpôs os seus vetustos muros, e na velha cidade dos Arcebispos um núcleo numeroso de paladinos da ideia nova, de há muito que vinha operando uma transformação que teve como consequência a inesquecível apoteose feita ao dr. Afonso Costa, o vigoroso ministro que melhor representa as tradições e aspirações do Partido Republicano. Braga é hoje civilizada e quem disso possa duvidar venha assistir a uma noite de música no nosso jardim público.
Aí encontrará a prova.
E Guimarães? Ah! Guimarães essa ainda se conserva dentro da afirmação de Basílio!
Já Camilo dizia que Guimarães se ufanava de ser o berço; mas que a respeito de civilização também ainda estava no berço. Hoje como então. Retrógrada, agarrada aos estúpidos e velhos preconceitos que se escoam dos carcomidos brasões de origens esquisitas, que são as suas relíquias, ela aí surge como arrogante defensora do Direito divino e da monarquia crapulosa dos adiantados e dos adiantadores! Jamais o progresso e o caminhar altivo das ideias pôde entrar as suas portas, porque Guimarães, como jumento teimoso, voltava a garupa para a entrada. Os últimos acontecimentos vêm confirmar o que acabamos de dizer, e, se nos magoaram, não nos surpreenderam.
Sinos a rebate, vivas à monarquia e ao traidor Couceiro, são coisas que se deviam esperar de Guimarães.
Razão de sobra tinha um nosso querido amigo, republicano de 76, quando, a poucos dias da proclamação da República, nos dizia que tinha pena que Guimarães não estivesse próximo da fronteira, porque era um presente que com prazer se oferecia à Espanha.
Mas se Guimarães não está na fronteira, antes muito no interior de Portugal, e teima em se conservar diferenciada do resto do País, o Governo da República tem o dever de a obrigar a integrar-se no sentimento que domina a nossa querida Pátria. Acabe o Governo com esse famoso Seminário-Liceu, coio tão prejudicial e perigoso como era Campolide e S. Fiel; crie o Governo o concelho e comarca de Vizela, uma linda e progressiva terra que a isso tem direito; retire o Governo o regimento 20 para outra localidade que melhor o mereça e, em troca, mande-lhe a Guarda Republicana, para, no caso de ser necessário, lhe aplicar a terapêutica que o Dr. Eduardo Abreu preconizou para o Porto, e o Governo terá cumprido um dever e conseguirá talvez que Guimarães abra as suas portas à civilização e ao progresso das ideias modernas.
Falamos como republicanos, e assim temos a certeza de que os nossos raros amigos Vimaranenses compreenderão a justiça que nos assiste.”
De O Radical.

Devagar: Não está efectivamente ainda conquistada para a República esta nossa terra de Guimarães, é certo; mas que “grandes provas” da sua rebeldia contra o regime conhece o referido semanário para que assim tão desapiedadamente nos trate?
Os últimos acontecimentos?
Mas é preciso ter assistido a eles, é necessário ver de perto os factos, conhecê-los em seus pormenores e detalhes, para depois formar juízo seguro — tanto mais quando se queira talhar uma sentença tão feroz, como preconiza o “Radical”.
A psicologia deste povo é a melhor, e, tanto é assim, que é este concelho, mais que o de Braga, uma verdadeira colmeia do trabalho, verificando-se consoladoramente como dia-a-dia nele se introduzem as melhores e mais ousadas inovações de progresso industrial.
Em matéria de ideias, em civilização, não andaremos, talvez, muito arredados de Braga... É uma questão de arrotear, de lançar à terra a boa semente, depois, está claro, de lhe procurar a razão.
“A seara verdadeiramente é grande, mas os obreiros poucos”, como diz o profeta:
Ora é esse o nosso mal, creia o bem intencionado mas desapiedado colega bracarense.
Porém tudo é questão de tempo, estamos certos. Nós, por exemplo, ainda mantemos a esperança de que há-de ser esta terra aquela que em seu futuro melhor saberá engrandecer a República...
Alvorada, 24 de Agosto de 1911

Braga... falou!
Por intermédio de “O Radical», semanário republicano que se publica na capital do Minho, Braga, a velha Braga, a Braga dos Arcebispos (e que nós saibamos mais nada) falou e falou largamente sobre os acontecimentos de Guimarães em a noite de1 deste mês.
Foi rancorosa como sempre, para com esta terra, que, apesar de tudo, é bem digna da consideração de todo o país pelo seu notável desenvolvimento industrial e pelas excelentes qualidades de trabalho que possuem todos os seus filhos.
Mas não podia deixar de ser assim; Braga viu sempre com maus olhos a nossa terra.
Num extenso artigo, recheado de citações menosprezantes, que, a final, não poupam a própria cidade dos Arcebispos, “O Radical” insurge-se contra a cidade de Guimarães por motivo dos últimos acontecimentos, que na realidade não mereciam tão ferino acinte.
Tudo lhe relevamos por vir de quem vem, menos aquela passagem em que, por forma verdadeiramente indigna, como que aconselha o governo a que prive a cidade de Guimarães de ter aquilo que não pode dispensar, como seja o liceu e o regimento de infantaria 20.
Tamanho ódio rebaixa, colega, mormente agora que deviam ver-se as coisas por forma bem diferente. A cidade de Guimarães tem por muitos títulos todo o direito a gozar desses benefícios, um dos quais existe à nossa própria custa.
Pelo nosso trabalho, pelo nosso esforço, que Braga não igualou ainda, conquistamos um lugar de destaque entre as principais povoações do país. Por isso é de justiça que a nossa terra seja respeitada e que se releve uma ou outra nota discordante, que não pode nem deve atribuir-se a uma cidade inteira, mas sim a meia dúzia de desorientados, que esqueceram os seus deveres de patriotas e de bons cidadãos.
Mas para quê ligar tanta importância ao aludido artigo? De Braga nunca poderemos esperar coisa boa... Quem torto nasce, torto morre.

Velha Guarda, 26 de Agosto de 1911
[continua]
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22 de outubro de 2013

Receita para fazer vinho de laranjas


O vinho é feito de uvas, embora não faltem por aí histórias de adegas onde nunca entrou um bago, mas de onde ia saía muito vinho. Mas é possível tirar “vinho” a partir da fermentação de sumos de outros frutos, por vezes com adição de açúcar. Esse é o caso do vinho de laranjas, conhecido em algumas regiões da América do Sul, como é o caso da região de Minas Gerais no Brasil. Em França também é popular como bebida de Verão. Pode ser feito por diferentes processos. No jornal A Tesoura de Guimarães do dia 1 de Maio de 1857, encontrámos uma receita de Vinho das Antilhas, nome por que era conhecido em Portugal o vinho de laranjas. Diz a receita que este vinho é preferível ao Madeira, e muito semelhante ao Malvasia. Se o é ou não, ficaremos a saber no dia em que alguém se resolva experimentar esta receita e tenha a fineza de nos mandar uma garrafa.

Vinho de laranjas ou vinho das Antilhas
Ingredientes
40 arráteis de açúcar (18,360 kg)
40 laranjas (casca)
36 + 30 quartilhos de água (18 + 18 litros)
36 quartilhos de sumo de laranjas doces (18 litros)


Tomam-se 40 arráteis de açúcar branco; juntam-se-lhe 36 quartilhos de água, faz-se um xarope que se clarifica, se o açúcar não for de boa qualidade. Toma-se depois a casca amarela unicamente de 40 laranjas, fazem-se fermentar em 36 quartilhos de água até que esta se sobrecarregue bem de óleo essencial; depois, junta-se a esta água 36 quartilhos de sumo de laranjas doces, mistura-se o xarope com o sumo e água aromatizada, mexe-se bem o líquido e, quando o mixto estiver bem combinado, deita-se num barril limpo, convindo muito reservar algum líquido para ir atestando o barril, pelo que perde durante 6 semanas, que dura a fermentação; deve-se deixar o batoque aterto para que saia a espuma: passadas as seis semanas tapa-se com argila misturada com sal, e põe-se o barril num logar fresco. Deixa-sefazer o vinho por dois ou três meses, e dois ou tres dias antes de trasfegado clarifica-se com goma de peixe, ou se filtra, juntando-lhe aIguma, mas pouca, flor de laranjeira. Depois de bem clarificado, engarrafa-se, lacra-se e deposita-se em lugar seco. Adquire qualidade com o tempo, e é preferível ao Madeira, e muito semelhante ao Malvasia. Se as laranjas forem muito doces, pode-se diminuir o açúcar; e bom será que não sejam cortadas com faca de aço.
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11 de outubro de 2013

De quem são as Nicolinas?

O antigo Liceu de Guimarães (foto da http://acfn-festasnicolinas.blogspot.pt)

Vêm aí as festas dos estudantes de Guimarães a S. Nicolau, no ano em que se assinala o centenário da morte daquele que lhes inventou o nome por que são conhecidas, João de Meira. Como de costume, a conversa sobre as Nicolinas vai voltar a animar-se nos tempos mais próximas. Vai-se voltar a ouvir falar da candidatura a reconhecimento pela UNESCO como património imaterial e dos estudos que a poderão sustentar. Provavelmente, vai ressurgir a polémica do ano passado, em que transpareceu a incomodidade dos responsáveis da Escola Secundária Martins Sarmento por o jantar dos velhos se ter realizado na Escola Secundária Francisco de Holanda. Assim sendo, aqui vai uma contribuição, em jeito de provocação maneirinha, para a abertura das "hostilidades". Afirmo:

Se as festas Nicolinas fossem privilégio dos estudantes do Liceu de Guimarães, já estavam extintas há várias décadas.

(digo-o eu, que estudei no Liceu, e diriam também, se ainda andassem por aí, João de Meira, Jerónimo Sampaio, Bráulio Caldas e mais uns tantos nicolinos ilustres que nunca frequentaram o Liceu de Guimarães)
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7 de outubro de 2013

Santa Clara a votos: Ganhou quem se esperava e quem não se esperava.


As eleições da semana passada marcam um novo ciclo na governação municipal vimaranense. Entre os que saem e os que entram de novo, assiste-se a uma profunda renovação dos protagonistas. Na Câmara, há um novo Presidente e, dos 10 vereadores que se sentam na mesa de Santa Clara, há 7 estreantes. Resta saber o que mudará de facto, sabendo-se que os tempos que aí vêm serão de maior aperto financeiro. Entretanto, aqui fica um olhar sobre os resultados das eleições em Guimarães, da esquerda para a direita.
1. Uma das expectativas das eleições autárquicas do dia 29 de Setembro era saber qual seria o “efeito Magalhães” sobre o resultado das urnas. Ao longo dos 24 anos em que António Magalhães se manteve à frente dos destinos do município, Guimarães passou por um processo de transformação que apostou na renovação da cidade sem a descaracterizar. Os resultados estão à vista: a qualidade de vida melhorou notoriamente, o Centro Histórico foi reconhecido como Património Mundial, Guimarães foi Capital Europeia da Cultura, os seus encantos são elogiados pelos que a visitam. Basta sair à rua para se perceber que a cidade já se tornou num destino turístico de eleição. A obra feita era um trunfo eleitoral para quem se apresentasse à sucessão do homem que, em toda a história, mais tempo esteve à frente dos destinos do município de Guimarães, mas era também um desafio sério para quem lhe sucedia, até porque, como se viu na campanha eleitoral, parte das cartas que foram jogadas pela coligação que desafiava a continuidade dos socialistas à frente da Câmara Municipal de Guimarães apostavam na depreciação do novo cabeça de lista do PS.
O Partido Socialista tem mantido consistentemente, desde 1989, votações à volta de 50%. Assim voltou a acontecer em 2013, em que obteve uma percentagem praticamente igual à da primeira maioria absoluta de António Magalhães (47,3 % em 1887, 47,6 % agora). Também no que toca ao número de vereadores eleitos se manteve dentro da normalidade, elegendo 6 (das sete eleições que se realizaram desde 1989, só em duas é que os socialistas não elegeram 6 vereadores – em 1993 e 2009, anos em que alcançaram 7 eleitos).
O Partido Socialista e Domingos Bragança são, inegavelmente, os grandes vencedores do dia 29 de Setembro de 2013. Mas António Magalhães também o é, porque, além da obra que fica dos seus mandatos, teve o mérito de não deixar o deserto atrás de si. Para perceber isto, basta olhar para o que aconteceu no mesmo dia em Braga ou em Fafe.
Superada a prova das urnas, Domingos Bragança tem agora pela frente a prova do fogo. Tem 4 anos para mostrar o que vale, já não como homem de gabinete, mas como primeira figura da Câmara.
2. A um outro nível, a CDU e Torcato Ribeiro também têm lugar do lado dos vencedores. Ao contrário do que alguns anunciavam, a sua candidatura a estas eleições, que decorreram num contexto de bipolarização tão aguda como já há muito não acontecia em Guimarães, não era fácil. Obteve uma votação ao nível das eleições anteriores, assegurando calmamente uma eleição que, note-se, nunca esteve em causa (para Torcato Ribeiro perder o lugar na vereação seria necessário que o Partido Socialista obtivesse mais 9.319 votos ou que a coligação PSD-CDS contasse mais 5.256 eleitores, o que, em ambos os casos, esteve sempre fora de questão).
De notar ainda que a coligação liderada pelo PCP foi a candidatura menos afectada pela redução dos deputados municipais eleitos directamente, que passaram de 70 para 49. O PS elegeu menos 13 deputados (-35% dos que elegera em 2009), a coligação de direita menos 6 (-24%), o Bloco de Esquerda perdeu metade dos seus parlamentares, passando a ter um único, enquanto que a CDU passou de 6 para 5 eleitos (-17%).
Apesar de ter perdido uma junta de freguesia importante (S. Jorge de Selho), no balanço das perdas e ganhos a CDU obteve um resultado inegavelmente positivo, atendendo ao contexto em que as eleições se realizaram, que favorecia a concentração de votos nos partidos que se apresentavam com possibilidades de ganhar a Câmara.
3. Quanto ao Bloco de Esquerda, os seus resultados espelham o que já se sabia. Vivendo essencialmente da exposição mediática dos seus dirigentes nacionais, é um partido quase sem expressão a nível local, tendo agora obtido o seu pior resultado de sempre em eleições autárquicas em Guimarães.
4. Nestas eleições, havia naturais expectativas em relação aos resultados que poderia alcançar a coligação “Juntos por Guimarães”, que introduziu um elemento novo na disputa eleitoral (a última vez em que PSD e CDS foram juntos a eleições em Guimarães foi em 1982). A coligação juntava o PSD, partido que, desde 1989, tem tido votações que rondam os 30%, elegendo entre 3 e 4 vereadores, o CDS, que já não elegia qualquer vereador desde 1989 e que, nas eleições já realizadas neste século, ficou sempre abaixo dos 5%, e o MPT, partido que apenas acrescentava uma espécie de contrapeso à coligação, já que apenas lhe deu uma sigla, já que não tinha votos para lhe dar (quando concorreu a eleições legislativas, teve 358 votos em Guimarães e uma percentagem de 0,38%). A coligação vinha para ganhar. Foi a grande derrotada (derrota que foi assumida, com assinalável dignidade e humildade democrática pelo seu candidato a presidente da Câmara, André Coelho de Lima).
No entanto, dentro da coligação, nem todos perderam. Antes pelo contrário.
4.1. Desde logo, ganhou o MPT. Em Guimarães, nunca se apresentou listas em eleições autárquicas. Os votos que trazia das eleições legislativas não chegavam para eleger ¼ de deputado municipal. Ficando com um deputado, saiu ganhador destas eleições.
4.2. O CDS é um partido que há muito entrou em declínio em Guimarães. Chegou a ter, em 1976, 24% dos votos, quando o PPD tinha 25%, mas há mais de duas décadas que não elegia qualquer vereador e não se lhe conhece presença recente ao nível de freguesias. Numas eleições como se percebia que iriam ser as de 2013, em que o Partido Socialista compareceria a votos sem o rosto que o conduzira a vitórias sucessivas ao longo de mais de duas décadas, o CDS arriscava-se a ser varrido do mapa autárquico de Guimarães. Nas últimas eleições, a sua representação ficou-se por 4 deputados municipais, por força da concentração dos votos da direita no PSD.
Em 2013, com a redução do número de deputados municipais, não elegeria mais do que dois deputados, mesmo que mantivesse a percentagem de votos que obteve nas últimas eleições. Porém, o seu cabeça de lista de 2009, que então foi o 16.º deputado a ser eleito, encabeçou a lista da coligação para a Assembleia Municipal. Em 2009, quando o CDS elegeu o seu segundo deputado, o PSD já tinha 10 eleitos. Em 2013, ao segundo deputado municipal eleito pelo CDS, o PSD não elegera mais do que dois. Resultado: o CDS manteve os 4 eleitos de 2009, caso único entre os grupos parlamentares resultantes destas eleições, já que todos os outros viram as suas representações reduzidas. Por outro lado, tendo alcançado em 2009 uma votação para a Câmara que daria para eleger meio vereador, o CDS partiu para estas eleições com um vereador garantidamente eleito. O CDS, que tinha tudo para perder é, sem saber ler nem escrever, o partido que contabiliza ganhos mais significativos nestas eleições.
4.3. O PSD partia para as eleições do dia 29 de Setembro com expectativas muito altas, que, entre os seus apoiantes, pareciam crescer com o tempo. O seu objectivo era claro: vencer as eleições, ou seja, alcançar a presidência da Câmara. Fez uma campanha bem pensada, apesar de alguns erros de palmatória, porque alguns dos seus apoiantes com responsabilidades não terão percebido que uma autarquia não é bem o mesmo que uma associação de estudantes. Foi o grande derrotado. Bastando-lhe manter os mesmos votos das eleições de 2009 para eleger 4 vereadores (resultado normal em tempos recentes, que só não aconteceu na última das três eleições da primeira década do século XXI), acabou por ficar reduzido a 2.
Os resultados para a Assembleia Municipal foram particularmente desastrosos. Recorde-se que, em 2009, o PSD elegera directamente 21 deputados. Em 2013, dos 19 eleitos pela coligação, apenas conseguimos identificar 12 como representantes do PSD, 4 do CDS e 1 do MPT, presumindo que os dois restantes poderão ser independentes. Considerando serem do PSD todos os presidentes de junta que a coligação elegeu, ficará com 25 deputados municipais, menos 36% do que nas eleições anteriores.
O que é que o CDS e o tal MPT acrescentaram ao resultado do PSD de 2009? Nada. Antes pelo contrário.
Já o tínhamos dito antes: uma análise, mesmo superficial, do histórico dos resultados das últimas eleições em Guimarães permite verificar que, para crescer, pouco adiantava ao PSD procurar votos à direita, porque lá não havia o que procurar, a não ser os poucos que ainda tinha o CDS. A coligação acabou por se confinar ao reduto da direita, deixando o PS absolutamente confortável.

5. Uma outra coligação se apresentou a estas eleições, composta de refugo reaccionário e homofóbico. Teve o pior resultado de sempre, entre os obtidos por todos os partidos que até hoje se candidataram à autarquia vimaranense e apresentaram listas para a Assembleia Municipal. Zero eleitos. Está tudo dito.
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5 de outubro de 2013

Nascer em dia errado (5 de Outubro de 1910)


No dia 5 de Outubro de 1910, publicou-se em Guimarães o primeiro número do jornal Correio de Guimarães. Assumia-se como monárquico e tinha como director João Rocha dos Santos, advogado vimaranense qe seria presidente da Câmara durante o sidonismo e a monarquia do Norte (1918-1919) e, mais tarde, já no Estado Novo. Como administrador, aparecia o Capitão Alcino Machado. Resultando de uma dissidência entre os progressistas vimaranenses, o novo periódico apresentava-se como “semanário do Partido Progressista”.
No mesmo dia em que se apresentava aos seus leitores, escrevia-se no Mundo, de Lisboa:
Proclamada por importantes forças do exército, por toda a armada e auxiliada pelo concurso popular, a República tem hoje o seu primeiro dia de História. A marcha dos acontecimentos, até à hora em que escrevemos, permite alimentar toda a esperança de um definido triunfo.
O primeiro número do Correio de Guimarães seria também o último. Eis o programa com que se apresentou e que não cumpriu:

CORREIO DE GUIMARÃES
É desnecessário traçar o programa dum jornal político.
Progressistas, o nosso partido encontrar-nos-á sempre a seu lado, sem defecções nem tibiezas, prontos a lutar pelo seu engrandecimento e prestígio.
Sendo progressistas, somos também monárquicos, e hoje mais que nunca, a monarquia que por covardia ou inconsciência se entregou confiadamente na mão dos exploradores que desde há muito cobiçavam a presa, carece de monárquicos.
Mal parece dizê-lo, mas a verdade insofismável é que os mais interessados em que se mantenham as instituições vigentes as entregam vergonhosamente aos seus adversários.
Não vale até muito a pena ser monárquico num país como este onde é quase um crime, professar ideias monárquicas.
Muito embora, sê-lo-emos enquanto estivermos convencidos de que na monarquia está a independência da nossa querida pátria.
Isso, e só isso, nos força a continuar na defesa dum regime que não pode, não sabe, ou não quer defender-se.
Em país nenhum, como neste, se assiste ao triste e doloroso espectáculo de ver um governo monárquico aliado, para se aguentar no poder, com os revolucionários com o auxílio dos quais escalou o poder e a quem há-de pagar prodigamente —os factos começam a demonstrá-lo — os serviços prestados com transigências que rebaixam e, o que é pior, com o sacrifício o desprestigio das instituições e ainda com os dinheiros públicos que representam o suor e o trabalho do povo português que se estiola numa luta de fome e miséria, envergonhado do papel deprimente, que o seu país representa perante as nações civilizadas do mundo.
Em país nenhum, como neste, subiria aos mais altos poderes da monarquia quem, como o novo par do reino João Pinto dos Santos, andou de armas ao ombro para o derrubar.
Eis o que faz o medo!
*
Assim como um jornal que se arregimenta debaixo duma bandeira partidária está dispensado de apresentar ao público que o lê, o seu programa que é o programa do partido em que milita, assim também um jornal vimaranense escusa de afirmar que se encontrará sempre ao lado dos seus conterrâneos, coadjuvando-os nas suas aspirações.

Jamais sacrificaremos aos interesses partidários, o progresso e desenvolvimento desta cidade.
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