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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2012

Guimarães, vista como os pardais a vêem

Lançamento: 2 de Março de 2012, 19:00 horas, Sociedade Martins Sarmento, Guimarães.

José Ferreira Guimarães, fotógrafo imperial

José Ferreira Guimarães foi um dos mais destacados fotógrafos do Brasil oitocentista. Era português, nascido em Guimarães em 1841, de onde terá emigrado aos 11 anos. No Rio de Janeiro, aprendeu a arte fotográfica e tornou-se num dos mais afamados retratistas do Brasil, tendo alcançado o título, a poucos concedido, de Fotógrafo da Casa Imperial. Em 1867, apresentou numa exposição a maior ampliação fotográfica até aí produzida no Brasil. A casa fotográfica que havia criado um ano antes foi a maior do Brasil do seu tempo, com instalações sumptuosoas (um verdadeiro palácio de quatro andares, dedicado à fotografia). Tornou-se, rapidamente, num dos retratistas favoritos da elite brasileira, tendo adquirido vasta fortuna com o seu trabalho. Amigo de D. Pedro II, encerrou o seu ateliê após a instauração da República e, tal como o Imperador, mudou-se para Paris. Foi aí que apresentou, na Exposição Universal de 1889, o “Relâmpago Guimarães”, uma espécie de flash que permitia tirar fotografias e…

Da linguagem popular (4)

Mais algumas palavras e expressões populares recolhidas por Alberto Vieira Braga. Da leta C.

Cabido — Pagar foro ao cabido — ter areia na bola, macacos no sótão; atolado; zoeira.
Cachaleira — Alto das costas. Levar de cachaieira — ao carrachucho: — a cavalo no cachaço, sobre os ombros.
Cachapina — Aguardente.
Cagadeira — Cagatório, casinha, sentina.
Calhorda — Mulher mal ajeitada e feia.
Canhão — (calão) Coirão, bucho, meretriz.
Canhenho — Que é vagaroso, acanhado; canhoto, esquerdo.
Carrachucho — Levar ao carrachucho — de escacha pernas sobre os ombros.
Cerimónia — Restos de comida que ficam nos pratos.
Cheira-a-testo — Que anda sempre a meter o nariz em tudo . (Inf. de Salvador Dantas).
Cheira-cus — Cheirão; que mete o nariz em tudo, mesmo onde não é chamado.
Chibas — (pop.) Barbas.
Chincalhão — Chinquilho — jogo do fito. Vem no N. D. C. F. em sentido diverso.
Chuchapitos — Insecto verde parecido com a vaca-loira. Chumbadouro — Parte do gonzo de uma porta que fica presa à parede.
Côdea — Pouca coi…

O Entrudo: máscaras e folias, mesmo em tempo de guerra

Hoje é dia de máscaras.
Entre nós, nos tempos que correm, dias como este quase que só acontecem no Carnaval. Não era assim no passado, em que eram frequentes, ao longo do ano, os momentos festivos em que as gentes disfarçavam as suas identidades atrás de máscaras. Esse costume acontecia, por exemplo, nas vésperas das festividades religiosas, mesmo nas mais solenes, como o Corpo de Deus (em meados de Junho de 1729, D. Prior da Colegiada de Guimarães, D. João de Sousa fez publicar um em que condenava e proibia “o abuso de na véspera do Corpo de Deus e de outras festas, haver máscaras, representações, danças e bailes”). Havia máscaras para assinalar factos políticos (no dia 19 Julho de 1728, segundo o cónego Pereira Lopes, citado por João Lopes de Faria, “houve touros no terreiro de Santa Clara com máscaras e um baile. Tudo isto foi continuação das festas que se fizeram pelo aniversário do juramento que Sua Majestade o sr. D. Miguel I, deu de manter as Leis Fundamentais da Monarquia Portu…

Érico Veríssimo: um almoço em Guimarães em 1959 (3)

Da linguagem popular (3)

Da recolha de Provincianismos minhotos de Alberto Vieira Braga, algumas palavras e expressões que figuram na letra B. De bacóla a bute, passando por badalhoca, barreleiro e bojarda.

Bacóla — Homem de pouco préstimo. Desafio, desafio, desafio à viola eu nunca desafiei com semelhante bacóla.
Badajola — Bacóla — ver este termo.
Badalhoca — Mulher mal arranjada e suja.
Barreleiro — Dala — tabuleiro de lousa onde se lava a louça.
Barrufador — Borrifador, regador. Dic. Cândido Figueiredo regista barrufar.
Bédoira ou Bédoura — Feiticeira, bruxa.
Beijo-de-preta — Beijo-de-Preto — Beiços arrebentados — designação pop. da herpes labial (Porto, Guimarães). O povo chama-lhe também, e talvez mais correntemente, bicho e beijoca.
Berrelas — Pessoa que berra muito. O mesmo que berregas. Vem no N. D. C. F. como prov. trasm.
Berzunda — (calão) Pandega, estroinice.
Bico — Obra miúda que qualquer artista arranja, para fazer fora das suas horas de serviço.
Biqueirada — (calão) Pontapé. (Inf. de S. D.).
Bisca — (calão) E…

Érico Veríssimo: um almoço em Guimarães em 1959 (2)

Érico Veríssimo: um almoço em Guimarães em 1959 (1)

A 19 de Fevereiro de 1959, desembarcou em Lisboa o escritor brasileiro Érico Veríssimo (1905-1975), na companhia da sua mulher, Mafalda Halfen Volpe, e do seu filho, o também escritor Luís Fernando Veríssimo. Naquela “fria manhã de fim de inverno, sob um céu tão azul e límpido que seria uma insensatez procurar adjectivos raros para qualificá-lo”, esperavam-no, no cais, entre outros, o seu editor português António de Souza Pinto e o escritor Jorge de Sena. Depois de uns dias em Lisboa e arredores, partiriam de “Lisboa para visitar as províncias de aquém e além-Tejo. O veículo? Um automóvel alemão B.M.W. O piloto? Souza Pinto. O navegador e guia? Jorge de Sena. Os passageiros? A trinca Veríssimo.”

O relato da viagem de Érico Veríssimo por terras de Portugal em 1959 ficou  no segundo volume da sua obra Solo de Clarineta”, editado postumamente em 1976. A sua passagem por Guimarães ficaria marcado pelo “memorável almoço de Guimarães”. Aqui fica:


Prosseguimos a viagem, sempre para o norte, …

Da linguagem popular (2)

Mais alguns provincianismos minhotos, da recolha de Aberto Vieira Braga: Alfotrecos — Trastes velhos. Alquitétes— Anzoneiro, intrigante. Amorrinhado — Aborrecido; encolhido. O N. D. C. F. regista amorrinhar-se: — adoecer da morrinha; enfraquecer, alquebrar-se. Andadeiras— Pôr-se nas andadeiras — fugir, escapulir-se. Equivale a pôr-se nas alhetas, no piro, no bute, ao fresco, etc. Andar de barriga à boca — Grávida, etc. Andar pião pião — Andar fraco. Anzoneiro — Onzeneiro, mexeriqueiro. O N. D. C. F. regista só anzonice. Apancado — Adoentado, abalado de saúde; tolo. Vem no N. D. C. F. só com esta última significação. Apascaçado— Apelermado — Pascácio, pacóvio. O N. D. C. F. regista — apascaçar-se — Brazileiro — tornar-se pascácio, etc. Apertar os arcos — (calão) É o que se chama uma apertadela de costelas. Pancadaria. Arcas— Intestinos. Armar-à-lebre — Lascar, defecar. Arrabunhar — Arranhar. O N. D. C. F. regista o t. como prov. beir. Arranjar unto prá matéria — Arranjar dinheiro. Assentado— Que tem …

Da linguagem popular (1)

O etnógrafo vimaranense Alberto Vieira Braga (1892-1965) recolheu um largo conjunto de vocábulos e expressões populares que publicou com o título Escassa Respiga Lexicológica (Provincianismos Minhotos). Aqui ficam alguns:
Abade — Ir guardar os pitos ao abade — morrer.
É muito conhecida no Minho esta locução, mas pouco usada. Não resisto ao desejo de transcrever a curiosa e verdadeira definição que lhe dá o sr. A. de Pinho, na "Águia" de Julho e Agosto de 1917.
Falando-se dum indivíduo com ar de pouca saúde, que ande, como vulgarmente se diz, a morrer de pé: — Home, aquêl' parece que quer ir guardar os pitos ò abade.
"Na grande maioria das freguesias rurais da região os cemitérios datam de há poucos anos, e algumas delas, não raras, os não têm. Os enterramentos, em consequência, passaram a fazer-se nos adros, depois que foi proibido inumar dentro dos templos. Junto destes, e, portanto, perto dos seus adros, ficavam as casas da residência dos párocos, cujas ninhadas de pi…

Tentação dos gulosos

Os doces de frutas confeitados nesta vila, principalmente ameixa e figo, que se exportam em caixinhas, com muita especialidade para Inglaterra, são uma verdadeira tentação dos gulosos, que possuem a delicada crítica dos prazeres do paladar; e, para nós, que não somos gulosos confirmados, são tidos e havidos pelos doces mais estimados a par das estimadas laranjas confeitadas na ilha de S. Miguel: este objecto parecerá pouco importante, pois saibam os curiosos que no ano de 1835 montou a seis contos de réis.

O Panorama, Tomo IV, Setembro, 1840, p. 282

Guimarães em 1922

Em 1922, o escritor e artista norte americano Ernest Clifford Peixotto percorreu Portugal e Espanha, tendo feito o relato da sua viagem na obra Through Spain and Portugal. Aqui ficam as páginas que dedicou a Guimarães:
Para visitar esta terra partimos de trem, uma manhã, para Guimarães. A estrada do Porto atravessa por uma terra risonha onde cada casa está afogada em videiras e onde o pequeno Leça, cantado por Sá de Miranda, flui borbulhando através de um vale estreito, fazendo mover inúmeras rodas de moinho, mergulhando sob pontes de hera e polindo grandes pedras de granito, que brilham resplandecentes ao sol.
Finalmente, Guimarães aparece deitada no meio das suas vinhas e ainda guardada pelo seu antigo castelo, o berço da monarquia Portuguesa. A cidade tem um belo ar aristocrático - a de um nobre empobrecido com os seus majestosos palácios ostentando os seus escudos esquartelados por cima de suas entradas, as suas casas substanciais e os seus veneráveis pavimentos de pedras agora des…