A Oliveira, por Vilhena Barbosa

A Igreja da Colegiada e o Padrão da Oliveira, gravura de Pedroso sobre desenho de Nogueira da Silva. Arquivo Pitoresco, 1863. p. 353.
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Este santuário é sem dúvida o mais célebre do nosso país. Pelo menos nenhum outro reúne tantas condições de celebridade. Origem antiquíssima; uma lenda maravilhosa; uma santa imagem, cujos milagres foram apregoados por muitas gerações; honrada memória do fundador da monarquia; gloriosos padrões de um dos maiores feitos dos nossos antepassados e de uma das mais notáveis épocas da história de Portugal — tais são essas condições.
O texto que se segue, da lavra do historiador Inácio Vilhena Barbosa, descreve a Colegiada e o Padrão da Oliveira de Guimarães. Foi publicado, legendando a gravura que encima esta nota, no volume de 1861 da revista Arquivo Pitoresco.

Vale a pena ler, como tudo o que este autor escreveu sobre o património português. Aqui fica, na íntegra: 

Este santuário é sem dúvida o mais célebre do nosso país. Pelo menos nenhum outro reúne tantas condições de celebridade. Origem antiquíssima; uma lenda maravilhosa; uma santa imagem, cujos milagres foram apregoados por muitas gerações; honrada memória do fundador da monarquia; gloriosos padrões de um dos maiores feitos dos nossos antepassados e de uma das mais notáveis épocas da história de Portugal — tais são essas condições.
Correndo o ano de 927, a condessa D. Mumadona, tia de D. Ramiro II, rei de Leão, tendo enviuvado do conde D. Hermenegildo, resolveu edificar um mosteiro onde se recolhesse.
Obtidas as licenças precisas, deu princípio à fundação, numa quinta que possuía na província do Minho, a pouca distância do rio Ave e próxima do ribeiro Selho. Chamava-se a quinta de Vimarães. Mais acima ficava uma pequena aldeia do mesmo nome.
Concluído o mosteiro, foi dedicado à Virgem Maria e habitado por frades e freiras, com as devidas separações, sendo unicamente comum a igreja.
Recolheu-se logo D. Mumadona ao seu mosteiro, que em breve foi atraindo em volta de si, pelas liberalidades da fundadora, os pobres moradores da vizinha aldeia.
Passado algum tempo, querendo a condessa prevenir-se contra qualquer invasão de moiros, mandou construir uma fortaleza torreada, sobre uma pequena eminência perto do mosteiro, no sítio da antiga aldeia de Vimarães.
Eis aqui a origem do santuário de Nossa Senhora da Oliveira, da vila, hoje cidade, de Guimarães, e do famoso castelo onde estabeleceram a sua corte o conde D. Henrique e sua esposa, a rainha D. Teresa, e onde nasceu o fundador da monarquia, o invicto rei D. Afonso Henriques.
O conde D. Henrique alcançou do papa a extinção do mosteiro e a erecção da sua igreja em colegiada com dom prior e cónegos, à qual deu as honras de capela real. E D. Afonso Henriques ainda lhe obteve novas prerrogativas, com que ficou quase uma sé.
Até este tempo não tinha denominação particular a imagem de Nossa Senhora, que era o orago daquela igreja. Porém no ano de 1380 começou a intitular-se Nossa Senhora da Oliveira, em memória do milagre que fez reverdecer a oliveira que, tendo sido transplantada para defronte da porta da igreja, secara e se conservara por longo tempo seca.
Desde então cresceu em fama de milagres a santa imagem. Um raminho da oliveira era o condão milagroso. Por isso, quando os destinos de Portugal estiveram dependentes da sorte das armas nos campos de Aljubarrota, o mestre de Avis, aclamado pelo povo defensor do reino e pelas cortes de Coimbra rei, encomendou-se cheio de devoção a Nossa Senhora da Oliveira de Guimarães, fazendo voto solene de ir a pé em romaria ao seu templo,e daí fazer-se pesar a prata para lha oferecer em alfaias e vasos sagrados, se lhe concedesse a vitória contra os inimigos da pátria.
Conseguiu D. João I o que desejava. Não mencionam os nossos anais vitória mais gloriosa que a batalha de Aljubarrota, pela desproporção dos vencedores para com os vencidos; nem mais decisiva e auspiciosa, porque assegurou a independência de Portugal e consolidou a nova dinastia, que tanto honrou e engrandeceu esta terra.
D. João I cumpriu à risca o seu voto, e fez mais. Ofereceu a Nossa Senhora da Oliveira o precioso oratório de prata e doze anjos do mesmo metal, que haviam pertencido a D. João I de Castela e que foram tomados com toda a sua recâmara naquela memorável batalha. E depois, não contente de fundar, em honra da Virgem e também em agradecimento e cumprimento de outro voto pelo triunfo alcançado, o sumptuoso mosteiro aa Batalha, determinou que um novo e mais grandioso templo substituísse a igreja fundada pela condessa Mumadona, que ainda existia carregada de anos e ameaçando ruína.
Começou-se a reedificação no ano de 1387, e aos 23 de Janeiro de 1400 sagrou a capela-mor o bispo de Coimbra D. João, assistindo a esta solenidade D. João Manrique, arcebispo de Santiago de Galiza, D. Rodrigo, bispo de Ciudad Real, el-rei D. João I, a rainha D. Filipa de Lencastre, sua mulher, e seus filhos os infantes D. Duarte, D. Pedro, D. Henrique e D. Afonso, que mais tarde foi criado conde de Barcelos e depois 1.º duque de Bragança. No ano seguinte, foi sagrado o corpo da igreja.
Este templo era muito inferior ao da Batalha, e conta-se que o arquitecto, João Garcia, primeiro caíra no desagrado de el-rei por não ter satisfeito ao que o soberano lhe encomendara. Contudo, algumas partes se viam no edifício de muita riqueza e primor, como eram o grande espelho da frontaria e as janelas da igreja, principalmente as vidraças, que mostravam em excelentes pinturas muitas e variadas imagens, e em todas o escudo das armas de D. João I e o da rainha sua esposa.
Conservou-se toda esta fábrica até ao ano de 1670 em que o príncipe D. Pedro, então regente e pouco mais tarde rei, fez demolir a capela-mor por estar danificada e ser acanhada, mandando construir a actual. E em nossos tempos, há dezoito anos, querendo os cónegos aformosear com modernices a velha igreja de D. João I, rasgaram-lhe as ogivas das naves em arcos mais elevados, de volta redonda; mascararam com estuques e doirados as suas venerandas e góticas feições; apagaram, enfim, com vandálica profanação, tudo quanto no interior do templo recordava o nome ilustre do fundador, e o grande feito que deu origem a esta segunda fundação.
Está situada a Real Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira em uma praça não muito espaçosa, mas que deixa o templo bem desafrontado.
A fachada principal tem uma única porta e, sobre ela, uma grande janela ou espelho; e é tudo quanto lhe resta do monumento de D. João I. O mesmo desacerto e mau gosto que presidiram à última reconstrução interior da igreja, vieram estampar-se na frontaria. No cunhal, puseram uma pilastra com seu capitel jónico; e, no lugar do arrendado espelho, que provavelmente se acharia deteriorado, levantaram parede de pedraria lisa com uns mesquinhos óculos envidraçados.
Pois aquela janela merecia bem, não só que a não deturpassem com remendos de moderna e prosaica arquitectura, mas que se fizesse um esforço, um sacrifício até, para que fosse restaurada, restituindo-lhe toda a sua graça e beleza primitiva.
É tão formosa, e de tão elegante e delicado artifício que, se estivera no mosteiro da Batalha, aí mesmo, nesse museu de primores de arte, avultaria e sobressairia.
É formada esta janela por vários arcos ogivais, que se vão abrindo no grosso da parede, sempre diminuindo de altura e largura. Os arcos são guarnecidos de estátuas de santos de vulto inteiro, postas sobre peanhas de brincados feitios e cobertas por baldaquinos rendilhados. Fazem divisão a estes arcos festões vazados de flores e frutos, com tanto esmero esculpidos, que mais parecem uma renda subtil, que lavores em pedra. Até aqui nos auxiliou a nossa memória, porém talvez ainda falte alguma coisa para se poder fazer uma ideia justa desta obra singular. Infelizmente, quer nas estátuas, quer nas rendas, revelam-se a acção destruidora do tempo e o desleixo dos homens.
A torre dos sinos, que se ergue ao lado do frontispício do templo, ressaltando dele, não é a que mandou fazer o mestre de Avis. Esta foi demolida em 1515, e no seu lugar deu começo à actual o doutor Pedro Esteves Cogominho, ouvidor das terras do duque de Bragança. Falecendo, porém, quando as obras apenas tinham chegado a um terço, continuou-as, e acabou a torre, seu filho, o doutor Diogo Pinheiro, comendatário de diversos mosteiros, prelado de Tomar, dom prior de Guimarães e posteriormente bispo do Funchal.
É ocupado todo o pavimento baixo da torre por uma capela com porta para a igreja e outra para a praça, ornada de colunas e mais diversidade de enfeites, vedada com uma grade de ferro.
Encostado à torre, por toda a sua frente, está um chafariz com grande tanque. Por cima dele e aos lados da porta da capela, avultam o escudo de armas de D. João I e o brasão de Guimarães, que se compõe da imagem da Virgem Maria e de uma oliveira. Sobre a porta, está o brasão dos Cogominhos.
No meio da capela, vêem-se os mausoléus do fundador, Pedro Esteves Cogominho e de sua mulher Isabel Pinheiro. Estão unidos e são de pedra toda lavrada em flores, arabescos e outras diferentes invenções. Sobre as tampas estão deitadas as estátuas dos dois cônjuges, trajados de gala ao uso da época, circunstância pouco comum no nosso país e muito apreciável para a história dos costumes. Uma grade de ferro alta cerca os dois túmulos. Junto da cabeceira destes, levanta-se um altar de pedra, com a imagem do crucificado entre as de Nossa Senhora e de S. João Evangelista.
Ao lado da porta principal da igreja, à direita de quem entra, está uma lápida embebida na parede com as armas de D. João I, que mostram terem sido iluminadas e doiradas. Seguram no escudo real dois anjos, e um terceiro, sustentando a coroa, serve de timbre. Por baixo lê-se a seguinte inscrição: Era de MCCXXV anos 6 do mez de maio foy começada esta obra por mandado del-rey dom João dado pela graça de Deos a este Reyno de Portugal: este Rey Dom João houve batalha real com El-Rey Dom João de Castela nos campos d'Aljubarrota, e foy della vencedor, e à honra da vitória, que lhe deu Santa Maria, mandou fazer esta obra por João Garcia, mestre de pedraria.
A data de 1425, que se lê nesta inscrição, é a era de César, que corresponde ao ano de 1387 da era de Cristo.
Entremos, enfim, na igreja. Se desviarmos todas as ideias do monumento gótico, parecer-nos-á o templo belo, elegante e bem decorado. Apesar dos estuques que o cobrem todo, pode todavia acrescentar-se a estes epítetos os de rico e majestoso, pela profusão do oiro que lhe brilha desde a base das paredes até à maior altura das abóbadas das suas três naves. Várias janelas e uma esbelta cúpula derramam abundante luz por toda a igreja, que é espaçosa e bem proporcionada.
Posto que os olhos se enlevem na perspectiva geral do templo, não encontrarão certamente obra de arte que mereça exame e descrição, a não serem os quadros que formam os retábulos dos oito altares do corpo da igreja, os quais foram pintados em Lisboa, há uns treze anos, pelo sr. Joaquim Rafael, lente de pintura da nossa academia de Belas Artes.
Antes, porém, de passarmos à capela-mor, temos de mencionar uma antigualha de subido valor histórico. É nada menos que a pia onde o vencedor de Ourique recebeu as águas do baptismo das mãos de S. Geraldo, arcebispo de Braga. Esta pia é de granito, toscamente afeiçoada e sem ornato algum. Se a memória nos não falha, ocultaram-lhe com doiraduras algumas partes do granito, que sete séculos e meio tem enegrecido. Julgaram que acrescentariam riqueza de oiro ao que por sua valia tira todo o valor ao oiro!
A pia está metida num nicho, aberto na grossura da parede e fechado com grades de ferro. Diz ali um letreiro. Nesta pia foi bautisado ElRei D. Affonso Henriques pelo Arcebispo de Braga S. Giraldo. Em outro letreiro lê-se: Esta obra mandou fazer Dom Diogo Lobo da Sylveira, indigno Prior d’esta igreja, no ano do Senhor de 1604.
Supomos ser este o ano em que a pia foi trasladada para este templo, da gótica e humilde igreja de S. Miguel, que serviu de paróquia à antiga aldeia de Vimarães, depois de capela real ao conde D. Henrique e à rainha D. Teresa, e que ainda lá se conserva de pé, próximo do castelo, apesar das injúrias de nove séculos.
O que há mais digno de menção na capela-mor da colegiada é a imagem de Nossa Senhora da Oliveira, que tem realmente muita antiguidade, ainda que se não aceite a que a lenda lhe atribui.
Segundo esta refere, foi o apóstolo S. Tiago que a trouxe a Guimarães, colocando-a num templo gentílico que aí havia, dedicado a Ceres, o qual o dito apóstolo purificou e consagrou à Virgem. Pretendem alguns antiquários que a igreja paroquial de S. Paio de Guimarães ocupa o lugar ao antigo templo de Ceres. Termina a lenda dizendo que a condessa Mumadona levara depois a sagrada imagem para o seu mosteiro.
É de roca esta senhora, e tem riquíssimos vestidos, e muitas e preciosas jóias e adereços. A grande coroa, com que se adorna nos dias de festa e que pesa bastantes marcos, é de oiro maciço e cravejada de diamantes. Nessas ocasiões também se enfeita, além de outros ornatos, com um grande peitoril todo de pedras finas, e com a chamada meada de Nossa Senhora, que consiste em numerosos e compridos cordões de oiro, em forma de meada, tão pesada, que quase custa a sustentar com uma só mão, a qual usa em volta da cintura, caindo o resto pela frente dos vestidos até aos pés. A imagem tem muito mais de um metro de altura.
Na sacristia guarda-se o magnífico tesoiro de que por vezes temos falado neste jornal descrevendo algumas das suas alfaias. Esperámos ocasião mais oportuna para tratar novamente de tão curioso objecto.*
Por detrás da capela-mor está o velho claustro com vários túmulos antigos. Contíguo ao claustro, fica o palácio dos priores, com seu pátio e porta para a rua de Santa Maria. O edifício nada tem de notável. É pequeno e irregular. Todavia, tem o interesse histórico de ter servido de habitação a el-rei D. João I.
Esta real e insigne colegiada, com o seu dom prior e mais dignidades, logrou muitas preeminências, regalias e avultados rendimentos. Tudo isto porém lhe tem cerceado a inconstância dos tempos e das coisas políticas.
A dignidade de dom prior de Guimarães tem sido exercida por muitos indivíduos das principais famílias de Portugal; e ainda hoje é mui considerada na jerarquia eclesiástica. No catálogo destes prelados figuram dois príncipes da casa de Bragança, D. Fulgêncio, filho do duque D. Jaime, e D. Alexandre, filho do duque D. João I.
Resta-nos falar dos dois monumentos que se erguem na praça defronte do templo de Nossa Senhora da Oliveira. O que fica mais perto do adro é denominado o padrão e teve por fundador a el-rei D. Afonso IV. É um cruzeiro coberto de abóbada de pedra, que se sustenta em quatro arcos, que a seu turno se firmam em delgadas colunas e nos grossos pilares que formam os quatro ângulos exteriores. Junto ao vértice de cada um dos arcos estão os escudos de armas del-rei D. Afonso IV.
No meio do padrão, debaixo da abóbada, admira-se um lindo cruzeiro de pedra, no gosto gótico, com as imagens de vulto de Cristo crucificado, de Nossa Senhora, de S. João Evangelista, de S. Dâmaso, papa, filho de Guimarães, de S. Torcato, arcebispo de Braga, de Nossa Senhora do Rosário, de S. Filipe, apóstolo, e de S. Gualter.
Na hástea da cruz está uma lâmina de bronze com a inscrição que segue:
A onra d Deus e d Scã Maria, e por esta Vila mais onrada ser e o Poboo, fez fazer esta obra Pero Steves de Guimarães, mercador em Lisboa, filho de Estevão Gcia, e de Mta Pez na EMCCLXXX anos VIII dias de setembro.
M.L.R.O.F.E.X.
Debaixo da mesma abóbada, encostado ao arco fronteiro à igreja, está um altar com uma imagem de Nossa Senhora da Vitória, em comemoração da batalha de Aljubarrota.
Conforme um documento contemporâneo, aquele cruzeiro foi feito na Normandia, transportado e colocado ali por Pero Esteves.
Próximo do padrão vê-se a oliveira de Nossa Senhora cercada de grades de ferro, as quais assentam sobre um soco com dois degraus.
A oliveira da lenda há muito que não existe. A actual é uma árvore nova.
I. DE VILHENA BARBOSA.

* Vid. pág. 5, 41, 137 e 216 deste volume.
in Arquivo Pitoresco, vol. IV, Lisboa, 1861, pp. 353-355.


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6 Comentários

anonimo disse…
Sobre a etymologia do seu nome ha tantas opiniões, que por fim de contas ninguem sabe qual é a verdadeira. Ahi vão as principaes.

1.«—que provem do nome da villa e residencia da condessa mumadona, senhora d'este territorio, que se chamava Vimaranes, e é verdade.

Note-se que o mosteiro foi fundado em


uma quinta da condessa, que se chamava Quinta de Vimaranes, por ser proximo à villa velha d'este nome.

2.«—que vem de Via-Maris, legenda que está á porta do castello, segundo a traducção de alguns.

Outros dizem que esta inscripção estava gravada em uma pedra da muralha de uma antiga torre que existiu sobre o monte Latito, proximo á cidade. . 3.« — que é corrupção de Via-Militaris, que é uma outra traducção da mesma legenda.

4. '—que o chefe celta (gallocelta) que presidiu á sua fundação se chamava Vimarano, e lhe deu o nome de Vimaranes, que significa, filha ou procedente de Vimarano.

(Pretendem outros que Vimarano se chamava um conde, governador de Entre Douro e Minho, que aqui residia e lhe poz o seu nome.)

5." e ultima—que tendo-a reedificado Wimarano, irmão do rei godo D. Fruela, no seculo 8.°, lhe poz o seu nome.

É certo que o nome lhe provem da antiga villa de Vimaranes, e, o que é mais rasoavel é vir de Via Maris, nome que os romanos lhe pozessem por passar por aqui alguma estrada que levasse a Braga e de lá ao Oceano.

Antonino Pio não menciona esta via no seu Itinerario; mas isso não prova que ella não existisse. Elie só mencionava as vias militares e poucas mais. É porém mais que provavel que de Traz-os-Montes viesse uma estrada pelo Marão a Amarante, Guimarães e Braga, para d'aqui cortar por duas partes em direcção ao mar, uma por Ponte de Lima a Vianna, outra por Barcellos a Fão.

Diz-se de Guimarães (e é verdade) que tem—Sé, sem bispo; ponte, sem rio; palacio, sem rei e relação sem desembargadores.

O foral do conde D. Henrique ainda lhe dá o nome de Vimaranes.

D. Diniz tambem lhe deu carta de confirmação dos seus antigos foraes e concedeu novos, em 1324. Segundo Viterbo, D. Affonso I ainda deu outro foral a Guimarães, em 1158.

D. Affonso Henriques, alargando o seu reino pelas gloriosas conquistas que fez aos mouros, na Beira, Extremadufa e Alemtejo, não podia continuar com a sua corte em Guimarães, que lhe ficava quasi na extremidade septentrional dos seus estados; por isso a mudou para Coimbra, que era (e ainda e) no centro de Portugal. Isto fea decahir muito a villa de Guimarães, que deve o não cahir em total decadencia á prodigiosa affluencia de peregrinos e romeiros que de remotas terras vinham em romaria a Nossa Senhora da Oliveira, que era a mais venerada daquelles tempos, e á qual attribuiam numerosissimos milagres.

Esta circumstancia attrahiu para Guimarães muito povo, varias familias nobres c algumas ordens religiosas.

Deve tambem Guimarães grande parte da sua prosperidade, á industria de' seus habitantes. A separação e autonomia do Brasil deu um golpe profundo na felicidade e bem estar d'estes povos, pois era para alli que exportavam em grande escala, a maier parte das suas manufacturas.

Tambem nas discordias entre D. Diniz e seu filho D. Affonso (depois IV) e na guerra do fim do seculo XIV, entre D- João I de Portugal e D. João I de Castella, foi por vezes Guimarães cercada e combatida, o que lhe causou graves damnos.

As pestes que flageilaram Portugal no seculo XVI,. disimaram lhe grande parte da sua população.

0 brasão das suas armas, e—em campo de prata, a imagem da Virgem, tendo nos braços o Menino Jesus, que empunha, na mão esquerda, um ramo de oliveira.
anonimo disse…
A família Vimara que nasceu de Saxe, espalhou se para Europa, chegou a Portugal e uns contam a verdade deles e eu conta a minha baseado em livros em latim da época e que provam que Domum Vimarae criou Portugal. Existe uma família com um determinado sobrenome que é a Herdeira desta casa e também se chamavam de apelido e ou casa Dudingen ou Thuringen.

Vimara frater fuccefTor fuit. Poftquem rexit Compoftella nam ecclefiam alius quidam exfamilia Vimarae, ,cuius nomcnlitcris proditum nó inueni.Hica Veremundo Rege proptercclcra fua vinculis traditus eft.Hæc omnia exhiftoria Compoftellana 965

Vimarae alius exeadem fàmilia fucceffor eft datus, cuius nomen memoriae proditum non eft (Ifquariam nonnulli codices habent fufpicor fàlfò).Is duobus confanguinéisjnihilo fànior cüm effèt, Regis iufiü carceri eft mancipatus.

GuIMARANES, Latein. Vimario nicht weit von Braga, ist ein Herzogth

Anno 1111 in usum Diaconi, qui eo usque angusto atque incommodo loco habitaverat, ad radicem „ontis, ubi olim ovile fuerat, nova, et satis ampla exstructa, est domus, media fere inter ...clesiam et domum Inspectoris. Anno, denique 1712 evenit illa venditio, quae fatalis Scholae portensi fieri potuit, nisi Deus avertisset. Augustus, enim Saxo, Rex. Polonorum creatus, „imio magnificentiae studio et infelici belli Suecici exitu, cum opes, suas exhausisset, pacto Lipsiae cum Guilelmo Ernesto, Duce Wimariensi, d. 17 Oct. inito reditus Scholae Porten„i, et jura feudalia, quae ipse in eam habuit, duodenos in annos oppigneraverat ac, nisi stato tempore Portam redemisset, verendum erat, ne illa jam tum Albertinae stirpi eripe,etur.*) Die 12 Decemb. hora 12 meridiana a. 1712 Portensia bona per legatos Regis Duci Weidneri vita a genero ejus, Puschio, vici cujusdam Altenburgensi. Pastore, scripta legitur in Actis iii. glorico- Ecclesiasticis Vol. II. P. II. p. 791—796. Uberius exposuit alter ejusdem gener, Hübschius noster in Collectaneis MSS. De laudibus Weidneri cf. Karl Rud. Reichel's, treuverdienten Oberpfarrers „u Neukirch am Hochwalde, Lebenslauf von ihm selbst abgefafst und für seine Freunde herausgeg. von J. G. Pech, Oberpfarrer des Orts. Herrnhut u, Leipz. 1797, p. 7. p. 139-146. Ibidem (p. 146—155.) ... exemplis docetur, quam caecnm, ac saevum tum fuerit inter alumnos Portenses severioris, pietatis odium, *) Recessus ille, quo d. 17 Oct. 1112. Reditns scholae Portensis Duci Vimariae in 12 annos venditi erant, 17 post annum 1722 prolongatus est usque ad Festum S. Michaël. 1733. Instrümentum redditionis datum est Portae d. 7 Octobr. 1733

In pacto Regem Borussiae inter et Magnum Ducem Vimariae (Weimar) inito Parisiis d. 22 Sept. a. 1815 Magnus Dux Vimario-Saxoniae obligationem in se suscepit sinendi, ut Borussia, si hoc e re sua esse existimet, navigabiles reddat fluvios Unstrut et Geram etiam quatenus Ducatum Vimanensem perfluant. Neque hanc navigationem Dux portoriis onerabit, neque etiam ipsam impediet ratione subditorum Regis Borussici. Art. 8. (2).
anonimo disse…
Todos falam da minha família Vimaranes, as esculturas o tempo passado, mas existe muito gente que usam e abusam de nomes que não tem direito, a Usurpação de nomes que só pertencem à minha família, por Hermegildo Fages parente a Mumadonna, o tal Fages, criou casas como os Barroso, Bentos, Domingos, Mascarenhas, Basto, Aranhas e tantas outras casas e os senhores das casas eram filhos de Fages (nome Francês e Godo).

Mortuo GarfiaTrcmulo fucccffitSanétius Maior,quipofterius diétus eft Imperator Hifpaniæ,de quo fuo loco plura dicemus,regnauitannis 54. Eius exordium regni hoc anno pofui, quamuis alii pofteriusponant: quia priuilegium citat Galbertus monachus hoc anno fa&um,in quofe Rcgemappellat. s63. Circa haec tempora Pclagius,Comitis RodericiVelafquii filius, ex Lucenfifa&us eft nonus Compoftellanus cpifcopus.qui cum fecularipotentia& natalium fplcndorc fretus,multagereret officio fuo indigna,&maiores ac feniores honoribus moucrct ac dcprimeret,iuniores atqucindignos fublimaret: à Vcrcmundo qucm Gallcciae proceres Ordonioinfenfi,Regem fibi conftituerant,epifcopatu pulfuseft, atque in illius locum fubrogatus Petrus de Monforio,abbas monafteriiquodantealtaria vocabatur, à Beato Sifiiando conftitutum. Hic epifcopus tantavitae fan&itate,tam religiofis moribus omnibus præluxit,vt Veremundus eius virtutibus commotus,Compoftcllanae ccclefiae,quic
quid aliorum epifcoporum temporibus amiferat,præccperit reftitui. Interea Rodericus
Vclafquus & pater Pclagiicpifcopi cum caeteris Confulibus huius prouinciae, Sarrace
nos cum ducc eorum Almanzorein Gallcciam cuocauerunt.Qui Compoftcllam profeάi,maiorem parté parictis ccclefiae S.Iacobi diruerunt, inta&o tamenfacratiffimoipfius altati. Carterum Apotolus,ne etantum celus inultum abtuliffe gloriarentur, tanto eos dyfentcrig morbo percuffit,vt plurimis morbo confumptis,pauciin patriam reducesfuerint. Almanzor vbitantam fuorum cladem vidit, fuos dicitur confuluiffe, quifnam ille cffettanta internecionisautor. Quirefponderunt,vnumexdifcipulisfilii Marix virginisibi fepultum.Quoille audito,poenitentia rerum geftarum du&us,fugam quam maximcpotuit,accelcrauit.Sed in itinere repentino correptus morbo, apud Medinam Ccli,vbifepultuscft,animam in finum Mahomctisin fœlicitcr tradidit. Rex continuo pictate motus Compoftellam venit,& ecclefiam Apoftoli dirutam, Petro cpifcopo adiüuante,inftaurauit. Qua poftinftaurationem confecrata,Pctrus epifcopus obdormiuit in Domino.Succeffit illi Pclagius Didaci,qui propter fuperbiam, interuenicnte Dei iudicio,à principibus terræ ignominio fceieëtus cft. Huic Vimara frater fuccefTor fuit. Scd & hic dum praetextu religionis non Deo,& edcommodis fuisferuiret,fiuc cafu,fiue proditione, in Minio demerfuseft. Poftquem rexit Compoftella nam ecclefiam alius quidam exfamilia Vimarae,cuius nomcnlitcris proditum nó inueni.Hica Veremundo Rege proptercclcra fua vinculis traditus eft.Hæc omnia exhiftoria Compoftellana. 965. Ranimirus morbo corrcptus obiit Legionc, conditufquc cft in monafterio Deftria| nae,cuius iam mentiofa &a eft:dcccffit vero fine libcris.Proinde regni fucceffioad Verenundum Ordoniitertii filiurn lege rediit,qui rcgnauitannis feptemdecim. Interea Alcoraxis Rex Hifpalcnfis Portugalliam totamin fefto agmine depopulatuscft, atqucin i - - Gallcciam tráfgrcffus,Compoftclla mvf quc peruenit ,acciuitatem diruit

Eu continuo anónimo e sou João
anonimo disse…
Antoninus Hohn - 1744
Sc.) plurimùm ad illius perfeclionem contribuiflè Velgenfes, Perromanos, Töchterman- nos Patritios de Düdingen, Reiíf, Engelsberg, de divite Thüringen, teftatur

Anno 1273 Engelbertus Provincialis laborum pro incremento Sacrac Religionis impenforum praemia aeeipit incineratus Seemanshufii in Bavaria ante majus altare ( Catal. Provin. Bavar. M. Höggmayer). Quis immediate Engelberto in direftione Auguftinenlium in Germania fucceflèrit, non inveni. Quas tamen intra decennium ab obitu illius circa Provinciam, & terras noftras evenerint, notavi fequentia.

De Hagenöa commun! traditione habetur, quod Fratres Eremita; in Sylva prope Haagenato habitàrint, & tempore Cuefaris Friderici Barbaroilk circa annum 11 7 3 aeeeperint Capellam aliquam, qua* pofteàvenerationi S. Annae dicata fuit. Duos Monachos ad illa témpora Hagenöa? fuific commémorât Herzoch in Hiß, Alfat. fol. 14p. ab iftis facras Reliquias & Inftrumenta Paffionis Chrifti, in ipecie partem S. Cruris, Coronam Spineam, Lanceam & Clavos» cuftodita, atque pro veneratione certisdiebus hominibus oftenfa fuifle: Item ad prima noftra aedifieia ConradumdeGerolsekEpifcopum Argentinenfem ad annum 1180 fuppetiastuliflc> idem Herzochiusperhibet. Juxta Erfurtenièm hiftoriâm âGudeno Scriptam inCivitate Erfurtcniiincolatum jam habuit Eremiticus Ordo Auguftinianorum anno 1223. Sicut&alia Quilelmitarum Collegia inpartibus illis Thuringiae & Saxoniae extiterunt.

Friburgi in Helvetia Eremitani noftriante Unionem jam acceperant poúcífionem, ас celias fnas fixerant anno 1224, & anno I2f f obtinucrunt Reliquias Ss.MartyrumThaebeorum ( quemadmodum adhuc S. Mauritium ceu Ecclefiar Patronum Noitri ibidem venerantur) quae Reliquiae ipfis abAbbatia Canonicorum Regularium Agaunenfium è Walleiia transmifla: funt. Erat Prima Erclcfia noitra ibidem in parva Augia ad S. Joannem dicta, quae pofteà ampliata à Reliquiis S. Mauritii, ipeciatim Maxillae & Cruris de ifto S. Martyre titulum Eccleliae ad S. Mauritium úceepie, praefati enim Canonici Regulares cum donatisReliquiis expreiïè petebant, ut altareMajus S. Mauritii honori facraretur, & in Choro juxta antiquum Catholicum ritumde illocommemoratiofieret in Officio, & Fcftum ejus fpeciali celebritate ageretur ( videhiftoriam Theolog. Helvet. Langii fol. 970 & alibi) praetereafundum & locum Monafterii noftri Friburgeniis Helvet. dederunt Petrus deMatlen, Conradus deBurckftein, Nicolaus & Joannes de Seufftingen, & alii benefactores, quibus propterea fepulturaapudnos concefla, & anniverfaria depolitionis dies agebatur ( idem Lang, in dicta hiltoria fol. 970 ).

Anno 1274 Leo Epifcopus Ratisbonenfis conceffit Indulgentías 40 dierum cooperantibus ad fabricam EccIeCae Friburgenfis Helvetiorum, quam ille Conventus Nofterde novo aedificare tune cceperat opere íumptuofo (BcnningM. Sc.) plurimùm ad illius perfeclionem contribuiflè Velgenfes, Perromanos,Töchtermannos Patritios de Düdingen, Reiíf, Engelsberg, de divite Thüringen, teftatur Lang, in Hiít. Theol. Helvet. 1.1.


Dudingen é igual a Englisberg, Duens, Doeringen, Thuringen, Braganza do anno 640 Brigantinus, corresponde ao meu sobrenome, já me esquecia os Barbosa também foram criado por Fages e Fages é Falgario é Felga é Falga é Fauge ou Fauga e ainda falta o meu apelido.
anonimo disse…
Todos os portugueses gostam contar histórias, é verdade, será que existe ponta de verdade no que contam, esses reis portugueses, espanhois foram meus antepassados, e esta história que conto tem verdade no que afirmo, postei registos em latim para ninguém duvidar.

Quando descobria o meu 8 avô paterno o João Vimariae casado com Mathilda Ferz, foi baptizar o seu neto em 1745 em Santo André de Poyares e os bispos assistir, D. Leandro de Melo e Carmo e Campos, D. José Cateano de Haro e padre Carlos Filipe, além destes ilustres, tenho a casa Lopes, Baptista e Felgares. E nesta busca encontro em Saxe, Saal e em Dresden uma propriedade Hohenthal de um João Vimarae ou Vimarae e que o apelido deste é o meu atual. E ninguém neste Portugal, nos livros portugueses mencionam algo semelhante e o João é João V de Portugal. Em Espanha da casa Farese mostra isto.

primogenita de Eduardo Duque de Guimarans. Y antes fe pufo de la mifma opinion Cesar Campana, pues escrive en la vida de Phelipe II.
El Duque de Barcelos, bijo de Catalina, que era bija de Eduardo, bermano del Rey
Henrique, pretendia por esto el Reyno, nofîn inclinacion grande de los PortugueJes, como tambien aspirava à èl, por mas gallardas razones, el Principe Ranucio de Parma, hijo de Maria que fuè primogenita del mismo Eduardo Duque de Vimara.

E quando descobria o meu sobrenome que os genealogistas atribuíam a um lugar, descobri o que significava lugar na monarquia, é casa; dote; sangue de família; dote património e era assim que as pessoas atribuíam os seus nomes de casas, exemplos: temos casas para Mello, Barbosas filhos de Infantes (desconhecem?)

Fr. OCTAVIO DE LISBOA, natural da Gidade que tomou por apelido, Monge Ciftercieniè no Real Convento de Alcobaça, onde Îê conièrvao as iêguintes obras Sermones Dominicanarum tot i us anni. fol. M. S. TraÜatus de Sacratncntis. foil M. S.

Fr. OSORIO DE PERNES, natural do lugar do feu apellido , junto da notavel Villa de Santarem do Patriarcado de Li£ boa, Monge Ciftercieníe em o Real Conventos de Alcobaça. Traduzio da lingoa latina em a materna Regra de S. Bento. fol. M. S. Conferva-íe na Bibliothcca do Convento de Alcobaça.

Fr. ISIDORO BARREYRA natural de Lisboa ou como alguns querem do lugar do feu apellido ditante tres legoas da Villa de Thomar em o Bifpado. de Leyria.

Fr. ISIDORO DA CASTANHEYRA natural da Villa do feu apellido fituada no Patriarchado de Lisboa, Mone Citercienfe

ao qual lugar elle chamou Camara '! , & tomou ete apellido em memoria q naquelle lugar foy a primeira enträ da defua pouoaçam. O qual apellido ficou a todolos feus herdeiros, & algúsfe chamam da Camara fomente: & peró todos trazem por armas fe fam âs que deram a Ioam Gonçaluez


Dos lugares que as pessoas genealogistas atribuem a algo desprezivel não dão a mínima importância e depois afirmam coisas que bradam aos céus, primeiro aprende se a conhecer a história do nosso passado e depois façam a genealogias corretas.

A casa de Cadaval foi extinta por não ter descendência paterna e hoje vemos na republica duques de cadaval, quem são estas gentes ? não me são nada a mim, nada.

brofio de Mello Cadavallem/ Duci , eo fine liberis vita fuméto , rurfus nupfit jameti de Mello Ludovici fratri ac fucceffori. Micbaele autem &* Aloyfia Cafimira parentibur mati funt Petrus Henricus Brigamtimur, Dux Alafomienfis , idemque Praefe&ius Praetorio, qui ammo M. DCC. LX. Olifipome caelebs obiit : joannes Carolus Brigantinus , qui fub jofepbo I. tota fere Europa laudatiffime peragrata , fummoqae in honore Regibus &Principibus habitus , anno tamdem M. DCC. LXXIX. reverfus in patriam a Maria I

Obrigado

anonimo disse…
Possuo registos da casa de França a colocar o meu atual apelido como filho de rei de França, de Anjou, Alemanha, Inglaterra, Leao, Castela, Navarra, Aragão, de Dauphin de Viennois, como filhos de Guigues e este irmão a Savoie e que Savoie é filho de Saxe. Saxe de onde vim, o mundo é tão pequeno caros senhores e dão tão pouca importância à minha atual família. É para ficar a pensar...porquê é que Savoie casa com Portugal.


Sequenti vero mense martii privatim ita quod nec ipsi Lombardi qui cum eo fuerant nisi forte paucissimi sciverint,per terram CoMITIs VBERTI DE SAXONIA filii quondam Comitis Amedei, qui dicitur CoMEs DE MAvRIENNA iter arripiens in Alemanniam profečtus est; où il se voit qu'Humbert Comte de Savoie & de Maurienne est surnommé de Saxe par un Auteur contemporain, ce qui montre que l'opinion que l'on a de cette origine n'est pas si nouvelle que l'on voudrait persuader. 3. Con- Outre le consentement général des historiens, & l'autorité des ma#§ nuscrits, il y a le rapport de l'ancienne Armoirie de Savoie avec celle de la " Maison de Saxe; car il est certain que les Saxons portaient l'Aigle en leurs Armes; ce qui se prouve par la sépulture du grand VVittichind que Henri l'Oiseleur fit transporter à Paderborn, où se voyent des Aigles; & Meibovius en ses notes sur les annales de VVittichind, dit que cette même Armoirie se voit au sépulchre de Matilde de Saxe, épouse de l'Empereur Henri l'Oiseleur, au Monastère de Pele au territoire d'Eichsfeld; aussi Jerôme Henninges généalogiste Allemand, a mis l'Aigle pour l'ancienne Armoirie de Saxe, au devant de la généalogie de cette Maison. Or nous avons quantité de preuves que les anciens Comtes de Savoie n'avaient point d'autre Armoirie que l'Aigle; & ce qui fortifie encore mieux cette conjecture, c'est la conformité des supports de l'écu de Savoie avec ceux de Saxe qui sont des Lions. L'on peut aussi faire réflexion sur ce que saint Maurice qui est le Patron † & l'Ange tutélaire de la Maison de Savoie, & sous le nom de qui quantité d'Eglises en Savoie ont été consacrées, a toujours été en grande vénération en Saxe; jusques-là que l'Empereur Othon I. faisant ériger Magdebourg en l'Eglise Metropolitaine, la dédia à saint Maurice, & l'Impératrice Adélays · femme de cet Empereur, y avait une particulière dévotion. , c. - La profession d'une même loi, ou plutôt l'observation inviolable d'une même coûtume, qui est celle de la Loi Salique en Saxe & en Savoie, est ' encore une autre preuve ou conjecture d'une même origine.

Bref, pourquoi rejetter cette opinion, puisque tous les Princes de la 6 Con Maison de Saxe avouent les Ducs de Savoie pour leurs Parens, comme sor†" tis d'un même tronc; & c'est par cette raison que nos Princes ont écartelé leur écu des Armes de Saxe; Ce Prince par la patente d'aggrégation des Pies Seigneurs de Carpi à la Maison de Savoie de l'an 145o. énonce la même chose & leur accorde cette faveur, comme étans issus de la Maison de Saxe. Par toutes ces considérations, il semble que cette origine de Saxe soit éloignée de la fable; mais la plus grande difficulté qui reste, c'est de montrer de qui le Prince Berold était fils; car c'est en ce point que les historiens que nous avons cités ne conviennent pas. Ce qui a fait naître trois opinions différentes, sans faire état de celle de Mathieu, qui a dit que les Ducs de Aux al Savoie déscendaient de Bernard de Saxe, neveu de l'Empereur Othon III.

Obrigado, aprendam a conhecer a verdadeira História de Portugal