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Mensagens

A mostrar mensagens de Setembro, 2011

Imprensa vimaranense (1)

O primeiro jornal que se publicou em Guimarães foi O Azemel Vimaranense. Saiu entre 1822 e 1823. Era defensor das ideias liberais. Foi fundado pelo egresso (ex-clérigo) Jerónimo Rodrigo,  e por Joaquim de Meneses e. José de Sousa Bandeira, Manuel Luís Pereira Pinheiro de Gouveia e José Joaquim Vieira (proprietário da tipografia). Todos eles foram objecto de perseguições no contexto das lutas entre liberais e absolutistas.

Os Passos da Paixão de Guimarães (conclusão)

Os Passos da Paixão de Guimarães são um conjunto de oratórios erigidos pela Irmandade da Consolação e Santos Passos no segundo quartel do século XVIII. Representavam, através de conjuntos de esculturas polícromas de madeira em tamanho natural, sete das estações da Via-sacra da Paixão de Cristo. Por força das alterações que as ruas e as praças da cidade foram sofrendo nos séculos XIX e XX, apenas uma destas capelas se encontra actualmente no seu sítio original. As esculturas que as preenchem foram também muito mexidas ao longo do tempo.

Em finais de 1993, o conjunto da Igreja e oratórios dos Santos Passos de Nossa Senhora da Consolação foi objecto de classificação como Imóvel de Interesse Público. Esta classificação apenas abrange, além da igreja, os quatro Passos que àquela data estavam de pé (Senhora da Guia, Campo da Feira, Rua de Santa Maria e Carmo), excluindo o do Largo da Misericórdia, que seria reconstruído no ano seguinte ao da classificação.

Continuam a faltar os dois Passos de…

Os Passos da Paixão de Guimarães (9)

O último dos Passos visitado nesta peregrinação pela Via-sacra de Guimarães é o do Largo da Misericórdia, que originalmente esteve noutros lugares, não havendo certezas quanto à sua localização inicial. Segundo o Padre António Caldas, teria estado originalmente no Largo de S. Bento. Encontro, nas Efemérides Vimaranenses de João Lopes de Faria, uma referência do dia 5 de Novembro de 1845, a propósito da demolição da Torre de S. Bento, que implicaria o desmantelamento da capela de S. Bento, que pertenceria ao Cabido. Esta capela não é, seguramente, o Passo que procuramos (além do mais, este era propriedade da Irmandade da Consolação e Santos Passos). Por outro lado, encontro, nas contas daquela Irmandade, uma nota de pagamento de 1765, ao carpinteiro João Baptista, por trabalhos que executou no Passo da Rua de Valdonas. Deve ser este o Passo que o Padre Caldas colocou no Largo de S. Bento. Não conseguimos saber quando foi levado para ali, mas sabemos que em meados do século XIX havia um…

Os Passos da Paixão de Guimarães (8)

O Passo dos Laranjais estava encostado à torre da casa que usa o nome do largo. Em Setembro de 1954, a Câmara Municipal de Guimarães decidiu adjudicar a sua desmontagem, prevendo a sua transferência para local “a escolher oportunamente”. Não terá sido reconstruído. No entanto, no Inventário do Património Arquitectónico da antiga DGEMN avança-se que o Passo que reconstruído na década de 1990 no Largo da Misericórdia “se julga originário do Lg. dos Laranjais”. Observando as imagens disponíveis do Passo dos Laranjais, não me parece claro que este possa ser o que agora se encontra na Misericórcia. Antes pelo contrário.

A bandeira do 20 de Infantaria

O Regimento de Infantaria n.º 20, sediado em Guimarães, no Paço dos Duques, foi criado por carta régia de 5 de Novembro de 1884. No dia 25 de Janeiro seguinte, os seus recrutas prestaram “juramento de espadas”, por ainda não haver bandeira. Passado um mês, teria lugar o juramento da bandeira. A bandeira do regimento seria benzida na igreja de S. Francisco, em Abril de 1886. No dia 3 de Agosto de 1924, a bandeira do RI 20 foi condecorada, pelos feitos dos seus soldados que haviam sido mobilizados para a Grande Guerra, tendo combatido em África e em França.

Em Fevereiro de 1927, rebentou a primeira rebelião contra a Ditadura Militar. Nela participaram elementos do RI20. Com a derrota dos revoltosos, o regimento de Guimarães teve o seu destino traçado. Passados alguns anos, seria extinto.

Por muito tempo se perdeu o rasto da última bandeira do Infantaria 20. Graças aos esforços do meu amigo Carlos Sousa, vimaranense que se dedica ao estudo da história daquele regimento, foi encontrada e re…

Os Passos da Paixão de Guimarães (7)

O Passo da Porta da Vila situava-se no Toural, junto à torre de S. Domingos. Foi o primeiro a ser removido do seu local de implantação primitivo. Em 1802, quando andavam em construção os edifícios da frente dita pombalina do Toural (lado nascente), que ocuparam o lugar da antiga muralha, o Passo foi removido, para permitir que as casas em construção tivessem o alinhamento previsto no projecto. Foi então transplantado para o adro da igreja de S. Sebastião, situada no largo do mesmo nome, em frente à Alfândega (parece que houve intenção, não concretizada, de o mudar para o Terreiro da Misericórdia). Ainda o século XIX não era terminado, já o antigo Passo do Toural tinha que ser novamente mudado. Em 1892, por força da demolição da igreja paroquial de S. Sebastião, foi decidido levar o Passo para junto da igreja de S. Francisco. Corria então o mês de Julho de 1892 quando foram arrematadas as obras da trasladação. No entanto, a Câmara viria a mudar de ideias, correspondendo a um requerimen…

Os Passos da Paixão de Guimarães (6)

O Passo do Carmo foi originalmente levantado no terreiro com o mesmo nome, entre as ruas da Infesta e do Poço (prolongamento da rua do Gado na direcção do Castelo), hoje desaparecidas. Estava voltado para sul, um pouco acima do lugar onde, até há pouco, esteve o chafariz do Toural. Em 1891, por força do “melhoramento” daquela zona da cidade, na sequência do qual surgiria o Jardim do Carmo, foi desmontado e reconstruído junto do Asilo (actual Lar de Santa Estefânia), encostando-se ao coro da igreja. Como a colocação do Passo inutilizou uma janela do coro de baixo, a Irmandade do Carmo invocou a necessidade de rasgar outra, obra que correria a expensas da Câmara que, para o feito, indemnizaria a Irmandade em 30$000 réis.
Este Passo tem sido aqui objecto de algum interesse, por ter sido representado numa pintura da primeira metade do século XIX, provavelmente de Roquemont. Hoje, apesar de ainda estar por explicar o enigma da torre que se vê por trás do tanque-chafariz, parecem ultrapassad…

Os Passos da Paixão de Guimarães (5)

Um dos Passos da Paixão de Guimarães foi colocado no terreiro de Santa Clara. Pela leitura do Padre António Caldas, sabe-se que no início da década de 1880 ainda se encontrava junto ao convento das claras. Mas não terá ficado aí por muito tempo. Embora ainda não tenha encontrado qualquer informação que o demonstre, parece certo que será a capelinha que agora se encontra na rua de Santa Maria, em frente à Travessa da Senhora Aninhas.

Os Passos da Paixão de Guimarães (4)

O meu amigo Miguel Bastos chamou-me a atenção para a pintura que vai acima, já aqui publicada antes. É anterior a 1857 e posterior a 1830. Acredito que seja obra de Roquemont. Nela está representado o Passo da Paixão da Oliveira (o que agora está no Campo da Feira), encostado à Capela de S. Brás, da Colegiada (lado direito da imagem).

Os Passos da Paixão de Guimarães (3)

Em Março de 1727, o Cabido autorizou a Irmandade de Nossa Senhora da Consolação e Santos Passos para colocar uma capelinha dos Passos da Paixão de Cristo junto à Colegiada, no exterior do claustro, encostada à capela de S. Brás, com a condição de ser removida quando o Cabido o entendesse.

No final da década de 1920, o claustro da Colegiada passou por obras de restauro, para instalação do Museu de Alberto Sampaio, que implicariam a demolição Passo da Paixão (o que aconteceu no Verão de 1929) e a sua posterior transferência para o Campo da Feira. É possível que ainda tenha sido deslocado mais uma vez, em 1955, quando o Colégio de Nossa Senhora da Conceição estava em obras e a Irmandade recebeu da Câmara orientações que a obrigavam a proceder ao alinhamento do muro do Colégio e mudar o Passo, de acordo com o Plano de Urbanização.

Os Passos da Paixão de Guimarães (2)

Pelas notícias que chegam até nós, o Passo da Senhora da Guia terá sido o primeiro a ser erguido pela Irmandade da Consolação e Santos Passos, no ano de 1726. Encostava-se à Torre da Senhora da Guia. Dos sete passos da Via-sacra de Guimarães, este terá sido o único que nunca foi "deslocalizado", mantendo-se no mesmo sítio até aos dias de hoje.


Se este passo nunca mudou de sítio, o mesmo não terá acontecido com as imagens que o preenchiam. Segundo o Padre António Caldas, que escrevia no início da década de 1880, no Passo da Senhora da Guia estava representada a primeira queda do Redentor, mas o figurado que lá se encontra hoje representa um outro momento, com Cristo de pé, carregando a cruz. Não restam grandes dúvidas de que esta é a cena deverá ser a que estava representada no quadro de Roquemont de que aqui temos falado: a ser assim, estas imagens terão estado, inicialmente, no Passo do Carmo, onde, algum dia, deram lugar às que agora ali se encontram.

Os Passos da Paixão de Guimarães (1)

Nas primeiras décadas do século XVIII, os cerimoniais da Via-sacra em Guimarães, por altura da Quaresma, já eram organizados pela Irmandade da Consolação e Santos Passos. Para o efeito, distribuíam-se cruzes por diversos pontos da vila e a representação dos diferentes passos da Paixão de Cristo era feita por figurado vindo de Braga, em regime de aluguer. Em 1726, a Irmandade lançou mãos à obra de erigir, em diferentes locais da vila, uma Via-sacra em granito, composta por sete capelas de pequenas dimensões, preenchidas por figurado esculpido em madeira pintada, em tamanho natural. O primeiro Passo a ser instalado foi o da Senhora da Guia. No ano seguinte, com autorização do Cabido, instalava-se um outro, encostado à Colegiada, junto à Capela de S. Brás. Pela mesma altura, andavam em obras os Passos do Campo da Feira, de Santo António, do Toural e de S. Tiago. Ao todo, terão sido sete, mas temos alguma dificuldade em identificá-los a todos. Não há dúvidas quanto à localização de seis.
P…

Linho, o rei dos tecidos

A Casa dos Linhos era uma das lojas de comércio mais emblemáticas de Guimarães, dedicando-se à venda de enxovais. Prospecto publicitário que agradeço ao meu amigo Eduardo Jordão.

O mercado e as feiras de Guimarães (2)

Em dia de "Feira Afonsina", aqui se conclui uma breve peregrinação pelas feiras e mercados de Guimarães.

Em 1802, foi emitida uma provisão régia que ordenava que a feira do pão (venda de cereais), que tinha lugar na Praça da Oliveira, regressasse ao seu “antigo sítio”, no largo de S. Sebastião.

Em Maio de 1808, a Câmara proibiu as doceiras de montarem suas tendas no Toural, apenas autorizando que “se lhes concedesse licença unicamente para os sábados, às horas de feiras, por ser a feira pública em que se admitem todos e quaisquer feirantes”.

Em 1834, houve uma nova decisão de mudança da feira o pão para o terreiro de S. Francisco.
Em 1861, foi inaugurada uma nova feira, criada um ano antes pela Câmara. Devia estender-se por cinco dias. No entanto, estando prevista para os dias de 3 a 7 de Maio, apenas aconteceu nos dias 4 e 5.
No dia 31 de Agosto de 1842, foi decidido que as regateiras das aves, frutas, sementes, e outros géneros deveriam instalar os respectivos postos de venda j…

O mercado e as feiras de Guimarães (1)

A Praça do Mercado (velho), por Marques da Silva

A praça do mercado começou a ser instalada na cerca do antigo convento de S. Domingos no início da década de 1860. O seu projecto foi desenhado pelo Engenheiro Condutor Pedro Joaquim Ferreira, sob a direcção do Conselheiro Director das Obras Públicas do Minho, Plácido António de Abreu (decisão da Câmara Municipal de Junho de 1858). Apenas ficaria concluída quando a década de 1870 já ia bem andada.

Em 1926, foi encomendado ao arquitecto Marques da Silva um projecto para a construção da estrutura de apoio à praça do mercado, no local onde já funcionava havia mais de meio século. A obra teve o seu início no ano de 1930, tendo o mestre arquitecto procedido à revisão do projecto em 1932. A obra concluiu-se em 1937, tendo sido objecto de um projecto de ampliação em 1942, já executado por Maria José Marques da Silva e David Moreira da Silva, filha e genro de Marques da Silva.





Os materiais do projecto de Marques da Silva para o Mercado Municipal de Guimarães e suas revisões, encontram-se nas se…

O Toural (e outros tourais) e as feiras de gado

Segundo os dicionários, Toural (palavra derivada de touro) é um provincianismo de Bragança, significando o local onde se vende gado bovino. Encontrámos diversos sítios que adoptaram este topónimo, especialmente no Nordeste português e também na Galiza, onde foram contados, pelo menos, 16 lugares com este nome. Em Santiago de Compostela há uma Praza do Toural. Por regra, estes espaços tiveram a função de feira de gado. Assim aconteceu no Toural de Guimarães, embora essa função tenha desaparecido há muito. No início do século XVII, a feira de gado de Guimarães tinha lugar no Toural, praça que tinha uma configuração completamente diferente da actual: era um terreiro, com um chafariz de três taças num topo e um cruzeiro no outro. O seu limite do lado do nascente era formado pela muralha da vila. Das construções que então existiam nos lados do norte e do poente, essencialmente casas assobradadas com alpendres voltados para a praça, nenhuma chegou aos nossos dias. Além de funcionar como fei…

O Jardim do Carmo (6)

O primeiro local de implantação do tanque-chafariz do Carmo, após a sua transferência para a Rua de Santo António, no ano de 1890, é o que é visível na fotografia que vai acima. Em 1927, seria mudado um pouco mais para sul, para a entrada da travessa da Rua de Santo António, na reentrância onde agora se encontra um outro tanque, mais recente.

CEC 2012: o possível da utopia

Quando, há cinco anos, fomos surpreendidos com o anúncio de que Guimarães seria Capital Europeia da Cultura em 2012, cada um de nós formou a sua utopia, o seu falanstério, a sua civitas dei: a projecção do que Guimarães seria no início da segunda década do século XXI. Em larga medida, esta visão idealizada adquiriu contornos de realizável ao ser consagrada na candidatura ao título de Capital Europeia da Cultura, apresentada em Bruxelas. Estabelecia as bases para uma vigorosa movida cultural, associada a uma aposta na qualificação das pessoas e das instituições e na regeneração económica por via da cultura.
Esta utopia possível não resistiu ao confronto com a realidade. A conjuntura política, com mudanças sucessivas no Ministério da Cultura, associada à depressão económica, contribuiu para o abaixamento das expectativas iniciais. Mas o cerne do problema residiu no esfriamento da relação da cidade com a CEC, decorrente de opções infelizes quanto ao modelo de governo, à estrutura de gestã…

O Jardim do Carmo (5)

A observação em pormenor da planta do engenheiro Almeida Ribeiro permite perceber que os elementos que aparecem na primeira linha do antigo terreiro do Carmo, na pintura de que temos falado, atribuída a Roquemont, se encontram na disposição que tinham efectivamente (o chafariz encontrado à linha de casas que se lhe seguia para poente, com o tanque saliente, o Passo do lado do nascente e um pouco recuado em relação àquela linha). Na década de 1890, tendo em vista o alargamento do espaço onde seria implantado o jardim, o chafariz foi transferido para a Rua de Santo António, para o local onde hoje existe um tanque contemporâneo,  o passo, foi deslocado para junto da igreja do Carmo e as casas foram demolidas.
Assim sendo, continua a sobrar o mistério da torre. O mais certo é tratar-se de um exercício de inventiva do artista, que colocou numa nesga que se abria atrás do chafariz, entre construções mais elevadas (a nascente, o Passo, a poente, uma casa), um pormenor de uma torre que, tanto …