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Mensagens

A mostrar mensagens de Julho, 2009

Onde está a certidão?

Leio e espanto-me (ou talvez não...):

O professor da Universidade Nova de Lisboa e comissário das comemorações dos 900 anos do nascimento de D. Afonso Henriques, afirmou, em pleno Rossio - Viseu, que ‘se há cidade que prova o nascimento de D. Afonso Henriques é Viseu’. Guimarães também reivindicou o nascimento do monarca. Porém, no entender de João Silva, ‘sem provas documentais, agarrou-se apenas à tradição’, enquanto Viseu se baseou em ‘documentos históricos’.

Pelos vistos, a acreditar no que aí vai, já foram descobertos "documentos históricos" que comprovam que D. Afonso Henriques nasceu em Viseu. Só não se percebe porque é que não são divulgados. E se nos mostrassem as "provas documentais"?

Já aqui se disse e se repetiu: a questão do local do nascimento de Afonso Henriques é, na nossa História, uma questão menor. Mas, mesmo quando trata de simples minudências, historiador que se preze não deixa que a paixão bairrista se sobreponha ao rigor. Impõe-se, por isso, que…

25 de Julho: 1109-1139-2009

"D. AFONSO I - REI DE PORTUGAL
Nasceu a 25 de Julho de 1109 - Morreu a 6 de Dezembro de 1185."
Gravura de Gabriel M. ROUSSEAU, da Série Reis de Portugal, c. 1734 (Biblioteca Nacional)

"Ano de 1139. Aos 25 de Julho, na festa de S. Tiago Apóstolo, no décimo primeiro ano do seu reinado, o mesmo rei D. Afonso travou um grande combate com o rei dos Sarracenos, de nome Esmar, num lugar que se chama Ourique. Efectivamente, aquele rei dos Sarracenos, conhecendo a coragem e a audácia do rei D. Afonso, e vendo que ele frequentemente entrava na terra dos Sarracenos e fazia muito grandes pilhagens e enfraquecia os seus domínios, quis, se fazê-lo pudesse, encontrá-lo incauto e despercebido em qualquer parte para travar batalha com ele. Por isso, uma vez, quando o rei D. Afonso com o seu exército entrava por terra dos Sarracenos e estava no coração das suas terras, o rei sarraceno Esmar, tendo reunido uma infinita multidão de sarracenos de países de além-mar, que trouxera consigo e daq…

Amanhã

"Amanhã podem ser assinalados dois factos essenciais da nossa história: em primeiro lugar, os 900 anos sobre o nascimento de D. Afonso Henriques; depois, os 870 anos sobre a Batalha de Ourique. Quanto ao nascimento do fundador da nacionalidade, as dúvidas são muitas acerca da data (Julho ou Agosto) e do local (Guimarães, Coimbra ou Viseu) – e é uma pena, embora durante muito tempo se convencionasse ser o dia 25 de Julho.

D. Afonso merecia melhor sorte na nossa memória e na galeria de personagens a comemorar. De figura lendária e heróica, colecionada em cromos durante a infância, o primeiro dos nossos reis passou a figura pouco recomendável e sujeita a escrutínio rigoroso. Achamo-lo uma velharia e damos-lhe pouca importância. Parece, muitas vezes, que o país não é nosso."

Francisco José Viegas, escritor, 24 de Julho de 2009

A Comarca de Guimarães em 1739

Comarca de Guimarães

A três léguas de distância da Cidade de Braga, nove, pouco menos, da Cidade do Porto, e sessenta da Cidade de Lisboa foi fundada a Capital desta Comarca pelos Galos Celtas mil e quinhentos anos antes da vinda de Cristo, e foi conhecida na antiguidade com muitos nomes, e que o principal foi Araduza. Conquistaram-na aos Mouros os Reis de Leão, e foi uma das terras principais do dote, que Afonso VI deu ao nosso Conde D. Henrique. Pôs nele este Príncipe a sua Corte dando-lhe foral pelos anos de 1090 e tem a prerrogativa de ser pátria do primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques.

Está situada em 41 gr. e 34 min. de latitude, e 10 e 26 min. de long. entre os rios Ave, Selho e Vizela, que por todas as partes a circundam e fertilizam. El-Rei D. Diniz a rodeou de vistosas e fortes muralhas, com nove portas e sete altas torres, que tudo se inclui na circunferência de três mil seiscentos e oitenta e cinco passos geométricos. Goza de voto em Cortes com assento no banco ter…

D. Afonso Henriques

Gravura publicada in Pedro de Mariz, Diálogos de Vária História, Coimbra, 1598

D. Afonso Henriques, 1.º Rei.

Nenhum Príncipe mereceu mais justamente o título de Herói famoso, e o nome de primeiro Hércules Lusitano, que o preclaro, e soberano Rei D. Afonso Henriques; porque se meditarmos os preciosos trabalhos, que passou na ampliação da Fé, e estabelecimento da Monarquia Portuguesa, não lhe fica o epíteto fabuloso, mas tão verdadeiro, que o excede.

Teve o seu nascimento na Vila de Guimarães, (primeiro Sólio, e Corte dos Príncipes Portugueses) a 25 de Julho de 1109 conforme o melhor cálculo e sendo seu nascimento festejado, assim como era útil, moderou o contentamento de pais, e vassalos um defeito corporal em sua pessoa. Dos braços de sua ama Dona Ausenda passou logo à cultura, e instrução de Egas Moniz, varão de maduro juízo, e destinado para seu Aio. Este por contínuas deprecações alcançou da puríssima Virgem saúde, e desembaraço aos pés do Príncipe, colocando-o por divina revelação no altar da imagem da Senhora de Cárquere junto a Lamego, prodígio, que referem quase todos os nossos Histori…

Vimaranenses: João Evangelista de Morais Sarmento

Embora não fosse nascido em Guimarães, João Evangelista, adoptou a nossa terra como pátria e aqui faleceu, sendo sepultado na capela da Venerável Ordem Terceira Franciscana, é de justiça pois que nós lhe confiramos um lugar nesta galeria.

Apresentamo-lo, transcrevendo sua biografia do Dicionário Popular, excelente publicação dirigida pelo Exmo Pinheiro Chagas:

“Distinto poeta português, n. no Porto a 16 de Dezembro de 1775, sendo filho de Francisco José de Gouveia Morais Sarmento, oficial da tesouraria geral das tropas. Em 1787 morreu seu pai, e ficou o moço João Evangelista entregue aos cuidados de sua mãe, que desejou que ele seguisse a carreira de medicina. Estudou humanidades no Porto, e aos 18 anos era já conhecido entre os seus condiscípulos como poeta apreciável, quando partiu para Coimbra, um pouco contra vontade, mas para obedecer aos desejos de sua mãe, e tomou o grau de bacharel em medicina em 1801. Voltou então para o Porto a exercer clínica, e, apesar de se ter formado com …

Dos nomes: o Chafariz "do Carmo" e Sarmento na toponímia

Nos últimos dias tenho lido e ouvido chamar chafariz ou fonte do Carmo ao chafariz do Toural que, depois de três séculos no seu lugar original (e natural), foi transferido para a base do Monte Latito, entre o antigo Convento do Carmo e a casa de Martins Sarmento. A verdade é que existe mesmo uma fonte (ou tanque) do Carmo. Esteve, por séculos, encostada ao Convento do Carmo, de onde foi transferido para a Rua de Santo António, encontrando-se hoje na Rua Dr. João da Mota Prego (atrás do edifício dos Correios). Também se chama vulgarmente de Largo do Carmo ao largo que há muito ostenta o nome de Martins Sarmento. Aliás, o prestigiado arqueólogo vimaranense Francisco Martins Sarmento tem o seu nome em pelo menos quinze ruas, avenidas ou praças espalhadas de Norte a Sul de Portugal. Num rápido exercício, identificámos as seguintes presenças de Sarmento na toponímia portuguesa:

Guimarães‎
Largo Martins Sarmento, Oliveira do Castelo
Rua Francisco Martins Sarmento, S. Salvador de Briteiros
Rua M…

Vimaranenses: Conde de Azenha

Está na memória de todos os nossos leitores o esplendor principesco, bem como a lhaneza e afabilidade com que o Conde de Azenha recebia nos seus sumptuosos salões tudo o que de mais selecto havia nesta cidade ou que a ela concorria.

As nobres qualidades, a elevada posição e os serviços prestados a esta cidade e ao país por Bernardo Correia Leite de Morais Almada e Castro dão-lhe ingresso nesta secção do nosso humilde semanário. Foi um vimaranense ilustre, de quem muito se ufana nossa terra.

Nasceu aqui a 20 de Outubro de 1806, filho do 1.º visconde de Azenha, Martinho Correia de Morais e Castro a de sua esposa D. Gracia Leite de Almada Machado e Melo.

A carreira das armas, em que seus maiores tanto haviam brilhado foi seguida por Bernardo Correia alistando-se em 1818 no regimento de cavalaria 9, sendo despachado alferes deste corpo em Março de 1820 quando apenas cantava a idade de 14 anos.

A 24 de Agosto deste ano rebenta a revolução liberal, cujas ideias o moro alferes não quis abraçar, …

De novo o Toural

[Foto de Eduardo Brito]

O Jornal O Comércio de Guimarães começa a desvendar o que será a intervenção no Toural. Ainda sem ter lido a notícia, direi que o regresso do Chafariz do Toural (impropriamente designado "Fonte do Carmo") ao seu lugar de origem é um bom pronúncio para a intervenção que se avizinha. A concretizar-se a transferência do chafariz, Guimarães devolverá visibilidade a um dos seus ex-libris.


O Chafariz do Toural antes da sua mudança para o Largo Martins Sarmento
[Arquivo Pitoresco, VII, 1864, p.217]

O Chafariz do Toural
Sobre o Chafariz do Toural
Do Toural: 2. Das fontes e dos monumentos