31 de julho de 2009

Onde está a certidão?

Leio e espanto-me (ou talvez não...):

O professor da Universidade Nova de Lisboa e comissário das comemorações dos 900 anos do nascimento de D. Afonso Henriques, afirmou, em pleno Rossio - Viseu, que ‘se há cidade que prova o nascimento de D. Afonso Henriques é Viseu’. Guimarães também reivindicou o nascimento do monarca. Porém, no entender de João Silva, ‘sem provas documentais, agarrou-se apenas à tradição’, enquanto Viseu se baseou em ‘documentos históricos’.


Pelos vistos, a acreditar no que aí vai, já foram descobertos "documentos históricos" que comprovam que D. Afonso Henriques nasceu em Viseu. Só não se percebe porque é que não são divulgados. E se nos mostrassem as "provas documentais"?

Já aqui se disse e se repetiu: a questão do local do nascimento de Afonso Henriques é, na nossa História, uma questão menor. Mas, mesmo quando trata de simples minudências, historiador que se preze não deixa que a paixão bairrista se sobreponha ao rigor. Impõe-se, por isso, que se exibam os "documentos históricos" de que se fala .
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25 de julho de 2009

25 de Julho: 1109-1139-2009

"D. AFONSO I - REI DE PORTUGAL
Nasceu a 25 de Julho de 1109 - Morreu a 6 de Dezembro de 1185."
Gravura de Gabriel M. ROUSSEAU, da Série Reis de Portugal, c. 1734 (Biblioteca Nacional)

"Ano de 1139. Aos 25 de Julho, na festa de S. Tiago Apóstolo, no décimo primeiro ano do seu reinado, o mesmo rei D. Afonso travou um grande combate com o rei dos Sarracenos, de nome Esmar, num lugar que se chama Ourique. Efectivamente, aquele rei dos Sarracenos, conhecendo a coragem e a audácia do rei D. Afonso, e vendo que ele frequentemente entrava na terra dos Sarracenos e fazia muito grandes pilhagens e enfraquecia os seus domínios, quis, se fazê-lo pudesse, encontrá-lo incauto e despercebido em qualquer parte para travar batalha com ele. Por isso, uma vez, quando o rei D. Afonso com o seu exército entrava por terra dos Sarracenos e estava no coração das suas terras, o rei sarraceno Esmar, tendo reunido uma infinita multidão de sarracenos de países de além-mar, que trouxera consigo e daqueles que moravam do lado de cá do mar, no termo de Sevilha, de Badajoz, de Elvas, de Évora, de Beja e de todos os castelos até Santarém, vieram ao encontro dele para lutar contra ele, confiando na força do grande número e do seu exército, porque era tanto mais numeroso quanto também aí as mulheres estiveram presentes que combatiam como num ritual de amazonas, como depois se provou por aquelas que no fim se encontraram mortas. Uma vez que o rei D. Afonso estava com poucos dos seus e estava num certo promontório em tendas fixas e foi cercado e bloqueado de todos os lados pelos Sarracenos de manhã até à noite, como estes queriam atacar e invadir o acampamento dos cristãos, alguns soldados escolhidos investiram contra eles, combatendo arduamente com eles, expulsando-os do acampamento, fizeram neles grande carnificina e separaram-nos. Como o rei Esmar visse isto, isto é, o valor dos Cristãos, e porque estes estavam preparados mais para vencer ou morrer do que para fugir, ele próprio se pôs em fuga e todos os que estavam com ele, e toda aquela multidão de infiéis foi aniquilada e dispersa quer pela matança quer pela fuga. Também Esmar, o rei deles, vencido, escapou pela fuga, tendo sido preso ali um seu sobrinho e neto do rei Ali, de nome Omar Atagor; e foram mortos inúmeros homens da sua parte, e assim D. Afonso, sendo protegido pela graça divina, obteve um grande triunfo sobre os inimigos e, desde aquela ocasião, a força e a audácia dos Sarracenos enfraqueceu muitíssimo."

Anais de D. Afonso Henriques (Chronica Gothorum), séc. XII [Tradução de Agostinho Ferreira]
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24 de julho de 2009

Amanhã

"Amanhã podem ser assinalados dois factos essenciais da nossa história: em primeiro lugar, os 900 anos sobre o nascimento de D. Afonso Henriques; depois, os 870 anos sobre a Batalha de Ourique. Quanto ao nascimento do fundador da nacionalidade, as dúvidas são muitas acerca da data (Julho ou Agosto) e do local (Guimarães, Coimbra ou Viseu) – e é uma pena, embora durante muito tempo se convencionasse ser o dia 25 de Julho.

D. Afonso merecia melhor sorte na nossa memória e na galeria de personagens a comemorar. De figura lendária e heróica, colecionada em cromos durante a infância, o primeiro dos nossos reis passou a figura pouco recomendável e sujeita a escrutínio rigoroso. Achamo-lo uma velharia e damos-lhe pouca importância. Parece, muitas vezes, que o país não é nosso."

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23 de julho de 2009

A Comarca de Guimarães em 1739


Comarca de Guimarães


A três léguas de distância da Cidade de Braga, nove, pouco menos, da Cidade do Porto, e sessenta da Cidade de Lisboa foi fundada a Capital desta Comarca pelos Galos Celtas mil e quinhentos anos antes da vinda de Cristo, e foi conhecida na antiguidade com muitos nomes, e que o principal foi Araduza. Conquistaram-na aos Mouros os Reis de Leão, e foi uma das terras principais do dote, que Afonso VI deu ao nosso Conde D. Henrique. Pôs nele este Príncipe a sua Corte dando-lhe foral pelos anos de 1090 e tem a prerrogativa de ser pátria do primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques.

Está situada em 41 gr. e 34 min. de latitude, e 10 e 26 min. de long. entre os rios Ave, Selho e Vizela, que por todas as partes a circundam e fertilizam. El-Rei D. Diniz a rodeou de vistosas e fortes muralhas, com nove portas e sete altas torres, que tudo se inclui na circunferência de três mil seiscentos e oitenta e cinco passos geométricos. Goza de voto em Cortes com assento no banco terceiro. Nela se venera a prodigiosa imagem de N. Senhora da Oliveira, que a tradição afirma a trouxera Santiago a Espanha, à qual é dedicada a insigne Colegiada, fundação de Mumadona, tia de D. Ramiro II, Rei de Leão para Mosteiro de Religiosos e Freiras de S. Bento; porém El-Rei D. Afonso Henriques a fez Colegiada, e El-Rei D. João o I a reedificou pelos anos de 1425.

O seu Cabido se compõe de um Prior data de Sua Majestade com perto de três contos de renda, Chantre com seiscentos mil réis, Arcediago de Vilacova com duzentos e vinte mil réis, Arcediago de Sobradelo com trezentos mil réis, Tesoureiro-mor com quatrocentos e cinquenta mil réis, Mestre-Escola com quatrocentos e sessenta mil réis, e Arcipreste com quatrocentos e quarenta mil réis. As prebendas, que nos seus princípios não passavam de três mil réis, hoje são quinze, e chegam a render cada uma duzentos e trinta mil réis. Tem mais a Colegiada oito meios Cónegos, seis Capelães e quarenta e seis Clérigos para a assistência dos enterros, todos com consideráveis emolumentos.

Enobrecem muito esta Vila os muitos edifícios públicos, a saber, quatro Freguesias, em que se dividem os seus moradores, que são a Colegiada, S. Paio, S. Sebastião, e S. Miguel do Castelo, em que foi baptizado o Senhor Rei D. Afonso Henriques, e duas mais nos arrabaldes, Casa de Misericórdia, e os Hospitais de S. Lázaro, S. Paio e S. Domingos, e os Conventos de S. Francisco, de S. Domingos, de Capuchos de S. António, o de S. Clara de Religiosas Franciscanas, de Santa Rosa de Dominicas, o Colégio dos Padres Jesuítas, e dois Recolhimentos, o de N. Senhora das Mercês, e o de S. Isabel, e extramuros o Convento de S. Marinha da Costa de Religiosos de São Jerónimo.

Os edifícios particulares consistem nas casas de morada de muitas famílias nobres, que habitam nesta Vila, e são Administradores de cinquenta e quatro morgados, que se fundarão por pessoas naturais dela, com grandes rendimentos de fazendas, com que vivem opulenta e luzidamente.

Reside nela o Corregedor da sua Comarca, Ministro de letras, cujo cargo teve principia neste Reino pelos anos de 1372. À sua conta está a emenda e castigo dos malefícios que na Comarca se cometem, para cujo efeito a corre cada ano em correição, e andando nela pode conhecer de tudo: castiga, prende, suspende os Juízes, e mais oficiais, os quais são obrigados a dar-lhe conta dos casos mais graves, que sucedem nos seus distritos, para ele a dar a S. Majestade: conhece por agravo, que para ele se interpõe dos Juízes dos fora, e provê, como lhe parece justo, porque só por agravo pode tomar conhecimento dos defeitos, salvo no tempo da correição.

Também tem nela sua residência ordinária o Provedor da Comarca, lugar de letras, instituído para arrecadação das rendas reais, e para tratar dos bens dos órfãos, viúvas, Capelas, defuntos, e ausentes, que vai todos os anos em correição para prover nestes particulares, e nos das Confrarias: conhece por agravo, que para ele se interpõem, dos Juízes dos órfãos, porque nestes casos não se intrometem os Corregedores. Toma conta aos testamenteiros e tutores, provê a serventia dos ofícios das terras, e faz executar sem apelação nem agravo o que cabe na sua alçada.

Tem mais Juiz de fora, cargo que teve principio no tempo de El-Rei D. Manuel: é também lugar de letras para conhecimento das injúrias e das devassas. Não pode sair do lugar do seu julgado durante o seu triénio. Tem mais Juiz dos órfãos, Juiz ordinário, Vereadores, e Meirinhos, e Escrivães, e porque todas as Cidades, e Vilas capitais das Comarcas de governam com Ministros de semelhante jurisdição por não repetir em cada uma delas uma mesma coisa, para em todas fica aqui advertido coma singularidade de que nas terras, que são de Donatários, como Valença, Crato, etc., não usam os Ministros do nome de Corregedores, se não de Ouvidores, ainda que não há diferença na jurisdição.

Tem a Comarca de que esta Vila é capital quatro Vilas, vinte Concelhos, catorze Coutos e três Honras com trezentas e trinta Paróquias com mais de quarenta mil fogos, e perto de cento e cinquenta mil almas (…).

in Antonio de Oliveira Freire, Descripçam corografica do Reyno de Portugal, que contem huma exacta relaçam de suas provincias... – Lisboa, na Off. de Miguel Rodrigues, 1739, pp. 23-26.
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22 de julho de 2009

20 de julho de 2009

D. Afonso Henriques, 1.º Rei.


Nenhum Príncipe mereceu mais justamente o título de Herói famoso, e o nome de primeiro Hércules Lusitano, que o preclaro, e soberano Rei D. Afonso Henriques; porque se meditarmos os preciosos trabalhos, que passou na ampliação da Fé, e estabelecimento da Monarquia Portuguesa, não lhe fica o epíteto fabuloso, mas tão verdadeiro, que o excede.

Teve o seu nascimento na Vila de Guimarães, (primeiro Sólio, e Corte dos Príncipes Portugueses) a 25 de Julho de 1109 conforme o melhor cálculo e sendo seu nascimento festejado, assim como era útil, moderou o contentamento de pais, e vassalos um defeito corporal em sua pessoa. Dos braços de sua ama Dona Ausenda passou logo à cultura, e instrução de Egas Moniz, varão de maduro juízo, e destinado para seu Aio. Este por contínuas deprecações alcançou da puríssima Virgem saúde, e desembaraço aos pés do Príncipe, colocando-o por divina revelação no altar da imagem da Senhora de Cárquere junto a Lamego, prodígio, que referem quase todos os nossos Historiadores, e de que parece duvidar Mons. de la Clede.

Corria o ano 1125, e o ínclito Príncipe contava dezasseis de idade, quando na Igreja Catedral de Zamora, que por este tempo estaria sujeita à Coroa de Portugal, ele mesmo se armou Cavaleiro, tomando as insígnias militares do altar do Salvador. Passados dois anos, considerando-se já em idade competente de poder suster o Ceptro, intentou dar princípio ao seu governo. Duvidou a Rainha sua mãe, que até ali governava, entregar-lhe o domínio, e foi preciso ao filho excluí-la por força de armas, à custa de uma escandalosa batalha, que lhe ganhou no campo de S. Mamede junto a Guimarães em 24 de Junho de 1128.

João Baptista de Castro, Mapa de Portugal Antigo e Moderno, Tomo I, Lisboa, 1762, pp. 286-287.
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6 de julho de 2009

Vimaranenses: João Evangelista de Morais Sarmento

Embora não fosse nascido em Guimarães, João Evangelista, adoptou a nossa terra como pátria e aqui faleceu, sendo sepultado na capela da Venerável Ordem Terceira Franciscana, é de justiça pois que nós lhe confiramos um lugar nesta galeria.

Apresentamo-lo, transcrevendo sua biografia do Dicionário Popular, excelente publicação dirigida pelo Exmo Pinheiro Chagas:

“Distinto poeta português, n. no Porto a 16 de Dezembro de 1775, sendo filho de Francisco José de Gouveia Morais Sarmento, oficial da tesouraria geral das tropas. Em 1787 morreu seu pai, e ficou o moço João Evangelista entregue aos cuidados de sua mãe, que desejou que ele seguisse a carreira de medicina. Estudou humanidades no Porto, e aos 18 anos era já conhecido entre os seus condiscípulos como poeta apreciável, quando partiu para Coimbra, um pouco contra vontade, mas para obedecer aos desejos de sua mãe, e tomou o grau de bacharel em medicina em 1801. Voltou então para o Porto a exercer clínica, e, apesar de se ter formado com pouco gosto, não tardou a granjear fama de excelente médico, sendo tido ao mesmo tempo como um dos mais talentosos poetas dessa cidade. Era sobretudo óptimo improvisador, e por isso muito estimado nas salas, onde era moda então a cada instante glosarem-se em décimas e sonetos os motes que as damas procuravam fazer finos e conceituosos. Tinha além disso grandes faculdades oratórias, e como lhe eram inúteis numa época em que não havia assembleias deliberativas, e em que só lhe estavam abertos por conseguinte os campos do foro e do púlpito, em que ainda assim não podia entrar por não ser advogado, nem padre, desabafou escrevendo vários sermões que foram pregados por alguns padres, que os recitavam como seus, nos púlpitos de Guimarães e do Porto. Infelizmente o espírito de João Evangelista era como a alma da Raquel, no dizer de um chefe árabe, de fogo num corpo de gaze. Excessivamente nervoso e débil, sofria muito, e em 1823 teve um primeiro ataque de paralisia, de que se curou, ficando contudo arruinado, sempre num tremor convulso e quase não podendo sair. Não tardou a repetir-se o ataque, enclausurando-o de todo, até que uma pleurisia, seguida por um hidrotórax agudo, veio pôr termo à sua vida angustiosa no dia 20 de Outubro de 1826, tendo apenas 53 anos de idade. Foi casado duas vezes, mas de nenhuma das esposas teve filhos.

João Evangelista publicara muito poucos versos, mas em 1847 alguns amigos seus que ainda viviam, e que possuíam a colecção dos seus versos, revista e emendada por ele mesmo antes de morrer, resolveram publicá-la com o título singelo de Poesias, precedida da biografia do autor. Consta esse volume de 47 sonetos, uma quadra glosada, uma cantada, 11 odes, 7 elegias e outras composições, colcheias, motes glosados, a tradução em verso do Rhadamisto de Crébillon, e um panegírico em prosa de S. Jerónimo.

“O exame das poesias de João Evangelista, diz Inocêncio, nos mostra que este poeta, aluno da escola francesa, era a muitos respeitos digno do alto conceito era que o tiveram os seus contemporâneos. As suas composições agradam pela energia e brilho dos pensamentos, traduzidos quase sempre em versos sonoros e bem limados. Afigura-se-me contudo que a sua locução nem sempre é tão correcta como seria para desejar. Escapam-lhe amiúde certas impropriedades de linguagem, que som dúvida evitaria, se em vez de dar-se de preferência ao estudo dos livros franceses, tivesse tido mais acurada lição dos nossos antigos clássicos. Neles acharia decerto cópia e abundância de vocábulos, adquirindo mais profundo conhecimento das riquezas do idioma pátrio que, bem se vê, lhe faltou.

Entre os sonetos de João Evangelista figura um que principia Por Márcia o deus de amor de amor morrendo, soneto do que se dizia que seria excelente se não padecesse do mormo, porque tem, como se vê, a cacofonia de amor morrendo. A um poetastro que fizera um soneto igual defeito, dirigiu o pai do director deste Dicionário um soneto que ainda se conserva inédito e em que alude da seguinte forma ao de João Evangelista:

O soneto que mormo padecia
Em toda a mais feitura era um portento.

Quando João Evangelista ainda era estudante da universidade escreveu uma ode para ser recitada no dia em que os alunos da universidade tencionavam celebrar a notícia de se achar grávida a princesa do Brasil D. Carlota Joaquina. Não puderam os editores das Poesias encontrar um exemplar qualquer dessa ode. Encontrou-o Barbosa Marreca que o reimprimiu na Revista Universal, tirando alguns exemplares à parte em 1847.”

[João Gomes de Oliveira Guimarães, in O Espectador, n.º 50, Guimarães, 16 de Outubro de 1884]
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4 de julho de 2009

Dos nomes: o Chafariz "do Carmo" e Sarmento na toponímia

Nos últimos dias tenho lido e ouvido chamar chafariz ou fonte do Carmo ao chafariz do Toural que, depois de três séculos no seu lugar original (e natural), foi transferido para a base do Monte Latito, entre o antigo Convento do Carmo e a casa de Martins Sarmento. A verdade é que existe mesmo uma fonte (ou tanque) do Carmo. Esteve, por séculos, encostada ao Convento do Carmo, de onde foi transferido para a Rua de Santo António, encontrando-se hoje na Rua Dr. João da Mota Prego (atrás do edifício dos Correios). Também se chama vulgarmente de Largo do Carmo ao largo que há muito ostenta o nome de Martins Sarmento. Aliás, o prestigiado arqueólogo vimaranense Francisco Martins Sarmento tem o seu nome em pelo menos quinze ruas, avenidas ou praças espalhadas de Norte a Sul de Portugal. Num rápido exercício, identificámos as seguintes presenças de Sarmento na toponímia portuguesa:

Guimarães‎
Largo Martins Sarmento, Oliveira do Castelo
Rua Francisco Martins Sarmento, S. Salvador de Briteiros
Rua Martins Sarmento, Ronfe
Rua Martins Sarmento, Serzedelo
Avenida Francisco Martins Sarmento, Caldelas.

Em Braga‎:
Rua Martins Sarmento, São José de São Lázaro

Em Vila Nova de Famalicão
Rua Martins Sarmento, Calendário

Na Trofa
Rua Martins Sarmento, São Martinho de Bougado

No Porto
Rua de Martins Sarmento, Paranhos

Na Póvoa de Varzim
Rua Francisco Martins Sarmento, A Ver-o-Mar

Em Valongo
Travessa Martins Sarmento, Sobrado

Em Lisboa
Rua Martins Sarmento, Penha de França

Na Amadora:
Praça Martins Sarmento, Urbanização Serra das Brancas, Mina.

Em Sintra
Rua Francisco Martins Sarmento, Agualva

Em Setúbal
Rua Martins Sarmento, Fontainhas, Fernão Ferro, Seixal
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2 de julho de 2009

Vimaranenses: Conde de Azenha

Está na memória de todos os nossos leitores o esplendor principesco, bem como a lhaneza e afabilidade com que o Conde de Azenha recebia nos seus sumptuosos salões tudo o que de mais selecto havia nesta cidade ou que a ela concorria.

As nobres qualidades, a elevada posição e os serviços prestados a esta cidade e ao país por Bernardo Correia Leite de Morais Almada e Castro dão-lhe ingresso nesta secção do nosso humilde semanário. Foi um vimaranense ilustre, de quem muito se ufana nossa terra.

Nasceu aqui a 20 de Outubro de 1806, filho do 1.º visconde de Azenha, Martinho Correia de Morais e Castro a de sua esposa D. Gracia Leite de Almada Machado e Melo.

A carreira das armas, em que seus maiores tanto haviam brilhado foi seguida por Bernardo Correia alistando-se em 1818 no regimento de cavalaria 9, sendo despachado alferes deste corpo em Março de 1820 quando apenas cantava a idade de 14 anos.

A 24 de Agosto deste ano rebenta a revolução liberal, cujas ideias o moro alferes não quis abraçar, seguindo para Trás-os-Montes onde em 1823, ano em que foi honrado com o título de visconde, acompanhou o Marquez de Chaves, que levantara o grito de revolta contra o sistema constitucional, sendo então promovido a capitão e neste posto emigra em 1820 para a Espanha por efeitos da revolução deste ano, em que foi caudilho em Trás-os-Montes o mesmo Marquês de Chaves. Por tal motivo foi demitido do exército.

Restaurado o governo absoluto com a vinda D. Miguel, volta à pátria e de novo em Outubro de 1828 lhe é restituído o antigo posto, sendo em Março seguinte nomeado coronel comandante do batalhão de voluntários realistas do Guimarães. Em 1832 D. Miguel nomeia-o seu ajudante de Campo.

Terminada a guerra civil e implantado o sistema constitucional, retira-se o 2.° visconde de Azenha para Guimarães, vivendo apartado da política e perdendo todos os seus títulos.

Em 1846, porém, adere ao sistema actual e é lhe confirmado o título de visconde e acompanhando o marechal Saldanha no movimento que na nossa história contemporânea recebeu o nome de Regeneração, é admitido novamente às fileiras, dando-se-lhe o seu antigo posto de capitão, no qual se conservou até 1866, sendo então reformado no posto de major.

Era 1852, 27 de Setembro, foi elevado a conde e foi eleito deputado para a legislatura desse ano a 1853; ocupou o cargo de governador civil do distrito de Braga desde 20 de Junho de 1859 a 14 de degenero de 1860 e foi condecorado com os hábitos e comendas das Ordens de Cristo, Conceição, Avis, Torre Espada, Conde de Palatino, medalha da acrisolada fidelidade Transmontana de prata.
Foi o Conde de Azenha senhor d Morgado de Parada do Infanções, casa de Carvalho, por sucessão a seu pai, senhor dos morgados da Gulpilheira, Azenha e Cainos, S. Clemente ou Golias, padroeiro da Misericórdia de Arrifana de Sousa por sucessão de sua mãe. Casou a 29 de Setembro de l830 com D. Maria Custódia Clemência dos Anjos do Sousa e Gouveia, Senhora do Morgado de Freixo de Numão, de quem leve três filhas e um filho, o actual conde de Azenha, o Exm.° Inácio de Morais Correia de Castro Leite de Almada, nascido a 15, de Junho de 1832.

O primeiro conde de Azenha faleceu a 2 de Dezembro de 1869 e no dia 23 foram celebrados os ofícios fúnebres na igreja de S. Francisco. Grande pompa se desenvolveu neste acto. Em volta do catafalco, que se levantava no centro do cruzeiro, 26 pobres dominicos e franciscanos com tochas acesas e 12 criados fardados oravam pelo finado.

Cantou a missa e presidiu ao funeral o Rev.mo Chantre, acolitado pelos cónegos Freitas Costa e Leite e a missa e ofício a música sendo executada pela orquestra de D. Jerónimo, que cantou o ofício de D. Miguel, assim denominado por haver sido composto para as exéquias celebradas por alma deste filho de D. João VI.

Prestou as honras militares ao finado o regimento de infantaria n.° 6, recebendo a chave do caixão o Ex.mo Visconde de Lindoso.

[João Gomes de Oliveira Guimarães, in O Espectador, n.º 50, Guimarães, 16 de Outubro de 1884]

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1 de julho de 2009

De novo o Toural

[Foto de Eduardo Brito]

O Jornal O Comércio de Guimarães começa a desvendar o que será a intervenção no Toural. Ainda sem ter lido a notícia, direi que o regresso do Chafariz do Toural (impropriamente designado "Fonte do Carmo") ao seu lugar de origem é um bom pronúncio para a intervenção que se avizinha. A concretizar-se a transferência do chafariz, Guimarães devolverá visibilidade a um dos seus ex-libris.


O Chafariz do Toural antes da sua mudança para o Largo Martins Sarmento
[Arquivo Pitoresco, VII, 1864, p.217]


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