29 de setembro de 2011

Imprensa vimaranense (1)

"O Azemel Vimaranense"
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O primeiro jornal que se publicou em Guimarães foi O Azemel Vimaranense. Saiu entre 1822 e 1823. Era defensor das ideias liberais. Foi fundado pelo egresso (ex-clérigo) Jerónimo Rodrigo,  e por Joaquim de Meneses e. José de Sousa Bandeira, Manuel Luís Pereira Pinheiro de Gouveia e José Joaquim Vieira (proprietário da tipografia). Todos eles foram objecto de perseguições no contexto das lutas entre liberais e absolutistas.
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28 de setembro de 2011

Os Passos da Paixão de Guimarães (conclusão)


O antigo Passo dos Laranjais,
segundo Guilherme Camarinha
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O antigo Passo da Porta da Vila,
segundo Guilherme Camarinha
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Os Passos da Paixão de Guimarães são um conjunto de oratórios erigidos pela Irmandade da Consolação e Santos Passos no segundo quartel do século XVIII. Representavam, através de conjuntos de esculturas polícromas de madeira em tamanho natural, sete das estações da Via-sacra da Paixão de Cristo. Por força das alterações que as ruas e as praças da cidade foram sofrendo nos séculos XIX e XX, apenas uma destas capelas se encontra actualmente no seu sítio original. As esculturas que as preenchem foram também muito mexidas ao longo do tempo.


Em finais de 1993, o conjunto da Igreja e oratórios dos Santos Passos de Nossa Senhora da Consolação foi objecto de classificação como Imóvel de Interesse Público. Esta classificação apenas abrange, além da igreja, os quatro Passos que àquela data estavam de pé (Senhora da Guia, Campo da Feira, Rua de Santa Maria e Carmo), excluindo o do Largo da Misericórdia, que seria reconstruído no ano seguinte ao da classificação.


Continuam a faltar os dois Passos desmontados em meados do século XX (o dos Laranjais e o da Porta da Vila, que ultimamente esteve encostado à torre da igreja de S. Dâmaso).
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27 de setembro de 2011

Os Passos da Paixão de Guimarães (9)


O Passo do Largo da Misericórdia.
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Figurado do Passo do Largo da Misericórdia.
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O último dos Passos visitado nesta peregrinação pela Via-sacra de Guimarães é o do Largo da Misericórdia, que originalmente esteve noutros lugares, não havendo certezas quanto à sua localização inicial. Segundo o Padre António Caldas, teria estado originalmente no Largo de S. Bento. Encontro, nas Efemérides Vimaranenses de João Lopes de Faria, uma referência do dia 5 de Novembro de 1845, a propósito da demolição da Torre de S. Bento, que implicaria o desmantelamento da capela de S. Bento, que pertenceria ao Cabido. Esta capela não é, seguramente, o Passo que procuramos (além do mais, este era propriedade da Irmandade da Consolação e Santos Passos). Por outro lado, encontro, nas contas daquela Irmandade, uma nota de pagamento de 1765, ao carpinteiro João Baptista, por trabalhos que executou no Passo da Rua de Valdonas. Deve ser este o Passo que o Padre Caldas colocou no Largo de S. Bento. Não conseguimos saber quando foi levado para ali, mas sabemos que em meados do século XIX havia um Passo da Paixão no Campo da Misericórdia, como o mostra uma fotografia anterior a 1870 (ver abaixo). Seria transferido em 1879 para a Rua de Santo António, onde ficou encostado à antiga muralha. Seria demolido em meados de Julho de 1897.

O terreiro da Misericórdia, antes de 1870.
À direita, um Passo da Paixão.
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O Passo da Misericórdia em 1863
Pormenor de gravura do Archivo Pittoresco, 6.º ano (1863), págs. 345
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Em 1994, foi reimplantado um Passo no Largo da Misericórdia, o qual teria estado depositado nos jardins da casa de Francisco Martins Sarmento. Há uma indicação, no Inventário do Património Arquitectónico da ex-DGEMN, de que este Passo poderia ser o que esteve no Largo do Laranjais, mas, por vários pormenores que são visíveis nas imagens conhecidas, não se afigura que assim seja, como se pode verificar nas imagens que vão abaixo.

Comparação da parte superior dos Passos da Misericórdia (à esquerda,
foto actual) e dos Laranjais (à direita, desenho de Guilherme Camarinha).
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26 de setembro de 2011

Os Passos da Paixão de Guimarães (8)


O Largo dos Laranjais, em 1900.
À esquerda, o Passo.
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O Passo dos Laranjais estava encostado à torre da casa que usa o nome do largo. Em Setembro de 1954, a Câmara Municipal de Guimarães decidiu adjudicar a sua desmontagem, prevendo a sua transferência para local “a escolher oportunamente”. Não terá sido reconstruído. No entanto, no Inventário do Património Arquitectónico da antiga DGEMN avança-se que o Passo que reconstruído na década de 1990 no Largo da Misericórdia “se julga originário do Lg. dos Laranjais”. Observando as imagens disponíveis do Passo dos Laranjais, não me parece claro que este possa ser o que agora se encontra na Misericórcia. Antes pelo contrário.

O Passo dos Laranjais.
Desenho de Guilherme Camarinha
(in Guimarãis : publicação comemorativa das festas centenárias
da fundação de Portugal, 1940)
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25 de setembro de 2011

A bandeira do 20 de Infantaria


A última bandeira do RI 20
(cortesia do meu amigo Carlos Sousa)
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O Regimento de Infantaria n.º 20, sediado em Guimarães, no Paço dos Duques, foi criado por carta régia de 5 de Novembro de 1884. No dia 25 de Janeiro seguinte, os seus recrutas prestaram “juramento de espadas”, por ainda não haver bandeira. Passado um mês, teria lugar o juramento da bandeira. A bandeira do regimento seria benzida na igreja de S. Francisco, em Abril de 1886. No dia 3 de Agosto de 1924, a bandeira do RI 20 foi condecorada, pelos feitos dos seus soldados que haviam sido mobilizados para a Grande Guerra, tendo combatido em África e em França.

Em Fevereiro de 1927, rebentou a primeira rebelião contra a Ditadura Militar. Nela participaram elementos do RI20. Com a derrota dos revoltosos, o regimento de Guimarães teve o seu destino traçado. Passados alguns anos, seria extinto.

Por muito tempo se perdeu o rasto da última bandeira do Infantaria 20. Graças aos esforços do meu amigo Carlos Sousa, vimaranense que se dedica ao estudo da história daquele regimento, foi encontrada e regressou recentemente a Guimarães, tendo sido entregue à guarda o Paço dos Duques, antigo quartel do regimento de Guimarães.
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Os Passos da Paixão de Guimarães (7)


A Igreja de S. Dâmaso, numa fotografia de 1947.
Em frente à torre, o Passo que foi do Toural.
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O Passo da Porta da Vila situava-se no Toural, junto à torre de S. Domingos. Foi o primeiro a ser removido do seu local de implantação primitivo. Em 1802, quando andavam em construção os edifícios da frente dita pombalina do Toural (lado nascente), que ocuparam o lugar da antiga muralha, o Passo foi removido, para permitir que as casas em construção tivessem o alinhamento previsto no projecto. Foi então transplantado para o adro da igreja de S. Sebastião, situada no largo do mesmo nome, em frente à Alfândega (parece que houve intenção, não concretizada, de o mudar para o Terreiro da Misericórdia). Ainda o século XIX não era terminado, já o antigo Passo do Toural tinha que ser novamente mudado. Em 1892, por força da demolição da igreja paroquial de S. Sebastião, foi decidido levar o Passo para junto da igreja de S. Francisco. Corria então o mês de Julho de 1892 quando foram arrematadas as obras da trasladação. No entanto, a Câmara viria a mudar de ideias, correspondendo a um requerimento dos moradores da rua de S. Dâmaso, que pretendiam que o Passo fosse colocado junto da igreja situada naquela artéria. Assim aconteceu. No último dia de Outubro daquele ano, já o antigo Passo do Toural estava colocado em frente à torre da igreja de S. Dâmaso. Entre finais da década de 1950 e meados da década seguinte, procedeu-se ao arrasamento do quarteirão de S. Dâmaso, para que fosse rasgada a Alameda. A igreja foi desmontada e reerguida no Campo de S. Mamede. O Passo que foi do Toural, de S. Sebastião e de S. Dâmaso não sobreviveu ao camartelo.

A torre da igreja de S. Dâmaso, com o Passo.
Desenho de Guilherme Camarinha
(in Guimarãis : publicação comemorativa das festas centenárias
da fundação de Portugal, 1940)
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)

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24 de setembro de 2011

Os Passos da Paixão de Guimarães (6)


Passo do Carmo
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O Passo do Carmo foi originalmente levantado no terreiro com o mesmo nome, entre as ruas da Infesta e do Poço (prolongamento da rua do Gado na direcção do Castelo), hoje desaparecidas. Estava voltado para sul, um pouco acima do lugar onde, até há pouco, esteve o chafariz do Toural. Em 1891, por força do “melhoramento” daquela zona da cidade, na sequência do qual surgiria o Jardim do Carmo, foi desmontado e reconstruído junto do Asilo (actual Lar de Santa Estefânia), encostando-se ao coro da igreja. Como a colocação do Passo inutilizou uma janela do coro de baixo, a Irmandade do Carmo invocou a necessidade de rasgar outra, obra que correria a expensas da Câmara que, para o feito, indemnizaria a Irmandade em 30$000 réis.

Este Passo tem sido aqui objecto de algum interesse, por ter sido representado numa pintura da primeira metade do século XIX, provavelmente de Roquemont. Hoje, apesar de ainda estar por explicar o enigma da torre que se vê por trás do tanque-chafariz, parecem ultrapassadas as dúvidas que se levantaram sobre se a pintura representaria o terreiro do Carmo ou outro lugar qualquer, não necessariamente de Guimarães. No entanto, é evidente que, sendo o passo o mesmo que agora se encosta à igreja do Carmo, as figuras que se vêem no seu interior não o são. Como notou Manuela Alcântara (in Os Passos de Guimarães, ed. de A Muralha, 1990), nos Passos que sobreviveram ao tempo, “a imaginária está disposta arbitrariamente, baralhada, aglomerada”, pelo que não será de estranhar a mudança que é visível. Tudo aponta para que as figuras que aparecem no passo do quadro atribuído Roquemont - com algumas diferenças, que tanto podem resultar da mão do artista, como das sucessivas repinturas das esculturas - estejam hoje no Passo da Senhora da Guia (onde, por volta de 1880, ainda se podia ver a primeira queda de Cristo).

Figurado actual Passo do Carmo.
Aparentemente. reúne figuras provenientes de mais do que um Passo.
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O chafariz de Guimarães (ou Cena de Província)
Pintura atribuída a Auguste Roquemont, 1825-1835
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Pormenor da pintura anterior, mostrando
as figuras do Passo do Carmo.
 
Interior actual do Passo da Senhora da Guia.
A imagem de Cristo parece ser a que estava no Carmo e
que aparece representado no quadro de Roquemont.
Quanto às figuras femininas, permanecem dúvidas.
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22 de setembro de 2011

Os Passos da Paixão de Guimarães (5)


Passo da rua de Santa Maria
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Um dos Passos da Paixão de Guimarães foi colocado no terreiro de Santa Clara. Pela leitura do Padre António Caldas, sabe-se que no início da década de 1880 ainda se encontrava junto ao convento das claras. Mas não terá ficado aí por muito tempo. Embora ainda não tenha encontrado qualquer informação que o demonstre, parece certo que será a capelinha que agora se encontra na rua de Santa Maria, em frente à Travessa da Senhora Aninhas.

Passo da rua de Santa Maria
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Os Passos da Paixão de Guimarães (4)

Vista parcial da Praça da Oliveira
Atrás, à direita do Padrão, o Passo.
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O meu amigo Miguel Bastos chamou-me a atenção para a pintura que vai acima, já aqui publicada antes. É anterior a 1857 e posterior a 1830. Acredito que seja obra de Roquemont. Nela está representado o Passo da Paixão da Oliveira (o que agora está no Campo da Feira), encostado à Capela de S. Brás, da Colegiada (lado direito da imagem).
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Os Passos da Paixão de Guimarães (3)


Passo Campo da Feira (antigamente da Oliveira)
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Passo do Campo da Feira
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Em Março de 1727, o Cabido autorizou a Irmandade de Nossa Senhora da Consolação e Santos Passos para colocar uma capelinha dos Passos da Paixão de Cristo junto à Colegiada, no exterior do claustro, encostada à capela de S. Brás, com a condição de ser removida quando o Cabido o entendesse.

No final da década de 1920, o claustro da Colegiada passou por obras de restauro, para instalação do Museu de Alberto Sampaio, que implicariam a demolição Passo da Paixão (o que aconteceu no Verão de 1929) e a sua posterior transferência para o Campo da Feira. É possível que ainda tenha sido deslocado mais uma vez, em 1955, quando o Colégio de Nossa Senhora da Conceição estava em obras e a Irmandade recebeu da Câmara orientações que a obrigavam a proceder ao alinhamento do muro do Colégio e mudar o Passo, de acordo com o Plano de Urbanização.
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21 de setembro de 2011

Os Passos da Paixão de Guimarães (2)

Passo da Senhora da Guia.
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Pelas notícias que chegam até nós, o Passo da Senhora da Guia terá sido o primeiro a ser erguido pela Irmandade da Consolação e Santos Passos, no ano de 1726. Encostava-se à Torre da Senhora da Guia. Dos sete passos da Via-sacra de Guimarães, este terá sido o único que nunca foi "deslocalizado", mantendo-se no mesmo sítio até aos dias de hoje.


Interior do Passo da Senhora da Guia.
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Se este passo nunca mudou de sítio, o mesmo não terá acontecido com as imagens que o preenchiam. Segundo o Padre António Caldas, que escrevia no início da década de 1880, no Passo da Senhora da Guia estava representada a primeira queda do Redentor, mas o figurado que lá se encontra hoje representa um outro momento, com Cristo de pé, carregando a cruz. Não restam grandes dúvidas de que esta é a cena deverá ser a que estava representada no quadro de Roquemont de que aqui temos falado: a ser assim, estas imagens terão estado, inicialmente, no Passo do Carmo, onde, algum dia, deram lugar às que agora ali se encontram.
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20 de setembro de 2011

Os Passos da Paixão de Guimarães (1)


O Passo do Carmo.
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Nas primeiras décadas do século XVIII, os cerimoniais da Via-sacra em Guimarães, por altura da Quaresma, já eram organizados pela Irmandade da Consolação e Santos Passos. Para o efeito, distribuíam-se cruzes por diversos pontos da vila e a representação dos diferentes passos da Paixão de Cristo era feita por figurado vindo de Braga, em regime de aluguer. Em 1726, a Irmandade lançou mãos à obra de erigir, em diferentes locais da vila, uma Via-sacra em granito, composta por sete capelas de pequenas dimensões, preenchidas por figurado esculpido em madeira pintada, em tamanho natural. O primeiro Passo a ser instalado foi o da Senhora da Guia. No ano seguinte, com autorização do Cabido, instalava-se um outro, encostado à Colegiada, junto à Capela de S. Brás. Pela mesma altura, andavam em obras os Passos do Campo da Feira, de Santo António, do Toural e de S. Tiago. Ao todo, terão sido sete, mas temos alguma dificuldade em identificá-los a todos. Não há dúvidas quanto à localização de seis.

Para o que falta, sobram incertezas. Encontro referências aos passos de Santo António e de S. Tiago, mas devem nomear os santos neles representados, e não a rua ou a praça onde se ergueriam (aliás, a rua Nova de Santo António apenas ganhou esse nome em 1873, sendo muito anteriores as referências a este passo). O passo do Largo de S. Bento (ou de D. Luís I), posteriormente mudado para o terreiro da Misericórdia, referido pelo padre António Caldas e, a partir dele, replicado por outros autores, está por explicar. A existir, a dado momento teriam existido dois passos nos Laranjais (ou de D. Luís I), o que é pouco plausível. Aparentemente, o suposto passo do largo de S. Bento será o mesmo que estava junto à torre de S. Bento, nos Laranjais.

Nas contas da Irmandade da Consolação e Santos Passos consta, em 1765, um pagamento ao carpinteiro João Baptista, referente a trabalhos executados num passo localizado na rua de Valdonas. Provavelmente, será este o sétimo passo. 

Aqui se transcreve o texto do Padre Caldas em que trata dos Passos da Paixão:

Oratório dos Santos Passos. São sete pequenas capelas, todas de pedra, compondo a Via-Sacra, com sete passos da Paixão de Jesus Cristo, com o figurado em madeira do tamanho natural e de boa escultura. Foram levantados a expensas da irmandade, e são todos os anos visitados pela procissão de Lázaro, no respectivo domingo, e pela Via-Sacra, que costuma sair de S. Francisco em todas as domingas de quaresma depois do sermão, nesta igreja. São igualmente visitados no decurso da quaresma por muitas Vias-Sacras, particulares, e por grande número de fiéis, que se entregam a estes exercícios de piedade. O primeiro destes passos, que representa a primeira queda do Redentor, fica ao lado direito da capela da Senhora da Guia, encostado à antiga muralha; o segundo encosta-se à capela de S. Brás, nos claustros da Oliveira; o terceiro em Santa Clara; o quarto no largo do Carmo, fronteiro à igreja; o quinto na rua de D. Luís I, noutro tempo chamada, neste ponto, largo dos Laranjais; o sexto na rua Nova de Santo António, encostado à antiga muralha, para onde veio, do Campo da Misericórdia, em Março de 1879, tendo estado antes disso no largo de S. Bento, hoje também rua de D. Luís I; o sétimo finalmente encosta-se à igreja de S. Sebastião, sobre o adro, a norte.

(António José Ferreira Caldas, Guimarães – Apontamentos para a sua história, 2.ª ed., SMS/CMG, 1996, p.p. 384-385)

O Padre Caldas inumera os sete Passos da Paixão tal como os conheceu e como existiam no momento em que escreveu (início da década de 1880). Vários deles já tinham sido transplantados para lugares diferentes daqueles em que foram inicialmente erguidos. Da minha leitura dos documentos conhecidos, inclino-me para que, originalmente, as capelas dos passos estivessem distribuídas pelos seguintes lugares:

(1) Senhora da Guia;
(2) Oliveira (junto à Capela de S. Brás);
(3) Santa Clara (em frente ao Convento);
(4) Terreiro do Carmo (o mesmo que seria pintado por Roquemont);
(5) Porta da Vila (junto à torre de S. Domingos, no Toural);
(6) Torre de S. Bento (Laranjais);
(7) Rua de Valdonas.

Numa próxima nota, tentarei reconstituir a via-sacra das capelas dos passos de Guimarães, com as suas sucessivas mudanças de lugar.
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18 de setembro de 2011

O mercado e as feiras de Guimarães (2)


Praça do Mercado - Feira dos chapéus (1918)
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Em dia de "Feira Afonsina", aqui se conclui uma breve peregrinação pelas feiras e mercados de Guimarães.

Em 1802, foi emitida uma provisão régia que ordenava que a feira do pão (venda de cereais), que tinha lugar na Praça da Oliveira, regressasse ao seu “antigo sítio”, no largo de S. Sebastião.

Em Maio de 1808, a Câmara proibiu as doceiras de montarem suas tendas no Toural, apenas autorizando que “se lhes concedesse licença unicamente para os sábados, às horas de feiras, por ser a feira pública em que se admitem todos e quaisquer feirantes”.

Em 1834, houve uma nova decisão de mudança da feira o pão para o terreiro de S. Francisco.

Em 1861, foi inaugurada uma nova feira, criada um ano antes pela Câmara. Devia estender-se por cinco dias. No entanto, estando prevista para os dias de 3 a 7 de Maio, apenas aconteceu nos dias 4 e 5.

No dia 31 de Agosto de 1842, foi decidido que as regateiras das aves, frutas, sementes, e outros géneros deveriam instalar os respectivos postos de venda junto às colunas da praça da Oliveira. Passados dois anos, passaram do Toural, para entrada da rua de S. Domingos.

Ao dobrar do século XIX, foi decidido criar um novo espaço para a praça do mercado, na cerca do antigo convento de S. Domingos. As obras iriam estender-se ao longo de duas décadas. O mercado de Guimarães funcionaria naquele espaço central da cidade até ao início do século XXI.

Em Março de 1853, a Câmara ordenou que os vendedores de madeira fossem mudados para o Terreiro de Santa Clara.

Em 1856, a venda de galinhas e de carne de porco passou do Toural para o Largo dos Açougues, que se situava nas imediações da antiga igreja de S. Paio.

No dia 11 de Fevereiro de 1857, a Câmara proibiu que se “estendesse” louça para venda no Toural e em outros largos, com excepção do Largo das Carvalhas de S. Francisco.

No início de 1866, a praça da erva passou a ter lugar no largo S. Sebastião e a feira da hortaliça instalou-se nas Lajes do Toural. Na mesma altura, a venda de telhas tinha lugar no terreiro do Carmo.

No final de 1873, a venda de peixe já se fazia na nova praça do mercado.

Em Maio de 1885, o mercado da lenha foi transferido do Largo de S. Sebastião para o Campo da Feira.

Em 1891, a Câmara transferiu a feira dos cereais do Campo D. Afonso Henriques (S. Sebastião) para o Campo da Feira ou para o Largo Franco Castelo Branco (Misericórdia).

Em Setembro de 1912, a venda de cereais (o pão), que então se realizava em S. Francisco, foi transferida para o largo da Misericórdia. Dias depois, a feira de alfaias agrícolas foi transferida da Misericórdia para o Campo de S. Francisco.

Em de Maio de 1914, por deliberação do Senado vimaranense, a feira de cereais saiu do Campo da Misericórdia, para o largo de S. Francisco, regressando a feira das alfaias agrícolas a o Largo da Misericórdia.

Em 1937, havia movimentações no sentido de retirar a feira semanal do Largo João Franco. Em Novembro de 1960, estudava-se a sua passagem da feira semanal do Largo de João Franco para a Praça de S. Tiago. Já nesta praça, seria suspensa no final de 1966. A venda de alfaias agrícolas, ferramentas e utensílios destinados à lavoura, calçado, louças e outros artigos regionais realizava-se então no Largo da Condessa do Juncal até que se encontrasse “local mais apropriado”. Posteriormente, passou a ter lugar nas imediações do Estádio Municipal, antes de ser transferida para o Campo de S. Mamede e artérias adjacentes.

Em resumo: em Guimarães, ao longo dos séculos, não houve uma feira, mas muitas feiras, com grandes variações na periodicidade, nos locais onde tinham lugar e nos géneros que se vendiam. Houve-as semanais, quinzenais, mensais, trimestrais e anuais. Pelas praças e terreiros de Guimarães, dentro e fora dos muros, aconteciam feiras do gado, da louça, da madeira, do fiado e do pano de linho, das mantas, dos chapéus, dos cereais (pão), da erva, da hortaliça, das telhas, da lenha, das alfaias agrícolas, carne de porco, do peixe, das regateiras (aves, frutas, sementes, etc), das doceiras, das padeiras... Com o decorrer do tempo, o essencial destas actividades comerciais que entretanto não desapareceram foi-se concentrando na praça do mercado e na feira semanal, actualmente instalados em espaços próprios, de construção contemporânea.
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16 de setembro de 2011

O mercado e as feiras de Guimarães (1)


Vendedeiras de mantas no antigo mercado de Guimarães.

Na Idade Média e no início da Idade Moderna, o centro comercial de Guimarães situava-se no espaço que abrangia a Praça da Oliveira, os baixos da Câmara e da Casa de Audiências, a rua dos Pasteleiros e a Praça do Peixe. Eram os Açougues, que não devemos confundir com os “lugares onde se vendiam carnes frescas”, que hoje conhecemos por talhos, uma vez que, como explica Viterbo, os açougues abrangiam “todo o lugar e praça em que se vendiam frutas, pão, hortaliças, peixe, panelas, etc.”, ou, na definição de Bluteu, “a praça em que se vende tudo para o sustento da vida”. Neste sentido, os açougues são sinónimo de mercado.
Era aí que se vendia o peixe, na praça respectiva, a carne, cortada em talhos situados nos pisos térreos de casas de habitação, o pão, as hortaliças, o vinho, o azeite, o carvão e outros produtos de primeira necessidade. Este comércio fazia-se em lojas ou em tendas, sendo que as primeiras tinham os respectivos balcões no interior das casas, enquanto que as segundas teriam a banca na rua, eventualmente cobertas por toldos de pano. Algumas destas tendas andariam por baixo dos alpendres da Praça Maior (Oliveira).
Os lugares, assim como a duração, do mercado e das feiras de Guimarães, sofreram muitas mudanças ao longo do tempo.
Em 1258, D. Afonso III mandou fazer quatro feiras anuais em Guimarães, cada uma com a duração de quatro dias. Em 1369, D. Fernando extinguiu as feiras anuais, substituindo-as por uma feira semanal. Em 1372, o mesmo rei restaurou as quatro feiras anuais. Em 1452. D. Afonso V instituiu uma feira franca anual em Guimarães, que deveria ter lugar entre 7 e 17 de Agosto.
Na segunda metade do século XVII, já se realizava uma feira de gado em Santo Amaro de Mascotelos, com periodicidade quinzenal. Em 1680, há uma tentativa de mudar esta feira para a vila. Correu na Relação Do Porto uma acção, movida por catorze moradores de várias freguesias, contra a mudança da feira do gado. No dia 3 de Abril de 1681, foi ratificada uma provisão régia ordenando que “a feira de gados, que havia quinzenalmente em Santo Amaro, se fizesse na vila de Guimarães no lugar onde se costumava fazer outra no último sábado de cada mês, conforme ultimamente a Câmara tinha deliberado, por a mesma lhe ter representado o grande inconveniente em se fazer no dito lugar de Santo Amaro, onde se praticavam roubos, enganos e descaminhos, e por neste lugar de novo ser mais conveniente ao povo e arrecadação da fazenda real, sem embargo de qualquer sentença que houvesse da Relação do Porto”.
Em 1688, um alvará régio autorizou a Câmara a manter em Guimarães uma feira quinzenal (apenas havia permissão para uma feira mensal, que já não era suficiente para assegurar o abastecimento da população, que, segundo a Câmara, estava a crescer). Não se percebe bem qual foi a intenção de requerer autorização para a realização de uma feira a cada quinze dias quando, naquela altura, já se realizava a feira de Guimarães já praticava uma periodicidade semanal.
O mercado de pescado, no século XVIII, continuava a fazer-se na Praça do Peixe (actual Praça de S. Tiago). Nos dias de feira, a venda de louça tinha lugar no Toural. Entretanto, a feira de madeira, que então acontecia no Terreiro de Santa Clara, regressou ao Terreiro da Misericórdia.
Em 1732, foi publicada uma provisão autorizando a realização de mercado e feira semanal, todos os sábados. A justificação apresentada no requerimento do procurador que obteve resposta positiva com aquele documento era, uma vez mais, a do aumento da população da vila.
Segundo um documento de 1791, a feira de pano de linho fazia-se, desde sempre, ao longo do terreno que, no Toural, encostava à muralha, “por ser lugar alto formado em escadaria”.
Em 1794, a feira do pão foi transferida do Toural para a Praça da Oliveira. Ao mesmo tempo, a feira do gado passou para o Campo da Feira.
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15 de setembro de 2011

A Praça do Mercado (velho), por Marques da Silva

Marques da Silva - Projecto para a praça do mercado
alçado principal (1932)
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A praça do mercado começou a ser instalada na cerca do antigo convento de S. Domingos no início da década de 1860. O seu projecto foi desenhado pelo Engenheiro Condutor Pedro Joaquim Ferreira, sob a direcção do Conselheiro Director das Obras Públicas do Minho, Plácido António de Abreu (decisão da Câmara Municipal de Junho de 1858). Apenas ficaria concluída quando a década de 1870 já ia bem andada.

Em 1926, foi encomendado ao arquitecto Marques da Silva um projecto para a construção da estrutura de apoio à praça do mercado, no local onde já funcionava havia mais de meio século. A obra teve o seu início no ano de 1930, tendo o mestre arquitecto procedido à revisão do projecto em 1932. A obra concluiu-se em 1937, tendo sido objecto de um projecto de ampliação em 1942, já executado por Maria José Marques da Silva e David Moreira da Silva, filha e genro de Marques da Silva.


Planta geral da praça do mercado de Guimarães,
pelo arq. Marques da Silva (1927).
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Projecto para a praça do mercado de Guimarães, de Marques da Silva (1932)
Pormenor do alçado lateral (lado Sul, confrontando
com a Sociedade Martins Sarmento)
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Marques da Silva - Desenho de trabalho para o portão de acesso
ao interior da praça do mercado (s. d.)
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Os materiais do projecto de Marques da Silva para o Mercado Municipal de Guimarães e suas revisões, encontram-se nas seguintes publicações:

Marques da Silva, o aluno, o professor, o arquitecto, edição do Instituto Arquitecto José Marques da Silva e da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Porto, 2006

José Marques da Silva em Guimarães, Guimarães, edição da Sociedade Martins Sarmento e do Instituto Arquitecto José Marques da Silva, Guimarães, 2007

André Tavares, Em Granito / Bild in stone, edição da Fundação Marques da Silva, Porto, 2010
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14 de setembro de 2011

O Toural (e outros tourais) e as feiras de gado


A Praza do Toural de Santiago de Compostela
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Segundo os dicionários, Toural (palavra derivada de touro) é um provincianismo de Bragança, significando o local onde se vende gado bovino. Encontrámos diversos sítios que adoptaram este topónimo, especialmente no Nordeste português e também na Galiza, onde foram contados, pelo menos, 16 lugares com este nome. Em Santiago de Compostela há uma Praza do Toural. Por regra, estes espaços tiveram a função de feira de gado. Assim aconteceu no Toural de Guimarães, embora essa função tenha desaparecido há muito. No início do século XVII, a feira de gado de Guimarães tinha lugar no Toural, praça que tinha uma configuração completamente diferente da actual: era um terreiro, com um chafariz de três taças num topo e um cruzeiro no outro. O seu limite do lado do nascente era formado pela muralha da vila. Das construções que então existiam nos lados do norte e do poente, essencialmente casas assobradadas com alpendres voltados para a praça, nenhuma chegou aos nossos dias. Além de funcionar como feira de gado, nos dias próprios, em dias festivos ali também tinham lugar corridas de touros.

No dia 21 de Fevereiro de 1619, a vereação acordou que a feira dos bois fosse transferida do Toural para o Campo da Feira. Todavia, esta decisão não terá prevalecido, uma vez que D. João V promulgou, em 20 de Fevereiro de 1732, uma provisão em que se mandava que a feira do gado fosse transferida do Toural para o Campo da Feira. Em 23 de Maio de 1794 foi assinada nova provisão régia em que se voltava a ordenar que a feira do gado passasse do Toural para o Campo da Feira. Em 1834, a venda de gado tinha lugar no largo de S. Francisco, tendo sido então transferida para o Cano, de onde regressaria ao Campo da Feira, uma vez que, em Junho de 1879, a Câmara decidiu que a feira semanal de gado bovino e suíno passasse a realizar-se no Campo do Salvador. O vai-e-vem continuou: em Março de 1880, a venda de porcos regressaria ao Campo da Feira. Em 1884, a feira do gado estava de regresso ao Campo do Salvador. Em 1896, a Associação Comercial requereu à Câmara, sem sucesso, que autorizasse o regresso da venda de gado para o Campo da Feira.

A discussão acerca da localização da venda de gado mobilizava interesses e paixões. A Associação Comercial pretendia que o comércio de gado regressasse ao Campo da Feira, mas encontrava a intransigência da Câmara. Em Dezembro de 1906, a controvérsia era de tal ordem que até houve um comício de lavradores por causa do local da feira do gado. Foi então aprovada a decisão de que deveria continuar no antigo local, até que a Câmara dotasse o Campo da Feira das condições necessárias para que pudesse acolher a venda de animais. Alguns dias depois, foi a vez de reunir em assembleia-geral a Associação Comercial, que defendia a transferência imediata da feira para o Campo do mesmo nome, para discutir o mesmo assunto.

Guimarães tem um Toural, onde algum dia se vendeu gado. Todavia, a feira do gado da vila nunca teve poiso certo.
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13 de setembro de 2011

O Jardim do Carmo (6)

Aspecto da rua de Santo António (1915)
No rectângulo que se destaca, o chafariz do Carmo
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Ampliação do pormenor destacado na fotografia anterior.
É visível o tanque.

O primeiro local de implantação do tanque-chafariz do Carmo, após a sua transferência para a Rua de Santo António, no ano de 1890, é o que é visível na fotografia que vai acima. Em 1927, seria mudado um pouco mais para sul, para a entrada da travessa da Rua de Santo António, na reentrância onde agora se encontra um outro tanque, mais recente.
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12 de setembro de 2011

CEC 2012: o possível da utopia



Quando, há cinco anos, fomos surpreendidos com o anúncio de que Guimarães seria Capital Europeia da Cultura em 2012, cada um de nós formou a sua utopia, o seu falanstério, a sua civitas dei: a projecção do que Guimarães seria no início da segunda década do século XXI. Em larga medida, esta visão idealizada adquiriu contornos de realizável ao ser consagrada na candidatura ao título de Capital Europeia da Cultura, apresentada em Bruxelas. Estabelecia as bases para uma vigorosa movida cultural, associada a uma aposta na qualificação das pessoas e das instituições e na regeneração económica por via da cultura.

Esta utopia possível não resistiu ao confronto com a realidade. A conjuntura política, com mudanças sucessivas no Ministério da Cultura, associada à depressão económica, contribuiu para o abaixamento das expectativas iniciais. Mas o cerne do problema residiu no esfriamento da relação da cidade com a CEC, decorrente de opções infelizes quanto ao modelo de governo, à estrutura de gestão e aos protagonistas que deveriam conduzir o processo. Os inenarráveis estatutos da Fundação Cidade de Guimarães instituíram o absurdo, ao darem forma a um corpo estranho à realidade local e hermético ao escrutínio externo. Ancoradas neles, as pessoas escolhidas para governarem a construção da CEC seguiram por um caminho de fechamento à realidade envolvente, cometendo equívocos clamorosos e suscitando polémicas inaceitáveis, que atingiram rudemente a imagem que Guimarães projectava para o exterior, ofendendo a auto-estima dos seus cidadãos.

Por demasiado tempo se manteve uma situação que cedo se percebeu que só podia conduzir ao desastre. Não faltaram os silêncios que contribuíram para o seu arrastamento. Também não faltaram os apoios dos do costume, aqueles que, conforme os momentos, apoiam qualquer coisa e o seu contrário, porque navegam sempre a favor da corrente.

Não, não estava tudo errado no que vinha sendo feito na preparação da Capital Europeia da Cultura. Também houve boas práticas. Todavia, não se compreende que se diga agora que tudo o que foi feito antes estava bem feito, reduzindo as mudanças em curso a meras trocas de pessoas. Mais do que de pessoas, o rumo do ciclo que agora se inicia tem que se expressar ao nível das práticas.

Hoje, temos razões para acreditar que algo mudou e que vivemos tempos de ruptura com as práticas de um passado que não deixou boa memória. Os que chegam ao Conselho de Administração da FCG que agora inicia funções, em conjugação com o regresso do Director de Projecto, são a expressão de uma nova atitude de preocupação com o restabelecimento da relação com a cidade e os cidadãos. São excelentes escolhas, que honram quem as soube fazer. Correndo contra o tempo, têm pela frente tarefas exigentes. A começar pela necessidade de restaurar a imagem positiva que Guimarães há muito se habituou a projectar de si própria e que as polémicas e querelas que envolveram, ao longo de demasiado tempo, a preparação da Capital Europeia da Cultura, afectaram gravemente.

Sabemos que já não vai ser possível construir a utopia que começámos a imaginar em 2006. Temos consciência de que se ficará pelo possível. Mas quem foi que disse que o possível não pode ser grandioso, envolvente e exaltante?

[Texto publicado em O Povo de Guimarães de 9 de Setembro de 2011]
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O Jardim do Carmo (5)


Pormenor da planta de 1863-67, mostrando o tanque e o passo.
O desenho do jardim, a lápis, é acrescento posterior.
Os acrescentos modernos à legenda são da minha responsabilidade.
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A observação em pormenor da planta do engenheiro Almeida Ribeiro permite perceber que os elementos que aparecem na primeira linha do antigo terreiro do Carmo, na pintura de que temos falado, atribuída a Roquemont, se encontram na disposição que tinham efectivamente (o chafariz encontrado à linha de casas que se lhe seguia para poente, com o tanque saliente, o Passo do lado do nascente e um pouco recuado em relação àquela linha). Na década de 1890, tendo em vista o alargamento do espaço onde seria implantado o jardim, o chafariz foi transferido para a Rua de Santo António, para o local onde hoje existe um tanque contemporâneo,  o passo, foi deslocado para junto da igreja do Carmo e as casas foram demolidas.

Assim sendo, continua a sobrar o mistério da torre. O mais certo é tratar-se de um exercício de inventiva do artista, que colocou numa nesga que se abria atrás do chafariz, entre construções mais elevadas (a nascente, o Passo, a poente, uma casa), um pormenor de uma torre que, tanto pela forma como pela localização, não poderia ser do Paço dos Duques (que, à época, não teria uma configuração muito diferente daquela que se observa na foto que vai abaixo).

Revisão da matéria:
O chafariz de Guimarães (ou Cena de Província)
Pintura atribuída a Auguste Roquemont, 1825-1835
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A fachada voltada a poente do Paço dos Duques,
numa fotografia do início do séc. XX.
Nenhuma semelhança com a torre de Roquemont.
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Fotografia actual do tanque-chafariz do Carmo.
Foi inicialmente transferido para a Rua de Santo António.
Actualmente, está no largo Dr. João Mota Prego.
O tanque é hoje mais pequeno do que o original.
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O Passo do Carmo, no seu local de implantação actual.
Antigamente, situava-se no espaço hoje ocupado pelo Jardim.
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