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A mostrar mensagens de Novembro, 2007

Alberto Sampaio e a Sociedade Martins Sarmento

Alberto da Cunha Sampaio teve, desde os tempos da fundação, um papel muito presente e activo na actividade da Sociedade Martins Sarmento. Apesar de não integrar a Direcção da Sociedade, cujo primeiro presidente foi o seu irmão José, Alberto Sampaio em muito contribuiu, com a sua acção e o seu conselho, para o dinamismo cultural e social que, desde cedo, a SMS assumiu na cidade e no país. Num texto em que dava conta das primeiras actividades da Sociedade, publicado no n.º 1 da Revista de Guimarães, Avelino da Silva Guimarães regista essa colaboração: “Também tivemos muito quem nos animasse. Tivemos uma classe de consócios, que denominámos consultivos, porque assistiam às nossas sessões, e nos auxiliavam com a luz do seu conselho. Neste primeiro período foram os mais assíduos os snrs. Rodrigo de Menezes e Alberto Sampaio.” A voz de Sampaio foi ouvida aquando da redacção do Regulamento Geral da Sociedade, ainda no início de 1882. Em Janeiro de 1883, a sua opinião teve peso na aprovação de u…

Do número de vizinhos que tem a vila de Guimarães

[Clicar para ampliar] Vista geral de Guimarães. Gravura de J. Cristino.In José Augusto Vieira, O Minho Pitoresco, Livraria António Maria Pereira - Editor, Lisboa, 1886, tomo I, p. 601.

"Entre todas as vilas do reino, é esta de Guimarães a mais povoada, porque de todas só Santarém e Setúbal lhe levam vantagem no número de fogos e vizinhos, mas se estas hoje são mais assistidas, Guimarães no aprazível em todos os séculos foi mui assistida, e admirável. Recolhe esta vila em seus muros 683 vizinhos, e com todos os arrabaldes de que tenho dado conta, é povoada de 1973, repartidos por cinco paróquias, que são S. Miguel do Castelo, matriz da vila velha Araduca, a Real Colegiada, matriz da nova vila de Guimarães, com dois cónegos curas, a paróquia de S. Paio e a de S. Sebastião."(Padre Torcato Peixoto de Azevedo, Memórias Ressuscitadas da Antiga Guimarães, manuscrito de 1692, cap. 90)

Imagens de Guimarães: Campo da Feira em 1858

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Estereoscópia de Antero Frederico de Seabra, 1858.

O Campo da Feira em 1858. O espaço tinha uma configuração muito diferente da actual. Ao centro, a igreja dos Santos Passos ainda sem as torres. Em frente à igreja, estende-se o tabuleiro da ponte sobre o ribeiro de Santa Catarina (Rio de Couros). Do lado direito, a fachada do antigo Teatro D. Afonso Henriques.

Imagens de Guimarães: Oliveira

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Vista parcial da Praça da Oliveira.

A pintura que damos aí acima foi publicada em 1981 na capa do primeiro volume da obra Património Artístico e Cultural de Guimarães, do Eng.º José Maria Gomes Alves, à altura Presidente da Direcção da Sociedade Martins Sarmento. Segundo aquele autor, esta gravura, "salvo erro, anda no Minho Pitoresco do Pinho Leal", o que não se confirma (aliás, Pinho Leal não é autor daquela obra, escrita por José Augusto Vieira, mas sim do Portugal Antigo e Moderno, onde onde esta imagem também não consta). O quadro terá sido pintado entre a década de 1830, em que se realizaram as obras na Colegiada durante as quais foram rasgadas as quatro aberturas do janelão situado sobre o pórtico da igreja, e o ano de 1857, em que o Padrão e o adro da Igreja foram cercados por grades em ferro, que não aparecem nesta obra. Trata-se, com forte probabilidade, de uma reprodução de uma pintura de Augusto Roquemont, o qual também trabalhou n…

Alexandre Herculano e as obras da Colegiada

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Vista parcial da nave central da Igreja da Oliveira, após as obras da década de 1830. Em 1830, o cabido mandou reformar a igreja da Colegiada da Oliveirra. Da reforma resultou a cobertura do interior com cal e a colocação na nave de um tecto de estuque, decorado com pinturas de Augusto Roquemont. Destas obras resultou o alindamento da igreja ao gosto da arquitectura da época, emparedando a sua identidade gótica. Na altura, o historiador Alexandre Herculano expressou a sua crítica a esta intervenção no texto que aqui se transcreve:
"Todavia, ainda há quem deplore a destruição das memórias venerandas de melhores tempos; ainda há quem lute contra a torrente de barbária que alaga este país tão rico de recordações, recordações que tantos ânimos envilecidos pretendem fazer esquecer. Sabemos que os nossos brados de indignação acham eco em muitos corações. Temos visto e recebido cartas acerca deste assunto escritas com a eloquência da convicção e de profund…

Praça da Oliveira: casas de alpendrada

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Estereoscópia de Antero Frederico de Seabra, 1858.

Aspecto da Praça da Oliveira em 1858. Ao fundo, atrás do Padrão da Oliveira, as casas do lado poente da praça, ainda com alpendradas ao nível do piso térreo. De notar, também, as varandas salientes, em madeira.

Pormenor da mesma fotografia.

Imagens de Guimarães: Convento do Carmo

[Clicar na imagem para ampliar] Terreiro junto ao Convento do Carmo, no ano de 1862. Gravura publicada no "Archivo Pittoresco", 5.º ano (1862), pág. 57.

À volta do rio "merdário"

Ribeira de Santa Luzia, junto à ponte, na festa de S. João de 1952
(fonte: «Guimarães do passado e do presente», org. de Joaquim Fernandes, 1985)
Em documentação medieval, aparece referido um rio que banha a vila de Guimarães, e que é designado de Merdário ou Merdeiro. Tal nome parece demonstrar que este curso de água, à imagem do que sucedia naquele tempo com rios de outras localidades que tinham nomes aparentados com estes, funcionaria como colector dos dejectos produzidos pela população. Nos Vimaranis Monumenta Historica, o Abade de Tagilde transcreve um documento de 1151 onde há uma referência ao arrogio merdario, situado abaixo do monte latido. Numa nota de pé de página a um outro documento, o organizador dos Vimaranis identifica o Monte Latito com o actual Monte Largo. Em outro documento publicado pelo Abade de Tagilde, do mesmo ano, fala-se do riuuolo corios e do ribolum merdarium. Mais tarde, A. L. de Carvalho identificará o rio Merdário, que corria sub monte latido, com o rio de…

O Chafariz da Praça Maior

O Chafariz da Oliveira, numa fotografia de 1858.
Até ao final do século XVI, o abastecimento público de água à população de Guimarães era assegurado pelo chafariz da Praça.O chafariz da Praça encostava-se à torre da Colegiada da Oliveira. Ainda o podemos ver em gravuras e fotografias antigas, com as suas três bicas, a pedra de armas da vila de Guimarães, com uma imagem em bronze da Senhora da Oliveira, e as armas reais. Esta memória corresponderá a uma reconstrução do tanque que ocorreu no início do século XVI.O original é mais antigo, datando de 1390. Foi obra do pedreiro João Garcia, mestre da obra da igreja de Santa Maria. Há um recibo de 20 de Dezembro de 1392 que comprova que, naquele dia, João Garcia recebeu, na crasta da igreja da Colegiada, das mãos de Estêvão Gonçalves, morador na rua da Ferraria, que exercera o cargo de Procurador do Concelho no ano de 1390, a importância de 800 libras que ainda lhe era devida por razão do chafariz que no dito ano e tempo fez ao concelho. Tal…

Imagens de Guimarães: S. Francisco

[Clicar na imagem para ampliar] O Terreiro das Carvalhas e a igreja de S. Francisco. Gravura publicada no "Archivo Pittoresco", 9.º ano (1866), pág. 153.

Das ruas que compõem os arrabaldes desta vila de Guimarães.

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Vista geral de Guimarães (aguarela de Augusto Roquemont).

"Tendo dado notícia do interior da Vila de Guimarães, tão estimada de seus soberanos como invejada dos reis de Castela, como mostram as muitas vezes que por força de armas a quiseram sujeitar a seu domínio, vindo-a combater com poderosos exércitos, darei agora satisfação no que prometi de seus arrabaldes, dando princípio pelos que ficam de fora da vila velha chamada Araduca. Fica para a parte de Norte e Nascente a rua do Salvador, a que deu nome a sua capela, aonde está situada a quinta da Verdelha, com as suas nobres casas, que estão por acabar, mas assim mesmo servem de residência aos arcebispos de Braga quando vêm a esta vila. Pertence a Jerónimo de Matos Feio, cavaleiro de Cristo e fidalgo da casa de el-rei e juiz do seu Reguengo. Topa esta rua com a do Cano de Baixo que, seguindo o mesmo curso, vai parar à fonte da Douradinha. Sai dos muros da vila velha para o Nascente a rua das Oliveiras…

Imagens: S. Miguel do Castelo

[Clicar na imagem para ampliar] A igreja de S. Miguel do Castelo 1864. Gravura publicada no "Archivo Pittoresco", 7.º ano (1864), pág. 173.

Da circunvalação da Vila Velha

"Em que se dá notícia de quando esta vila foi murada e da grandeza dos muros.

Já dei notícia de vila velha de Araduca e do circuito de seus muros, os quais da parte do Sul todos foram derrubados, e a pedra se deu aos religiosos de S. Domingos para o dormitório do seu convento, a que chamam dormitório novo, e nos que ficaram em pé se deu princípio a esta vila para a parte de Nascente por el-rei D. Afonso III, como se vê de um escudo de suas armas posto sobre a porta da Freiria, hoje de Santa Cruz.

Deu-se princípio à nova muralha em um torreão terraplanado, que era da muralha velha, que está pouco distante da porta de Santa Cruz, e deste torreão corre a muralha nova coroada de ameias pela parte do Sul 490 passos até à torre dos Cães, recolhendo em si o Mosteiro de Santa Clara, que tem a cerca sobre a mesma muralha.

Estas muralhas da vila foram feitas primeiro que as torres, porque estas foram mandadas fazer por el-rei D. João o 1.°, e as muralhas foram acabadas de fazer no tempo de el…

Imagens: O Castelo

[Clicar na imagem para ampliar] O Castelo de Guimarães em 1863. Gravura publicada no "Archivo Pittoresco", 6.º ano (1863), pág. 205.

O Terramoto de 1755, visto de Guimarães

O Senhor Jesus dos Terramotos. Gravura da colecção da Sociedade Martins Sarmento.
“Apesar de ser ainda bastante cedo e de a estação já ir adiantada, fazia tanto calor que o jumento resfolegava e tropeçava nas pedras do caminho em mau estado. O capuchinho transpirava abundantemente sob o hábito de burel. Por que razão havia de ter ouvido a missa na capela privativa da quinta? O seu jovem discípulo queria, porém, nesse dia de Todos-os-Santos, honrar a memória do seu protector e padrinho e decidiu ir rezar no mui sagrado santuário de Nossa Senhora da Oliveira. Também ele cavalgava a montada, silencioso e abatido pelo insólito calor. Não chovera durante todo o Verão; não havia uma sombra no caminho, um rebento verde nos campos pelados. A luz era a tal ponto transparente que se viam os campanários de Guimarães destacando-se no horizonte com uma nitidez de ponta seca. De repente, um rumor surdo. Dir-se-ia uma tempestade: mas o céu não tinha uma só nuvem. Ou uma carroça carregada: mas o camin…

Imagens: Paço dos Duques

[Clicar na imagem para ampliar]Ruínas do Paço dos Duques em 1861, vistas a partir da antiga rua de Santa Cruz. Gravura publicada no "Archivo Pittoresco", 4.º ano (1861), pág. 33.