6 de maio de 2013

Efeméride do dia: Início das obras de reedificação da Colegiada da Oliveira ordenadas por D. João I

Inscrição do ano de 1387, alusiva às obras da Colegiada ordenadas por D. João I, onde se lê: “Era de 1425 anos, 6 dias do mês de Maio, foi começada esta obra por mandado del-rei D. João, dado pela graça de Deus a este reino dc Portugal, filho do mui nobre rei D. Pedro de Portugal. - Este rei D. João houve batalha real com el-rei D. João de Castela, nos campos de Aljubarrota, e foi dela vencedor; e à honra da vitória, que lhe deu Santa Maria, mandou fazer esta obra.” 


6 de Maio de 1387
Principia a sumptuosa restauração, nova edificação do templo, da Insigne e Real Colegiada, por mandado de El-rei D. João I, em acção de graças a Santa Maria da Oliveira, por ter alcançado a vitória de Aljubarrota. - Vide a inscrição lapidar na frente da igreja.
(João Lopes de Faria, Efemérides Vimaranenses, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento, vol. II, p. 121v)

No espaço onde hoje está a Colegiada, existiu primitivamente um mosteiro medieval, fundado na primeira metade do século X. Foi instituído, ao fundo do Monte Latito, pela viúva do conde Hermenegildo Gonçalves, a Condessa Mumadona Dias. Era um mosteiro dúplice, por acolher religiosos de ambos os sexos. Nele se recolheu Mumadona, aí terminando os seus dias. Com a proibição dos mosteiros dúplices, ao entrar do último quartel do século XI, as freiras abandonaram o recolhimento, que passaria a ser exclusivamente masculino. Segundo a tradição, ter-se-ia tornado Colegiada por acção de D. Afonso Henriques, após a Batalha de Ourique (1139). Com a condição de capela real, seria protegida pelos reis de Portugal, seus padroeiros e juízes perpétuos da Irmandade de Nossa Senhora da Oliveira, recebendo privilégios e imunidades. O seu Prior era de nomeação régia, recaindo a escolha, por regra, numa pessoa da mais alta nobreza. D. João I foi o rei que mais favoreceu a Colegiada de Guimarães.
Os religiosos da Colegiada terão deixado de viver em comunidade durante o XIII, passando a morar em casas próprias e a receber uma renda anual, a prebenda, resultante da partilha dos rendimentos da Colegiada.
Foi à volta deste mosteiro que nasceu a Vila Baixa ou Vila Nova de Guimarães, como contraponto à Vila Velha, que se situava no interior de um circuito amuralhado que circundava o Castelo.
O templo original foi sofrendo, ao longo dos séculos, diversas intervenções de construção e de restauro, que lhe deram a configuração que observamos nos dias de hoje. A intervenção mais profunda, iniciada no último quartel do século XIV, foi a que ocorreu durante o reinado de D. João I, que assim cumpriu o voto que fizera em Aljubarrota. O seu arquitecto seria João Garcia, de Toledo. Nestas obras, que se prolongaram pelo século XV adentro, a igreja cresceu, estendendo-se por parte do antigo claustro. Iniciaram-se no dia 6 de Maio de 1387.

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