21 de outubro de 2009

O Desafio de 2012 (9)

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Joaquim Novais Teixeira, nascido em Guimarães em 1899, ganhou o Mundo.

Emigrante em Espanha desde os 20 anos, ali frequentou o meio literário e artístico, tendo-se relacionado com vultos da cultura espanhola do seu tempo, como Unamuno, Garcia Llorca, Pio Baroja, Diez Canedo, Valle-Inclán, Luís Buñuel. Durante a República Espanhola, colaborou com o Presidente Manuel Azaña, tendo chefiado o Serviço de Imprensa Espanhola. Viveu de perto os acontecimentos da Guerra Civil. Os textos que publicou em diversos jornais sobre a República espanhola, hoje quase ignorados, constituem um dos mais notáveis contributos para o conhecimento daquele período intenso e conturbado da história de Espanha. Finda a Guerra, refugiou-se em França. Impedido pelo regime salazarista de regressar a Portugal, a invasão da França pelas tropas de Hitler conduziu-o ao exílio no Brasil. Aí, dirigiria a Interamericana, serviço que, no Brasil, apoiava a causa dos Aliados.

Colaborou na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, de que foi secretário-geral. Também se dedicou à tradução, tendo transposto do castelhano para português diversas obras. Esta actividade foi particularmente intensa no ano de 1927. No Brasil, teve particular ressonância a edição que preparou das cartas do Padre António Vieira, que veio ao lume pela primeira vez no ano de 1948.

Como jornalista, foi considerado um dos melhores especialistas mundiais na política internacional do seu tempo. Em França, foi o representante de jornais brasileiros prestigiados, como O Globo e O Estado da São Paulo. Ficaram famosas as suas reportagens na Itália e Suíça, os trabalhos que publicou sobre a questão franco-árabe e as reportagens que realizou na Tunísia, na Argélia e em Marrocos.

Desde cedo ligado ao cinema, Novais Teixeira foi um dos mais respeitados críticos do seu tempo. Integrou os júris de diversos festivais internacionais de cinema (Cannes, Locarno, Berlim, etc.), chegando a presidente da direcção da Fédération Internationale de la Presse Cinématographique. Em 1972, colaborou na organização do Festival de Cinema de Nice, nesse ano dedicado ao jovem cinema português. Em homenagem ao jornalista vimaranense, o Syndicat Français de la Critique de Cinéma atribui o prémio Novais Teixeira, à melhor curta-metragem de cada ano.

Novais Teixeira é hoje uma figura quase esquecida na terra que o viu nascer e que ele próprio nunca esqueceu. Cidadão do Mundo, com raízes em Guimarães, a sua obra deixou marcas profundas em países como a Espanha, a França ou o Brasil. Guimarães deve-lhe uma homenagem. 2012 parece ser uma excelente ocasião para a concretizar.


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