27 de setembro de 2009

O Desafio de 2012 (7)

O Conde D. Henrique (?-1112), numa litografia de meados do séc. XIX

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Muitas vezes esquecido, o Conde D. Henrique é uma figura central na construção da nossa identidade nacional, mas também da nossa afirmação enquanto europeus.

Filho de Henrique, neto de Roberto I e irmão de Odo e Hugo, duques da Borgonha, bisneto de Roberto II, rei da França, sobrinho-neto do poderoso D. Hugo de Cluny, sobrinho de Constança, mulher de Afonso VI de Leão e Castela, de quem foi genro, por força do casamento com Teresa de Leão, com que se fez Conde de Portucale, D. Henrique desempenhou um papel central na reconfiguração do território ocidental da Península Ibérica, na passagem do século XI para o século XII. Sem a acção do Conde D. Henrique, Portugal, certamente, não existia.

Nascido no seio da mais alta aristocracia francesa do seu tempo e tendo contribuído, pela sua acção e pela do seu sucessor, D. Afonso Henriques, para a fundação de Portugal (há mesmo quem considere o fundador do Estado Português), está estreitamente vinculado a Guimarães, onde teve a sua corte, que agraciou com a outorga carta de foral em 1096 (o primeiro foral português). O Conde D. Henrique é uma das figuras que, a partir de Guimarães, melhor cruzam as dimensões local, nacional e europeia. Na Primavera de 2012 passam 900 anos sobre a sua morte.

Não faltam razões para que seja um dos protagonistas da Capital Europeia da Cultura. Impõe-se que o seu centenário seja assinalado com o destaque que merece. 2012 vai ser tempo de conhecermos o Conde D. Henrique, a sua vida e a sua obra. E faz todo o sentido que a homenagem inclua o preenchimento de uma lacuna imerecida: a publicação da sua biografia.
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