28 de janeiro de 2008

Qual é a obra? (1)

...continua daqui

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Pela nossa terra

Consulta Pública
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Qual é a obra mais urgente e de mais alcance que a Câmara deve empreender?

"Respondendo à consulta pública que a “Alvorada” no seu último número fez aos munícipes Vimaranenses, vou dar também a minha opinião sobre o caso, mesmo que esta venha a ser rejeitada por todos os que me lerem.

Segundo o meu modo de pensar, o melhoramento de maior utilidade pública que a Câmara devia empreender com a máxima urgência, era cm conseguir de harmonia com o governo em elevar o Liceu nacional a central.

Talvez isto pareça à ilustre Vereação um problema difícil de resolver e ao mesmo tempo não menos difícil de conseguir.

Porém atendendo às circunstancias que vou apresentar, parece me que isso seria fácil de obter-se.

Temos aí a Escola Industrial com um corpo docente competentemente habilitado, com um belo laboratório de química e com bastantes e bons aparelhos de física; tudo incorporado no Liceu {sem deixar de funcionar a escola é claro) forneceria o indispensável para o funcionamento dos cursos de sexto e sétimo ano. Os professores da Escola têm um número de aulas inferior ao dos professores do Liceu, podiam portanto preencher essa falta dando aulas a sexto e sétimo ano, ou a outros cursos conforme se convencionasse depois. As aulas na Escola Industrial são nocturnas, portanto não há inconveniente algum em funcionar tudo no mesmo edifício e os professores desta terem mais uma pequena obrigação a cumprir. O laboratório de química e os aparelhos de física, tão indispensáveis para quem se dedica a um curso científico, aí seriam utilizados pelos alunos que frequentam o Liceu, e sem prejuízo algum para os que frequentam a Escola.

Desta forma deixaria a Câmara de pagar a importante verba de renda de casa que actualmente paga, e essa quantia aproveitava-se já para qualquer remuneração que de futuro fosse preciso fazer, como talvez equiparação aos novos professores.

Assim tornavam-se menos dispendiosos a Escola e o Liceu, e os resultados destes dois estabelecimentos de ensino seriam muito mais lisonjeiros e proveitosos. Por este processo seria fácil à Câmara conseguir um Liceu Central em Guimarães – o melhoramento de maior utilidade pública para esta cidade.

Um estudante.

***

À pergunta que este semanário dirigiu a todos os munícipes vimaranenses dizendo:

“Qual é a obra mais urgente e de mais alcance que a Câmara deve empreender?” a minha modesta opinião responde o seguinte:

A obra mais urgente a realizar é essa mesma a que a comissão administrativa já deu empreendimento, sendo a mudança do jardim público do Toural para S. Francisco, e da estátua de D. Afonso para o Toural.

E, julgo-o assim, porque não só satisfaz a boa estética da cidade, como também favorece com um jardim mais amplo, uma necessidade da população.

J. d'Almeida.

***

Aproveitando-me duma das regalias concedidas na consulta pública da “Alvorada” eu simplesmente respondo: Quais são os títulos de nobreza e de verdadeira glória vimaranense? Os que figuram no alvorecer da nossa história pátria, como nação independente, de que Guimarães foi a primeira capital. Que padrões temos nós a atestá-lo? O soberbo castelo coevo e a veneranda capela de Santa Margarida, ambos monumentos, reconhecidamente nacionais.

Que parte da cidade temos nós condignamente aformoseada para mostrar aos estranhos ou para recreio nosso? Nenhuma.

Pois bem. Lancemos o olhar para a cidade alta, airosa e saudável; limpe se o terreno e ajardine-se à moderna, em volta daqueles monumentos vetustos, até ao Cano (aformoseado também, em alameda), até à estrada de Fafe, prolongada em avenida por detrás e junto daquele paço, por um lado, e pelo Carmo abaixo, até ao centro da cidade, por outro, como for mais viável. Será um pouco caro, mas é a única coisa com jeito, tendo ainda a vantagem de atrair para ali o gosto pelas construções.

É necessário que Guimarães, primeiro que tudo, não seja uma raridade arqueológica apenas no seu valioso museu, e para seu próprio interesse é necessário que não afugente de si os visitantes, como de qualquer maltrapilho."

Capitão Pina.

[Alvorada, n.º 7, 1.º ano, Guimarães, 7 de Janeiro de 1911]

continua aqui...

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