28 de janeiro de 2008

Vimaranenses: João Baptista Felgueiras

João Baptista Felgueiras, por Augusto Roquemont (retrato a óleo sobre tela, da colecção da Sociedade Martins Sarmento)


Este nosso distinto compatrício, de quem o ilustre bibliógrafo Inocêncio da Silva ignora a pátria, e ao qual o Dicionário Popular dá nascido em Guimarães pouco antes de 1790, nasceu aqui, na quinta de Cedofeita, freguesia de S. Miguel do Castelo, a 6 de Abril de I787, sendo baptizado na respectiva igreja a nove do mesmo mês e ano. Filho de Manuel José Baptista Felgueiras – e não do desembargador Manuel Augusto Felgueiras, como se lê no Dicionário Popular – e de sua mulher D. Rita Clara Cândida - e não D. Inês Felgueiras - deu-se à carreira das letras formando se em direito na Universidade de Coimbra.

Seguindo a magistratura, exerceu com plausível zelo os cargos de juiz de fora em Viana, corregedor e procurador-geral da coroa, em que se tornou distintíssimo, indo mais tarde sentar-se nas cadeiras do supremo tribunal de justiça.

Eleito deputado as cortes depois da revolução de 1820, exerceu quase sempre o importante cargo de secretário das nossas primeiras cortes constituintes.

Envolvido nas lutas de I880, como liberal convicto, esteve por algum tempo escondido em casa da família dos Pimentas no Porto, restituindo-lhe a liberdade a entrada das tropas liberais nesta cidade, em cujas linhas, sem carácter oficial, se tornou notável por valiosos serviços, e como amigo particularíssimo de Agostinho José Freire e José da Silva Carvalho. Era igualmente muito considerado pelo imperador que nunca lhe dispensava o voto autorizado em assuntos de maior importância. Vivamente impressionado pela morte violenta do seu íntimo amigo Agostinho José Freire, escreveu e publicou uma "Necrologia" do mesmo, única obra impressa, que dele nos resta.

Recusando energicamente a pasta de ministro, que lhe fora oferecida, por António Bernardo da Costa Cabral, ocupou mais tarde este elevado cargo – por poucas horas – com o duque da Terceira.

Afastado mais uma vez da política militante e ocupado exclusivamente dos deveres de magistrado e das afeições da família, morreu a 13 de Março de 1848, vítima de uma congestão, que o fulminara no Passeio Público, em Lisboa.

Está sepultado no cemitério do Alto de S. João no mausoléu da viscondessa de Geraz do Lima.

A morte do nosso ilustre compatrício foi, como diz o Dicionário Popular, muito lamentada por lodos que apreciavam o seu muito saber, o seu elevado e liberal espírito, a austeridade do seu carácter e da sua vida e a abnegação sincera de que sempre dera provas.

[João Gomes de Oliveira Guimarães, in O Espectador, n.º 23, Guimarães, 3 de Abril de 1884]

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