28 de janeiro de 2008

Crónica do conflito brácaro-vimaranense - 15

...continuado daqui


Revisão da imprensa de Braga, feita por Francisco Martins Sarmento, no n.º 5 do 28 de Novembro.


“Scripta manent”

Desde que fomos expulsos da Junta Geral do Distrito até ao dia 15 de Janeiro “os directores da mentalidade bracarense” escreviam:

“Se Guimarães nos quer ingratamente deixar, faça-o; mude de ares. “ (O Constituinte, n.° 539).

“Querem ir para o Porto? Pois vão com Deus. Ninguém de Braga os vai esperar ao caminho. Boa viagem, senhores, e por lá muitos anos. Podiam ter principiado por dizer isso. “ (A Voz do Distrito, n.° 13).

“E então nós os bracarenses estamos tão contristados com os desejos daquela santa gentinha, que nos é completamente indiferente que ela continue, ou não, a fazer parte do nosso distrito. Para o Japão é que eles deviam ir, certos de lhe ficarem muito bem tais sentimentos, e de ali fazerem excelente figura. Que marchem para lá com a ponte, e com a sé, e com o palácio, e que nos deixem.” (A Folha de Braga, n.° 496).

“Vão com Deus, irmãozinhos. Não fazem cá falta nenhuma.” (O Comércio do Minho, n.° 1912).

“Guimarães quer ir-se para o Porto; em boa hora e descarreguem assim o seu ódio estulto. Que o berço da monarquia e o da liberdade se dêem abraços de fresca confraternidade pouco importa; que relíquia da idade média vá decorar os brasões da cidade do progredior é justo; que a casaca espatifada de D. João I, e a Colegiada tradicional da Oliveira vão para o culto republicano e para Santo António da Aguardente, é até muito conveniente. Guimarães cortará as unhas de gato com que pretende a cada passo arrebunhar a Braga fiel; as aspirações audaciosas e lorpas de Guimarães ficarão abafadas, sepultando-se para sempre no bojo voraz do Porto.” (Idem, n.° 1913).

“Já depois de escritas as linhas acima, soubemos que telegramas particulares anunciaram aos nossos vizinhos de além-Falperra que estava no papo do Porto a vila de Guimarães. O governo vergou-se a uma força que nós cá sabemos... Nós, que não fomos surpreendidos pela notícia, endereçamos parabéns ao povo de Braga pela desanexação de uma tribu selvagem que nos incomodava com os seus uivos... Aos de Guimarães, a esses párias que não tiveram o gosto de serem tomados a sério por nós, felicitamo-los também... Despedimo-nos pois sem lágrimas da velha, desdentada e paralítica Guimarães, recitando-lhe, como adeus:

Vai, mísero cavalo lazarento,

Pastar largas campinas livremente."

(Idem, n.º 1917).

“A intriga vimaranense, mercê das potências monetárias, vai ganhando terreno. Diz-se que o governo está disposto a fazer seu o absurdo projecto... Vá Guimarães para onde lhe aprouver, que não deixa saudades. A sua ilustração verdadeiramente medieval, a sua actividade de altruísmo duvidoso e os seus progressos infinitamente inferiores aos nossos são coisas que não enobrecem o distrito... Braga não deve dar um passo que manifeste o mais leve pesar. A indiferença, em determinados casos, é arma poderosa. Acendamos um charuto e deixemos correr... Guimarães. Vale!” (O Amigo do Povo, n.° 801).

Posto não entre do nosso plano forragear nas correspondências dos bragueses para os jornais de fora da sua terra, abrimos uma excepção em favor do correspondente da Província, n.° 166, por mencionar a notícia de que Braga ia auxiliar-nos do pedido da nossa desanexação, produzindo razões de truz. Escreve o correspondente:

“Aqui também se fala em pedir ao governo, de comum acordo com o concelho da Barca, para este ser anexado a Braga e o de Guimarães ao Porto, visto que a receita que nos vem deste ultimo concelho não chega sequer para as despesas que com ele se fazem.”

[28 de Novembro, n.º 5, Guimarães, 18 de Janeiro de 1886]

continua aqui...
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