As romarias do Minho: Gualterianas, 1910, bis


1  — Uma rua de Guimarães  durante as festas. 

Dois dias depois  a publicação da reportagem sobre as Festas Gualterianas de 1910 na revista O Ocidente, que aqui reproduzimos ontem, as festas de Guimarães eram assunto numa outra revista, a Ilustração Portuguesa, numa reportagem mais parca em palavras, mas com mais fotografias (curiosamente, as duas publicações são servidas por imagens do mesmo fotógrafo, Carlos Pereira Cardoso). Entre estas, destacam-se as  de dois pioneiros vimaranenses de máquinas roladoras, os irmãos Álvaro e Francisco Costa, que participaram com os seus automóveis, convenientemente engalanados, na  batalha das Flores daquele ano.

2 — Campo da Feira no dia da romaria


As festas de S. Gualter em Guimarães
S. Gualter foi frei de muitas virtudes que cm tempos de Afonso II. encostado ao seu bordão de romeiro. peregrinando com um Companheiro. chegou ao arrabalde da velha cidade murada de Guimarães. Viveram no monte, em Vila Verde, praticando boas acções e impondo-se pela humildade aos habitantes e tantas cousas de piedade fizeram, tanta caridade dis­pensaram no tratamento dos enfermos que, dentro em pouco, os cuidavam todos os dias no hospital indo morar para um casebre que lhe ficava vizinho. Não decresciam as virtudes dos monges, antes aumentavam os seus bons feitos: o povo amava os com ternura e dava-lhes óbolos que eles destinavam à fundação de um convento de franciscanos. No tempo de D. Dinis foi o arcebispo de Braga, D. Telo, cimentar a primeira pedra do edifício, em grande pompa, levando consigo a colegiada, os freires, todo o aparato da igreja dessa época em honra de fr. Gualter que. sendo canonizado, teve o seu túmulo no convento. Dentro em pouco o edifício era destruído para se reedificar no reinado de D. João I conservando-se o santo no seu túmulo piramidal.
É a esse santo que Guimarães faz, desde séculos, as suas festas, não esque­cendo o varão piedoso, guardando-lhe a tradição, cuidando-lhe do túmulo como ele cuidou dos doen­tes em honra do seu patriarca S. Francisco.
Este ano as festas gualterianas, realizadas há dias em Guimarães, tiveram um grande brilho, per­correndo as ruas algu­mas bandas de música, estando as janelas or­namentadas e fazendo- se, além das cerimónias religiosas, a inaugura­ção de uma exposição in­dustrial e de belas-ar­tes.
Houve também ar­raial no Campo da Fei­ra tocando reunidas as bandas de infantaria 18 e 20 e a da guarda municipal e realizou-se uma batalha de flo­res, a que concorreram carros magnificamente ornamenta­dos. Foram, pois. deslumbran­tes as lestas que se fizeram em honra de fr. Gualter, o virtuo­so varão que entrou em Gui­marães no tempo recuado de Afonso II.


3 — Um aspecto da batalha das flores.

4 — A batalha das flores.

5 — O automóvel do Sr. Álvaro Costa.

6 — O automóvel do sr. Francisco Costa.

7 — Um aspecto da “sombra” na tourada.
8 — O pavilhão da exposição industrial.

Ilustração Portuguesa, n.º 235, 22 de Agosto de 1910, pp. 229-231.

 (Clichés de Carlos Pereira Cardoso)

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