Memórias Paroquiais de 1758: Pinheiro


Em documentos de meados do século XI aparecem as expressões termo de pinario e villa pinario, que o Abade de Tagilde questiona se se refeririam à freguesia de Pinheiro, que já aparece nas Inquirições desde 1220, com o nome que hoje tem.
Nos apontamento do Abade de Tagilde, trasladados por João Lopes de Faria, aparece a seguinte transcrição retirada de um manuscrito intitulado “Itinerário de notícias e demonstração de clarezas”, de 1706-1707, do Marquês de Lindoso, com acrescentos posteriores da lavra de João Peixoto da Silva Almeida Macedo e Carvalho:
João Martins, anadel-mor dos besteiros da vila de Guimarães, estando para se embarcar com seu irmão Fernão Martins em uma nau, que fretou e armou à sua custa, com a qual se ofereceu a D. Afonso V na jornada que fazia para Azamor para onde foi em companhia do duque de Bragança, instituiu da sua terça por escritura feita em Lisboa a 15-VIII-1513 o morgadio de Pinheiro, cuja cabeça é a quinta de Pinheiro, nesta freguesia, anexada à capela de Jesus do Convento de Francisco de Guimarães, com obrigação de uma missa rezada na dita capela todas as sextas-feiras, sendo administrador o filho primogénito de seus descendentes em linha direita, não sendo clérigo, frade ou freira, sendo o administrador que entrar obrigado sempre a empregar em bens para o morgado o que render no 1.º ano, pagas as missas.
Nos seus apontamentos, anotou Francisco Martins Sarmento
Entre S. Roque e S. Cristóvão da Abação fica a Igreja de Pinheiro, que conserva de antigo apenas uma porta em ogiva, mas emparedada por uma parede onde se rasga uma porta travessa moderna. Nas aduelas do arco velho existe, segundo se afirma, uma inscrição, coberta hoje por uma camada de cal.
Num lugar entre S. Roque e Pinheiro apareceram os dois sátiros. De onde vem aquilo? Parece terem servido para carrancas de água. A água vem do alto da Penha e, a nascente dela, ou uma das nascentes, vem da fonte chamada dos Mouros, que pelos modos não nasce longe da capela de Santa Catarina. É preciso examinar tudo aquilo com vagar.
Julgo que os dois sátiros a que Sarmento se refere são as duas figuras barbadas esculpidas em granito que estão no Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento, identificadas como sendo provenientes de uma propriedade designada a Parede, freguesia de Urgeses (Guimarães), procedentes da Quinta da Presa, onde outrora existiu um grande quintal muito bem tratado.
Pinheiro é uma das freguesias cujas memórias paroquiais de 1758 andam perdidas.

Pinheiro
Pinheiro é aldeia e paróquia do termo da vila Guimarães, na comarca do mesmo nome. O seu povo consta de 73 fogos, com 175 almas do sacramento, na matriz consagrada ao Salvador.
O pároco é abade apresentado pela Mitra de Braga e tem de côngrua 300$000 réis.
Referências documentais:
Pinheiro”, Dicionário Geográfico de Portugal (Memórias Paroquiais), Arquivo Nacional-Torre do Tombo, Vol. 42, n.º 322, p. 153.


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