30 de março de 2016

Da paixão emocionada à torre repentina


Leio na interessante crónica desta semana do Eng.º António Monteiro de Castro desta semana, a propósito da Torre da Alfândega:


Deste excerto, tomo dois adjectivos: repentina e emocionada. Repentina, a notoriedade da Torre da Alfândega, emocionada a intervenção de Torcato Ribeiro. É verdade que a Torre da Alfândega irrompeu repentinamente no quotidiano vimaranense, alimentando de notícias os jornais, as rádios e as televisões e sustentando um aceso debate nas redes sociais. Porém, a emoção do Torcato não resulta duma erupção repentina, mas sim de uma paixão muito antiga e alicerçada num conhecimento sólido e consistente, acumulado ao longo de muitos anos.

Há muito que conheço o interesse do Torcato pela cerca fortificada do velho burgo vimaranense. Há muito que mantemos conversas sobre as muralhas e as suas torres, conversas que passámos a partilhar, mais tarde, com um amigo mais recente, o engenheiro-filósofo Miguel Bastos, o mais veemente dos apaixonados destae objecto singular do nosso património material e simbólico. Foi com o Torcato que subi a Torre da Alfândega pela primeira vez. E já tinha sido o Torcato quem, num dia já remoto, me demonstrou, com argumentos categóricos, que a linha de muralhas que separava a Vila do Castelo da Vila Nova de Guimarães, desenhada por José Moura Machado e publicada no Guimarães do Passado e do Presente, não batia certo, como o comprovaria a representação quinhentista de Guimarães, entretanto descoberta na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Desta sua paixão já o próprio falou num texto que publicou no Reflexo Digital, cuja leitura recomendo. O que ele aí não falou foi da sua co-autoria da ideia de candidatar o percurso sobre o adarve da muralha ao Orçamento Participativo de 2014, tendo optado por ficar na rectaguarda, para que a possibilidade de sucesso do projecto não fosse prejudicado pelas leituras político-partidárias do costume. O que ele também não disse foi que, bem antes de trazer a público a questão da venda da Torre da Alfândega, alertou os responsáveis da Câmara para a situação. Porque, mais do que eventuais ganhos políticos, aquilo que verdadeiramente o movia era a vontade de contribuir para uma solução que devolvesse a Torre da Alfândega ao domínio público. Infelizmente, não foi escutado.

Desde o dia 16 de Março de 2016, um rio de tinta tem corrido sobre a Torre da Alfândega. E os responsáveis autárquicos têm seguido o seu curso, em navegação de cabotagem. À falta de bússola e de cartas de marear que os orientem, vão seguindo pela linha do improviso, respondendo por arrancos às dificuldades que se lhes vão antepondo. O resultado é uma rota sinuosa, feita de respostas erráticas, que forçosamente deixarão cicatrizes na credibilidade de quem as profere. A cada dia, uma resposta diferente, várias vezes contraditória com as respostas dos dias anteriores. Quando, afinal, o caminho era tão fácil: bastava não terem subestimado o que o vereador Torcato Ribeiro lhes dizia. Porque, como já perceberemos, se ainda não percebemos, ele tinha razão em tudo quanto disse no dia 16 de Março.


Porque, ao contrário de tantos dos que por estes disas se têm pronunciado sobre a questão da Torre da Alfândega, o Torcato sabia bem daquilo de que falava.
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