2 de junho de 2011

Da distância que vai entre o dizer e o ser




"Eles não estão nem perto do aeroporto... eles estão perdidos no deserto... eles não sabem ler uma bússola... eles são retardados."
(Palavras de Muhammed Saeed al-Sahaf, Ministro da Informação de Saddam Hussein, ditas em Abril de 2003, quando as forças norte-americanas já controlavam o aeroporto de Bagdad)

Uma capital é uma cidade. Uma cidade é feita de cidadãos. Uma Capital Europeia da Cultura é, tem de ser, um acontecimento que marque pela positiva a história de uma cidade e a memória dos seus cidadãos. Tem de deixar lastro para o futuro. Não se pode erguer de costas voltadas para a cidade, para os cidadãos e para quem governa a cidade.

Recordo palavras escritas neste espaço, num tempo em que ainda não havia Fundação Cidade de Guimarães:



Desde que este texto foi escrito, já passaram mais de dois anos. Desde então, o afastamento dos cidadãos foi crescendo, porque quem tomou a seu cargo a tarefa de conduzir o processo foi inepto para cumprir com os objectivos a que se propôs. Hoje não há em Guimarães quem não tenha percebido que há uma retórica em que se teima, mas que está cada vez mais distante da realidade. Sejamos claros: o problema de quem tem a seu cargo erguer a CEC 2012 é de falta de clarividência para perceber a realidade e de competência para dar respostas aos desafios que se vão colocando.

Por aqui não temos, nunca tivemos, problemas em aceitar que viesse de fora quem fosse capaz de fazer melhor do que nós o que havia para ser feito. Acontece que, desta vez, temos todas as razões para nos sentirmos defraudados. É hoje consensual e transversal à sociedade vimaranense a ideia de que a Capital Europeia da Cultura com que se sonhou ameaça transformar-se num imenso pesadelo. Ainda vamos a tempo de conter os danos, mas isso só será possível com soluções colectivamente assumidas, que permitam voltar a ganhar a confiança das pessoas, incutindo um entusiasmo renovado no processo de construção da Capital Europeia da Cultura.
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