6 de novembro de 2009

Os Lusíadas da Sociedade Martins Sarmento (2)




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Não existindo documento de registo da entrada na Sociedade Martins Sarmento do exemplar da edição de 1572 de Os Lusíadas, à partida apenas se sabia, com certeza, que a obra já se encontrava na Biblioteca da SMS em 1887, aquando da edição do seu primeiro catálogo impresso (onde já consta, mas sem qualquer indicação de proveniência), e que ostenta, além do carimbo da SMS, uma outra marca de posse, manuscrita na base do frontispício ('Azevedo').

No "Dicionário Bibliográfico Português", de Inocêncio Francisco da Silva, publicado num tempo em que a versão Ee… era tida como a 2.ª) aparece uma listagem dos exemplares desta edição de que Inocêncio teria notícia (p. 251, tomo 14.º), a saber:

1.º o da Biblioteca Nacional de Lisboa: 2.° o que existia no convento de Jesus, pertencente hoje á Academia, dado aos religiosos do dito convento pelo falecido dr. Lima Leitão, como consta de uma declaração autógrafa nele exarada: 3.° o que foi do falecido Visconde de Almeida Garrett, pertencente hoje ao sr. José Maria da Fonseca: 4.° o da colecção Norton: 5.° o da colecção Adamson (vendido por 11 £): 6.° o que foi do dr. Abranches, e depois de Joaquim Pereira da Costa: 7.° o que pertenceu ao extinto mosteiro de S. Bento de Lisboa, daqui levado pelo ex-beneditino Fr. João de S. Boaventura em 1834 (vej. no Dicionário, tomo III, pág. 330) existente agora na Biblioteca Pública do Rio de Janeiro: 8.° o do Gabinete Português de Leitura da mesma cidade, comprado por 154:000 réis (moeda do Brasil): 9.° o da Biblioteca Imperial de Paris, etc., etc.

Quanto ao exemplar da Biblioteca da SMS, nada em Inocêncio. O seu continuador, Brito Aranha, na página 32 do Tomo 5.º, insere uma outra listagem dos exemplares da versão Ee…:

Desta segunda edição, são conhecidos os seguintes exemplares em Lisboa: da academia das ciências, da biblioteca nacional (dois, um em melhor estado de conservação, que o outro); dos srs. Fernando Palha, conselheiro Gama Barros (que pertenceu ao falecido José Maria da Fonseca); bacharel António Augusto de Carvalho Monteiro (que o adquiriu no leilão dos livros do conselheiro Minhava), e João Henrique Ulrich; no Porto: o sr. dr. José Carlos Lopes, no Brasil: sua majestade o imperador, o gabinete português de leitura do Rio de Janeiro, e a biblioteca nacional da mesma cidade; e em Paris: a biblioteca nacional. O exemplar da segunda edição, que possui a biblioteca nacional do Rio de Janeiro, foi comprado em 1880 ao livreiro editor, sr. B. L. Garnier por 405$000 réis (moeda fraca). Pertencera a D. Diogo de Rocaberti y de Pau, cuja assinatura autografa vem na folha do rosto. Está em perfeito estado de conservação.

Também aqui, nenhuma referência ao exemplar da SMS.

Para a edição em fac-simile dos Lusíadas (ed. de 1921), a Biblioteca Nacional fez o levantamento dos exemplares existentes, cujo resultado aparece na pág. XXXIV da obra. É o seguinte:

EXEMPLARES DE Ee

A Biblioteca Nacional de Lisboa possui quatro, marcados na Camoneana com os n.os 2, 3 (foi este o reproduzido), 4 e 11 (preto). O frontispício, licenças, privilégio (4 pág.) e as ff. 177 e segg. do texto de Ee 11 pertencem à ed. de 1597, sendo por isso colocado ao pé dos exemplares desta ed. Foi posto o n.º 1 ao exemplar de E.

Ha também um exemplar de Ee na Biblioteca da Academia das Sciências. Vai reproduzida uma est. deste ex. no § 1 da Introd.

Responderam à circular da Direcção da B. N. de Lisboa, informando que possuíam um exemplar de Ee, as seguintes entidades

Portugal, Lisboa: Os Srs. Henrique da Gama Barros, D. Francisco de Almeida e Conde de Avilez. Porto: Ateneu Comercial (1). Guimarães: Sociedade Martins Sarmento (2).

Brasil, Rio de Janeiro: Gabinete Português de Leitura (3).

França, Paris: Biblioteca Nacional (4).

Inglaterra, Londres: Museu Britânico (5). Oxford: A Bodleiana (6). Comunica também a Direcção do Museu Britânico que existem ali dois exemplares de E, num dos quais as 2 primeiras folhas são de Ee.

Itália, Nápoles: Biblioteca Nacional. Ex. que pertenceu à casa Farnese (7).

Os números entre parêntesis remetem para pormenores de cada exemplar que foram objecto do inquérito da BN, que aqui se omitem.

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