10 de julho de 2008

"Se na batalha do campo de S. Mamede..."

Alexandre Herculano. Gravura da Col. da Sociedade Martins Sarmento.

“Se na batalha do campo de S. Mamede, em que Afonso Henriques arrancou definitivamente o poder das mãos de sua mãe, ou antes das do conde de Trava, a sorte das armas lhe houvera sido adversa, constituiríamos provavelmente hoje uma província de Espanha. Mas no progresso da civilização humana tínhamos uma missão que cumprir. Era necessário que no último ocidente da Europa surgisse um povo, cheio de actividade e vigor, para cuja acção fosse insuficiente o âmbito da terra pátria, um povo de homens de imaginação ardente, apaixonados do incógnito, do misterioso, amando balouçar-se no dorso das vagas ou correr por cima delas envoltos no temporal, e cujos destinos eram conquistar para o cristianismo e para a civilização três partes do mundo, devendo ter em recompensa unicamente a glória. E a glória dele é tanto maior quanto, encerrado na estreiteza de breves limites, sumido no meio dos grandes impérios da Terra, o seu nome retumbou por todo o globo.”

Alexandre Herculano, O Bobo, Cap. I
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4 comentários:

Pedro Leite Ribeiro disse...

Sem dúvida que Herculano tem razão, mas, a História não é feita de "ses". Se o fosse nunca acabaríamos de construir ficções. Se Ourique ou Aljubarrota tivessem tido outro desfecho, se 1640 tivesse fracassado, se Napoleão tivesse concretizado o seu projecto de dividir Portugal em dois reinos, etc., etc. Quantos dias de Portugal não poderíamos ter considerando apenas aqueles em que o futuro do país foi decidido!
Aproveito, António Amaro das Neves, para o felicitar pelo excelente blogue. Um dos melhores!

aan disse...

Pois. Mas podemos dizer , sem "ses", que que hoje somos o país que somos porque em 1128, 1139, 1385, 1640, etc, aconteceu o que aconteceu e não coisa diferente. É a velha história dos dentes das galinhas. Podemos conjecturar no que seria o mundo se as galinhas tivessem os ditos, mas a realidade incontornável é que elas os não têm.

Agradeço o que me diz (também sou, com prazer, cliente diário da sua Idolátrica). Isto que aqui tenho não é mais do que uma forma muito prática de ir arrumando os "papéis", partindo do princípio que alguns deles possam vir a ser úteis a alguém.

Cristina Ribeiro disse...

Sabes- porque já to disse- que concordo com o Pedro na apreciação do »Memórias».

aan disse...

Bem o sei, Cristina, obrigado. E também sei que estou em falta contigo, mas a vida tem estado difícil.