8 de julho de 2008

As celebrações afonsinas de 1911 (1)


Nas primeiras festas da cidade após a implantação da República foi introduzido um novo número no programa, o cortejo cívico-histórico, com o qual se assinalou o oitavo centenário do nascimento de D. Afonso Henriques (naquela época, tinha-se como certo que o filho de D. Henrique e D. Teresa teria vindo ao mundo no ano de 1111). Na sua edição de 22 de Junho de 1911, o jornal republicano A Alvorada, dirigido por A. L. de Carvalho, noticiava os preparativos das festas:

Festas da Cidade e Centenário Afonsino

Acha se já mais ou menos esboçado o programa destas festas, que devem revestir a imponência e o brilho dos anos anteriores, nos dias 5, 6 e 7 de Agosto.

Teremos iluminações deslumbrantes, descantes populares, cinematógrafo ao ar livre, feira franca, tourada, batalha de flores, exercício de bombeiros, festivais nocturnos, distribuição de prémios, descerramento da lápide comemorativa do centenário no pedestal da estátua de Afonso Henriques no novo local, marcha milanesa e cortejo civico-histórico.

Este último número será, sem dúvida, um dos melhores da festa pelo seu carácter histórico, sendo constituída a primeira parte pelos arautos com o porta-estandarte ao centro, grupo de cruzados (cavaleiros), carro histórico e charanga; e a segunda porte pelo operariado das fábricas, banda de música, associações de classe e artística, banda de música, agricultura, escolas primárias, escola industrial, academia, banda de música, bombeiros voluntários, associação dos empregados do comércio, clube de caçadores, associações de beneficência, banda de música, imprensa, Sociedade Martins Sarmento, autoridades civis e militares, Câmara, Associação Comercial e regimento com a respectiva banda de música.

Nada há sobre a cunhagem de moeda e de selo comemorativo do centenário, cuja receita se destinaria ao custeamento da obra do Castelo, sendo para lamentar o malogro de tão importante iniciativa.

As festas serão abrilhantadas com a presença de mais de um ministro, o que lhes imprimirá maior importância e destaque.

O cartaz das festas, cujo original está quase concluído pelo autor habitual, deve constituir um reclamo atraente pela empolgante altivez e flagrante significado da figura destacada no primeiro plano.

A Alvorada, n.º31, 22 de Junho de 1911
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