4 de fevereiro de 2008

Qual é a obra? (4)

O Jardim de S. Francisco e o Toural em 1915

...continua daqui

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Pela nossa terra

Consulta Pública
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Qual é a obra mais urgente e de mais alcance que a Câmara deve empreender?


Sr. Redactor

Embora não seja filho desta boa terra vimaranense, quero-lhe quase tanto como àquela em que nasci, porque aqui constitui família e espero passar toda a minha vida. Por isso, V... não estranhará que eu venha também emitir a minha opinião acerca de melhoramentos públicos.

Acho bem o aformoseamento do Toural e da praça de D. Afonso Henriques, pois parece-me de grande vantagem que os forasteiros, ao entrarem em Guimarães, fiquem bem impressionados com o aspecto de jardins modernos, nesta terra que muitos acoimam de feia e retrógrada.

Parece-me que a comissão municipal deve também atender à boa distribuição da iluminação pública. Há sítios completamente às escuras, como, por exemplo, a parte da rua da República, compreendida entre a entrada da rua das Lamelas e a viela do Serralho.

Pode alguém julgar que nesta reclamação há um pouco de egoísmo. Reparem bem e com atenção e hão de ver que há somente justiça.

De V... etc.

António Joaquim Gonçalves.

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Julgo que a obra de maior necessidade a fazer-se, será uma rigorosa vigilância sobre o chamado regatão, para que ele não possa lançar mão dos géneros de consumo, como vem lançando.

Mandando a Exma. Câmara fazer uma rigorosa vigilância sobre o regatão de aves, porque razão a não manda fazer sobre o dos cereais?

Sobre as aves, que o seu maior consumidor é o proprietário, faz-se vigilância. Sobre os géneros que o seu maior consumidor é o operário, não se faz caso.

Porque não se contribui este bicho que anda medrando na sombra?

Era bom que a Exma. Câmara olhasse para estas coisas.

Um operário.

***

Tendo lido no muito conceituado jornal diversos alvitres para os melhoramentos que a municipalidade de Guimarães deve empreender, eu, na qualidade de vimaranense patriota e apologista do progresso e embelezamento da minha terra natal, também venho por este meio enfileirar-me ao lado daqueles que desejam o engrandecimento da sua terra.

Uma vez que se trata do embelezamento da cidade, era uma obra de grande urgência que fossem demolidos os alpendres em frente do edifício dos paços do concelho, assim como os que vão em seguimento ao largo da Senhora da Guia; além de não de ser uma obra muito dispendiosa – porque são uns velhos pardieiros que estão ameaçando ruína – era um dos melhoramentos de maior importância.

Um vimaranense.

[Alvorada, n.º 12, 1.º ano, Guimarães, 11 de Fevereiro de 1911]

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