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Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2006

O palácio pastiche

Quando o primeiro quartel do século XV ia chegando ao fim, o Conde de Barcelos, D. Afonso, filho bastardo de D. João I, homem viajado e conhecedor da Europa do seu tempo (participou em missões diplomáticas junto das cortes de França, Veneza, Castela e Aragão), mandou construir um paço em Guimarães, na mesma colina onde se ergue o velho castelo medieval. Há referências, bastante vagas, que parecem indicar que a direcção da obra teria sido entregue a um mestre francês, chamado Antom. A construção deste edifício é contemporânea da do paço que o mesmo Conde mandou construir em Barcelos, que seria muito afectado pelo terramoto de 1755, acabando por derrocar em 1800. Sabe-se que quando, em 1442, o regente D. Pedro se alojou aqui, na altura em que outorgou ao seu meio-irmão D. Fernando o título de Duque de Bragança, o palácio estava inacabado. E a obra continuava incompleta aquando da morte por decapitação do segundo Duque, D. Fernando II, que fora acusado de traição ao rei D. João II. Assim …

Os Reis

Tempos houve, não muito longínquos, em que o espaço rural ainda entrava pela cidade adentro. Com o decurso do tempo e o processo de alargamento do território urbano, a ruralidade vai-se perdendo e, com ela, vão desaparecendo os modos de vida, as tradições e as práticas costumeiras que se associavam ao calendário agrário, e que ajudavam a dar forma à identidade cultural de Guimarães e das suas gentes.

É o que sucede, por exemplo, com o ciclo das festas do Inverno que se inicia pela Senhora da Conceição (8 de Dezembro) e se encerra pelo S. Sebastião (20 de Janeiro), onde o Natal ocupa o espaço central. Nas nossas velhas aldeias, este era um tempo de menos trabalho nos campos e de alguma fartura nas casas, com as tulhas cheias do cereal recém colhido, o vinho da última vindima ainda a repousar nas pipas das adegas e o porco da matança recente a salgar nas arcas ou a defumar sobre as lareiras.

Neste tempo, em que as casas dispunham de maior auto-suficiência, reforçavam-se os laços de vizinh…