Memórias Paroquiais de 1758: Mascotelos



Foi em S. Vicente de Mascotelos, no lugar de Bugalhós, que nasceu, em 1853, João Gomes de Oliveira Guimarães, o futuro Abade de Tagilde, historiador de Guimarães que, ao virar do século, iniciaria a compilação sistemática dos Vimaranis Monumenta Historica, obra monumental que pretenderia coligir os documentos da história vimaranense, cuja publicação foi interrompida pela sua morte. Até hoje.
Antigamente chamava-se Marcetelles. Em meados da década de 1830 foi anexada a S. Tiago de Candoso. Os seus moradores não aceitaram de bom grado a anexação e exigiram o regresso à antiga autonomia, o que lhes foi deferido em Novembro de 1837. No início de 1896, foi reposta a anexação a S. Tiago de Candoso, de que tornaria a separar-se, até ser extinta em 2013, juntando-se novamente a S. Tiago. Até ver.
Ali acontecia uma feira de gado quinzenal, que já se realizava em 1651. Em 1680, o rei D. Pedro emitiu uma provisão regulando a venda de géneros, com referência especial aos vinhos, na feira de Santo Amaro, com o propósito de evitar distúrbios entre os vendedores. Logo a seguir, o juiz e os vereadores da vila de Guimarães interpuseram um processo na Relação do Porto, com o propósito de levar a feira de gado de Santo Amaro para a vila. Em Abril de 1681, uma nova provisão régia ordenava que se respeitasse a deliberação da Câmara de Guimarães de passar a fazer a feira de gado na vila, devido ao “grande inconveniente em se fazer no dito lugar de Santo Amaro, onde se praticavam roubos, enganos e descaminhos, e por neste lugar de novo ser mais conveniente ao povo e arrecadação da fazenda real, sem embargo de qualquer sentença que houvesse da Relação do Porto”. A feira de Santo Amaro passaria a ser anual, acontecendo no dia 15 de Janeiro de cada ano, quando se celebra o santo que lhe dá o nome.
Por estas terras não faltas histórias de mouras encantadas, de tesouros escondidos, de aparições e de outras tradições fabulosas. Como esta, que Martins Sarmento contou nos seus apontamentos etnográficos:
No monte de Santo Amaro tem sido visto de noite e ainda há pouco tempo um vulto estranho: é um vulto duma altura desconforme, vestido duma como alva de padre, mas sem cabeça, nem mãos. Traz um guarda-chuva. Como o segura, se não tem mãos? Não se sabe. Sabe-se que não tem mãos e se cobre com um guarda-chuva. Que não tem cabeça também não sofre dúvida, porque, bem que o guarda-chuva deva cobrir-lhe a cabeça, os que o viram afirmam que ele se volta para um lado e outro, deixando ver claramente que é decapitado.
Infelizmente, não chegou até nós a resposta do cura de Mascotelos aos questionários das Memórias Paroquiais de 1758.

Mascotelos
Mascotelos é aldeia e paróquia do termo da vila Guimarães, na comarca do mesmo nome. O seu povo consta de 29 fogos, com 74 almas de sacramento, na matriz dedicada a São Vicente Mártir.
O pároco é cura apresentado pelo Cabido da Colegiada de Guimarães e tem de côngrua 30$000 réis.
Mascotelos”, Dicionário Geográfico de Portugal (Memórias Paroquiais), Arquivo Nacional-Torre do Tombo, Vol. 42, n.º 171, p. 86.
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