3 de julho de 2013

Efeméride do dia: O Verão pode tardar, mas não falha...


3 de Julho de 1838
Foi o primeiro dia em que não esteve tanto frio (à excepção de uns poucos de dias no princípio do mês passado) pois desde o princípio do Inverno até esta parte, fez sempre frio, ou chuva, sendo esta em uma abundância tal e tão continuada, tanto no Inverno como na Primavera, que com as cheias que fez, causou bastantes estragos. Ainda neste dia havia muito vinho por limpar, do pouco que escapou ao frio e às névoas. PL
(João Lopes de Faria, Efemérides Vimaranenses, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento, vol. III, p. 10)
Não há muitos tempo, líamos notícias como esta, retirada do ionline.pt:

Segundo as previsões do canal francês “Meteo”, há 70% de probabilidade de haver uma ausência total de Verão na Europa Ocidental. Mais, este Verão pode mesmo vir a ser o mais frio e húmido desde 1816.

Ora, são previsões como esta que o tempo de se encarrega de desmentir sem dó nem piedade, como neste momento sentimos na pele. Já todos percebemos que este vai ser um ano com Verão, porque já está a ser. Aliás, o único ano sem Verão de que há memória foi o de 1816 a que se refere a notícia, mas a alteração climática desse ano teve uma causa bem identificada: uma actividade vulcânica fora do comum, que teve o seu ponto mais alto nas erupções do Monte Tambora, na actual Indonésia, no ano de 1815, que tiveram efeitos no hemisfério norte, provocando um “Inverno vulcânico”, perda de colheitas e fome.
No entanto, muitas vezes o Verão chegava fora de tempo. Assim aconteceu no ano de 1838, em que o Inverno parece ter acabado no dia 3 de Julho. No ano seguinte ainda foi pior: o primeiro dia do Verão desse ano aconteceu no dia 1 de Agosto. Até aí, tinha havido muitas chuvas e algum frio. Mas no ano de 1828, o calor do Verão chegou ainda mais tarde a terras de Guimarães, no dia 15 de Agosto.
No passado, era muito frequente a ocorrência de episódios meteorológicos que se desviavam claramente do padrão. Chuvas violentas em plena Verão, por vezes acompanhadas por de trovoadas ou tempestades de granizo, sempre foram mais comuns do que pode ser suposto.
No dia 31 de Julho e nos dois primeiros dias de Julho de 1836, desabaram sobre Guimarães trovoadas violentíssimas. Na tarde do dia dois, a temperatura chegou aos 82 graus (indicação do cónego Pereira Lopes, sem indicação da escala utilizada; admitindo que possa ser a de Delisle, a temperatura terá rondado os 35 graus centígrados). No dia 6 de Julho de 1875, ocorreu uma tempestade de granizo, que causou as vítimas do costume: os frutos, nomeadamente os das vinhas.
No entanto, o fenómeno meteorológico mais extraordinário que encontrámos nos registos de João Lopes de Faria leva-nos até ao estio de 1850. No dia 24 de Agosto daquele ano, terá caído neve (provavelmente, granizo) em Guimarães, fazendo calor nos dias seguintes…
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