4 de junho de 2013

As Poesias de António Lobo de Carvalho (45)

À morte do Beneficiado Fonseca, grande ratão, que tudo metia a bulha, e até o próprio Marquês de Pombal lhe tinha medo.

  

Morreu pois o Fonseca, herói tumbeiro,
A morte lhe pregou palmada na anca,
A palestra ficou de perna manca,
Faltando-lhe o seu mestre cavaleiro:

Esse, que fora mexilhão de Aveiro ,
E depois camarão de Vila Franca,
Capaz de ir ver a cova a Salamanca,
E não fosse o gastar algum dinheiro:

Expirou, e morreu muito benquisto,
Deixando chocas para encher mil sacas,
Satisfeito morreu do que tem visto:

“Vou consolado (diz com vozes fracas)
“Morro no tempo em que morreu Cristo,
“Porque morro no tempo das matracas.”



*Esteve desterrado em Aveiro, e Vila Franca por ordem do Marquês de Pombal.
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