18 de junho de 2013

As Poesias de António Lobo de Carvalho (55)

Ao mesmo Talaia, quando perdeu a cabeleira toureando na praça do Salitre.



Deixa falar o mundo, a qualquer vaia
Não respondas, que o herói somente briga;
Pouco importa que o mundo te persiga,
Que tu sempre hás-de ser Doutor Talaia:

Dirão que és um toureiro doutra laia,
Que não entras na praça à moda antiga,
E que fingindo dores de barriga
Levas de bruços pernas à facaia:

Digam o que quiserem; que o desdouro
Com eles ficará; leve-os a breca,
Que tu lhe hás-de quebrar bem cedo o agouro:

Mas todos riram bem (foi forte seca!)
Quando te ergueste, livre já do touro,

À vista das madamas em careca!
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