11 de junho de 2013

As Poesias de António Lobo de Carvalho (52)



Ao Talaia, que não teve mais que fazer em Sacavém, que dar duas tremendas cutiladas em um touro, a tempo que este já estava morto.





Não dês, Talaia, não, contra o preceito
Nesse bruto, que enfim te não resiste;
Não se estrague o valor numa acção triste,
Onde ileso ficou o teu respeito:

Corra embora a cachões sangue do peito
Cada vez que o agressor no campo existe;
Mas o boi já morreu, como tu viste,
Às mãos de leu colega* em postas feito:

“Cedo já (diz Talaia) já não provo
Neste curro estas armas reluzentes,
Que à história hão-de sentir de assunto novo:

“Só as febras, que eu sinto mais ardentes
É ser isto com um boi, não ser com um Lobo.
Que lhe abrira a cabeça até os dentes!”


*O mulato do Conde de Óbidos.
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