16 de maio de 2013

Milagres da água da Fonte de S. Gualter e do sepulcro do santo (2)

S. Gualter

Uma mulher da Cidade de Braga tinha um menino paralítico, levou-o ao sepulcro do Santo em uma canastra, e depois de lhe fazer uma Novena, disse angustiada: Glorioso S. Gualterou me dai saúde a este filhoou lhe dai logo a morte, pois sabeis que por minha pobreza o não posso sustentar. Foram tão bem aceites as suas lágrimas, que logo saltou o menino fora da canastra, são.

Levou um homem um filho quebrado de três anos, lavou-o algumas vezes na fonte, e disse: Ou morto, ou são te hei-de levar daqui. Sempre o levou depois ao sepulcro do Santo, em cuja presença alcançou a desejada saúde.

Uma mulher, que não tinha leite para criar um menino, orando diante do seu sepulcro, logo o teve em tanta abundância, que pôde continuar a sua criação.

Os ausentes, que imploravam o seu patrocínio, tiveram também a boa ventura de alcançá-lo. Dois aleijados, três moribundos, outro tido por morto, os quais foram oferecer as mortalhas e as muletas ao seu sepulcro.

Dois paralíticos, um dos quais não dava sopro que pudesse apagar uma candeia, alcançaram saúde perfeita pela fé com que beijaram uma sua imagem.

Deu não só saúde a dois doentes, que foram visitar o seu sepulcro, senão também a dois filhos, um asmático e outro leproso, que lhes ficavam em casa.

Os doentes que o iam visitar, costumavam levar água da sua fonte para suas casas, pela qual obrava Deus Senhor nosso grandes maravilhas nos enfermos que a bebiam.


Uns romeiros da Vila de Esposende, na volta da sua romaria, levaram tanta quantidade desta água que andavam como à porfia de quem mais levaria. Vendo isto, um moço, chamado António Rodrigues, disse por zombaria: Porventura essa água há-de levar-vos ao Céu. Mas logo foi castigada a sua pouca fé e temeridade, pois andando brincando com outro moço, o lançou no chão, de sorte que quebrou uma perna. Ocorreu-lhe ser castigo, recorreu ao Santo, por cujos merecimentos alcançou a saúde para a perna.


Boaventura Maciel Aranha, Cuidados da morte e descuidos da vida, Oficina de Francisco Borges de Sousa, Lisboa, 1761, tomo I, pp. 135-136


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