4 de maio de 2013

Efeméride do dia: Uma forca sem enforcados

A Praça da Oliveira representada na planta de Guimarães de c. 1569. A coluna que aparece do lado esquerdo do terreiro é o pelourinho da vila.


4 de Maio de 1729

É arrematada pelo mestre pedreiro João Teixeira, da freguesia de Golães, e por 7$200 réis a pedra carreada à custa do concelho, a construção de uma forca, de altura de 13 palmos e 2 pilares de 3 palmos de largo em quadro, acabando cada um com sua pirâmide. O falecido abade de Tagilde, publicou esta efeméride no “Vimaranense”, e acrescentou-lhe: “Dá-nos esta notícia o padre Caldas nos seus Apontamentos para a História de Guimarães, quando trata do pelourinho que havia no Campo de S. Francisco, mas não nos diz se a forca devia ser levantada no mesmo local do referido pelourinho. Felizmente não chegou a ser neste local ou noutro qualquer da vila”. - A forca fez-se no alto do monte da Quinta de Vila Flor, onde ainda estão duas pedras quadradas, soleiras dos pilares, e no respectivo livro da despesa feita pela Câmara no ano de 1729 consta a seguinte verba:”com a forca que se fez e ferro para ela e chumbo e cal 9$190 réis”.

(João Lopes de Faria, Efemérides Vimaranenses, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento, vol. II, p. 112)

Não há memória da execução da pena de morte em terras de Guimarães. É certo que foi erguida uma forca em 1729, mas também parece certo que nunca serviu para o fim para que foi erguida. Por aqui, temos notícias de uns quantos enforcamentos, mas todos eles resultantes de suicídios consumados. Aparentemente, os mais de nove mil réis que se gastaram com a forca em 1729 resultaram numa despesa inútil, ou seja, este foi mais um caso de desperdício de dinheiros públicos… Felizmente, como diria o Abade de Tagilde.

Para execução de penas que implicavam humilhação pública, existiu em Guimarães um pelourinho. Esteve na Praça da Oliveira (está representado na plana quinhentista de Guimarães) e depois foi transferido para perto do Convento de S. Francisco para o espaço que então ficou conhecido como Largo do Pelourinho, hoje Largo do Trovador.
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