4 de maio de 2013

As poesias de António Lobo de Carvalho (13)


Ao Conde da Calheta prognosticando-lhe sucessão em um filho varão.

  
Eu tenho, excelso Conde, um livro antigo;
Nunca das mãos me sai, ou de algibeira;
Que um cigano deixou a uma parteira,
A qual em vida quis casar comigo:

Contém de adivinhações um longo artigo,
Sinais de parto pela vez primeira,
E trata esta questão em lauda inteira:
La dama encinta si trae hembra, ou hijo?

Com que eu cá me entendo: isto suposto
Quereis vós apostar um tanto, ou quanto,
Pois mais que o ganho a perda vos dá-gosto?

Se for varão, que venha a lume santo.
Perdeis uma casaca; e eu sempre aposto
Sendo fêmea, atrás dela andar de manto.


Eis um soneto em que o Lobo se dá ares de adivinho aciganado, e aposta com o Conde da Calheta que a sua senhora ia dar à luz um rapaz. A aposta valia uma casaca. Logo veremos se a ganhou. 
Partilhar:

0 comentários: