9 de maio de 2013

As Poesias de António Lobo de Carvalho (18)


Ao Conde da Calheta em dia de finados, em cuja Capela ouviu o Lobo várias missas.


Uma foi por meu Pai que mil pesares
Nesta vida me deu de tranca ingente,
E a minha Mãe, eu pedi somente
A benção do alto Céu por esses ares:

Das mais todas, Senhor, uma colecta
De sufrágios poreis no tabuleiro,
Que daqui ao outro mundo se acarreta;
Mas o momento, que fareis primeiro

Seja só pretensão deste Poeta,
Que está tocando as almas por dinheiro.
Já de missas contei cinquenta pares,

Que hoje ouvi meu conde instantemente,
Que eu oiço e vejo mui sofrivelmente,
E ouvira mais se houvera mais altares.
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