29 de maio de 2013

As Poesias de António Lobo de Carvalho (39)

Na mesma ocasião.*



Que tirasse o Marquês com mão avara
Do erário de el-rei o metal louro;
Que ajuntasse um riquíssimo tesouro,
Sem inveja lhe ter, eu desculpara:

A sede insaciável se fartara
No contrato dos vinhos do Alto-Douro,
Se roubasse ao judeu, ao índio, ao mouro,
E ao rico holandês, não criminara:

Mas o que não consinto, nem aprovo
É da sua ambição dar-nos assunto,
Assunto nunca visto, assunto novo:

Pois não contente do que tinha junto,
Até tirou as lágrimas ao povo
Com que chorar devia o rei defunto!


* Segundo soneto escrito por António Lobo de Carvalho aquando da destituição do Marquês do Pombal, na sequência da morte do rei D. José I.
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