25 de maio de 2013

As Poesias de António Lobo de Carvalho (34)


Parodiando o soneto em que João Xavier de Matos descreve o templo de Amor:
No templo entrei de Amor, e inda gelado.
(Tom. 1.º pág. 70.)



Fui uma vez de Amor à sacristia,
Que era um quarto interior do Talaveiras,
E vi trinta milhões de alcoviteiras,
Inculcando a safada putaria:

De chischisbéus a tropa ali se via
Encrespando os anéis das cabeleiras,
E descendo-lhe o vinho às algibeiras
Davam cada facada, que estrugia:

O manso corno então se vai embora,
De albarda o chischisbéu vi, que trabalha
Por servir como burro a uma senhora:

No tecto estava Amor de escudo e malha.
Com seis vinténs na mão, e a pica fora
Mijando em toda aquela vil canalha.
Partilhar:

0 comentários: